19/08/26/ – http://blogfolhdosertao.com.br – Guilherme Lavorato
Apresentador terá de pagar R$ 10 mil por danos morais após usar montagens e ofensas em redes sociais. Decisão cabe recurso

Danilo Gentili e Júlio Lancellotti
A Justiça de São Paulo condenou o comediante e apresentador Danilo Gentili a pagar uma indenização de R$ 10 mil por danos morais ao padre Júlio Lancellotti, além de determinar a imediata remoção de publicações e imagens manipuladas consideradas ilícitas. A decisão da 29ª Vara Cível do Foro Central da capital paulista foi proferida no dia 6 de agosto e cabe recurso, segundo o G1.
Na fundamentação da sentença, o magistrado destacou que as manifestações do apresentador continham teor estritamente ofensivo, difamatório e de conotação homofóbica. Além do uso de apelidos pejorativos, a decisão pontuou a gravidade da criação e divulgação de montagens e imagens alteradas, inclusive com o uso de ferramentas de inteligência artificial para ridicularizar o religioso.
A análise jurídica ressaltou que Gentili ultrapassou completamente os limites da liberdade de expressão e da sátira ao atribuir condutas graves ao sacerdote. O juiz considerou inverídica e ilícita a afirmação de que o padre Júlio Lancellotti estaria “comprando silêncio”, pois o apresentador tentou imputar como fato real a ideia de que o religioso teria oferecido vantagem patrimonial para calar uma terceira pessoa. Da mesma forma, o tribunal julgou ilícita a declaração de que o sacerdote teria recusado uma proposta de conciliação por interesse financeiro sob o argumento de que queria “o dinheiro todo só para ele”.
Embora parte das declarações citadas na ação já tivesse sido objeto de análise em um litígio anterior, o Judiciário paulista entendeu que os novos conteúdos e os desdobramentos apresentados justificavam uma nova análise e a devida responsabilização nesta nova ação.
Em declaração sobre o resultado do julgamento, o padre Júlio Lancellotti afirmou estar satisfeito com o veredito favorável. O religioso reforçou a relevância da medida e destacou a necessidade de que os meios de comunicação, redes sociais e produtores de conteúdo sejam orientados permanentemente pela “ética e pelo respeito aos direitos humanos”.





