Escritores e jornalistas celebram o legado de Raimundo Carrero para a literatura e o jornalismo

17/06/26 –  blogfolhadossertao.com.br  –  Por André Guerra

Profissionais que trabalharam com Raimundo Carrero no Diario e colegas escritores relembram vida e obra do autor pernambucano, que faleceu nesta terça

 /Foto: Benedito Soares/Acervo DP

(Foto: Benedito Soares/Acervo DP)

A literatura, o jornalismo e a cultura pernambucana se despediram nesta terça (16) de uma de suas vozes mais influentes. Nacionalmente celebrado pelo poder transformador de obras que marcaram gerações, Raimundo Carrero, que faleceu aos 78 anos nesta madrugada, em decorrência de um câncer, atravessou a própria história do Diario de Pernambuco em diferentes momentos. Em seus dois últimos meses de vida, compartilhou com o leitor deste jornal, em sua coluna semanal Diario Cultural, reflexões sobre cultura brasileira, ecoando ideias que já são parte do nosso imaginário.

Nascido em Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, em 1947, Carrero se formou em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mas sua carreira como jornalista, no Diario, reforçou desde muito cedo a força de sua escrita. Em novembro de 1969, ele entrou como estagiário na redação do jornal e, a partir daí, passou por diversos cargos — entre eles, o de editor-chefe.

O escritor marcou época por 25 anos no Diario, trabalhando com alguns dos nomes mais importantes do período, como Gladstone Vieira Melo, Geneton Moraes Neto, Lêda Rivas e Fernando Spencer. Ele se tornou, nessa mesma época, um dos principais autores responsáveis pela difusão Movimento Armorial, liderado por Ariano Suassuna — cuja data de nascimento coincide com a data do falecimento de Carrero.

Foi na época de redação que, ao ouvir uma pitoresca história contada por um morador de São Lourenço da Mata, ele teve a inspiração para escrever o que se tornaria uma das lendas urbanas mais conhecidas do Recife: a Perna Cabeluda. Neste ano, a história ficou mundialmente conhecida depois de ser levada ao Oscar pelo filme “O Agente Secreto”.

“A História de Bernarda Soledade: A Tigre do Sertão”, de 1975, foi sua estreia em grande estilo no romance, narrando a história de uma mulher sertaneja que desafia o coronelismo e impõe sua vontade. “Viagem no Ventre da Baleia” (1987), “Maçã Agreste” (1989), “Sinfonia para Vagabundos” (1992) e “O Senhor Agora Vai Mudar de Corpo” (2015) estão entre os mais marcantes momentos de sua rica bibliografia. Vários de seus títulos foram premiados, como “As Sombrias Ruínas da Alma”, que venceu o Prêmio Jabuti em 2000.

Autores da cena literária pernambucana lamentaram a perda do escritor. Em depoimento ao Diario, Samarone Lima relembrou um momento emocionante com ele: “Participei de uma a mediação em que precisei fazer a leitura de 30 páginas de uma de suas obras-primas, ‘Somos Pedras que Se Consomem’. Fiquei nervoso e emocionado com a força de suas palavras. Me confortou vê-lo feliz em me assistir lendo aquele texto. Era uma pessoa festiva e animada, que colocava os outros para cima”, conta.

 

Atualmente vereadora do Recife, a poetisa Cida Pedrosa também expressou sua tristeza. “Eu nunca escrevi um livro que ele não falasse sobre e ele nunca escreveu um livro que eu não fosse estar na fila para ler. Tenho toda a obra dele na minha casa. Ele é dono de personagens absolutamente marcantes, principalmente mulheres, que são uma constante no seu trabalho. A literatura perde um de seus maiores escritores. O país inteiro está menor, mais triste”, declarou.

O escritor Marcelino Freire também se manifestou: “Se hoje eu sou quem sou, se escrevo, se ajudo outras autorias a se firmarem nas páginas de um livro, foi Carrero quem pegou na minha mão. Eu fui da sua primeira turma de oficina no Recife. Ele me ajudou a ler. Dissecou ‘Vidas Secas’, ressuscitou ‘Memórias Póstumas’. Continuarei na batalha para honrar o seu legado, a sua catártica existência, a sua memória”, exaltou.

Crítico literário e escritor, Sidney Rocha salientou como o ofício de Carrero se misturava com sua essência de ser humano. “Ele sempre foi uma ponte e uma fonte de liberdade na literatura. Seu grau de compreensão literária sempre foi gigantesco. A gente nota como existe no seu trabalho um espírito interessado em transformar o texto em algo vivo. A sua vida e a sua literatura eram praticamente uma coisa só. Perco um grande amigo, mas todos ganhamos uma grande obra”, pontuou.

TEMPO NO DIARIO

Colegas de trabalho que dividiram a redação do Diario com Carrero também prestaram suas homenagens a ele. A jornalista Kethuly Góes destacou a inteligência e o humor de Carrero. “Ter convivido com ele foi como testemunhar o quanto a literatura e a vida podem andar de mãos dadas. Como jornalista, tive o privilégio de partilhar redações com ele, no Diario e na TV Universitária. Como amigo, as conversas que tínhamos sempre nos deixavam melhores do que quando começávamos. E mesmo com a carreira amplamente reconhecida, no Brasil e no Exterior, ele nunca abandonou a simplicidade”, lembra.

Ivana Moura, que atuou como repórter e editora do caderno Viver, reafirmou o carisma do Carrero jornalista. “Ele tinha aquele vozeirão, aquela gargalhada típica, um raciocínio rápido para tudo. Era uma daquelas figuras que magnetizam a atenção. Quando o conheci no Diario, ele cuidava da editoria de Últimas Notícias, mas já tinha publicado alguns livros e estava em plena ascensão literária. Não só a literatura fez muito por ele como, principalmente, Carrero e a sua literatura salvaram muita gente”, disse a jornalista.

Salgueirense: Morre o escritor Raimundo Carrero, aos 78 anos

16/06/26  –  http://blogfolhadosertao.com.br –    Por Danielle Romani

Premiado escritor pernambucano faleceu, nesta terça-feira (16), em decorrência de um câncer, deixando legado na literatura e no jornalismo; velório acontece na APL das 12h às 15h

Foto Roberta Guimarães/Divulgação

O escritor Raimundo Carrero morreu aos 78 anos, na madrugada desta terça-feira (16), no Recife. A causa da morte foi um câncer, segundo nota divulgada pela família. O velório acontece na Academia Pernambucanas de Letras, da qual era membro, no bairro das Graças. O corpo será velado entre 12h30 e 15h. De lá, segue para o Cemitério de Santo Amaro, onde será sepultado, às 16h. A morte de Carrero coincide com a data de nascimento do escritor Ariano Suassuna.

Logo cedo, na sua página do Instagram, a governadora de Pernambuco Raquel Lyra lamentava a morte do escritor. “Em sua memória e em reconhecimento a sua trajetória, Pernambuco terá luto oficial de três dias. A minha solidariedade à família, amigos e inúmeros leitores neste momento de despedida”.

A presidente da Academia Pernambucana de Letras, Margarida Cantarelli, era próxima do escritor. E lembra que além do talento de escritor, outra característica de Carrero era a generosidade. “Fazia suas oficinas para que outras pessoas que tinham dom da escrita pudessem aprimorar, melhorar sua produção. Ajudou a criar gerações de escritores. Era um professor.”

O escritor Cícero Belmar, colega seu da APL também destaca sua maestria. Lamentou a morte do autor: “Ele foi fundamental para provocar, para incentivar, para orientar as pessoas que viam na literatura a possibilidade de vivenciar a arte. Ele foi um professor, no sentido mais profundo que ele significa na literatura.”

Marcelino Freire foi aluno da primeira turma de sua oficina literária: “Ele me pegou pela mão. Ele deu chão para meus textos. Sempre disse a ele o quanto o admirava e o quanto eu era grato por sua existência em minha vida. E o quanto ele era inspiração para minha caminhada.”

“Perco um grande amigo, estou com o coração partido, estou desarvorada (…) A primeira vez que eu vi, ele estava no plantão do jornal, quando ele ainda era repórter de polícia. E eu fui lá levar uns poemas para ele ver. Eu devia ter menos de 17 anos, sabe? Ele não só leu, deu boas risadas, brincou, disse coisas sobre os meus poemas e desde lá nós fizemos uma amizade que só cresceu a vida inteira”, declarou a poeta Cida Pedrosa.

O jornalista e escritor Xico Sá também se posicionou: “Aqui no frio miserável de São Paulo, recebo a notícia triste bem cedo, em uma mensagem do amigo Marcelino Freire. Bateu aquele esmorecimento, aquela fraqueza na alma que só um acontecimento como esse é capaz de gerar. Um pouquinho depois, relembrei também a alegria que foi conhecer e ler Raimundo Carrero. Amo quase todos os seus livros, mas, como lhe confessei, em um porre na Madalena, tenho um amor especial por Sinfonia para vagabundos.”

O escritor e poeta José Mário Rodrigues, outro membro da APL, fez questão de lembrar das coincidências entre sua trajetória e a de Carrero. “Ele tinha uma idade próxima à minha. Veio do Sertão na mesma época que eu vim de Garanhuns para o Recife. Participou da Geração 65. Fez parte do movimento armorial e era próximo de Ariano Suassuna como eu. Chegou a me mostrar alguns dos primeiros originais dele. Era uma pessoa de talento, com um enorme poder de diálogo. Nasceu para ser romancista. Era totalmente voltado para a literatura. Era um homem solar.”

Especialista em teoria literária e professor da Universidade Federal de Pernambuco, Anco Márcio Tenório Vieira escreveu uma nota em homenagem ao escritor sertanejo: “Com Raimundo Carrero morto, morre uma das vozes literárias mais potentes da sua geração. Do ponto de vista formal, a obra de Carrero é uma aula exemplar para aqueles que desejam se aventurar na vida literária. Porém, não basta que uma obra seja formalmente bem-realizada, faz-se necessário que ela também se componha de carne e de espírito humano. E essa carne e esse espírito humano urdem cada um dos seus romances e contos. Em Carrero, o dizer e o como dizer são irmãos siameses. Um precisa do outro para traduzir personagens atormentados pela fé, pela angústia, pelo desencontro e pela miséria do existir, pelo medo da dor, da doença e da morte.”

A cineasta Lucy Alcântara, que produziu o documentário Carrero, o áspero amável e desenvolveu uma forte ligação com o escritor, enviou uma nota-despedida: “Carrero, meu querido amigo e parceiro, você é Imortal. Na APL, como escritor, eternamente. Na minha vida cinematográfica sua ocupação foi, é e será constante: prosador em Geração 65, aquela coisa toda, ator e autor em A minha alma é irmã de Deus e objeto fílmico em Carrero, o áspero amável. No meu pensamento, como corroteirista, sua presença continuará em nossa parceria no longa Quarteto Áspero e na minissérie Os Ásperos. No meu coração, sua amizade se perpetuará.”

O escritor Ronaldo Correia de Brito lembrou que o amigo além de ser um dos maiores autores contemporâneos, era também um mestre. “Carrero é uma referência como escritor para toda uma geração contemporânea dele e para toda uma geração formada por ele. Além de um escritor brilhante, um dos maiores escritores contemporâneos do Brasil, ele formou em suas oficinas literárias gerações de escritores, a exemplo de Marcelino Freire, Wilson Freire, só para citar alguns nomes.”

Incansável e singular

Ao longo de mais de cinco décadas de produção literária, Carrero construiu uma obra robusta. Embora frequentemente associado ao universo do Sertão nordestino e ao Movimento Armorial idealizado por Ariano Suassuna, sua literatura nunca se limitou à representação regional. Seus romances mergulham em territórios mais inquietantes: a culpa, a loucura, o desejo, a violência, a fé e os abismos da condição humana.

A relação de Carrero com a literatura começou cedo. Em entrevistas, o escritor costumava recordar que seu encontro com os livros aconteceu ainda na juventude, quando teve acesso a uma coleção deixada por um irmão. A descoberta da leitura abriu uma janela para mundos que ultrapassaram as fronteiras do Sertão.

Mais tarde, já vivendo no Recife, estudou Ciências Sociais na Universidade Federal de Pernambuco e passou a frequentar círculos intelectuais que reuniam artistas, jornalistas e escritores. Foi um dos expoentes da Geração 65, que incluía nomes como Jaci Bezerra, Ângelo Monteiro, José Mário Rodrigues e outros. Foi nesse ambiente que conheceu Ariano Suassuna, amizade que marcaria profundamente sua trajetória. Suassuna enxergou no jovem escritor um talento raro e o incentivou a desenvolver uma literatura conectada às raízes culturais nordestinas sem abrir mão da ambição estética.

Na década de 1970, Carrero participou do Movimento Armorial, projeto cultural que buscava criar uma arte erudita brasileira inspirada nas tradições populares do Nordeste. Mas, embora compartilhasse desse universo simbólico, logo ficou claro que sua escrita seguiria um caminho próprio. Se em Suassuna predominavam o humor, o encantamento e a celebração das matrizes populares, em Carrero surgia uma atmosfera mais densa, marcada por conflitos interiores, tensões psicológicas e uma permanente investigação dos limites entre sanidade e desvario.

Seu romance de estreia, A História de Bernarda Soledade: A Tigre do Sertão, publicado em 1975, já revelava muitas das características que se tornariam marcas de sua obra. Ao longo dos anos, vieram livros como Sombra SeveraViagem no Ventre da BaleiaMaçã AgresteSomos Pedras que se ConsomemO Amor Não Tem Bons Sentimentos, entre muitos outros. Em 2000, foi agraciado com o Prêmio Jabuti na categoria contos pelo livro As sombrias ruínas da alma. Em 2010, venceu o Prêmio São Paulo de Literatura pelo romance Minha alma é irmã de Deus.

Em 2025, publicou um romance de tom memorialístico e autobiográfico, A vida é traição, onde relembra a infância em Salgueiro, a morte da mãe, sentimentos que lhe afligiam no cotidiano. Era como se vislumbrasse que era preciso resgatar e registrar o passado.

Em todos os seus livros, os personagens parecem viver à beira de um precipício emocional. São homens e mulheres consumidos por paixões extremas, por culpas ancestrais, por fanatismos religiosos ou por impulsos destrutivos que desafiam qualquer tentativa de explicação racional.

Por isso, muitos críticos observam que o verdadeiro cenário dos romances de Carrero não é o sertão físico, mas o sertão da alma. Embora suas narrativas frequentemente recorram à paisagem nordestina, o interesse do escritor está menos na descrição geográfica do que na exploração dos conflitos humanos. Seus personagens carregam feridas abertas, vivem cercados por fantasmas e enfrentam dilemas que transcendem qualquer contexto regional. O Sertão, em sua literatura, transforma-se numa metáfora do próprio ser humano, um espaço de solidão, mistério e combate interior.

Essa singularidade levou Carrero a ser comparado a autores como Juan Rulfo. Como ele, desenvolveu uma escrita que rejeita o realismo convencional. Em seus livros, o tempo nem sempre segue uma linha reta, os narradores podem ser pouco confiáveis e a realidade se mistura constantemente ao sonho, à memória e à alucinação. A linguagem assume papel central, tornando-se não apenas instrumento de narração, mas também matéria-prima da própria experiência literária.

Jornalismo

Paralelamente à carreira de escritor, Carrero construiu uma sólida trajetória no jornalismo. Trabalhou durante décadas no Diario de Pernambuco, onde atuou como repórter, crítico literário e editor. Essa experiência contribuiu para ampliar seu olhar sobre a sociedade brasileira e consolidou seu papel como importante articulador cultural.

Ao mesmo tempo, dedicou-se intensamente à formação de novos autores. Sua oficina de criação literária, criada no Recife, tornou-se uma referência nacional e ajudou a revelar diversos escritores que mais tarde conquistariam reconhecimento no cenário literário brasileiro.

Em 2010, a vida de Raimundo Carrero sofreu uma transformação dramática. O escritor foi vítima de um acidente vascular cerebral. Para alguém cuja existência sempre esteve profundamente ligada à palavra, o desafio de continuar a escrever passou a ser maior. O episódio acabou se convertendo também em matéria literária. Em vez de se afastar da escrita, Carrero transformou a experiência da fragilidade em reflexão artística. O romance O senhor agora vai mudar de corpo nasceu desse período e é considerado por muitos leitores uma das obras mais emocionantes de sua trajetória, justamente por abordar a vulnerabilidade humana sem sentimentalismo, mas com rara intensidade.

O reconhecimento à sua produção veio por meio de importantes premiações. Ao longo da carreira, recebeu distinções como o Prêmio Jabuti, a mais tradicional honraria literária do país, além de troféus da Associação Paulista de Críticos de Arte e do Prêmio Machado de Assis, da Fundação Biblioteca Nacional. Em 2005, passou a ocupar a cadeira número 3 da Academia Pernambucana de Letras, consolidando sua posição entre os principais nomes da cultura do estado.

DANIELLE ROMANI, repórter especial das revistas Pernambuco e Continente

 

Ipespe/Folha: Raquel Lyra tem 44% e João Campos 42% em disputa acirrada pelo Governo de Pernambuco

16/06/26 –  http://blogfolhadosertao.com.br  –   Por Folhape

Pesquisa Ipesp: Raquel Lyra e João Campos, empatados tecnicamente

A primeira pesquisa de intenção de voto para o Governo de Pernambuco realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), em parceria com a Folha de Pernambuco, mostra um cenário de equilíbrio na corrida eleitoral de 2026. No levantamento estimulado de primeiro turno, a governadora Raquel Lyra (PSD) aparece com 44% das intenções de voto, enquanto o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) registra 42%. O ex-vereador do Recife Ivan Moraes (PSOL) soma 2%. Brancos, nulos e eleitores que afirmaram não votar em nenhum dos candidatos representam 7%, enquanto 5% não souberam ou não responderam. A margem de erro da pesquisa é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Os números revelam diferenças significativas entre os segmentos do eleitorado. Raquel Lyra lidera com folga no Interior do Estado, onde alcança 54% das intenções de voto, contra 35% de João Campos. Já o socialista aparece à frente na Capital, com 51%, enquanto a governadora soma 31%. Na periferia, João também lidera, registrando 50% da preferência dos entrevistados, ante 31% da gestora estadual. No recorte por gênero, Raquel tem vantagem entre os homens, com 49% contra 37%, enquanto João lidera entre as mulheres, com 45% frente aos 40% da governadora.

A pesquisa também aponta diferenças por faixa etária, escolaridade e renda. Raquel Lyra lidera entre os eleitores de 16 a 24 anos (49% a 35%), de 25 a 44 anos (46% a 41%) e de 45 a 59 anos (47% a 41%). João Campos aparece na frente apenas entre os eleitores com 60 anos ou mais, alcançando 49% contra 33% da governadora. Entre os entrevistados com ensino superior, Raquel registra 54% e João 37%. Já entre aqueles com escolaridade até o ensino fundamental, o socialista lidera com 46% contra 39%. No recorte por renda, a governadora tem vantagem entre os eleitores com rendimentos acima de dois salários mínimos, enquanto João lidera entre os que recebem até dois salários mínimos.

Na simulação de segundo turno, o cenário permanece apertado. Raquel Lyra aparece com 45% das intenções de voto, enquanto João Campos registra 44%. Brancos, nulos e eleitores que afirmaram não votar em nenhum dos candidatos somam 6%, mesmo percentual dos que não souberam ou preferiram não responder, indicando uma disputa aberta e sem favorito consolidado a pouco mais de um ano das eleições estaduais.

Em Gravata: Em ato com mensagem de Lula, João Campos mobiliza cerca de 20 mil pessoas

16/06/26  – Http://blogfolhadosertao.com.br –  Ascom Asssessoria

Pré-candidato a governador lançou o Chega Junto Pernambuco, plataforma que reunirá contribuições da população sobre as demandas do estado

Em um ato histórico nesta segunda-feira (15), o pré-candidato a governador João Campos (PSB) lançou, em Gravatá, no Agreste, o Chega Junto Pernambuco. O projeto tem o objetivo de reunir contribuições da população sobre as demandas do estado, a partir de inscrição no site www.chegajuntope.com.br, de forma associada a outras estratégias de escuta popular já em andamento na pré-campanha, como a “Anota Aí!”. O lançamento reuniu cerca de 20 mil pessoas em um evento que demonstrou a força da Frente Popular e também marcado pela divulgação de uma mensagem de apoio do presidente Lula (PT) a João Campos.

“O meu partido e eu estamos apoiando João Campos para candidato a governador do estado de Pernambuco. Esse é um compromisso histórico e é resultado de uma relação produtiva, uma relação que deu resultado, uma relação que trouxe muita coisa para Pernambuco. Eu não preciso contar minha relação com o PSB, que é a maior aliança nacional que nós temos hoje. Mas contar o histórico da minha relação com Miguel Arraes, da minha relação com Eduardo Campos enquanto deputado federal e depois como ministro da Ciência e Tecnologia e, sobretudo, a nossa ralação enquanto governador do estado. Eu estou dizendo isso porque eu queria dizer a vocês que nós estamos juntos de verdade. Eu quero desejar a vocês boa sorte e boa luta”, disse Lula, em vídeo gravado especialmente para exibição no evento.

João Campos agradeceu a mensagem do presidente e reforçou que a grande responsabilidade da Frente Popular de Pernambuco será não só eleger o governador, o vice-governador e os senadores do grupo, mas também Lula para o quarto mandato. “A gente não está aqui apenas para lutar e vencer as eleições de Pernambuco. A gente está aqui para reeleger Luiz Inácio Lula da Silva presidente, para governar ao lado dele. Nós não perderemos a maior oportunidade de Pernambuco nos últimos 100 anos de ter um filho daqui, de Garanhuns, de Caetés, governando nosso país sem ter um governo em Pernambuco que tem apreço, carinho e lealdade ao presidente. Nós vamos fazer de Pernambuco o estado que mais vai crescer no Brasil”, prometeu.

Discursando em cima de uma réplica da tribuna que marcou a campanha do PSB ao Governo do Estado em 2006, João Campos ressaltou que a escuta da população é uma característica da Frente Popular, citando a criação do Chapéu de Palha, no governo de Miguel Arraes, e da maior rede de escolas em tempo integral e escolas técnicas do país, na gestão de Eduardo Campos, como exemplos de iniciativas construídas a partir do diálogo com a população. O ex-prefeito do Recife também elencou medidas semelhantes adotadas em seus dois mandatos à frente da capital pernambucana, entre elas, a extensão do Passe Livre para estudantes do Embarque Digital, reivindicação feita por uma aluna do programa durante uma agenda administrativa.

“Para acertar mais e errar menos, a gente precisa ter a capacidade de ouvir. Aqui é o pontapé inicial, é um grande programa de escuta, onde cada cidade vai poder fazer e consolidar seus planos em encontros regionais. A voz do povo vai encontrar mais do que abrigo; vai encontrar capacidade de fazer, transformar e realizar na vida das pessoas. Não é a tarefa do salto alto, da arrogância, da intransigência, porque isso a gente não carrega e não deseja a ninguém. Eu não coloquei meu nome à disposição de Pernambuco para fazer mais do mesmo. Eu estou pronto para fazer o melhor mandato da minha vida e para fazer muito mais do que eu já fiz”, complementou João.

O evento foi marcado por discursos acalorados do pré-candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos), do senador e pré-candidato à reeleição Humberto Costa (PT), da senadora Teresa Leitão (PT), da pré-candidata a senadora Marília Arraes (PDT), do presidente estadual do PT, deputado Carlos Veras, do presidente estadual do Republicanos, deputado Silvio Costa Filho, do presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Álvaro Porto (MDB), e dos prefeitos do Recife, Victor Marques (PCdoB), de Vitória de Santo Antão, Paulo Roberto Arruda (MDB), e de Serra Talhada, Márcia Conrado (PT). Prefeitos de mais de 30 municípios e caravanas de outras dezenas de cidades se fizeram presentes no lançamento do projeto, que já começa a ter etapas regionais nesta terça-feira (16), durante encontro de lideranças em Arcoverde, no Sertão.

Fotos: Edson Holanda

Espanha esbarra em Cabo Verde e estreia com empate na Copa do Mundo 2026

16/06/26  —  http://blogfolhadosertao.com.br –     Por AFP

La Roja domina a posse de bola em Atlanta, mas esbarra em atuação heroica do goleiro Vozinha; Lamine Yamal entra no segundo tempo e faz sua estreia em Mundiais.

Considerada uma das favoritas ao título da Copa do Mundo de 2026, seleção espanhola pressiona a defesa africana, mas não sai do zero na abertura do Grupo H./Foto: ROBERTO SCHMIDT / AFP

Considerada uma das favoritas ao título da Copa do Mundo de 2026, seleção espanhola pressiona a defesa africana, mas não sai do zero na abertura do Grupo H. (Foto: ROBERTO SCHMIDT / AFP)

Espanha não conseguiu balançar a rede contra a estreante Cabo Verde nesta segunda-feira (15), em Atlanta, em seu primeiro jogo na Copa do Mundo de 2026, ficando num empate sem gols que Lamine Yamal não conseguiu reverter após entrar no meio segundo tempo para disputar seus primeiros minutos no torneio.

Na partida que abriu o Grupo H do Mundial, cuja rodada inaugural se encerra com o duelo entre Uruguai e Arábia Saudita, a campeã europeia, considerada uma das grandes favoritas ao título, teve um choque de realidade.

A ‘Roja’ dominou com autoridade, mas enfrentou uma equipe africana solidária, concentrada e com grande nível físico, que se salvou com a grande atuação do goleiro Vozinha, um herói que acaba de completar 40 anos e foi eleito o melhor jogador da partida.

Ecos de 2018 e 2022

O primeiro tempo da seleção espanhola teve ecos de 2018 e 2022, quando caiu nos pênaltis nas oitavas de final contra a Rússia e o Marrocos, respectivamente. Nas duas ocasiões, dominou a posse de bola a ponto de deixar o jogo entediante, mas não teve poder de decisão.

Lamine Yamal e Nico Williams, jogadores de drible que foram fundamentais no título da Euro 2024, estavam no banco de reservas, com seu tempo de jogo cuidadosamente administrado pelo técnico Luis de la Fuente após se recuperarem de lesões.

Vozinha, que joga no Chaves, da segunda divisão portuguesa, salvou Cabo Verde no final do primeiro tempo ao defender uma tentativa de cabeça de Aymeric Laporte (45’+2).

Cucurella, Real Madrid e estreia em sete horas

Assinar com o Real Madrid e estrear na Copa do Mundo, um sonho que setornou realidade para Marc Cucurella em apenas sete horas.

Em um anúncio feito em momento questionável, o gigante merengue confirmou a contratação do lateral-esquerdo do Chelsea por seis temporadas, após pagar cerca de 55 milhões de euros (323 milhões de reais, na cotação atual), segundo a imprensa.

Sem tempo para digerir a notícia, Cucurella entrou em campo no Estádio de Atlanta como se nada tivesse acontecido, com sua onipresença natural em toda a ala esquerda.

Com a equipe posicionada na área dos ‘Tubarões Azuis’, ele demonstrou lucidez, precisão tanto com a cabeça quanto com os pés, executando bons cruzamentos.

Ele inclusive teve uma chance de marcar com um chute de primeira que passou por cima do gol.

Ovacionado como um gol

Entre a posse de bola estéril e finalizações fora do alvo da Espanha, o jogo se tornou sonolento no meio do segundo tempo, inclusive com vaias vindo das arquibancadas.

Coincidindo com a segunda pausa para hidratação, De La Fuente chamou Lamine Yamal e os quase 70 mil espectadores presentes comemoraram como se fosse o gol que não aconteceu.

Yamal fez sua estreia em Mundiais aos 18 anos e tinha 25 minutos para mudar o rumo da partida.

Em seu primeiro lance, conseguiu um drible e um passe para Marcos Llorente, que finalizou mal (73′). No entanto, seu primeiro jogo na Copa do Mundo não estará entre seus melhores momentos.

A Espanha começa sua caminhada no Mundial com um empate decepcionante, quatro anos depois de estrear com uma goleada por 7 a 0 sobre a Costa Rica em 2022 e, em seguida, cair nas oitavas de final.

PGR rejeita nova proposta de delação de Vorcaro

16/06/26 –  http://blogfolhadosertao.com.br  –   Agência Brasil

É a segunda vez que o banqueiro tem acordo de colaboração negado

Conforme as investigações avançam, a colaboração de Daniel Vorcaro e a outros envolvidos ficam mais difíceis de serem aceitas/Reprodução

Conforme as investigações avançam, a colaboração de Daniel Vorcaro e a outros envolvidos ficam mais difíceis de serem aceitas (Reprodução)

Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou nesta segunda-feira (15) a segunda proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado pela Polícia Federal por fraudes no sistema financeiro do país.

A decisão já foi comunicada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações.Com a rejeição da PGR, a segunda tentativa de Vorcaro de assinar um acordo de colaboração está totalmente encerrada. No mês passado, a proposta foi negada pela primeira vez.

Na semana passada, a Polícia Federal (PF) também rejeitou a segunda proposta. Os investigadores concluíram que o banqueiro não apresentou novidades em relação ao material que já foi apreendido e não assumiu que cometeu crimes.

No dia 4 de março, Vorcaro voltou a ser preso e foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, da PF, que investiga fraudes financeiras no Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal (GDF). Desde então, ele tenta fechar um acordo de delação.

O banqueiro está preso em uma sala da Superintendência da PF em Brasília.

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