Governo Bolsonaro abandona obras paradas e monta um esquema de ‘escolas fake’

11/04/22
Estadão Conteúdo
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O esquema de “escolas fake” tem como base o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE)
Divulgação
FNDE recuou e reduziu o preço máximo para a compra em leilão de 3.850 ônibus escolares rurais – Foto: divulgação
Apesar da falta de recursos para terminar 3,5 mil escolas em construção há anos, o Ministério da Educação (MEC) autorizou a construção de outras 2 mil unidades. Bom para mostrar no palanque de campanha, o projeto não tem recursos previstos no orçamento, o que deve aumentar o estoque de escolas não entregues pelo governo e esqueletos de obras inacabadas. Mesmo assim, os colégios já são anunciados por deputados e senadores aos seus eleitores.

O esquema de “escolas fake” tem como base o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), controlado pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, por meio de um apadrinhado. O fundo precisaria ter R$ 5,9 bilhões para tocar todas as novas escolas contratadas. Com o orçamento atual, levaria 51 anos para isso. Ao priorizar obras novas em detrimento das iniciadas, o governo fere leis orçamentárias.

Em publicação em seu Instagram, o deputado Zé Mário (MDB-GO) diz aos seus seguidores que conseguiu R$ 6,93 milhões para construir uma escola rural no interior do município de Morrinhos, em Goiás “Recurso viabilizado junto ao FNDE”, escreveu, com uma foto sua em que aparece sorridente. Na verdade, o governo liberou apenas R$ 30 mil e não há previsão orçamentária de que o restante do valor sairá. “Eu não tenho como iniciar uma obra desse valor”, disse o prefeito Joaquim Guilherme (PSDB). “Com esse pequeno empenho que foi feito aí?” Procurado, o prefeito Zé Mário alegou que a publicação foi erro de sua assessoria.

No Paraná, o prefeito do município de Ubiratã, Fábio D’Alécio (Cidadania), recebeu autorização para construção de uma escola de R$ 3,2 milhões. Até agora, foram empenhados, isto é, reservados, R$ 5 mil. “Do ponto de vista global, realmente as contas parecem que não estão casando”, afirmou o prefeito ao Estadão. “Dá a impressão de que é um compromisso só político e não técnico. A expectativa minha é a de que o convênio tenha começo, meio e fim. Agora, não tenho como avaliar se isso vai, de fato, acontecer.”

Correligionário de Ciro Nogueira, o deputado Vicentinho Junior (Progressistas-TO) disse aos seus eleitores nas redes sociais que conseguiu R$ 206 milhões para construção de 25 escolas, 12 creches e três quadras poliesportivas para 38 cidades do seu Estado. Deu inúmeras entrevistas sobre a suposta conquista. Os empenhos (reserva) que ele obteve, contudo, foram de R$ 5,4 milhões. Valor equivalente a 2,6% do total. Com essa cifra, não é possível construir uma única escola. É mais uma promessa falsa O volume de recursos ultrapassa tudo o que o FNDE tem para investir este ano de recursos próprios.

VALORES. Os números do FNDE expõem como funciona o esquema das “escolas fake”. Faltando oito meses para o fim do governo, foram liberados 3,8% dos recursos previstos para a construção das 2 mil escolas e creches, sendo que 560 obras receberam apenas 1% dos valores empenhados.

Neste ano, o fundo tem R$ 114 milhões de recursos próprios. Seriam necessários R$ 5,9 bilhões para as 2 mil novas escolas que se comprometeu a fazer. Além disso, o governo precisaria de mais R$ 1,7 bilhão para concluir as 3,5 mil obras em andamento no País.

Na última quinta-feira, o presidente do FNDE, Marcelo Ponte, apadrinhado de Ciro Nogueira, disse na Comissão de Educação do Senado que a prioridade do órgão é terminar obras inacabadas. E omitiu os novos termos de compromisso. “A prioridade é executar obra inacabada?”, perguntou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). “Obra inacabada”, respondeu Pontes.

As prioridades para realização de novos empreendimentos atendem a critérios políticos, com a necessidade de aprovação de Ciro Nogueira. Como o Estadão tem mostrado, o fluxo de verbas do FNDE prioriza redutos do partido do ministro, o Progressistas.

O advogado e professor Heleno Taveira Torres, titular de Direito Financeiro da Universidade de São Paulo, disse que essa previsão, além da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), está presente também na Constituição Federal. “Os empenhos picados, sem créditos orçamentários, fere a Lei 4.320. É algo muito grave “

A professora Élida Graziane Pinto, da FGV, afirmou que “alocar recursos sabidamente insuficientes para obras novas, quando há um saldo significativo de obras paralisadas, ofende a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei de Diretrizes Orçamentárias”. “É uma alocação gerencialmente irracional e fiscalmente irresponsável que apenas atende ao curto prazo eleitoral dos que desejam tão somente inaugurar placas”, disse Elida.

PASTORES

O esquema de distribuição a conta-gotas de recursos para novas obras soma-se a outros casos de captura da área da educação no governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). Na gestão do então ministro Milton Ribeiro pastores circulavam com desenvoltura no MEC, intermediavam recursos e cobravam propina, como relataram prefeitos ao Estadão. As cobranças eram feitas até em ouro. Ribeiro deixou o cargo.

No FNDE, órgão que concentra boa parte das verbas de investimento da área, Ciro Nogueira exerce influência política. O presidente do fundo, Marcelo Ponte, foi seu assessor. Outro diretor do órgão, Garigham Amarante, chegou ao cargo apadrinhado pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Os dois patrocinaram licitação para compra de ônibus escolares com preços inflados. Após o Estadão revelar o risco de sobrepreço no leilão, o governo ajustou a cotação dos veículos. O certame está embargado pelo Tribunal de Contas da União. Procurado, o FNDE não quis comentar.

Mais:

“Para Quem Sopram os Ventos? ”

11/04/22

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Neste mês de abril acontece a  Campanha Contra os Impactos dos Parques Eólicos no Regional NE2, tendo como  um novo produto em lançamento, a exposição fotográfica itinerante: “Para Quem Sopram os Ventos? ”

Esta tem sido a pergunta que rege a Campanha que perpassa os 4 estados onde se encontram as 18 entidades membros assessoradas pela Cáritas Brasileira Regional NE2 (Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas), que realiza a ação com apoio da Instituição católica alemã, Misereor.

A campanha em linha geral, busca alertar e trazer à tona o sofrimento das comunidades tradicionais, rurais e ribeirinhas atingidas pelos impactos socioeconômicos, ambientais e de saúde causados pelo atual modelo de implementação dos megaprojetos de energia eólica, além de ampliar o debate sobre a importância de repensar novas formas de geração da energia limpa e descentralizada, que respeitem as comunidades e promovam o Bem Viver das famílias dessas localidades.

Neste sentido, gostaríamos de convidar você para participar do momento de lançamento da exposição em Pernambuco, acontecerá no dia 11 de Abril às 13h30, no auditório Dom Helder Camara, na Universidade Católica em Pernambuco.

Serviço:
Endereço: R. do Príncipe, 526 – Boa Vista, Recife – PE, 50050-410

Verdejante ajuda participação dos jovens no processo eleitoral

11/04/22

AscomVerdejante

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A equipe do Núcleo de Cidadania dos Adolescentes de Verdejante (NUCA), realizou nesta sexta-feira (08), a primeira abordagem de orientação para os jovens solicitar o título de eleitor. A ação da Campanha Jovem Eleitor teve início no Sítio Riachinho, zona rural do município.

Vários adolescentes entre 16 e 17 anos procuraram os facilitadores para receber a instrução e realizar o cadastro eleitoral no portal do TSE. O objetivo é fortalecer a participação dos jovens no processo eleitoral. A campanha de incentivo é realizada em parceria com o Governo Municipal.
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A equipe tem uma agenda de dia e horário definidos para atender o público alvo que deve solicitar o título de eleitor na eleição desse ano. Siga o nosso cronograma, e saiba onde a equipe realizará as ações! Documentos necessários: Uma selfie segurando ao lado rosto um documento de identidade, frente e reverso do RG, CPF e comprovante de residência.

O ministro da Casa Civil diz : ” Corrupção no governo é virtual, não aconteceu”

10/04/22 
Julia Chaib, Marianna Holanda e Mateus Vargas
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Alvo da PF, ministro Ciro Nogueira  afirma haver só ‘narrativas’ sobre desvios na atual gestão e diz que aliança de centrão com militares ‘está dando certo’. Confira a entrevista concedida pelo ministro.
Corrupção no governo é virtual, não aconteceu
Ministro da Casa Civil da Presidência da República,  Ciro Nogueira

O ministro da Casa Civil diz serem “corrupção virtual” suspeitas de pedido de propina por pastores indicados por Jair Bolsonaro (PL) para intermediar reuniões no MEC. Chamado de “amortecedor” no governo, ele diz não acreditar que o episódio atrapalhe o discurso anticorrupção da gestão. “Não houve corrupção.”

É uma corrupção virtual. Existem as narrativas, mas o que foi desviado lá? Não foi pago nada. Não foi empenhado nada.

Há três meses, se falava que ele [Bolsonaro] podia perder pro Lula. Hoje só perde para ele mesmo. Não Bolsonaro, mas o governo como um todo. Se não tomar medidas corretas, se for fazer medidas eleitoreiras, estourar o teto de gastos. Nós já estamos nos 45 do segundo tempo, com a bola na marca do pênalti. Presidente só precisa chutar para o gol.

O segundo turno já começou. Como diz o presidente, é uma eleição do bem contra o mal. São dois presidentes que têm rejeição muito alta. E [vai ganhar] quem for capaz de atrair o centro, que hoje está, na quase totalidade, com o Bolsonaro

O ministro Ciro Nogueira (Casa Civil) chamou de “corrupção virtual” as suspeitas de pedido de propina por pastores indicados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para intermediar reuniões no MEC (Ministério da Educação).

Chamado de “amortecedor” no governo, o ministro disse não acreditar que o episódio atrapalhe o discurso anticorrupção do governo. “Não houve corrupção. É uma corrupção virtual. Existem as narrativas, mas o que foi desviado lá? Não foi pago nada”, afirmou à Folha.

Ele deu a entrevista na noite de quarta (6), dois dias antes de se tornar público relatório da Polícia Federal que afirma que o ministro cometeu os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro sob a suspeita de ter recebido propina da JBS em troca de apoio para a reeleição de Dilma Rousseff (PT) em 2014.

Procurado novamente nesta sexta (8), o titular da Casa Civil não foi encontrado, mas sua assessoria chamou a conclusão da PF de “enredo fantasioso”, disse que ele será inocentado e que o episódio não tem relação com a participação dele no governo Bolsonaro, mas com “o período turbulento da criminalização da política”.

Na entrevista à Folha, Ciro Nogueira disse que o segundo turno das eleições “já começou” e que Bolsonaro só perde para ele mesmo, caso tome decisões equivocadas na área da economia.

Dirigente do PP, o chefe da Casa Civil afirmou ainda que a aliança de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com Geraldo Alckmin (PSB) “envelheceu a chapa”, enquanto a dobradinha de centrão e militares, que pode ser reforçada com a candidatura de Braga Netto a vice-presidente, “está dando certo para o país”.

O presidente da Câmara defendeu nesta semana rever a Lei das Estatais, diante das indicações que deram errado na Petrobras. O sr. também defende?

Estamos vivendo um novo momento. Você viu essa celeuma da indicação do Adriano [Pires] e do [Rodolfo] Landim. Já pensou se tivessem essas leis de compliance na época do PT, quando eles foram para dentro da Petrobras? Essas pessoas não teriam tido acesso à Petrobras.

Então, nós temos que enaltecer e proteger [a lei], mas eu acho que nenhuma lei é imexível, que não possa ser aprimorada. Vou até conversar com o presidente [da Câmara] Arthur [Lira] para ver o que ele tem para sugerir. Acho que o Arthur, como tudo que ele apresenta, sempre tem meu aval. Se for para melhorar, o governo pode apoiar.

O presidente falou recentemente que o Milton Ribeiro [ex-ministro da Educação] deixou temporariamente o governo. Ele pode voltar?

Ele é uma figura que tem todo o nosso respeito, um homem de bem, correto, sério. Como não tenho dúvida de que será inocentado, não vejo problema de ele retornar ao governo. Mas não é decisão minha, é do presidente.

Como sustentar o discurso anticorrupção com um caso desse dentro do governo?

Mas não houve corrupção. É uma corrupção virtual. Existem as narrativas, mas o que foi desviado lá? Não foi pago nada. Não foi empenhado nada.

Por que é virtual?

Porque não aconteceu. Vocês já esmiuçaram esse caso. Algum recurso foi desviado? Nenhum recurso foi desviado, porque não foi pago nada. É igual à questão das vacinas, é uma corrupção virtual, que não existiu.

Houve pedido de propina dos pastores, segundo relatos dos prefeitos.

Mas não de alguém do governo.

Segundo a fala do próprio Milton, foi o presidente que indicou os pastores, eles levaram os prefeitos.

Indicou, mas não para fazer nada de errado.

O sr. acha correto dois pastores que não tinham vínculo com o MEC participarem de reunião dentro do ministério?

Não vejo nenhum problema em participar de reunião. Se existe um governo que não é tolerante com corrupção é o nosso. Às vezes, vejo muita gente aí falando, principalmente do PT: “Corrupção, corrupção”. Se for para entrar nisso, vamos botar um debate entre o Paulo Guedes e o [Antônio] Palocci para ver como está essa questão de corrupção.

Também há discussão a respeito das emendas de relator. De que forma o sr. avalia esse tipo de distribuição de verbas, que privilegia a base do governo?

Você já viu um governo, desde que o mundo é mundo, não fazer isso? Você acha que no governo do PT o pessoal do PSDB fazia as indicações?

Mas o governo Bolsonaro prometia outra conduta.

Não, a conduta diz respeito ao recurso ser bem executado, não ter desvio de recurso e chegar para a população. Recebemos as indicações do relator do Orçamento. O comando é todo do Congresso. Se é do governo, por que se empenhou recursos para os integrantes do PT?

O presidente teve uma melhora de intenção de votos. A que o sr. atribui a melhora?

Não dá para comparar com nenhum governo [anterior], porque ninguém enfrentou uma pandemia. Mas as pessoas agora estão tomando conhecimento do que foi realizado, as falsas narrativas daquela CPI absurda que criaram.

O governo vai fazer três anos, não tem nada de corrupção. Existe um sentimento que o presidente tem direito à reeleição como os outros tiveram. O segundo governo Lula foi melhor do que o primeiro. O presidente tem direito à reeleição, e o próximo [mandato] dele vai ser muito melhor que o primeiro, porque não vamos enfrentar pandemia, guerra, seca.

O sr. fala com convicção sobre a vitória, mas Lula tem mantido o patamar de votos. Como ganhar?

O maior cabo eleitoral de Bolsonaro é o Lula. O Bolsonaro de hoje é muito melhor do que o Bolsonaro de 2018. O Lula é o contrário. O Lula de hoje é muito pior do que o Lula de 2002. Tenho certeza que as pessoas não vão querer isso.

O sr. teme que Bolsonaro possa não aceitar o resultado das urnas?

Ele sempre ganhou nas urnas e vai ser reeleito. Há três meses, se falava que ele podia perder pro Lula. Hoje só perde para ele mesmo. Não Bolsonaro, mas o governo como um todo. Se não tomar medidas corretas, se for fazer medidas eleitoreiras, estourar o teto de gastos. Nós já estamos nos 45 do segundo tempo, com a bola na marca do pênalti. Presidente só precisa chutar para o gol.

O sr. faz alguma autocrítica da gestão do governo na pandemia? Morreram mais de 650 mil pessoas, o presidente estimulou o uso de medicamentos sem eficácia, desestimulou a vacinação.

Eu mesmo tomei [esses medicamentos]. O mais importante é que o presidente vacinou toda a população e foi exemplo no que diz respeito a investimento na área de saúde. Tanto os empregos quanto a saúde das pessoas.

Recentemente, vimos alguns movimentos na terceira via. O que podem representar para o xadrez da reeleição?

O segundo turno já começou. Como diz o presidente, é uma eleição do bem contra o mal. São dois presidentes que têm rejeição muito alta. E [vai ganhar] quem for capaz de atrair o centro, que hoje está, na quase totalidade, com o Bolsonaro.

Alckmin não pode atrair o centro?

O Alckmin envelheceu a chapa. Não em idade, mas em ideias. É uma chapa de contrastes, que não atrai o eleitorado que pensa no futuro.

Uma chapa do Bolsonaro com o Braga Netto é moderna ou ela só quer manter o Exército próximo?

Acho que é uma chapa do país que está dando certo. Se vier a consolidar o Braga Netto [como vice].

O que está dando certo é uma união de centrão com militares?

Está dando certo o país. É o caminho, as pessoas estão aprovando isso. As instituições militares são altamente respeitadas e aprovadas.

Apesar do aumento no valor do Bolsa Família, o presidente ainda vai mal nas pesquisas entre os mais pobres. A que o sr. atribui isso?

Quadruplicamos o valor do Bolsa Família. As pessoas passaram dificuldade nesse momento de crise, [mas] vão ter a consciência de quem cuidou e foi capaz de dar o equivalente a 15 anos de Bolsa Família e auxílio neste momento.

Se fosse o PT, a gente estaria com saques nas ruas. O [Fernando] Haddad, se fosse presidente, não teria terminado o governo, porque não teria feito as reformas capazes de dar suporte a essas pessoas que precisavam.

O sr. chegou a convidar o Braga Netto a ir para o PP ser vice do presidente?

Ele ainda não me disse que é o Braga Netto. Existe a expectativa. Sempre defendi que o presidente tivesse total liberdade de escolher uma pessoa de confiança. E o Braga Netto se adequa a esse perfil. Normal é acompanhar o presidente.

O sr. participou de outros governos petistas. Se Bolsonaro não for reeleito, pode vir a participar de um eventual governo Lula?

Não. O senador Ciro Nogueira provavelmente vai voltar para o Senado e estará na oposição. E vou defender que o PP permaneça na oposição, mas é uma definição do partido.

O sr. chegou a chamar o presidente de fascista e disse que ele mudou agora, mas ele segue defendendo a ditadura, o filho dele debocha da tortura com a jornalista Míriam Leitão. Isso representa mudança?

Olha, quando eu chamei o Bolsonaro de fascista, eu chamei o deputado. O presidente tem a minha total admiração. Hoje eu tenho um orgulho muito grande de estar ao lado dele.

Ele tem falado em uma batalha que vem pela frente, bem contra o mal, em não aceitar certas coisas. O que isso quer dizer?

Uma coisa que eu concordo com ele é que vai ser uma eleição do bem contra o mal. O bem, pra mim, é o auxílio emergencial, blindar as estatais. E o mal vai ser essas loucuras de se falar em retrocesso de reforma administrativa, estimular invasão do MST.

Na semana passada, ele mandou os ministros do STF calarem a boca e botarem a toga. Isso não é um ataque a uma instituição?

Gosto mais de lembrar das atitudes do presidente Bolsonaro, que sempre foram de respeito às instituições, de respeito à democracia. Ele ganhou as eleições pelas urnas e as atitudes são as melhores possíveis. As pessoas falam “ah, o presidente não se vacinou”, mas ele colocou a vacina no braço de vocês. Graças a Deus, diminuímos a temperatura. Agora, às vezes, você vê juízes falando fora dos autos. Há erros de parte a parte. O fato é que hoje temos um país com instituições sólidas, democracia consolidada, e um presidente que respeita, mais do que tudo, a democracia e as instituições.

Sport vence Sampaio Corrêa na Ilha do Retiro : 1 x 0

10/04/22

 Por Ricardo Bezerra
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 Leão da Ilha não vencia a “Bolívia Querida” desde 2017
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Sport não venceia o Sampaio Corrêa desde 2017
O Sport estreou com vitória na Série B. Na noite deste sábado (09), o Leão da Ilha do Retiro derrotou o Sampaio Corrêa, por 1×0, no primeiro compromisso dos clubes na segunda divisão do Brasileiro. Após um primeiro tempo sem grandes lances, Ray vanegas sacramentou o triunfo rubro-negro aos 42 minutos da segunda etapa. 
O Leão da Ilha deu continuidade o seu histórico de invencibilidade contra a Bolívia Querida na Ilha do Retiro, de frente à um público de 6.834 torcedores. Na partida, promoveu mudanças em seu esquema titular em relação ao que enfrentou o Salgueiro, na última quarta-feira (06).

Denner e Ewerthon foram cortados por conta de desgaste muscular, Ezequiel e Naressi assumiram a titularidade. Além disso, Bill, Regulamentado para a disputa da Série B, assumiu a posição de Jaderson no ataque rubro-negro, ao lado de Parranguez e Luciano Juba.

O início da partida foi de muito estudo pelas equipes, com o Leão da Ilha valorizando a posse de bola, enquanto a Bolívia Querida apostava em uma marcação alta como um contraponto para os avanços rubro-negros. No time visitante, a aposta foi em jogadas em velocidade em contra-ataques.

O goleiro Luiz Daniel, do Sampaio Corrêa, não suou muito no decorrer do primeiro tempo. As principais chegadas do Leão da primeira etapa aconteceram através de lançamentos na grande área, por não ser efetivo nas jogadas do meio de campo. pedro Naressi foi o autor dos dois únicos lances de perigo do Leão.

No segundo tempo, as equipes exibiram um pouco mais de poder ofensivo. O Tricolor Maranhense começou no ataque, com duas oportunidades vindas dos pés do atacante Poveda. Após a entrada de Alanzinho e Blás Cárceres, o Sport conseguiu fazer a bola chegar ao terceiro setor, assumindo o protagonismo da partida na segunda metade da etapa.

Na reta final, o ritmo acelerou. Ambas as equipes estiveram perto de abrir o placar, deixando de lado o jogo defensivo e arriscando mais em jogadas em bola paradas e cruzamentos. E foi dessa forma, em um lançamento de Ezequiel e cabeceio de Ray Vanegas, que o Sport estreou o placar na Ilha do Retiro.

Ficha técnica 

Sport
Mailson; Ezequiel, Thyere, Sabino e Sander; William Oliveira, Bruno Matias (Blás) e Naressi (Alanzinho); Juba, Bill (Ray Vanegas) e Búfalo (Chico). Técnico: Gilmar Dal Pozzo.

Sampaio Corrêa
Luiz Daniel; Mateusinho, Joécio, Nilson Jr e Pará (Lucas Hipólito); Lucas Araújo (Wesley Dias), Ferreira, Maurício e Renatinho (Wesley); Pimentinha (Soares) e Poveda (Eron) . Técnico: Léo Condé.

Estádio: Ilha do Retiro (Recife/PE)
Árbitro: Dênis da Silva Ribeiro Serafim (AL)
Assistentes: Pedro Jorge Santos de Araújo e Rondinelle dos Santos Tavares (ambos de AL)
VAR: Márcio Henrique de Góis (SP)
Cartões Amarelos: Poveda (Sampaio Corrêa); Bill e Vanegas(Sport)

Especial de domingo: Arraes, Agamenon, Tancredo e Getúlio

10/04/22

blogfolhadosertao.com.br

*Por Ítalo Rocha Leitão

 

A política brasileira sempre foi pródiga na criação de personagens que entraram para a história do país e ficaram para sempre na memória coletiva da população. Alguns desses personagens jamais serão esquecidos e algumas situações que vivenciaram também.  Em pernambuco, podemos destacar duas figuras marcantes, os ex-governadores Miguel Arraes de Alencar e Agamenon Sérgio de Godoy Magalhães. No âmbito nacional, os ex-presidentes Getúlio Dornellas Vargas e Tancredo de Almeida Neves. Muitos desses casos são registrados em livros. Outros, ainda não.

Getúlio

No dia em que tomou posse como ministro da Fazenda do presidente Washington Luís, Getúlio Vargas se deparou com uma enorme fila nos salões do Ministério, no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Eram os cumprimentos ao novo ministro. A cada desejo de boa sorte na nova missão, um pedido de emprego ou de liberação de verbas. Com fadiga física de tantos apertos de mão e abraços, Getúlio finalmente se viu cara a cara com o último cidadão daquela fila quilométrica. Ao cumprimentá-lo, o cidadão disse-lhe ao pé do ouvido que desejava sorte e muito sucesso. E, meio apressado, deu meia volta para se retirar. Foi quando Getúlio o puxou pelo braço e perguntou: Você não vai me pedir nada? E recebeu como resposta: Eu já disse ao senhor que vim aqui apenas para cumprimentá-lo e desejar sucesso! Getúlio ficou emocionado e extremamente impressionado com o desprendimento daquele homem, bem vestido, bem penteado e de ótima aparência. Ao se recolher ao gabinete para dar início aos despachos, mandou chamar um dos assessores mais próximos. Contou o ocorrido e disse que não conseguia esquecer aquela cena. Foi quando o assessor esclareceu tudo: Dr. Getúlio, aquele homem é um maluco e uma das manias dele é ir para a posse de ministros, ficar no último lugar da fila e, na hora do cumprimento, dizer que veio apenas para desejar sucesso ao empossado!

Tancredo

Nos primeiros anos da década de 60, com o Congresso já funcionando em Brasília, o deputado federal Tancredo Neves se dirigia pelos corredores da Câmara para o seu gabinete, acompanhado de assessores, quando um deles lhe alertou que estava vindo na direção contrária o também deputado José Maria Alckmin, seu conterrâneo, que pouco tempo depois, no golpe militar de 64, seria escolhido vice-presidente da República do general Castelo Branco. Assim como Tancredo, Alckmin também já era considerado uma raposa felpuda da política.
Tancredo quis saber qual era a razão para tanta apreensão dos assessores diante do casual encontro. Eles lembraram ao chefe que Alckmin o havia convidado pro seu aniversário e Tancredo não teria ido nem dado satisfações. Pela lei da física, a distância entre os dois grupos só fazia diminuir. Mas, Tancredo tranquilizou a todos. Fiquem calmos, já tenho a solução! Quando chegou o momento fatal, Tancredo apertou a mão do amigo e colega deputado e disse em alto e bom som: Alckmin, eu não fui pro seu aniversário, mas lhe mandei um telegrama desejando felicidades!
E Alckmin, que tinha uma matreirice invejável também, não titubeou: E eu já respondi seu telegrama, meu conterrâneo Tancredo!
Os assessores dos dois deputados ficaram perplexos porque essa troca de telegramas nunca existiu.

Arraes

Quem presenciou, jamais esqueceu o dia em que Arraes recebeu, em seu gabinete do Palácio do Campo das Princesas, o marqueteiro Duda Mendonça. Na época, 1998, se tratava do publicitário mais disputado do efervescente mercado do marketing político. Sua fama de ganhar eleições, as mais difíceis possíveis, percorria o país de Norte a Sul. Arraes teria uma eleição tranquila pra senador. As pesquisas indicavam que ele seria disparado o mais votado. Porém, as circunstâncias políticas o convenceram a disputar a sua reeleição. Sentado na cadeira de governador de Pernambuco pela terceira vez, Arraes recebeu Mendonça com um afago contido, como era seu estilo. Alguns secretários estavam presentes e fizeram um relato da difícil situação financeira do estado para o às do marketing político. Tudo porque o presidente Fernando Henrique Cardoso perseguia e massacrava o estado. Apesar de o vice-presidente da República ser de Pernambuco, nenhum projeto era aprovado em Brasília. A privatização da Celpe estava com uma pedra em cima colocada pelo grupo de oposição a Arraes com o apoio de FHC. Enfim, um rosário de problemas! E Arraes, calado, só ouvindo os diálogos entre os assessores e o publicitário baiano.
Ao final, Duda Mendonça olhou pro governador e disse: Eu não faço milagre ! Arraes, com seu olhar certeiro e profundo, como era seu jeito, ficou cara a cara com o
marqueteiro, e respondeu: Eu pensei que fizesse !!!
Duda Mendonça, que entrara naquela sala se sentindo o rei dos reis, saiu com o andar meio desajeitado.

Agamenon

No mesmo Palácio que teve o encontro de Arraes com o marqueteiro baiano, o governador Agamenon Magalhães viveu também situações inusitadas. Uma delas foi no começo dos anos 50. Poucos meses depois de tomar posse, apareceu para pedir um encontro de urgência com o governador uma liderança do Sertão. Dizia ser uma questão familiar e que só sairia dali quando fosse atendido. Pelo nome, Agamenon identificou quem era. Tratava-se do maior traíra. Já havia trocado de grupo várias vezes e sempre contra o governo. Mas, Agamenon, com sua verve política e seu sangue sertanejo, decidiu receber o renegado. Ao ser aberta a porta do gabinete, o governador tomou um susto: o politico desleal entrou ajoelhado e se postou na frente da mesa de trabalho de Agamenon.
Governador, venho aqui lhe dizer que se o senhor atender o pedido mais importante da minha vida, jurarei fidelidade eterna ao senhor! A primeira providência de Agamenon foi pedir que o visitante se recompusesse e lhe ofereceu uma cadeira. Entre soluços e choros, o homem lhe pediu um emprego pro filho que acabara de se formar em Agronomia pela UFRPE. Para encurtar logo aquela cena meio fora do comum, Agamenon puxou um cartão de visitas e escreveu um bilhete indicando ao secretário de Agricultura a colocação do jovem agrônomo. Matreiro que só, Agamenon tinha um código interno com os secretários. Ao escrever “faça” um favor sem o cedilha, a frase ficava “faca” um favor. Ou seja, corte ! Seis meses depois daquela fatídica audiência, o governador foi visitar o Sertão. Em uma determinada cidade, com o calor de rachar, Agamenon viu no meio das pessoas um homem lhe acenando com as duas mãos. E o reconheceu. Era o pai do agrônomo. O governador pediu aos assessores que evitassem o encontro dele com aquele senhor. Não tinha atendido o pleito dele e não queria mais ouvir aquela ladainha inconveniente. Mas, não teve jeito. Em uma determinada ocasião o homem chegou perto de Agamenon e foi logo dizendo:
Governador, não tenho palavras pra lhe agradecer. O meu filho se deu tão bem na secretaria que já assumiu um cargo de chefia. Governador, o meu menino é tão inteligente que quando leu o cartão do senhor, percebeu que estava faltando um cedilha e ele colocou esse cedilha porque um governador não pode escrever errado um bilhete pra ninguém!

*Italo Rocha Leitão é jornalista

 Codevasf, sob o comando do Centrão,  atende bem aos aliados de Bolsonaro. 

10/04/22

Por Folhapress

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Com a liberação dos ministros do TCU, o número de licitações desse tipo na Codevasf saltou de 29 em 2020 para 99 no ano passado, um aumento de 240%.  A ordem é  afrouxar licitações para acomodar aliados.

A estratégia deixa em segundo plano o planejamento, a qualidade e a fiscalização, abrindo margem para serviços precários, desvios, superfaturamentos e corrupção.

A essência para o emendoduto é o afrouxamento do controle sobre obras de pavimentação da estatal federal Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), hoje sob o comando do centrão. Questionada, a companhia afirma que age com abordagem técnica e com interesse social.

Na manobra disseminada pela gestão Bolsonaro, as licitações são realizadas com a utilização de modelos e dados fictícios que valem para estados inteiros.

Depois que os locais são escolhidos, em geral pelos padrinhos das emendas parlamentares, as futuras obras é que devem se encaixar nas propostas vencedoras nessas licitações.

Um ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) resumiu o mecanismo, que, segundo ele, “inverte a lógica clássica” de inicialmente realizar um projeto específico para uma via já escolhida e aí sim, em seguida, fazer uma cotação de preços com base em uma situação real.

A própria estatal admite que o expediente tem como objetivo acomodar a crescente injeção de verbas de emendas parlamentares.

O modelo adotado por Bolsonaro para atender ao centrão foi ampliado após o plenário do TCU ter dado aval à prática em meados do ano passado, apesar dos alertas de sua própria área técnica e também da CGU (Controladoria-Geral da União).

Com a liberação dos ministros do TCU, o número de licitações desse tipo na Codevasf saltou de 29 em 2020 para 99 no ano passado, um aumento de 240%.

Pela lógica da Codevasf e do TCU, o mais importante é servir de via rápida para que os congressistas possam destinar o dinheiro público, o que na prática ocorre em especial por meio das chamadas emendas de relator.

Uma série de reportagens de diferentes veículos de imprensa desde 2020 tem mostrado a falta de transparência e o uso político dessa modalidade das emendas parlamentares.

O que a reportagem mostra agora é como uma manobra usada em larga escala pelo governo Bolsonaro e chancelada pelo próprio TCU tem sido fundamental para escoar essas verbas federais da caneta do relator do Orçamento no Congresso e dos ministérios até os redutos eleitorais de deputados e senadores.

Atualmente, a emenda de relator é peça-chave no jogo político em Brasília, pois é distribuída por governistas em votações importantes no Congresso. O dinheiro disponível neste ano é de R$ 16,5 bilhões.

Desde 2020, o Palácio do Planalto e aliados usam os recursos de emendas de relator para privilegiar aliados políticos, ampliar a base de apoio deles no Legislativo e, assim, evitar o início de um processo de impeachment contra Bolsonaro.

Não há uma base de dados pública com a lista de deputados e senadores beneficiados por essa negociação política, o que levou o mecanismo a ser congelado por um tempo pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e depois liberado sob a promessa de ampliação da transparência.

A Folha de S.Paulo, por exemplo, tem mostrado como sob Bolsonaro as emendas batem recordes e atingem em cheio seu discurso eleitoral de 2018 contra o chamado toma-lá-dá-cá, como o Congresso mantém boa parte do Orçamento sob o seu controle, como as emendas são distribuídas para privilegiar aliados do governo federal e como o jogo e a pressão das emendas mexem com as votações importantes no Congresso.

Sem critério fixo, a alocação do dinheiro segue um formato político.

O jornal O Estado de S. Paulo também publicou uma série de reportagens sobre o tema no ano passado, apontando a falta de transparência e o uso político da distribuição das emendas em troca de uma base de apoio a Bolsonaro no Congresso.

No atual modelo de obras de pavimentação da Codevasf, a aquisição dos serviços acontece por meio de uma forma simplificada de licitação, o pregão eletrônico, que ocorre online. Ele leva aos chamados contratos guarda-chuvas, que têm validade para toda a extensão dos estados.

No jargão técnico, o contrato guarda-chuva é denominado Sistema de Registro de Preços (SRP) ou ata de registro de preços. Na prática, ele joga numa mesma licitação uma série de obras que podem ter padrões completamente diferentes.

Apesar da orientação de seu próprio órgão técnico pela suspensão da manobra, os ministros do TCU votaram em maio de 2021 para dar aval ao mecanismo, com apenas algumas ressalvas e pedidos de providências para a Codevasf.

O ministro Benjamin Zymler (TCU) chegou a admitir que, nesse tipo de concorrência, as quantidades que baseiam a definição dos valores “seriam mera peça de ficção, havendo fundado risco de haver superestimativas nos serviços”.

Zymler, porém, não votou para barrar a prática. Ele seguiu o entendimento do relator do caso, Augusto Sherman Cavalcanti. Para eles, apesar dos riscos, esse sistema permite a utilização rápida dos recursos das emendas parlamentares, atendendo assim ao interesse público.

Segundo os autos do julgamento do TCU, a estatal alegou que houve aumento no volume das emendas e que há dificuldade em estabelecer quantidades e locais, pois estes são definidos posteriormente pelos congressistas.

A Codevasf argumentou que, em geral, os recursos para as emendas chegam nos últimos meses do ano, quando não há mais tempo para a realização de licitações, e os contratos guarda-chuva permitem a execução do orçamento ainda dentro do exercício.

Para a estatal, a padronização das obras é possível porque os serviços são realizados “em vias já existentes e consolidadas, com baixa trafegabilidade, onde não serão necessárias obras de arte ou específicas” e podem ser pagos por unidade de medida segundo critérios definidos em termo de referência, como largura, declividade e tráfego.

Em seu voto, o relator até ressaltou os argumentos do órgão técnico do TCU contra o mecanismo, principalmente a crítica quanto à indefinição dos locais e a falta de projetos básico e executivo.

O ministro, porém, votou a favor do pedido da estatal e disse que a adoção do modelo padrão seria “ineficaz para solucionar o impasse temporal que vem obstaculizando a execução do orçamento” quanto às emendas.

Segundo o ministro, a estratégia agora ampliada pela Codevasf “afigura-se vantajosa em face de incertezas orçamentárias”, pois as contratações com antecedência permitem a execução das obras assim que os valores são liberados.

O relator mostrou não ignorar as fragilidades da manobra e o risco de superestimativa nos serviços.

Assim, determinou a adoção de “pontos de controle” pela Codevasf, para contratações futuras. O principal deles, segundo o ministro, seria o de adotar medidas para encaixar a situação das vias reais às condições estabelecidas nos contratos guarda-chuva.

Porém, relatórios de avaliação da CGU publicados nas últimas semanas indicam que a Codevasf ainda não conseguiu mostrar como vai fazer para ajustar as condições da realidade aos preços das licitações definidos com base em dados fictícios.

Um dos principais pontos dos relatórios é sobre a dificuldade de se fazer um orçamento de obra sem conhecer as distâncias a serem percorridas para o transporte dos materiais de construção.

A lógica é a mesma de quem compra qualquer produto em sites na internet: quanto mais longe da loja física, mais caro o frete do produto. Mas se não se sabe onde a obra será feita, a brecha para superfaturamentos neste item do orçamento está aberta, segundo os técnicos da controladoria.

Em um dos estudos a CGU aponta que há desvantagem econômica nos contratos guarda-chuva para os modelos de pavimentação dos tipos TSD e CBUQ, e ganhos nas modalidades bloquetes e paralelepípedos, “justamente aquelas menos complexas”.

Codevasf e TCU apontam interesse social e padrões técnicos Em nota, a Codevasf afirma que possui sólida estrutura de governança e que atua ao lado de órgãos de controle. “As ações da companhia são empreendidas com abordagem técnica e servem ao interesse social.”

A empresa citou o relatório da CGU que aponta vantagem econômica em duas das quatro formas de pavimentação por pregões.

Questionada sobre a captura da empresa pelo centrão e pelo privilégio a aliados do governo, a empresa disse que age com “abordagem técnica”.

Afirmou também que as nomeações para cargos de direção seguem a lei das estatais e que parlamentares de diferentes partidos são atendidos na execução das emendas.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o TCU afirmou que, ao permitir a adoção do modelo, levou em consideração o interesse público de populações carentes de pequenas localidades que usam as vias para escoar a produção e acessar serviços de saúde e escolas.

Segundo o tribunal, o mecanismo de contratação é mais célere e baseado em projetos padrão, cabendo à Codevasf escolher as vias compatíveis com o projeto licitado.

O tribunal afirma que para reduzir o risco de irregularidades fixou rigorosos mecanismos de controle e, ao final, “irá avaliar os resultados da implementação da modelagem”.

Temer: ‘se Alckmin for igual a mim, Lula vai ter grande vantagem’

10/04/22

Por Luiz Vassallo e Davi Medeiros, da Estadão Conteúdo/ Amanda Azevedo

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Durante painel na 8ª edição da Brazil Conference, em Boston (EUA), o ex-presidente foi questionado sobre o que diria a respeito dos comentários de que Alckmin poderia ser para Lula o que Temer foi para Dilma Rousseff. Em meio a risadas da plateia, o emedebista defendeu seu governo após o impeachment da petista e rechaçou que tenha havido um “golpe
BETO BARATA/PR
Ex-presidente Michel Temer – Foto: Beto Barata/PR

O ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou, neste sábado (9) que a aliança entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) “pode não ser boa” para o ex-governador. A declaração foi feita durante a 8ª edição da Brazil Conference, em Boston (EUA), apoiada pelas universidades Harvard e MIT. Realizada anualmente, a conferência tem parceria do Estadão, que fará a cobertura dos debates.

“Para o ex-presidente Lula, foi muito boa uma aliança com o Geraldo Alckmin, eu não sei se foi bom para o Alckmin, porque você sabe que vão estourar, como estão estourando, outros embates eleitorais que tiveram com palavras, digamos assim, bastante agressivas em relação aos candidatos”, disse Temer.

Por outro lado, o emedebista disse que, “na democracia, houve essa possibilidade de aliança entre pessoas que dado momento estiveram em campos opostos”. “Juridicamente não há violação ao estado democrático de direito”, afirma.

Durante o painel, o ex-presidente foi questionado pela colunista do jornal O Globo Vera Magalhães sobre o que diria a respeito dos comentários de que Alckmin poderia ser para Lula o que Temer foi para Dilma Rousseff. Em meio a risadas da plateia, o emedebista defendeu seu governo após o impeachment da petista e rechaçou que tenha havido um “golpe”.

“Eu acho que essa história de que o Geraldo Alckmin possa ser igual a mim, por mim, aqui toda a modéstia de lado, se for igual a mim, acho que o Lula vai ter uma grande vantagem”, disse. Internamente, há quem diga no PT que Alckmin pode articular a queda de Lula durante o mandato, mesma manobra pela qual Temer é acusado por petistas.

Durante o evento, Temer aproveitou para fazer críticas ao plano petista de propor a revogação das reformas trabalhista e previdenciária feitas em seu governo. “Quando vejo dizer que vão revogar a reforma trabalhista, eu digo: muito bem, vão tirar direitos dados pela reforma aos trabalhadores”, afirmou.

O ex-presidente listou pontos que considera como avanços da reforma, como o trabalho intermitente, que “não tinha proteção trabalhista e passou a tê-lo”; a previsão de trabalho remoto com garantias trabalhistas; e a possibilidade de dividir as férias.

Temer, contudo, fez uma ponderação e defendeu uma atualização do texto para incluir, por exemplo, a discussão sobre entregadores de aplicativo. “De repente, você faz um acréscimo dizendo que agora precisamos proteger esse tipo de trabalho; isso, ao longo do tempo, vai necessariamente acontecendo”. O tema é debatido internamente pelo PT.

Inspirados pelo que ocorreu na Espanha, onde a coalizão de esquerda liderada por Pedro Sánchez reviu a reforma implementada naquele país, o ex-presidente Lula e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, vêm afirmando desde o ano passado sobre revogar a reforma brasileira, aprovada em 2017, caso o presidenciável petista chegue ao Planalto. Segundo eles, o texto teria retirado direitos e precarizado o mercado de trabalho no País.

Durante o evento, o ex-presidente defendeu que o país realize reformas administrativa e tributária, e pregou a mudança do sistema político para o semipresidencialismo. Segundo o emedebista, o modelo poderia trazer mais estabilidade ao país, que passou por dois processos de impeachment desde a Constituição de 1988, além de acumular 396 pedidos de afastamentos de presidentes ao longo de três décadas.

“Não haverá trauma institucional. Você sabe que o governo só existirá enquanto houver maioria parlamentar. Segundo é que se não houver, cai o governo, e se instala uma outra maioria parlamentar que vai nascer com o novo tempo. Sem os traumas institucionais do presidencialismo”, disse.

Durante o evento, o ex-presidente voltou a dizer que a existência de mais candidatos ao Planalto além de Lula e Bolsonaro são uma “homenagem ao eleitor” e saiu em defesa da candidata de seu partido, a senadora Simone Tebet (MDB).

“O eleitorado pode achar que um dos polos pode ser eleito. Muito bem, e se eleitos forem, assume o mandato e cumpre o mandato. Mas ele deve ter a possibilidade de não querer nenhum dos polos e tem direito a ter uma outra opção. A ideia de mais de uma via seria importante para o eleitorado”, disse.

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Morre o ator, escritor e médico Reinaldo de Oliveira

09/04/22
Por Marcos Vinicius
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A informação foi confirmada pela Academia Pernambucana de Letras (APL), a qual  Reinaldo de Oliveira  (91 anos)  ocupava a cadeira 24 desde 1993

Yeda B Mello/Divulgação
Reinaldo de Oliveira deixou uma grande contribuição para o teatro pernambucano – FOTO: Yeda B Mello/Divulgação

Um dos grandes nomes para as artes em Pernambuco, o médico, ator, escritor e compositor Reinaldo de Oliveira faleceu neste sábado (9) aos 91 anos. A informação foi confirmada pela Academia Pernambucana de Letras (APL), a qual ele ocupava a cadeira 24 desde 1993. O corpo de Reinaldo será velado a partir das 15h e o sepultamento às 18h, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista. O artista deixou um grande legado para a cultura pernambucana, sobretudo para a manutenção do teatro no Estado.

Reinaldo de Oliveira tinha o teatro nas veias. Ele nasceu em 1930, filho da atriz Diná de Oliveira e de Waldemar de Oliveira, que foi o fundador do Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP). Este, por sinal, é um dos grupos teatrais mais importantes do Brasil e o mais antigo em atividade no país. Durante 42 anos, Reinaldo foi o diretor-geral do grupo – assumindo posteriormente a presidência de honra do TAP.

Em 2013, ele lançou o livro “O palco da minha vida”, compartilhando suas lembranças em escritos. “”Em 1947 comecei a minha participação no TAP em Planície, de Guimerá, dirigida pelo ensaiador contratado, no Rio, Adacto Filho. Fiz um pequeno papel, de Peluca, um jovem agricultor que entrava correndo para dar uma notícia importante. De tal modo levei a sério o papel que, antes de entrar em cena, calculava o tempo e correndo, subia e descia os três andares dos camarins do Santa Isabel, para entrar realmente cansado e arfando”, conta o autor em um trecho da obra”, disse o ator em entrevista ao JC, na época.

O dramaturgo começou a atuar aos 10 anos de idade. Sua última atuação foi na peça “Bibi em casa de Ferreira, espírito de palco”, em 2019, no Teatro de Santa Isabel.

“A Academia Pernambucana de Letras manifesta seu profundo pesar pelo falecimento do acadêmico Reinaldo de Oliveira e apresenta sinceras condolências aos seus familiares e amigos”, diz a nota da APL.

O comunicado ainda reiterou a posição do escritor na Academia Pernambucana de Letras, em referência ao seu pai, Waldemar de Oliveira. “Reinaldo era ocupante da Cadeira n° 24 da APL. Referência na história do teatro pernambucano (era filho de Waldemar de Oliveira, fundador do Teatro de Amadores de Pernambuco – TAP), Reinaldo também guardava outra paixão: a medicina”, afirma.

“Em 2018, lançou na sede da Academia sua biografia: “Reinaldo de Oliveira – Do bisturi ao palco”, editado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). Ele deixa um legado de importantes contribuições para a arte e a cultura do povo pernambucano”, complementa o comunicado da instituição.

Instituições lamentam

Nas redes sociais, o governador Paulo Câmara lamentou a perda do artista para a cultura pernambucana. “A cultura pernambucana perdeu neste sábado um de seus expoentes com o falecimento de Reinaldo Oliveira, aos 91 anos. Formado em medicina, seguiu os passos do pai, Waldemar de Oliveira, fundador do Teatro de Amadores de Pernambuco. Além de atuar, Reinaldo também era escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Expresso aqui minha solidariedade aos amigos e familiares”, disse o governador.

Formado em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1953, Reinaldo deixou também um grande legado para a saúde do Estado. “Com imenso pesar, o Cremepe lamenta o falecimento do médico, ator, jornalista, Reinaldo de Oliveira, que faleceu neste sábado (09/04), aos recém completados, 92 anos. A medicina e a dramaturgia sempre atuaram juntas durante toda sua vida e em 2013, ele contou sua história no Programa Memórias da Medicina do Cremepe. Um homem que carregava consigo uma imensidão de vivência, conhecimento, legado e representatividade, despertando uma admiração unânime na sociedade”, lamentou o Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco (Cremepe), em nota.

“Reinaldo sempre foi um defensor incansável, apaixonado pela cultura pernambucana, mas em especial pelo teatro. Fui testemunha disso quando convivemos juntos no Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural”, destacou Marcelo Canuto, presidente da Fundarpe.

“Vale destacar que além do grande legado para a cultura pernambucana, em especial às artes cênicas, Reinaldo também deixou grande contribuição para as artes brasileiras em outras linguagens artísticas, como a música e literatura”, apontou Gilberto Freyre Neto, secretário Estadual de Cultura.

PREFEITURA

A Prefeitura do Recife também divulgou nota de pesar pela morte de Reinaldo de Oliveira:

“Reinaldo de Oliveira é um dos nomes mais importantes que já produziu e foi produzido pela cena teatral do Recife. Com grande pesar, a Secretaria de Cultura e a Fundação de Cultura Cidade do Recife lamentam a perda do médico, ator e diretor de teatro, homem de muitos talentos, que soube falar, com maestria, quase todas as linguagens da arte.

Filho do teatro, Reinaldo estreou nos palcos ainda criança, seguindo os passos da mãe, a atriz Diná de Oliveira, e do pai, Valdemar de Oliveira, fundador de um dos mais atuantes e longevos grupos teatrais do país, o Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP) – que Reinaldo dirigiu por mais de 40 anos, até tornar-se seu presidente de honra.

Seu amor pela cultura não conhecia limites e ia além do Teatro, a grande paixão. Com a mesma precisão delicada e criativa dedicada à medicina, fora dos palcos escreveu músicas e livros, tendo integrado a Academia Pernambucana de Letras. Sua arte segue, para sempre, escrita na nossa história.

“Arte produzida com talento e com o coração. Foi assim que Reinaldo de Oliveira construiu seu legado na cena recifense, uma trajetória que nos faz relembrar grandes passagens, mas também nos faz acreditar na força eterna do que a cultura produz”, declarou o Secretário de Cultura do Recife, Ricardo Mello”.

Após dois anos, “Paixão de Cristo de Nova Jerusalém” volta ao Brejo da Madre de Deus

09/04/22

<Por Daniel Medeiros

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Por causa da pandemia da Covid-19, a montagem teve suas últimas temporadas adiadas
Paixão de Cristo de Nova Jerusalém
Depois de um hiato de dois anos, a “Paixão de Cristo de Nova Jerusalém” volta a ser encenada em Brejo da Madre de Deus, no Agreste de Pernambuco. O espetáculo a céu aberto, que teve suas últimas temporadas adiadas em função da pandemia de Covid-19, estreia neste sábado (9) e segue em cartaz até 16 de abril. Nesta sexta-feira (8), uma sessão especial antecipou para imprensa e os convidados o que o público da montagem verá neste ano.Desta vez, o papel de Jesus Cristo é defendido por Gabriel Braga Nunes. Ele também narra o vídeo de abertura da apresentação. Como uma carta endereçada aos fundadores do Teatro de Fazenda Nova, o texto lido pelo ator menciona o inédito período de pausa da peça e os desafios do seu retorno. Há também uma homenagem a Carlos Reis, diretor do espetáculo, que morreu em 2021, aos 84 anos.

O elenco principal conta ainda com nomes como Christiane Fernandes (Maria), Luciano Szafir (Herodes), Sérgio Marone (Pilatos) e Thaynara OG (Herodíades), além de 400 figurantes de Brejo da Madre de Deus e arredores.

Com 53 anos de história, a encenação relembra os últimos dias de Jesus, retratando passagens bíblicas famosas. Mantendo o texto original escrito por Plínio Pacheco, a peça teatral é apresentada em cenários grandiosos, como o Palácio de Herodes, o Fórum Romano e o Monte do Calvário.

Elenco de estrelas

Entre os atores escalados para a “Paixão de Cristo de Nova Jerusalém” em 2022, Luciano Szafir é considerado um veterano. Ele encara sua quinta participação no espetáculo, acumulando experiências anteriores nos papéis de Jesus e Pilatos.

O retorno a Nova Jerusalém ocorre enquanto o artista ainda se recupera de sequelas da Covid-19. “Foi um ano bastante duro pra mim. Não é fácil, mas me faz muito bem fazer esse trabalho”, disse o ator, durante coletiva de imprensa realizada após a apresentação. Sobre sua condição física em cena, o ator comentou: “A gente brinca que, até com febre de 40 graus, a gente não sente nada no palco. Dei ao meu Herodes o peso de um homem mais velho. Estou usando esse fator físico a favor do meu personagem”.

Sérgio Marone falou sobre a sensação de estar de volta ao teatro após o período de pausa forçado pela pandemia. “A gente estava louco para voltar aos palcos e reencontrar o público. O maior desafio vai ser controlar a emoção em cena”, confessou.

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