Recife promove união estável gratuita para 240 casais no Compaz Ariano Suassuna

28/08/26 –  http://blogfolhadosertao.com.br -Imprensa PCR

Cerimônia coletiva, realizada em parceria com Defensoria Pública e TJPE, oficializou relações que já duravam anos sem respaldo legal

Casamento coletivo reúne 240 casais no Recife nesta sexta-feira (28) -  Folha PE

Homens e mulheres que vivem juntos há anos e nunca tiveram condições de arcar com os custos de cartório oficializaram a relação e receberam a certidão de casamento nesta sexta-feira (28), no Compaz Ariano Suassuna, no bairro do Cordeiro. Ao todo, 240 casais participaram da cerimônia coletiva realizada pela Defensoria Pública de Pernambuco em parceria com o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e a Prefeitura do Recife.

O prefeito Victor Marques participou do evento e destacou o significado emocional da data. “Hoje é um dia de celebração e só tenho a falar sobre a alegria que é fazer as coisas com amor. O casamento é uma decisão de vida, protocolar e documental, que é muito importante daqui para a frente, mas é principalmente a celebração do amor e não tem nada melhor nas nossas vidas do que a gente fazer as coisas com amor. Tem gente que está começando uma história agora, tem gente que está no meio do processo e tem quem já tem filhos e um bocado de história para contar. Vamos celebrar o amor, a felicidade e a cumplicidade sempre”, afirmou.

O documento tem efeito direto na vida das famílias, garantindo direitos e dignidade aos cônjuges. A união civil formalizada altera o acesso à pensão, herança, plano de saúde e guarda dos filhos, trazendo segurança jurídica a quem já dividia a vida sem qualquer respaldo legal. A cerimônia foi conduzida pelo juiz Clicério Bezerra e Silva e contou também com a participação do juiz José André Barbosa Pinto, do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (NUPEMEC), que explicou algumas das mudanças civis proporcionadas pelo casamento.

 “O casamento é um ato formal e complexo, que começa desde a apresentação dos documentos e a ida dos interessados aos cartórios, e hoje é a finalização desse procedimento. A união civil traz consigo diversas mudanças no status da pessoa e hoje elas vão ver nascer o relacionamento conjugal, e isso vai repercutir no âmbito patrimonial e no previdenciário. Isso tem muitas implicações positivas para aqueles que veem seu casamento celebrado, trazendo segurança para um e para o outro, como em caso de um eventual falecimento, por exemplo”, apontou José André.

Entre os participantes estavam José Marcondes da Silva, de 85 anos, e Relvani Santana da Silva, de 60, moradores de Olinda que dividem a vida há 25 anos. O casal nunca teve recursos para bancar uma cerimônia de casamento e só conseguiu uma vaga na ação graças à filha Ana Beatriz, que viu a divulgação nas redes sociais e cuidou de reunir toda a documentação necessária para garantir a inscrição dos pais.

Com direito a registro fotográfico e bolo, o momento ficou ainda mais especial para a família. Emocionada, Relvani contou como se sentiu ao lado do marido. “Eu vivo com ele há 25 anos e me alegro de estar com a minha família. Essa foi uma oportunidade muito boa porque eu estava sem condições e se não fosse meu marido, José Marcondes, eu não estaria aqui. É um prazer estar participando desse casamento coletivo e eu estou muito feliz”, concluiu.

Desde 2023, a parceria entre a Defensoria e o TJPE já oficializou gratuitamente 1.159 uniões no Recife, sendo 500 casais em 2023, 300 em 2024 e 359 em 2025.

 

Fotos: Vanessa Alcântara/Prefeitura do Recife

Lula diz que ‘se sentiu no MP’ em sabatina e cobra desculpas da imprensa pela Lava Jato

28/08/26  –  Http://blogfolhadosertao.com.br – Agência Brasil/O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Crédito: Ricardo Stuckert/PR

Em sabatina realizada pela TV Globo nesta quinta-feira (27), o presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chegou a brincar que estava se sentindo “no Ministério Público”, pelas perguntas focadas exclusivamente em investigações da Polícia Federal e sem questionamento sobre propostas para um próximo governo.

Lula foi direto em lembrar que foi vítima de um dos maiores casos de perseguição jurídica, na Operação Lava Jato, na qual teve o processo e a condenação anulados. “Eu conheço isso muito bem porque eu já vivi. Eu fui vítima da Lava Jato, a maior mentira que contaram nesse país para me afastar da eleição. Eu fiquei 580 dias preso para provar que o [ex-juiz Sérgio] Moro estava mentindo”, destacou Lula.

“Eu coloquei minha cara. Eu poderia ter saído do Brasil. Queria provar que o Moro é mentiroso, Dallagnol é mentiroso. E a imprensa comprou essa mentira. A imprensa nunca me pediu desculpa por ter criado um monstro chamado Moro”, afirmou Lula, cobrando responsabilidade da própria TV Globo no caso, destacando a divulgação do PowerPoint que o acusava de ser o líder de uma organização criminosa. Diante do questionamento, os jornalistas fizeram um tímido “mea culpa”, com Tralli dizendo que a emissora “se retratou”.

Questionado sobre as apurações contra Fábio Luís, investigado em três inquéritos abertos pela Polícia Federal (PF) neste ano, que apuram um suposto tráfico de influência em favor de empresas interessadas em obter contratos com o governo federal, Lula reforçou que seu filho deve provar que é inocente, mas que é preciso garantir o andamento da investigação e a presunção de inocência.

Lula também reforçou que jamais usará o cargo para beneficiar o filho, “como outros fizeram”, em referência à fala do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2020, que disse que trocaria agentes de segurança para proteger sua família.

“Não tem nenhuma acusação, tem ilações tiradas de telefonemas. Eu conheço isso muito bem porque já vivi. Eu não sou do Ministério Público, não sou da polícia, eu sou presidente. Eu não vou afastar delegado como outros fizeram. Ele [Fábio] sabe o que eu passei, o que a Marisa [Letícia] passou com a Lava Jato. Ele tem obrigação de não ter feito nada errado; ele tem que provar a inocência dele. Não vou fazer um milímetro de movimento para proteger meu filho. Esse é o comportamento do presidente da República”, afirmou Lula.

“O fato de ter pego conversas no telefone não justifica absolutamente nada. Não existe nenhum centavo desviado. Não existe nenhuma prova de conversa com ministro”, completou Lula, reforçando que todas as acusações divulgadas sobre o filho são oriundas de vazamentos das investigações.

Lula também admitiu que as investigações contra o ex-chefe de gabinete levantam suspeitas, mas que não há nenhuma comprovação de que a lobista conseguiu qualquer coisa que queria. “Não é adequado, é totalmente errado. E o Marcola sabe que isso não é papel de chefe de gabinete. Qual é o papel de um chefe de gabinete? Se uma pessoa pede audiência, o papel dele é encaminhar para o ministério. A questão é: ela conseguiu o que ela queria? Ele conseguiu algum dinheiro público? Porque aí é que existe o crime”, afirmou.

Lula também foi questionado sobre a apuração do escândalo dos descontos irregulares nas aposentadorias e pensões do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e ressaltou que seu governo desbaratou um esquema iniciado em 2019, no governo de Jair Bolsonaro, e que os órgãos públicos tiveram total liberdade para investigar.

“Já devolvemos R$ 3 bilhões aos aposentados que foram roubados. E isso vai ser ressarcido pelos bens que tiramos da quadrilha, que foi criada em 2019. O dado concreto é que a quadrilha foi montada em 2019, nós investigamos e desbaratamos a quadrilha. Polícia Federal, CGU e AGU tiveram total liberdade para investigar”, afirmou.

Educação em São Paulo e no Ceará

Ao falar de educação, Lula exaltou a ampliação das universidades, e aproveitou para cutucar o governador Tarcísio de Freitas com o Ceará, governado por Elmano de Freitas, do PT.

“Em um estado como o Ceará, a molecada é mais evoluída que em São Paulo. A educação básica é administrada pelo [governo] do estado. O governo tem o Fundeb, que ajuda os estados, mas cada estado age de um jeito. O Ceará e o Piauí são dois estados pobres que têm o melhor nível de educação de todos. Você sabia que 40% dos alunos que passam no vestibular do ITA, em São José dos Campos (SP), são cearenses? Por isso eu levei o ITA para Fortaleza.”

Ao ser perguntado sobre a fila de 1,3 milhão de pessoas à espera de benefícios do INSS, Lula disse que vai anunciar o fim da fila do INSS na semana que vem em evento no Palácio do Planalto. “Eu, na semana que vem, vou anunciar que a fila zerou. A espera de 45 dias vai estar apenas em 200 mil pessoas, que é o normal”, disse, aproveitando para acusar o governo Bolsonaro pela lentidão no atendimento.

“Eles desmontaram, desmontaram o Brasil, desmontaram a Presidência. Nós chegamos a 3 milhões de pessoas na fila. E. nós vamos entregar agora a fila, terminada na Previdência Social”.

Sobre a dívida pública, que chega a R$ 10 trilhões. A jornalista Renata Vasconcelos enfatizou o aumento de 10 pontos percentuais no atual governo, atingindo 82% do Produto Interno Bruto (PIB). “Nunca tive problema fiscal nesse país. Você acha que o Brasil está com problema de dívida pública? Porque nós chegamos a 80%. Sabe por quê? Porque nós temos há mais de dez anos sem crescer. Você sabe quando o PIB voltou a crescer acima de 2%, Renata? Quando eu voltei à Presidência da República”, disse Lula, lembrando que a dívida pública dos Estados Unidos é de 120% do PIB, perfazendo US$ 40 trilhões.

Ainda em relação à economia, Lula foi categórico ao negar a privatização dos Correios: “Não considero vender os Correios. Considerar recuperar”.

“Desde 1985, os Correios vivem em crise e aparece alguém que quer privatizar. O Correio é uma empresa muito importante para o Brasil, porque ela está em todos os municípios brasileiros”, disse o candidato, afirmando que colocou uma nova administração para resolver o déficit e modernizar a estatal.

“A gente está com uma nova administração no Correio, que está com a responsabilidade de fazer o enxugamento que for necessário nas contas do Correio. Se for necessário fazer associação com empresa, nós faremos com empresa bandeira ou com empresa estrangeira, porque a gente quer um correio prestando serviços junto com qualquer outra empresa.”

Em determinado momento, Lula aproveitou para defender uma regulação dos minerais críticos e terras raras. “Nós, depois da China, possivelmente, sejamos o país que tenha mais minerais críticos e terras raras, e você percebe que está sendo vendido enquanto a gente não faz a regulação.”

Na última pergunta, Lula falou sobre segurança pública, lembrando que ele está discutindo no Congresso Nacional, e destacou a reunião que teve com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para votar a Proposta de Emenda Constitucional da PEC da segurança pública.

“Porque, na hora que for aprovar PEC da Segurança Pública, eu crio o Ministério da Segurança Pública, porque primeiro eu quero estabelecer qual é a participação de cada ente federado da segurança pública. Qual vai ser o papel da união. Qual vai ser o papel do estado. Qual vai ser o papel do município”, disse o candidato, aproveitando para criticar o seu adversário, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por se recusarem a fazer um acordo.

Nos minutos finais, Lula aproveitou para voltar a falar de educação, lembrando que, quando cheguou à presidência, o país tinha cinco milhões de trabalhadores com diploma universitário e hoje são 25 milhões. “E eu quero chegar a 50 milhões, porque eu quero que o Brasil seja exportador de inteligência e de conhecimento. Eu não quero que o Brasil continue exportando minerais e minério de ferro, soja e milho”.

Lula é o quarto entrevistado da série, que já ouviu o candidato do Novo, Romeu Zema, do PSD, Ronaldo Caiado, e do Missão, Renan Santos. Nesta sexta (28), o entrevistado será o candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro.

Em sua entrevista, Romeu Zema disse ter várias propostas “contra as mulheres”.

Já Ronaldo Caiado defendeu a anistia aos golpistas do 8 de janeiro de 2023, inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Renan Santos defendeu aplicar Estado de Exceção em favelas e que o Brasil deve desenvolver bomba atômica para ser respeitado internacionalmente.

Frente Popular anuncia medidas contra suposto gabinete do ódio ligado ao Governo de Pernambuco

28/08/26 – http://blogfolhadosertao.com.br –  Por JC

De acordo com a denúncia, uma rede coordenada de ataques seria operada por páginas financiadas com recursos do Governo do Estado. Secom nega

A Frente Popular de Pernambuco, coligação que tem João Campos (PSB) como candidato ao governo, anuncia nesta quinta-feira (27), a partir das 10h30, medidas que serão adotadas contra um suposto “gabinete do ódio”, que segundo denúncias, estaria coordenando ataques contra João e aliados.

O anúncio será feito pelo departamento jurídico da Frente Popular. O caso em questão foi divulgado na terça-feira (25) em uma reportagem da TV Record.

Acompanhe ao vivo o anúncio:

De acordo com a denúncia, a suposta rede coordenada de ataques contra João Campos e aliados seria operada por páginas nas redes sociais financiadas com recursos do Governo do Estado.

Nesta quarta (26), o governo exonerou o servidor citado na reportagem, Amisadai Andrade da Silva, do cargo em comissão de superintendente de Operações da Arena de Pernambuco, vinculada à Secretaria de Turismo e Lazer, conforme publicação no Diário Oficial.

Em nota, a Secretaria de Comunicação do Estado afirmou que a publicidade do Governo de Pernambuco é executada exclusivamente por agências contratadas por licitação, responsáveis pela elaboração dos planos de mídia e pela escolha dos veículos segundo critérios técnicos de audiência, alcance e custo.

Segundo o Governo, os valores destinados em 2026 ao veículo citado pela Record representam cerca de 0,3% do investimento permitido ao Estado em publicidade no período. A gestão acrescentou que os recursos são distribuídos entre dezenas de veículos e que os pagamentos são realizados mediante comprovação da veiculação e estão disponíveis no Portal da Transparência.

Investigação sobre supostos “gabinetes do ódio” deve ser rápida para não afastar o eleitorado

28/08/26  – http://blogfolhadosertao.com.br –  Por Betânia Santana

Raquel Lyra e João Campos se colocam como vítimas e viram também algozes de ataques virtuais
O programa eleitoral começa hoje – para candidatos à Presidência da República e à Câmara dos Deputados – e Pernambuco já assiste a denúncias dos principais candidatos ao governo.

A existência de supostos “gabinetes do ódio” transformou em vítima e algoz os principais postulantes – a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB).

A acusação é grave, trazida a público por reportagem da TV Record. Aponta um possível uso da máquina estadual para desidratar o adversário com ataques virtuais.

A resposta de Raquel Lyra veio no mesmo tom: negou a prática, demitiu o envolvido, apontou velhas táticas do PSB e rebateu alegando ser ela própria alvo de uma rede difamatória patrocinada pelo rival. Afirmou ser resultado do avanço dela nas pesquisas.

Do outro lado, João Campos aponta o contrário. Os golpes sofridos viraram justificativa para sua queda nas pesquisas. Ambos vestem a carapuça de vítima num enredo opaco, confuso e mal explicado.

Enquanto trocam acusações, os candidatos desinformam.  Eleitores desorientados afastam-se ainda mais da política.  Denúncia exige apuração rápida. Justiça Eleitoral, Ministério Público e Polícia precisam agir com celeridade

É preciso passar a limpo a interferência de estruturas clandestinas na eleição. Sem investigação profunda, a disputa no estado corre o risco de afundar na narrativa fácil.

E Pernambuco pode perder a chance de escolher seu futuro com base em propostas, não em possíveis fake news financiadas com dinheiro público.

Afinidade na oposição
Se havia alguma dúvida sobre o alinhamento da governadora Raquel Lyra (PSD) com o senador Humberto Costa (PT), ela se desfez ontem. A líder do governo na Alepe, deputada Socorro Pimentel, e o marido, Raimundo Pimentel, ambos do PSD, anunciaram apoio à reeleição do petista, candidato na chapa de João Campos (PSB).

Defesa
O juiz aposentado Luiz Rocha, que não respondeu mensagem nem atendeu ligações, será o advogado de Amisadai Andrade, funcionário da Caixa que estava à disposição do estado. Foi exonerado após reportagem mostrá-lo explicando como desidratar João Campos nas pesquisas.

Mainha
Aliados de João Campos têm estranhado o fato de Raquel Lyra ter parado de usar o apelido “Racreche” nos eventos de campanha e optado pelo “Mainha”, de quando foi candidata a prefeita de Caruaru. A governadora prometeu 250 creches e entregou 14 até agora.

Vereadores
Candidato ao governo do estado, Ivan Moraes participou de sabatina ontem no Congresso da União de Vereadores de Pernambuco, em Gravatá. Hoje será a vez de Raquel Lyra. João Campos não estava até ontem na programação. O encontro termina amanhã.

Suspeito de liderar esquema de corrupção no Presídio de Vitória de Santo Antão, segue foragido

28/08/26 – http://blogfolhadosertao.com.br – Por Raphael Guerra

Polícia diz que ex-chaveiro Alexandre Saturnino de Paula negociava privilégios e proteção para presos, alugava camas e vendia produtos em cantina

O ex-presidiário Alexandre Saturnino de Paula, apontado pela Polícia Civil como o chaveiro que liderava um esquema de extorsão e corrupção no Presídio de Vitória de Santo Antão, localizado na Mata Sul de Pernambuco, permanece foragido. Ele é um dos seis alvos da operação Controle Paralelo, deflagrada na última terça-feira (25).

De acordo com a decisão judicial que autorizou as prisões temporárias de parte dos investigados, obtida pelo Jornal do Commercio, Alexandre é descrito como o líder da organização criminosa e responsável por negociar privilégios e proteção aos presos da unidade, mediante pagamentos em dinheiro, além de “alugar espaços com camas e comercializar produtos da cantina”.

De acordo com a investigação, presos sofriam violências físicas caso não pagassem os valores determinados por Alexandre e os parentes dele recebiam ameaças. “Os familiares eram constrangidos a pagar”, disse o delegado Jorge Pinto, do Grupo de Operações Especiais (GOE).

Alexandre está solto desde 2024. No dia da operação, ele não foi encontrado, mas três armas de fogo foram apreendidas na casa dele.

O ex-chaveiro teria relação direta com o ex-diretor do presídio, Emanuel Roberto Franca de Lima, preso na operação e encaminhado para o Presídio de Itaquitinga II.

Em meio a denúncias, o policial penal deixou de exercer cargo de confiança em 2023, mas permanecia trabalhando no Presídio Rorinildo da Rocha Leão, localizado em Palmares, também na Mata Sul, com salário superior a R$ 10 mil, conforme consta no Portal da Transparência.

A investigação policial indicou que familiares de ambos teriam recebido depósitos em dinheiro obtido ilegalmente no esquema.

Outros dois policiais penais são apontados como integrantes da organização: Mário Alves Batista, que atualmente está aposentado e foi preso na operação, e Paulo Henrique da Silva, que ainda está foragido.

Também foram presos na operação Robson Saturnino de Paula Júnior e Aluisio José Gomes Júnior, apontados como pessoas de confiança de Alexandre e que teriam participação na lavagem de capitais.

A polícia descobriu que parte do dinheiro arrecadado na unidade prisional também destinada a uma empresa de venda de camarões localizada na praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. O estabelecimento pertence ao ex-chaveiro.

O grupo, formado por pelo menos dez pessoas, é investigado por crimes de corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro no presídio. A Justiça só autorizou a prisão temporária de seis, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão e do bloqueio de bens, que totalizam mais de R$ 3,6 milhões.

As defesas dos investigados não foram encontradas para comentar o caso.

MPPE denuncia mãe e dono de parque aquático por morte de menino afogado em Olinda

28/08/26 – http://blogfolhadosertao.com.br –   Por Nicolle Gomes

Foram formalmente acusadas pelo MPPE a mãe do menino, o dono do Via Park, em Olinda, e duas salva-vidas que trabalhavam no dia do afogamento

Ministério Público de Pernambuco (MPPE)/Foto: Marina Torres/Acervo DP Foto

Ministério Público de Pernambuco (MPPE) (Foto: Marina Torres/Acervo DP Foto)

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) denunciou, na quarta-feira (25), a mãe do menino de sete anos que se afogou no Parque Aquático Via Park, em Olinda, no Grande Recife, por abandono de incapaz que resultou em morte. O caso aconteceu no dia 25 de julho.

A promotoria também acusou formalmente o dono do estabelecimento por homicídio com dolo eventual – quando alguém assume o risco de matar. Já duas salva-vidas, que estavam de serviço no dia do afogamento, devem responder por homicídio culposo. A denúncia ainda não foi analisada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e os acusados devem responder em liberdade.

Diario de Pernambuco teve acesso à acusação do MPPE. No documento, o promotor João Paulo Pedrosa Barbosa relata que Emylly Vitória de Souza Pereira, a mãe do garoto, estava no parque com amigos e ingeriu bebida alcoólica. Segundo o MPPE, a criança não sabia nadar e tinha medo de ambientes aquáticos.

Emylly teria permitido a entrada da criança na piscina infantil, sem nenhuma boia ou equipamento de flutuação, de acordo com a acusação. A criança teria se afogado no momento em que ela se ausentou, por cerca de seis minutos, para ir ao banheiro.

“A denunciada deixou o menor completamente sozinho e sem vigilância na água, sem pedir a terceiros que o acompanhassem e sem determinar que a criança saísse da piscina, abandonando-o em situação de concreto e severo perigo que resultou em seu afogamento fatal”, descreveu o promotor. O Diario procurou a defesa, mas não obteve retorno.

Dono do parque

MPPE também denunciou o administrador Tony Hsu Chun Cki, dono do Via Park, por homicídio qualificado pela asfixia, com dolo eventual. De acordo com a promotoria, o estabelecimento não tinha projeto aprovado de segurança contra incêndio e pânico nem autorização de órgãos competentes, como alvará de funcionamento municipal, licença do Corpo de Bombeiros (AVCB).

Para o promotor, Tony construiu e disponibilizou ao público uma piscina infantil com uma mudança brusca de profundidade e sem nenhuma sinalização ou marcação de profundidade. Além disso, de acordo com o documento, um quase afogamento aconteceu na mesma piscina, naquele mesmo dia, por volta de 9h55. Mesmo assim, o parque seguiu funcionando.

“O denunciado manteve o local aberto e lotado comercialmente, sem equipe médica, ambulatório ou equipamentos essenciais de suporte à vida, assumindo plenamente o risco de morte dos frequentadores”, disse o promotor.

Em nota, a defesa do acusado diz que a denúncia “é totalmente inconsistente, o que será oportunamente demonstrado no decorrer da instrução processual”. “Tony Hsu Chuncki é empresário conhecido por sua conduta ilibada, jamais tendo figurado, em toda a sua trajetória pessoal e profissional, em qualquer investigação ou questionamento de natureza semelhante”, afirmou.

Ainda segundo a defesa, ele “colaborou integralmente com as autoridades”, desde o início da investigação, “prestando todas as informações solicitadas e adotando, por iniciativa própria, as providências ao seu alcance para amparar a família enlutada”.

Salva-vidas

Já as duas salva-vidas que estavam trabalhando no dia, Chaiane Kelli Gomes da Silva e Clarice Daniely Alves da Silva, são acusadas por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), por omissão imprópria.

Elas estavam em um banco na borda da piscina, a cerca de 11 metros de onde o garoto se afogou, segundo o MPPE. De acordo com a acusação, elas teriam “descuidado” da vigilância do tanque e não prestaram “socorro adequado” à criança, que passou mais de cinco minutos debaixo d’água.

“Somente após a entrega do corpo inerte da criança na borda da piscina é que as guarda-vidas iniciaram manobras de reanimação cardiopulmonar, socorrendo-a tardiamente em veículo particular à UPA da Tabajara, em Olinda/PE, onde foi atestado o óbito do menor”, diz a denúncia.

A defesa de Chaiane e Daniely afirmou, em nota, que “tomou conhecimento do oferecimento da denúncia pelo Ministério Público e reafirma a inexistência de qualquer conduta que consista na culpabilidade das salva-vidas”.

Além disso, a representação das duas alegou que “todas as ações de vigilância e socorro foram prestadas em estrita observância aos protocolos de segurança. A inocência de ambas e a ausência de responsabilidade penal serão plenamente demonstradas nos autos do processo, no âmbito do devido processo legal e da ampla defesa”.

Em nota divulgada na época dos fatos, o Olinda Via Park informou que prestou os primeiros socorros ainda no local, disse estar prestando assistência à família e afirmou que está colaborando com as investigações. O parque permanece fechado por tempo indeterminado.