09/06/26 – http://blogfolhadosertao.com.br – Por Ryann Albuquerque
Governadora comentou declaração do ministro Wellington Dias, que defendeu palanque duplo em Pernambuco, mas evitou cravar qualquer definição

Raquel Lyra e Lula – RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO

Horas antes de o PT desautorizar o ministro Wellington Dias por defender um palanque duplo em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) garantiu que construiu uma relação “sólida” com o presidente Lula e seus ministros – mas desconversou sobre qualquer compromisso eleitoral para 2026.
“Como muitas vezes se divulgava que era impossível que eu e o governo do Estado pudéssemos estabelecer uma relação sólida com o governo federal, com o presidente e com seus ministros… Existe confiança de ambos os lados e a gente tem trabalhado muito para fazer entregas ao povo de Pernambuco”, afirmou a governadora.
A declaração foi feita durante a entrega de 40 ônibus para o transporte público da Região Metropolitana do Recife (RMR), financiados com recursos do Novo PAC. O evento ocorreu depois de o ministro Wellington Dias ter dito, em entrevista ao O Globo, que a campanha de Lula deveria contemplar dois palanques no estado – um com João Campos (PSB) e outro com a própria Raquel Lyra.
A fala gerou reação imediata do PSB e do próprio Campos, que procurou o presidente do PT, Edinho Silva, para se queixar e cobrar explicações, de acordo com O Globo.
Edinho, coordenador da campanha de Lula, foi categórico ao rechaçar a declaração do ministro. “Essa posição está clara desde o início: em Pernambuco, o presidente Lula tem um único palanque, é o do João Campos. O PSB é o maior aliado do PT no Brasil todo. Esse ruído é desnecessário”, afirmou.
Cenário
Ao ser questionada sobre 2026, Lyra preservou o espaço político sem se comprometer, numa postura recorrente de quem quer manter todas as portas abertas antes da hora.
A fala da governadora ocorre num momento delicado para a política pernambucana. Pesquisa Datafolha divulgada no fim de maio colocou Raquel Lyra numericamente à frente de João Campos (PSB) na corrida pelo governo do estado — 48% contra 43% —, invertendo uma vantagem de 12 pontos que o pré-candidato do PSB tinha em abril.
O novo cenário alimenta o debate sobre qual palanque seria mais estratégico para Lula no estado, tensionando a relação entre PT e PSB. Ao elogiar a parceria com o governo federal sem fechar questão sobre 2026, Lyra mantém aberta uma porta que o PSB quer ver trancada, e que uma ala do PT, como ficou claro com a declaração de Wellington Dias, ainda não descartou cruzar.