27/06/26 — http://blogfolhadosertao.com.br – Por JC
Os tremores em sequência — classificados por especialistas como “sismos gêmeos” — registraram magnitudes de 7,2 e 7,5, os maiores em 100 anos

O número de vítimas fatais decorrentes dos violentos terremotos que atingiram o norte da Venezuela na última quarta-feira subiu para 920 pessoas, segundo o balanço oficial mais recente divulgado pelo governo venezuelano na tarde desta sexta-feira (26). O relatório provisório aponta ainda que há pelo menos 2.980 feridos e cerca de 250 edifícios que desabaram totalmente ou sofreram graves danos estruturais.
A dimensão da tragédia, no entanto, pode ser significativamente maior. O Escritório de Ajuda Humanitária da Organização das Nações Unidas estima que o número de desaparecidos passe de 50 mil pessoas. Paralelamente, projeções do Serviço Geológico dos Estados Unidos, que levam em consideração a alta densidade populacional das áreas afetadas e a fragilidade das infraestruturas locais, alertam que o total de mortos pode quebrar a barreira dos 10 mil.
Os tremores em sequência — classificados por especialistas como “sismos gêmeos” — registraram magnitudes de 7,2 e 7,5. Eles ocorreram em um intervalo de menos de um minuto e com apenas cinco quilômetros de distância entre os epicentros. O abalo mais forte teve origem na cidade de El Guayabo, a 168 quilômetros de Caracas. A devastação foi amplificada pela baixa profundidade dos tremores, o que fez com que a energia liberada atingisse o solo e as construções com máxima intensidade.
A região metropolitana de Caracas e as cidades costeiras vizinhas foram as mais castigadas pelo desastre, considerado o mais forte em solo venezuelano nos últimos 100 anos. Diante do cenário caótico, o governo decretou estado de emergência e anunciou a militarização do estado litorâneo de La Guaira, uma das zonas mais destruídas. Como reflexo do impacto na infraestrutura de transportes, o aeroporto internacional da capital permanece fechado.
Em meio a relatos e vídeos dramáticos de desabamentos que circulam nas redes sociais, as equipes de resgate travam uma corrida contra o tempo para localizar sobreviventes. Até a quinta-feira, estimava-se que pelo menos 200 pessoas continuavam presas sob as toneladas de concreto. Para reforçar a resposta humanitária e acelerar as buscas nos escombros, uma força-tarefa internacional começou a desembarcar no país nesta sexta-feira, liderada por equipes enviadas pelo Brasil e pelos Estados Unidos.