Ex-estagiários da PGE-PE tomam posse como procuradores do Estado de Goiás

21/04/22

 

Ex-estagiários de Direito da Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco (PGE-PE), os recifenses Kauã Gomes Ribeiro, 23 anos, e Gilberto Matheus Paz de Barros, 26 (foto), são os mais novos procuradores do Estado de Goiás. Foram empossados em cerimônia realizada na noite de terça-feira (19/4), no Palácio Pedro Ludovico, sede do governo de Goiás. Os dois encontraram a vocação para o direito público a partir das experiências práticas adquiridas durante o período de estágio na PGE-PE.
Mesmo antes de concluírem a graduação, já se dedicavam aos estudos para concorrer aos certames na área. Resultado: foram aprovados no concurso da Procuradoria Geral do Estado de Goiás (PGE-GO). Kauã e Gilberto foram classificados, respectivamente, em 14º e 26º lugar. Vale destacar que Gilberto também foi aprovado no concurso da PGE da Paraíba, na 25ª colocação.
Contando com um programa de estágio na capital e no interior, a PGE-PE tem contribuído para que muitos estudantes de Direito descubram suas vocações e se preparem para o mercado de trabalho. “É sempre uma alegria para a instituição conhecer evidências de que nosso programa de estágio tem contribuído para a formação de profissionais qualificados para a advocacia pública especificamente e para as carreiras jurídicas em geral”, ressalta o coordenador do Centro de Estudos Jurídicos (CEJ) da PGE-PE, procurador César Caúla.O Programa de Estágio de Estudantes de Direito na PGE-PE realiza seleções periódicas e tem atualmente 97 estagiários no Recife e nas Regionais de Caruaru, Petrolina e Arcoverde. Os estudantes são orientados por procuradores de Estado e participam do Programa de Capacitação dos Estagiários de Direito (PCED), formação continuada com palestras sobre temas atuais de advocacia pública.

 

A trajetória dos dois ex-estagiários da PGE-PE foi marcada por dedicação, disciplina e empenho. Não à toa, destacaram-se em suas atividades. Kauã Ribeiro foi aprovado em 6º lugar no processo seletivo da PGE-PE, em 2020. De janeiro a setembro de 2021, esteve vinculado ao Núcleo de Processos Relevantes da Procuradoria do Contencioso – na sede da instituição, no Recife –, desenvolvendo suas atribuições de maneira remota, em virtude da pandemia da covid-19.

 

“Olhando para trás, vejo que minha experiência como estagiário na PGE-PE foi decisiva. Tanto para que eu tomasse a decisão, no começo de 2021, de direcionar meus estudos para as provas da advocacia pública, quanto para que eu enfrentasse cada etapa da prova da PGE-GO com mais segurança”, afirma Kauã, formado pela Faculdade de Direito do Recife (FDR/UFPE).

 

E complementa: “A título de exemplo, uma das peças práticas da prova subjetiva da PGE-GO – ocorrida em três dias consecutivos – foi uma minuta de informações em mandado de segurança, peça que havia minutado meses antes na PGE-PE. A todo momento, contei com o apoio, confiança e total atenção do time de procuradores do Núcleo, a quem sou extremamente grato”, disse.

 

“Conheci Kauã como meu aluno na Faculdade de Direito do Recife (FDR/UFPE). Estudioso, questionador e com excelente redação. Já na PGE-PE, tive a oportunidade de contar com o auxílio dele, como estagiário do Núcleo de Processos Estratégicos, em demandas complexas e bem desafiadoras. Foi uma nova escola que Kauã soube aproveitar bem. A aprovação no concurso da PGE de Goiás não me surpreendeu e o desejo dele de abraçar a advocacia pública agora virou realidade. Perdemos o estagiário, ganhamos um colega”, frisa a procuradora Larissa Medeiros.

 

INTERIORIZAÇÃO – Já Gilberto Barros ingressou na PGE-PE em dezembro de 2016, sendo o primeiro colocado da seleção para estágio de alunos de Direito oriundos da rede pública. Durante dois anos seguidos, atuou em diversas áreas no Contencioso, na Subprocuradoria Regional de Garanhuns, vinculada à Regional da PGE-PE em Caruaru.

 

“Minha experiência como estagiário foi maravilhosa. Tive contato, principalmente, com as áreas administrativa e tributária, mas também atuei em causas relacionadas ao Direito do Trabalho e ao Direito Civil”, comenta. E seu bom desempenho rendeu, pós-estágio, a nomeação ao cargo comissionado de assessor, em junho de 2019. Função que ocupou até o último dia 7 de abril.

 

Já no primeiro ano de estágio na PGE-PE, seu interesse pela advocacia pública foi despertado. “Com o término do curso de Direito nas Faculdades Integradas de Garanhuns (Faciga), ligadas à Autarquia do Ensino Superior de Garanhuns (Aesga), intensifiquei os estudos vislumbrando minha carreira e, felizmente, consegui aprovação no certame da PGE-GO”, comemora.

 

Gilberto destaca que os procuradores com quem trabalhou na PGE-PE sempre se mostraram solícitos e bastante empenhados em ensinar a atuação prática dos advogados públicos. “Tenho muito a agradecer a todos eles, especialmente aos procuradores Agenor Miranda e Bruno Paes Barreto e, mais recentemente, à procuradora Ana Carolina Almeida”, ressalta.
“Desde o início, Gilberto já demonstrava interesse demasiado em suas atribuições, tendo contribuído, de maneira decisiva, no desenvolvimento de importantes defesas fazendárias. A brilhante conquista é fruto, sobretudo, de sua dedicação e empenho. Nós que compomos a 1ª Procuradoria Regional de Caruaru só temos a agradecer por todo o serviço prestado à instituição”, frisa o procurador-chefe da Regional, Agenor Miranda.

 

O procurador Bruno Paes Barreto lembra que, logo no início das atividades de estágio, Gilberto já despertava uma curiosidade peculiar, pois estava sempre disposto a aprofundar a pesquisa de temas que ainda não tinha estudado na faculdade e não se furtava a enfrentar processos mais complexos. “Sempre foi muito dedicado e responsável com os compromissos assumidos no período em que esteve na Subprocuradoria Regional de Garanhuns. Temos nele, um exemplo de profissional que soube aproveitar as oportunidades a que teve acesso para conseguir êxito em seu propósito”, ressalta.

 

A procuradora Ana Carolina Almeida destaca a desenvoltura, interesse e dedicação do ex-estagiário. “Quando cheguei à Sub-Regional de Garanhuns, Gilberto já estava no final do seu curso e dominava todos os assuntos com os quais trabalhávamos. Podíamos contar com o trabalho dele mesmo nos temas mais complexos e delicados. Além do conhecimento técnico e da facilidade de escrita, Gilberto é um ser humano excepcional, de convívio extremamente agradável. Todos que partilhávamos da sua rotina de trabalho sabíamos que seu voo seria alto e seguro. A aprovação e nomeação para a PGE-GO, em tão pouco tempo, é apenas o início de uma farta colheita”, enfatiza.

Gonzaga Patriota enaltece reestruturação da PRF ao divulgar dados de acidentes no feriadão

21/04/22
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Em pronunciamento na Câmara dos Deputados nessa terça-feira, 19, Gonzaga Patriota divulgou dados sobre a Operação Semana Santa da Polícia Rodoviária Federal (PRF), destacando a importância da corporação. Durante a fala, o parlamentar solicitou que o Governo Federal faça uma reestruturação da PRF.

“Eu tenho uma aproximação muito grande com a Polícia Rodoviária Federal e não poderia deixar de registrar aqui o que aconteceu na Semana Santa. O trabalho feito pela PRF no país ajudou a diminuir em 50% os acidentes e em mais de 70% o número de pessoas feridas. E quando eu faço esse registro, eu venho pedir ao Ministro da Justiça e ao Presidente da República que corra com essa reestruturação da PRF”, disse o deputado.

No decorrer da Operação Semana Santa 2022, também houve um dado negativo: aumento de 32% no registro vítimas fatais. Além disso, foram recuperados 120 veículos roubados e 657 pessoas acabaram detidas.

 

Freio de arrumação: Daniel Silveira é condenado pelo Supremo a 8 anos e 9 meses de prisão por ataques à democracia

21/04/22

Por Weslley Galzo e Rayssa Motta, da Estadão Conteúdo

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A decisão tira o parlamentar da disputa eleitoral deste ano e inviabiliza plano de candidatura a senador pelo Estado do Rio de Janeiro

Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados
Deputado federal Daniel Silveira – FOTO: Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados

O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PTB-RJ) a 8 anos e 9 meses de prisão, além de multa no valor de R$ 192,5 mil, por incitar agressões a ministros da Corte e atacar a democracia.

A decisão pode tirar o parlamentar da disputa eleitoral deste ano e inviabilizar o projeto de uma candidatura a senador pelo Rio de Janeiro. Outra consequência da condenação, aprovada por 10 votos a 1, deve ser a cassação do mandato. A defesa ainda pode recorrer.

Na prática, a sentença ainda não tira o deputado da eleição. Isso porque a perda dos direitos políticos não é automática e depende do trânsito em julgado do processo – quando não há mais possibilidade de recurso. A cassação do mandato, por sua vez, vai passar pela Câmara dos Deputados apenas para a formalização da decisão dos ministros. No entanto, ele foi absolvido da acusação de incitar as Forças Armadas contra as instituições porque a Lei de Segurança Nacional (LSN), que vigorava desde 1983 e foi revogada no ano passado.

A maioria do STF entendeu que a conduta do deputado foi criminosa e não estava protegida pela imunidade parlamentar. Os dois ministros nomeados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), Nunes Marques e André Mendonça, tiveram outro entendimento. Marques defendeu a absolvição do parlamentar e Mendonça considerou que a maioria dos crimes imputados a ele não estavam comprovados.

O deputado foi julgado pelos crimes de proferir ameaças contra autoridades, incitar a animosidade entre as Forças Armadas e o Supremo e de usar de violência ou grave ameaça para tentar impedir o livre exercício dos Poderes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) destacou na denúncia que a imunidade parlamentar não é um “privilégio pessoal”.

“A liberdade de expressão existe para a manifestação de opiniões contrárias, para opiniões jocosas, para sátiras, para opiniões inclusive errôneas, mas não para imputações criminosas, para discurso de ódio, para atentados contra o estado de direito e a democracia”, defendeu o relator Alexandre de Moraes. “Não há dúvidas de que o réu agiu com dolo, em plena consciência de suas ações”, completou ao citar que Silveira confirmou as declarações em depoimento à Polícia Federal (PF).

O julgamento foi marcado por recados duros a Silveira e aos demais parlamentares que integram a tropa de choque do governo no Congresso. Um dos alvos preferenciais da militância bolsonarista no Supremo, o ministro Alexandre de Moraes apresentou um voto firme pela condenação do deputado. Segundo o ministro, o deputado tinha a intenção de cometer o crime, o que não se respalda no direito à liberdade de expressão.

Moraes também afirmou que Daniel Silveira não pode usar a imunidade parlamentar como “escudo protetivo para a prática de atividades ilícitas”. Ele foi seguido integralmente por Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Luiz Fux.

“Não vislumbro vestígio de violação à liberdade de expressão, nem tampouco à imunidade parlamentar (…) que não é um salvo conduto para a prática de crimes, sob pena de transformar o congresso nacional em um esconderijo de criminosos”, disse Barroso.

“O que estamos aqui é julgar a defesa da democracia”, enfatizou Toffoli. “A engenharia do caos não vai parar, mas temos que atuar na defesa da Constituição”, completou.

Nos vídeos que motivaram a ação penal, Silveira disse que se imaginava agredindo fisicamente os ministros e os desafiou a prender o general de Exército Eduardo Villas Boas por declarações críticas ao julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo tribunal. O deputado ainda fez referência à cassação de juízes do Supremo pelo Ato Institucional nº 5 (AI-5) durante a ditadura militar .

Na contramão das expectativas no Supremo, os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça decidiram não suspender o julgamento da ação penal contra o deputado. Como mostrou o Estadão, os demais ministros cogitaram a possibilidade de um dos magistrados apresentar um pedido de suspensão da votação. Os dois foram indicados à Corte pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e já haviam votado contra a obrigatoriedade de Silveira usar tornozeleira eletrônica.

Ao votar, Nunes Marques chegou a condenar as declarações do parlamentar, mas as reduziu a bravatas e transferiu à Câmara a responsabilidade por punir os ataques ao livre exercício dos Poderes. “Em que pese a gravidade e a repugnância das falas do acusado, não vislumbro cometimento de crime”, disse.

“Extrapolou e muito (Daniel Silveira), há toda evidência. Com a devida vênia, atingiu a própria Câmara Federal, na medida em que não se tem notícia que essa tenha tomado qualquer providência para apurar seus manifestos excessos e sua reprovável conduta (. ) que tolerada por seus pares mancha aquela casa”, disse. “Consigo aqui minha perplexidade, com todo respeito que tenho ao nosso parlamento, com essa justificável omissão”, completou.

Já André Mendonça, chegou a votar pela condenação de Silveira quanto ao crime de proferir ameaças aos ministros. O ministro, porém, divergiu de Moraes ao absolver o deputado das acusações de incitar a animosidade entre as Forças Armadas e o STF e de usar de violência ou grave ameaça para tentar impedir o livre exercício dos Poderes.

Imunidade parlamentar

Ao apresentar o parecer do Ministério Público Federal (MPF), a vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo foi firme ao sustentar que as declarações de Daniel Silveira “atingiram a Justiça como instituição” e tentaram “intimidar e constranger os ministros” do Supremo.

“O que busca o Ministério Público, no exercício de sua atribuição constitucional de defender a ordem jurídica e o regime democrático, é que este Tribunal Supremo se valha dos instrumentos democraticamente estabelecidos para reprovar os crimes efetivamente praticados pelo acusado”, afirmou.

Na noite de ontem, Alexandre de Moraes negou seis recursos da defesa de Silveira contra diversas medidas cautelares acumuladas pelo parlamentar e determinou cinco multas de R$ 2 mil ao advogado do parlamentar, Paulo César Rodrigues de Faria, pela apresentação de pedidos judiciais “manifestamente inadmissíveis, improcedentes, ou meramente protelatórios’. Segundo o relator, as demandas tinham o objetivo de postergar o julgamento da ação penal.

Ao apresentar as alegações finais no caso, a defesa de Silveira alegou “nulidades processuais”, ou seja, erros procedimentais que esvaziaram a ação. O advogado do parlamentar citou o fato de não ter sido oferecido acordo de não persecução penal pelos crimes de incitação à animosidade entre as Forças Armadas e o Supremo e contra a integridade nacional, uma vez que a Lei de Segurança Nacional foi extinta.

Já durante o julgamento, o advogado disse que o deputado é alvo de um “sistema inquisitório”. “Querem condenar a todo custo um inocente”, disparou. A defesa ainda criticou o fato de os ministros do Supremo, vítimas dos ataques do parlamentar, serem também os responsáveis por julgá-lo. “É preciso ficar muito claro que para uma pessoa ser condenada não pode ter subjetividade, porque a subjetividade incorre na suspeição, na imparcialidade”, afirmou.

Temperatura

Antes do início da votação, o Daniel Silveira e o também deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foram impedidos de acessar o plenário do Supremo. Eles foram barrados por uma resolução assinada em fevereiro pelo ministro-presidente, Luiz Fux, que proibiu a presença de qualquer pessoa que não seja membro do colegiado, representante das partes no processo ou integrante do MP. O ato normativo da presidência foi editado em resposta ao aumento dos casos de covid-19 no Distrito Federal.

“Se puder levar minha reclamação lá dentro”, disse Eduardo Bolsonaro ao servidor do STF que explicou os motivos de não poderem entrar. Silveira, que estava ao lado, repetiu a mesma frase. O Supremo chegou a oferecer aos deputados a possibilidade de acompanharem o julgamento de uma televisão no Salão Branco da Corte, a antessala do plenário, mas ambos se recusaram. Os parlamentares decidiram voltar à Câmara.

Mais cedo, Silveira fez novos ataques ao ministro Alexandre de Moraes. Na Câmara, o deputado chamou o relator da ação penal de “reizinho do Brasil” e “menininho frustrado” que age fora da Constituição. As críticas também foram destinadas ao presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), por, segundo ele, ter cometido um “equívoco grave” ao deixar de pautar para votação no plenário da Casa a sustação da ação penal contra ele.

Dentro do Supremo, o advogado de Daniel Silveira atrasou em uma hora o início do julgamento por ter se recusado a apresentar teste negativo para covid-10. Fux ofereceu a possibilidade de a defesa realizar a sustentação oral por videoconferência, o que também foi descartado. Para dar início à votação foi necessário que o advogado se submetesse a um teste rápido. O presidente do Supremo chamou a postura do defensor de “recalcitrância indevida” e pediu providências da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Histórico de violações

Silveira chegou a ser preso no ano passado, logo após divulgar o vídeo com as ofensas aos ministros do Supremo. A detenção no Batalhão Especial Prisional (BEP) do Rio, a mando de Alexandre de Moraes, com base em pedido da PGR, durou quase nove meses. O relator do caso determinou a soltura com a condição de que o parlamentar cumprisse medidas cautelares.

No início desse ano, a PGR voltou a cobrar medidas mais duras contra o deputado, que teria descumprido diversas determinações da Justiça. A cúpula do Ministério Público pediu ao Supremo no mês passado a colocação de tornozeleira eletrônica em Silveira e cobrou que ele fosse impedido de frequentar eventos públicos. As solicitações foram atendidas por Moraes, gerando um impasse entre o ministro e o parlamentar.

Silveira se recusou a colocar a tornozeleira eletrônica e chegou a dormir em seu gabinete na Câmara em uma estratégia fracassada para evitar que os agentes da Polícia Federal (PF) fizessem a instalação. O parlamentar bolsonarista se queixou da decisão de Moraes, a quem chamou de petulante, e cobrou que a ordem fosse revista pelos demais ministros do Supremo.

O movimento do deputado chegou a envolver o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), que emitiu uma nota com recados ao Supremo, na qual dizia que o plenário do Parlamento é inviolável. Apesar de ter causado ruídos entre os Poderes e piorado a sua situação, o bolsonarista acabou cedendo ao colocar o dispositivo. Moraes disse que a jogada de Silveira demonstrou sua “duvidosa inteligência”. A decisão para que o parlamentar colocasse a tornozeleira acabou referendada por 9 votos a 2 no plenário.

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Arthur do Val renuncia ao mandato na Alesp: “Em respeito aos 500 mil que votaram em mim”

21/04/22

Agência O Globo

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Deputado enfrenta um processo na cassação na Assembleia Legislativa de São Paulo

Deputado Arthur do Val

O deputado estadual Arthur do Val (União), que enfrenta um processo de cassação na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), decidiu renunciar ao mandato nesta quarta-feira (20).

Do Val teve a cassação de seu mandato aprovada no Conselho de Ética da Casa na semana passada, por 10 votos a zero. Ele havia sido alvo de 20 representações na comissão, assinadas por deputados da esquerda à direita, após vazarem áudios de sua autoria com declarações sexistas a respeitos de mulheres ucranianas fugidas da guerra.

O deputado afirma ser vítima de um processo parcial na Alesp e que o amplo direito de defesa “foi ignorado pelos deputados, que promovem uma perseguição política”. Para ele, a renúncia seria uma forma de evitar que os votos das pessoas que o elegeram em 2018 fossem “subjugados” pela Assembleia.

— Sem o mandato, os deputados agora serão obrigados a discutir apenas os meus direitos políticos, e vai ficar claro que eles querem na verdade é me tirar das próximas eleições. Vou renunciar ao meu mandato em respeito aos 500 mil paulistas que votaram em mim — afirmou.

Do Val foi eleito pelo DEM com 478.280 votos na eleição de 2018 para o Legislativo paulista, a segunda maior votação, atrás somente de Janaina Paschoal (então no PSL), que teve mais de 2 milhões de votos. Sem experiência na vida político-partidária, ele vinha de uma carreira como influenciador digital da nova direita, beneficiado pela onda antipolítica pela qual passava o país. Era conhecido por seu canal no YouTube, o “Mamãe Falei”.

Desde o primeiro momento, Do Val criou atritos com outros deputados e fez inimigos na esquerda e na direita, após seu grupo, o MBL, romper com Jair Bolsonaro. O bolsonarista Gil Diniz, hoje no PL, tornou-se um de seus principais desafetos. As críticas e ataques frequentes aos colegas acabaram por isolá-lo na Casa.

No início de março, Do Val fez uma viagem à Eslováquia, país vizinho à Ucrânia invadida pela Rússia, de onde enviou quatro áudios para um grupo de amigos no WhatsApp, nos quais disse que as mulheres da região eram “fáceis porque eram pobres” e comparava as filas de refugiadas da guerra à “melhor balada de São Paulo”. Quando o escândalo explodiu e os áudios se tornaram públicos, ele não encontrou apoio dos pares para defendê-lo na Alesp.

Na semana passada, durante a sessão em que o parecer do relator Delegado Olim (PP), sugerindo a cassação de seu mandato, foi votado, Do Val aproveitou o momento para desferir novos ataques aos colegas. Deputados deixaram a audiência prometendo a cassação definitiva em plenário.

O pedido de cassação de Do Val foi encaminhado à Mesa Diretora da Alesp, onde deveria ser convertido em projeto de resolução e depois passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), para somente então ser levado a plenário. Para ratificá-lo seria preciso a maioria simples, de 48 dos 94 deputados — quórum que aliados e adversários de Do Val avaliam como bastante provável. Essa é uma das razões pelas quais ele decidiu abrir mão do mandato antes de findar o processo.

Do Val continuará sem poder disputar as próximas eleições caso seja definitivamente cassado mesmo após a renúncia, segundo a advogada especialista em direito eleitoral Maíra Recchia. Isso porque a Lei da Ficha Limpa torna inelegível o político que tenha renunciado ao mandato para escapar de processo de cassação.

— O deputado Arthur do Val se livraria da inelegibilidade se tivesse renunciado ao cargo antes de as representações contra ele terem sido recebidas pelo Conselho de Ética da Alesp. Renunciado agora, ele não pode concorrer a nenhum cargo eletivo pelo prazo de oito anos (se for cassado) — afirma a especialista.

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