Tilápia do Vietnã avança no Brasil e pressiona produtores de Pernambuco

20/04/26   –http://blogfolhadossertao.com.br  –  Edward Pena – Do Movimento  Econômico/ MPA/Divulgação

Por ano, o estado produz 31,7 mil toneladas do pescado, gerando um valor bruto de R$ 415 milhões. Oferta asiática cresce no início de 2026 e alerta sobre competitividade e fragilidade regulatória nas importações;  Oferta de peixe asiático cresce no início de 2026 e acende alerta sobre competitividade e fragilidade regula fragilidade regulatória nas importações.  ​Oferta de peixe asiático cresce no início de 2026 e acende alerta sobre competitividade e fragilidade regulatória nas importações

 

Por ano, o estado produz 31,7 mil toneladas do pescado, gerando um valor bruto de R$ 415 milhões. Oferta asiática cresce no início de 2026 e alerta sobre competitividade e fragilidade regulatória nas importações
Tilápia do Vietnã avança no Brasil e pressiona produtores de PE

 

 

O município  de Jatobá, no Sertão de Itaparica, destaca-se como o 3º maior polo produtor do país, sendo um termômetro para a saúde financeira da piscicultura regional.  A entrada de tilápia importada do Vietnã no mercado brasileiro atingiu um volume de 1,6 mil toneladas no primeiro bimestre de 2026, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Este fluxo comercial preocupa a cadeia produtiva nacional, devido aos preços significativamente inferiores aos praticados internamente. Em Pernambuco, quinto maior produtor nacional e líder no Nordeste, entidades do setor
monitoram a situação com cautela e preocupação.

Em estados como Minas Gerais, o impacto já é mensurável, com o registro de 122 toneladas de tilápia importadas apenas em fevereiro deste ano. O cenário ecoa crises recentes em outros setores, como o do leite em pó do
Mercosul e do morango egípcio, onde a competitividade do produto estrangeiro pressionou as margens de lucro dos produtores locais, que lidam com custos operacionais e exigências regulatórias mais elevadas.

Produção No Nordeste, Pernambuco produz anualmente 31,7 mil toneladas do pescado, gerando um valor bruto de produção de R$ 415 milhões. A cidade de Jatobá, no Sertão, destaca-se como o terceiro maior polo produtor municipal do país, sendo um termômetro vital para a saúde financeira da piscicultura regional. No município, grande parte da produção é voltada para o consumo  regional e mercados informais, o que preserva, temporariamente,
o pequeno produtor.

Reconhecido pelos produtores locais como uma espécie de mentor, por dar assistência técnica às diversas associações de piscicultores ligadas à Diocese de Floresta, o padre Pier Antônio Miglio admite a apreensão com a nova
concorrência, mas garante que o impacto ainda não alcançou  especialistas em aquicultura à disposição da produção local.

Riscos sanitários

Para a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Pernambuco (Faepe), o desafio vai além do preço. A entidade aponta que a retomada das importações ocorre em um ambiente de fragilidade regulatória e possível insegurança jurídica para o produtor brasileiro. A preocupação central reside na entrada de patógenos exóticos que poderiam comprometer o status sanitário nacional.

“A Faepe defende condições equitativas de mercado, incluindo a avaliação de medidas de defesa comercial e sanitária, bem tobá. “Estamos acompanhando as notícias e estamos preocupados. Por enquanto, ainda não sentimos o impacto porque 90% da nossa produção vai para as feiras livres e peixarias”, afirmou.

Segundo ele, atualmente, o excesso de normas internas também preocupa os produtores. “O que mais pode inviabilizar as pisciculturas é a carga burocrática da atividade. Nem todo mundo vai conseguir manter em dia todas as licenças, outorgas e permissões”, argumentou.

O padre Antônio auxilia os produtores com capacitação no manejo, orientando sobre limpeza e manutenção dos criatórios, na gestão administrativa e na busca por parcerias técnicas, colocando como o avanço de iniciativas legislativas”, destaca o presidente da Faepe, Pio Guerra.

Ele reforça que o setor precisa de “políticas públicas que assegurem a competitividade do setor, promovam segurança jurídica e valorizem a produção local, essencial para a geração de emprego e renda em Pernambuco”.

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