Suspeito de liderar esquema de corrupção no Presídio de Vitória de Santo Antão, segue foragido

28/08/26 – http://blogfolhadosertao.com.br – Por Raphael Guerra

Polícia diz que ex-chaveiro Alexandre Saturnino de Paula negociava privilégios e proteção para presos, alugava camas e vendia produtos em cantina

O ex-presidiário Alexandre Saturnino de Paula, apontado pela Polícia Civil como o chaveiro que liderava um esquema de extorsão e corrupção no Presídio de Vitória de Santo Antão, localizado na Mata Sul de Pernambuco, permanece foragido. Ele é um dos seis alvos da operação Controle Paralelo, deflagrada na última terça-feira (25).

De acordo com a decisão judicial que autorizou as prisões temporárias de parte dos investigados, obtida pelo Jornal do Commercio, Alexandre é descrito como o líder da organização criminosa e responsável por negociar privilégios e proteção aos presos da unidade, mediante pagamentos em dinheiro, além de “alugar espaços com camas e comercializar produtos da cantina”.

De acordo com a investigação, presos sofriam violências físicas caso não pagassem os valores determinados por Alexandre e os parentes dele recebiam ameaças. “Os familiares eram constrangidos a pagar”, disse o delegado Jorge Pinto, do Grupo de Operações Especiais (GOE).

Alexandre está solto desde 2024. No dia da operação, ele não foi encontrado, mas três armas de fogo foram apreendidas na casa dele.

O ex-chaveiro teria relação direta com o ex-diretor do presídio, Emanuel Roberto Franca de Lima, preso na operação e encaminhado para o Presídio de Itaquitinga II.

Em meio a denúncias, o policial penal deixou de exercer cargo de confiança em 2023, mas permanecia trabalhando no Presídio Rorinildo da Rocha Leão, localizado em Palmares, também na Mata Sul, com salário superior a R$ 10 mil, conforme consta no Portal da Transparência.

A investigação policial indicou que familiares de ambos teriam recebido depósitos em dinheiro obtido ilegalmente no esquema.

Outros dois policiais penais são apontados como integrantes da organização: Mário Alves Batista, que atualmente está aposentado e foi preso na operação, e Paulo Henrique da Silva, que ainda está foragido.

Também foram presos na operação Robson Saturnino de Paula Júnior e Aluisio José Gomes Júnior, apontados como pessoas de confiança de Alexandre e que teriam participação na lavagem de capitais.

A polícia descobriu que parte do dinheiro arrecadado na unidade prisional também destinada a uma empresa de venda de camarões localizada na praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. O estabelecimento pertence ao ex-chaveiro.

O grupo, formado por pelo menos dez pessoas, é investigado por crimes de corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro no presídio. A Justiça só autorizou a prisão temporária de seis, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão e do bloqueio de bens, que totalizam mais de R$ 3,6 milhões.

As defesas dos investigados não foram encontradas para comentar o caso.

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