A guerra dos robôs e a poética da resistência na disputa pelo governo de Pernambuco

12/08/26  –  http://blogfolhadosertao.com.br –  Por  Betânia Santana

Raquel Lyra e João Campos denunciam supostos “gabinetes do ódio”. Ivan Moraes defende humanização
A disputa eleitoral em Pernambuco recorre a uma tática desgastada, mas perigosa: a degradação do debate público pela desinformação. A troca de acusações entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito João Campos (PSB) não é de hoje, mas se acirrou nos últimos dias.

A campanha oficialmente ainda nem começou e as hostilidades foram antecipadas. Raquel Lyra se manifestou no sábado sobre ataques. Fez até boletim de ocorrência. João Campos, ontem, recorreu a uma conversa com o presidente do TRE, desembargador Fernando Cerqueira, sobre desinformação.

Ao transformarem deepfakes de Pix e atritos no tribunal em ativos de suas narrativas, as duas principais forças do estado redefinem a campanha pelo prisma do conflito. O adversário deixa de ser um concorrente de ideias para virar alvo de aniquilamento moral, sustentados por supostos “gabinetes do ódio”.

A tecnologia tem servido de atalho para contornar discussões sobre os reais problemas do estado. E o eleitor quer saber disso? A escalada da desinformação afasta o debate sobre propostas concretas para o cotidiano.

Na contramão desse conflito, a candidatura do ex-vereador Ivan Moraes ganha relevância. Com poucas chances de eleger-se, estrutura  plataforma de governo no formato de cordel e pretende basear o discurso no conceito do “bem viver”.

Não faz com isso apenas um gesto estético; propõe um reenquadramento do fazer político. Aposta na cultura como eixo de desenvolvimento. Posiciona-se como um contraponto necessário.

Pode parecer utópico, mas lembra que afeto, integração e construção coletiva ainda podem ser faróis para a gestão pública.

Honraria dupla
Homenageado ontem à noite na Faculdade de Direito do Recife, e à espera de ser indicado novamente ao STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, lembrou a honra de já ter sido apontado pelo presidente Lula. “Nunca fiz planos para ocupar cargos públicos”, diz, registrando que servir ao país no STF é uma “honraria única”.

Estranhamento
Parecia tudo pronto para o anúncio dos suplentes do candidato ao Senado Túlio Gadêlha (PSD). Minutos depois de ser divulgado, o ato foi adiado para hoje. Serão anunciados o vice-presidente do PSD, André Teixeira Filho, e a ex-deputada Dulci Amorim.

Em aberto
Ex-integrante do PL, o deputado Renato Antunes (Novo) elogia a disposição do deputado Mendonça Filho (PL) de disputar o Senado sem coligar para o governo. “Ele encontrou o vácuo e teve coragem de ocupar o espaço. Pernambuco precisa fazer justiça.”

Afronta
Não basta ter o presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), como mais novo adversário. É preciso aturar provocações. Ontem o parlamentar se reuniu com a deputada Maria Arraes (PSB), irmã da candidata ao Senado Marília Arraes. Todos rompidos com a pedetista.

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