Estudo mostra estrago que bets causam às famílias a partir da visão das mulheres que são mais impactadas e também estão se viciando

27/08/26 – http://blogfolhadosertao.com.br –  Por Fernando Cstilho

Mulheres e Bets: o Custo das Apostas Online para as Brasileiras e suas Famílias, conduzido pelo estúdio Clarice, Estratégia Latina e Instituto Idéia.

Ficou pronto um dos mais completos e complexos estudos já feitos no Brasil sobre o impacto das bets, desta vez focando especificamente nas mulheres que vêm sendo impactadas não apenas pelo que os seus maridos e companheiros jogam, mas pelo que elas também jogam, o que potencializa a perda de renda familiar e danos emocionais na estrutura dessas donas de casa.

O estudo Mulheres e Bets: o Custo das Apostas Online para as Brasileiras e suas Famílias, conduzido pelo estúdio Clarice, Estratégia Latina e Instituto Idéia, é diferente (e mais assustador) de tudo o que foi publicado sobre o desvio de recursos das bets na renda das famílias porque analisa não apenas quantitativamente, mas qualitativamente o efeito da chamada ludopatia.

Destruindo as famílias

E os números são assustadores. 67% das mulheres alertam que apostas online estão destruindo as famílias (número que é de 59% na percepção dos homens). E porque denuncia que as apostas online entraram no cotidiano, nas relações, nos afetos e na saúde mental das famílias brasileiras. Porque a crise das bets não é só financeira. É uma crise das famílias.

O estudo avaliou o impacto do jogo sob duas óticas: as que apostam e as impactadas por um familiar apostador. As entrevistas qualitativas, realizadas em junho e agosto, ouviram 60 pessoas, sobretudo mulheres de 18 a 58 anos, das classes C, D e E, no Sudeste e Nordeste. Na enquete quantitativa, foram ouvidas 2.008 mulheres e homens em todo o Brasil, entre 8 e 9 de julho último, de acordo com a distribuição da população conforme o Censo 2022, PNAD 2025.

Veja o estudo do Instituto Clarisse sobre as bets

Violência nas famílias

Nas entrevistas, as mulheres impactadas são as que mais percebem a violência. Falam de comportamentos agressivos, xingamentos e perda de controle quando os companheiros perdem. E relatam também filhos endividados com agiotas e a sensação de insegurança que passa a acompanhar a família. É um dado perturbador: 7% das mulheres apostadoras declaram ter pegado dinheiro emprestado com agiotas.

O Instituto Clarisse é liderado por Beatriz Della Costa e Mariana Ribeiro, cientistas sociais com mais de 20 anos de pesquisas em vários institutos internacionais, que conseguiram identificar o comportamento das mulheres vítimas das bets.

Perda de confiança

“As apostas abalam profundamente a confiança dentro da família. A quebra é descrita como irreparável: as impactadas não se sentem mais capazes de acreditar quando o familiar diz que parou de jogar, quando pede cinco reais ou manda um PIX”, diz o relatório.

Mas os efeitos dentro das famílias são mais graves com a quebra de confiança entre mulheres e parceiros; 15% dos brasileiros acreditam que alguém que mora com eles faz apostas online e não conta a ninguém. Na análise dos dados, 21% relataram desgaste emocional e 24% afirmaram que as apostas potencializaram os conflitos familiares.

Divulgação

Estudo O Custo das Apostas Online para as Brasileiras – Divulgação

Amparo e proteção

O estudo afirma que os vínculos pessoais, antes mecanismos de amparo e proteção, são captados pelo sistema das apostas online. Primeiro, levam o jogo para dentro de casa. Depois, com o jogo já instalado no lar, esses mesmos vínculos viram o campo da batalha.

A constatação de que o vício dos homens causa prejuízo já foi estudada, mas a novidade é que a pesquisa foi feita apenas com mais de 2008 mulheres de todas as regiões do Brasil. Sentimentos como sofrimento, culpa e vergonha apareceram entre as entrevistas.

Bets que adoecem

O impacto das apostas não é vivido apenas nas relações; as bets também adoecem o indivíduo. Na pesquisa, 56% das pessoas que quiseram pedir ajuda para parar de apostar, mas não pediram, apontam a vergonha como motivo.

Elas também relataram mais doenças depois que passaram a jogar nas bets. Esses sentimentos já eram conhecidos tanto em mulheres quanto em homens, e no caso da pesquisa do Instituto Clarisse ficou detectado que 20% delas passaram a se queixar de ansiedade,11% de depressão, 9% de “crises de pânico, insônia ou coração disparado”, 115 de perda de controle e 12% admitem ter dependência das apostas.

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O Custo das Apostas Online para as Famílias. – Divulgação 

Forte dano social.

A pesquisa evidencia que as mulheres são mais críticas quanto ao dano social. 63% concordam que as casas de apostas devem ser proibidas, 72% concordam que as pessoas tendem a perder qualidade de vida por causa das apostas, 67% concordam que contribuem para o endividamento das famílias e 73% concordam que as casas de apostas estão “viciando os brasileiros”.

O estudo conclui que a crise das bets é resultado de um sistema que operou e opera com muito pouco freio: legalização inicial sem salvaguardas, omissão regulatória nos primeiros anos, plataformas que retêm o usuário, publicidade irrestrita, influenciadores remunerados, comissões pagas sobre a perda de quem é recrutado.

Sem perspectivas

E adverte que qualquer resposta que ignore as mulheres será insuficiente. São elas que ocupam todas as posições da crise e que já contêm o estrago, sozinhas, muitas vezes sem informação, sem apoio e sob julgamento.

Caminho que, ao menos até agora, o governo não tem se mostrado interessado em enfrentar.

 

 

MP Eleitoral pede impugnação da candidatura de 8 ex-prefeitos em Pernambuco

27/08/26 – http://blogfolhadosertao.com.br – Por Amauri Lins

Ao todo, MP Eleitoral questionou dez candidaturas em Pernambuco; casos ainda não foram julgados

Prédio do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE)
/Foto: Reprodução/Google Street View

Prédio do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) (Foto: Reprodução/Google Street View )

O Ministério Público Eleitoral de Pernambuco (MPE-PE) pediu, nesta quarta-feira (26), a impugnação de dez candidaturas, por supostas irregularidades, para as eleições deste ano em Pernambuco. Do total, oito são referentes a ex-prefeitos que teriam falhas no processo de prestação de contas do período em que atuavam como gestores municipais.

As Ações de Impugnação de Registro de Candidatura (AIRC), movidas pela Procuradoria Regional Eleitoral (PRE-PE), envolvem oito postulantes ao cargo de deputado federal e outros dois para estadual. Os pedidos ainda não foram julgados.

A lista inclui os nomes de Keko do Armazém (PSDB), ex-prefeito do Cabo de Santo Agostinho); Izaias Regis (PSD), ex-prefeito de Garanhuns; Yves Ribeiro (MDB), ex-prefeito de Paulista, e Luciano Duque (Podemos), ex-prefeito de Serra Talhada.

Também foram alvo de pedido de impugnação as candidaturas de Judite Botafogo (PSD), ex-prefeita de Lagoa do Carro; Humberto Mendes, (Republicanos), ex-prefeito de Santa Maria da Boa Vista; Joamy Alves, (PSD), ex-prefeito de Araçoiaba.

Entre os gestores, apenas Luciano Duque tenta uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), enquanto os demais concorrem a federal.

Impugnação

O MP Eleitoral também solicita a impugnação da candidatura de Betinho Gomes (Republicanos), que não pagou a multa estabelecida pela Justiça Eleitoral após ser condenado por propaganda eleitoral ilícita, e de Sargento Nadelson (Republicanos), demitido da Polícia Militar após processo administrativo disciplinar.

Ambos buscam uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília. A candidata a deputada estadual Jacy Modas (Avante) também teve o registro questionado, mas renunciou ao pleito antes do julgamento.

De acordo com o calendário eleitoral deste ano, o resultado dos julgamentos deve ser anunciado até 14 de setembro, 20 dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. O prazo limite é estabelecido em função da Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas Eleitorais pelo TSE, quando não é possível realizar alterações posteriores nas candidaturas registradas.

A análise sobre as impugnações ficará a cargo do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), que também ouvirá os argumentos apresentados pelas defesas.

Além de deferir ou indeferir a candidatura, o tribunal também pode classificar o registro como “sub judice”, quando os prazos iniciais são ultrapassados. Neste caso, o candidato participa do pleito, mas o julgamento permanece em andamento na corte.

Governistas empreendem ritmos diferentes na campanha ao Senado

27/08/26 – http://blogfolhadosertao.com.br – Por Betânia Santana

Mendonça Filho se espalha pelo Recife; Da Fonte age discretamente; e Túlio Gadêlha não decola
A indicação do advogado Robson Fellype para a Secretaria de Esportes de Pernambuco sinaliza o início das retribuições da governadora Raquel Lyra (PSD) a Túlio Gadêlha.

O deputado federal migrou da Rede Sustentabilidade para o partido da gestora, na tentativa de dar a cara lulista à chapa majoritária. Nos bastidores, já se fala em “consolo anunciado”. Túlio Gadêlha trocou a reeleição praticamente garantida por uma postulação ao Senado.

Pressionado no mesmo campo ideológico por Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT), não tem apresentado competitividade.

Enquanto isso, Mendonça Filho (PL) ganha terreno depois de surgir espontaneamente nas pesquisas como forte candidato à Casa Alta. Mesmo sendo postulante avulso, o deputado ocupa espaços na capital.

Nas agendas de rua pelo Recife, é acolhido pelo eleitorado conservador, renova as energias, ganha densidade eleitoral e garante a Raquel Lyra a simbiose necessária com os recifenses.

Por sua vez, Eduardo da Fonte atua em silêncio. O presidente da Federação União Progressista adotou a neutralidade da governadora, sem se amarrar à direita ou à esquerda. Inabalável diante do avanço de Mendonça, aposta na coesão do grupo político.

Distante dos holofotes e sem depender da imagem da gestora, atrai novas adesões, fortalece a chapa proporcional para a Alepe e a Câmara.

Entre o favoritismo discreto de Da Fonte e a ascensão de Mendonça Filho, Túlio Gadêlha acaba imprensado. Na prática, os postulantes governistas entenderam que precisam ajudar a chapa de Raquel Lyra muito mais do que esperar ajuda dela.

Proteção aos conselheiros
Com maioria em campanha, a Alepe quase não teve quórum para votar a proposta que amplia a proteção aos conselheiros tutelares. Autores da matéria, os deputados Luciano Duque (Pod) e Gleide Ângelo (PP) reforçaram a mobilização diante da galeria lotada.

LDO na próxima semana
O presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto, não incluiu na votação de ontem a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A matéria foi aprovada por unanimidade na Comissão de Finanças, semana passada, e deve ser analisada em plenário na próxima semana.

Tradição sem verba
Nenhum tostão do governo do estado para a tradicional Festa de Agosto. A reclamação é do prefeito de São Lourenço da Mata, Vinicius Labanca (PSB). À Rádio Folha, disse que a Casa Civil não respondeu sequer as mensagens. O evento aconteceu com ajuda da iniciativa privada e, segundo ele, foi um dos maiores na cidade.

Em campanha
A governadora Raquel Lyra que ontem fez panfletagem na Agamenon Magalhães repete a ação hoje pela manhã. João Campos tem agendas à tarde em Nazaré da Mata e Vicência, enquanto Ivan Moraes  participa de sabatina da União dos Vereadores, em Gravatá.