Lula: “Reunião do G7 é oportunidade de discutir tanto o equilíbrio quanto o desequilíbrio na ordem política, econômica e social”

18/06/26 —  http://blogfolhadosertao.com.br  – Secom /Presidência da República

Em coletiva de imprensa após a Cúpula do G7, presidente ressaltou pontos que o Brasil defendeu no evento, como o investimento de países ricos em nações menos desenvolvidas

Presidente Lula da Silva concedeu entrevista coletiva à imprensa, na Residência da Missão Permanente do Brasil junto às Nações Unidas, em Genebra – Suíça. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou à imprensa nesta quarta-feira, 17 de junho, um balanço da sua viagem para a Cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. Em conversa com jornalistas em Genebra, na Suíça, Lula ressaltou os pontos que o Brasil defendeu durante o evento, que teve como principal eixo de discussão os desequilíbrios globais.

Quantos mais países estiverem interessados em fazer investimento nos nossos países, em comprar os nossos produtos e em estar dispostos a contribuírem participando da exploração, da industrialização e do enriquecimento das terras raras e de minerais críticos, desde que seja dentro do nosso país, sejam bem-vindos”
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República

“Para mim, cada reunião do G7 é a oportunidade de a gente discutir com os países desenvolvidos tanto o equilíbrio quanto o desequilíbrio na ordem política, econômica e social, levando em conta os avanços tecnológicos, a discussão sobre inteligência artificial e as necessidades de cada país”, afirmou Lula.

Abordando o tema dos minerais críticos, o presidente defendeu parcerias com países desenvolvidos para explorá-los, com a condição de que a sua exploração envolva a incorporação de valor dentro dos países detentores das reservas dos recursos, evitando uma lógica extrativista.

“Quantos mais países estiverem interessados em fazer investimento nos nossos países, em comprar os nossos produtos e em estar dispostos a contribuírem participando da exploração, da industrialização e do enriquecimento das terras raras e de minerais críticos, desde que seja dentro do nosso país, sejam bem-vindos”, disse Lula.

“Mas não queremos repetir o ciclo do ouro, em que tudo ia embora e a gente ficava com nada. O mesmo no ciclo do minério de ferro, em que a gente exportava tudo e foi feita pouca industrialização no Brasil”.

Lula defendeu o desenvolvimento de mercados consumidores em países menos desenvolvidos. “É importante que os países ricos tomem como decisão uma coisa sagrada. Eles têm que entender que eles precisam criar novos consumidores. Onde é que estão os novos consumidores? Na Índia, na China, na África, na América Latina, com amplo poder de pessoas que querem ser consumidores. Para ser consumidores, tem que ter investimento, tem que ter emprego, tem que ter salário”, disse.

O presidente defendeu que o crescimento precisa seja distribuído a nível global. “O mundo precisa crescer para que a economia volte a crescer. Não adianta crescer só para a Alemanha, só para os Estados Unidos, só para a França, não. É preciso, sem diminuir o padrão de vida deles, crescer para outros países, para que eles possam vender, inclusive, os seus produtos de maior qualificação, de maior valor agregado. Essa é uma discussão que eu fiz questão de deixar claro na minha intervenção lá. É preciso vocês compreenderem que vocês precisam criar novos consumidores e os novos consumidores estão fora do país de vocês. Então, façam investimentos”, declarou.

Évian-les-Bains, na fronteira da França com a Suíça, sediou o primeiro encontro do G7 – à época, denominado G8, com a participação da Rússia – ao qual um presidente brasileiro compareceu. Em 2003, o próprio presidente Lula compareceu a uma cúpula do grupo de maiores economias industrializadas do mundo.

Na entrevista, Lula também relembrou o debate em relação ao ambiente digital. “Na questão digital, eu fiz questão de dizer para eles duas coisas importantes que o Brasil fez. A proibição de telefone nas escolas e o ECA digital, que é a regulação digital mais importante feita no mundo para jovens e adolescentes. E eu queria que eles conhecessem”, assinalou.

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