Mulheres pretas e pardas e de baixa renda lideram déficit habitacional em Pernambuco

12/06/26  —  http://blogfolhadosertao.com.br  –    Por Maria Clara Trajano

Estado registra 221 mil famílias sem moradia; no Nordeste, mães solo de baixa renda são as mais impactadas pelo alto custo do aluguel

A falta de moradia em Pernambuco atinge majoritariamente lares chefiados por mulheres e por pessoas de cor ou raça parda. Atualmente, o estado contabiliza 221.303 famílias inseridas no déficit habitacional. Esse contingente está concentrado na faixa de vulnerabilidade econômica, composto por quem sobrevive com renda mensal de até três salários mínimos.

Os dados foram levantados pela Fundação João Pinheiro, com ano-base 2024, que teve como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).

Os números mostram que a dificuldade de acesso à habitação regular no estado está diretamente ligada a questões de gênero e raça. A restrição de renda formal afeta diretamente a capacidade de financiamento ou locação segura de imóveis por parte desse grupo, empurrando essas famílias para a coabitação forçada, habitações precárias ou para o estrangulamento financeiro.

Raio-X da vulnerabilidade

O perfil social das famílias sem moradia adequada em Pernambuco é sustentado pelos seguintes indicadores:

  • 221.303 famílias pernambucanas compõem o déficit habitacional atual;
  • Há predominância de lares comandados por mulheres na base do déficit;
  • A maior parcela das pessoas sem moradia adequada se declara parda;
  • A vulnerabilidade habitacional atinge quase em sua totalidade as famílias com rendimento de até três salários mínimos.
O peso do aluguel para mães solo

No cenário da região Nordeste, o indicador de ônus excessivo com aluguel — caracterizado quando o pagamento da locação compromete mais de 30% do orçamento da casa — pressiona de forma mais severa um arranjo familiar específico: mulheres sem cônjuge e com filhos menores de idade.

A dependência de uma única fonte de renda para cobrir custos de locação e as despesas básicas de dependentes anula a capacidade financeira dessas chefes de família. Como consequência matemática, as mães solo nordestinas se mantêm na parcela mais crônica do déficit habitacional, sem margem orçamentária para buscar alternativas definitivas de moradia no mercado formal.

 

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