Ele foi “encontrado”: Documento revela quem teria dado ordem para dispersar protesto contra Bolsonaro no Recife; confira os detalhes

05/06/21
Reportagem em parceria com Samara Loppes, da TV Jornal
FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEMApós confronto, manifestantes montaram barricadas para impedir a passagem de policiais – FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

Um documento de comunicação interna da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) descreve, em detalhes, quem deu as ordens e como foi a sequência de ações do Batalhão de Choque contra os manifestantes no ato que fazia críticas ao governo Bolsonaro, na área central do Recife, no último dia 29 de maio. A coluna Ronda JC teve acesso ao documento, que foi destinado ao subcomandante do Batalhão de Choque, major Valdênio Corrêa Gondim Silva. Trata-se de uma das principais provas para a Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) decifrar, de vez, quem foram os culpados pela ação desastrosa da PM, que acabou deixando dois trabalhadores cegos de um dos olhos.

O documento, assinado por um oficial da PM, cuja identidade está sendo preservada, descreve que, às 10h20, uma ligação telefônica do comandante do Batalhão de Choque, tenente coronel Bruno Alves Benvindo, informou que, por determinação do coronel Lopes, diretor adjunto da Diresp (Diretoria Integrada Especializada), “os pelotões Alfa e Bravo deveriam ficar a postos para acionamento, pois havia a determinação do comandante geral da PMPE (Vanildo Maranhão) para fazer deslocamento para a Praça do Derby, entrar em contato com o comandante do policiamento local e realizar a dispersão de uma manifestação de militantes com aproximadamente 300 pessoas, que estavam em flagrante descumprimento ao decreto estadual sobre a covid-19”.

O comunicado interno diz que a tropa seguiu ao local. “Ao chegar com a tropa de Choque na praça do Derby, entrei em contato com o major PM Monteiro, via telefone, onde fui informado por ele que a determinação do comando geral da PMPE era para fazer a dispersão da manifestação”, diz outro trecho.

Como parte da manifestação já seguia a caminho da Avenida Conde da Boa Vista, por volta das 10h50, outra ligação do comandante do BP Choque informou que, a pedido do diretor adjunto da Diresp, os pelotões deveriam se deslocar para a Praça do Diário.

Às 11h10, já no local determinado, a tropa foi posta na Avenida Guararapes.

“Por volta das 11h30, o capitão PM Máximo (oficial de supervisão) chegou ao local e incorporou na Tropa de Choque. Neste momento, recebi uma ligação do major Feitosa, coordenador do Copom, me informando que a determinação do comandante geral da PMPE era para que: se os manifestantes avançassem em direção à Praça do Diário, era para a Tropa de Choque realizar a dispersão via CDC, usando os meios dispostos.”

O documento segue relatando que os manifestantes chegaram ao local e alguns teriam hostilizado os policiais, chamando-os de “merda” e “fascistas”. Dois manifestantes que não acataram a ordem teriam sido detidos. E, segundo relato no documento, alguns jogaram pedras na tropa.

“Diante disto, como já havia a ordem de dispersão por parte do comando geral da PMPE e a Tropa de Choque já estava hostilizada e sofrendo agressões injustificadas, iniciou-se o processo de dispersão (…) com utilização dos materiais de menor potencial ofensivo e com técnicas e táticas de controle de distúrbios civis (CDC)”, relata a comunicação interna.

O documento reforça, ao final, outra ligação do coordenador do Copom informou que a ordem do comandante geral da PMPE era dispersar todos os manifestantes. E assim a tropa seguiu avançando.

Importante destacar, a partir desse relato, que o então comandante geral da PM, exonerado três dias após a ação desastrosa, nunca se pronunciou à sociedade sobre o assunto. Oficialmente, o governo estadual disse que ele pediu a exoneração, que foi aceita pelo governador Paulo Câmara.

Outro detalhe apurado pela coluna: o comandante geral da PM não esteve no Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR), no sábado passado, acompanhando as câmeras da cidade em tempo real. Mas estavam lá o então secretário de Defesa Social de Pernambuco, Antônio de Pádua (exonerado nessa sexta-feira), e o agora titular da pasta, Humberto Freire. Além deles, diretores da PMPE.

Reprodução
Documento que mostra quem deu a ordem para dispersar protesto no Recife – Reprodução
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Documento que mostra quem deu a ordem para dispersar protesto no Recife – Reprodução

Oito policiais militares estão afastados – entre eles o responsável por comandar a operação na rua. O PM do Batalhão de Choque que atirou no olho do arrumador de contêiner Jonas Correia de França, 29, também foi identificado e afastado das ruas. Já o PM que fez o mesmo com o adesivador Daniel Campelo da Silva, 51, segue sem identificação. A SDS também não revela os nomes dos militares afastados.

QUEDA DO SECRETÁRIO

Após seis dias de extrema pressão, o delegado federal Antônio de Pádua entregou o cargo e não é mais o secretário de Defesa Social. O governo de Pernambuco confirmou a exoneração no final da tarde de ontem. Pádua está no centro da investigação que busca esclarecer quem deu a ordem para que os policiais militares avançassem e atirassem contra os manifestantes que faziam um ato pacífico contra o governo Bolsonaro, no sábado passado, na área central do Recife. Pádua nega que tenha dado a ordem e diz também não saber quem foi o responsável. No lugar dele, assume interinamente o também delegado federal Humberto Freire, até então secretário executivo da pasta.

“Quero agradecer ao secretário Pádua por todo o seu trabalho em defesa do Pacto pela Vida nesses quatro anos, e ressaltar que a missão dada ao secretário Freire e ao comandante Roberto (José Roberto de Santana, novo comandante da Polícia Militar) é que o episódio do último sábado não seja esquecido, para que nunca se repita. Os protocolos precisam ser revistos para que um comando de tropa na rua não possa se sentir autônomo a ponto de agir da maneira que agiu”, afirmou, em nota, o governador Paulo Câmara.

Antônio de Pádua também se pronunciou. “Os fatos ocorridos foram graves e precisam ser investigados de forma ampla e irrestrita. Minha formação profissional e humanística repudia, de forma veemente, a maneira como aquela ação foi executada. Seis dias depois do episódio, com um novo comandante à frente da PM, com os procedimentos investigatórios instaurados e após prestar contas à Assembleia Legislativa, à OAB e ao Ministério Público, entreguei meu cargo com a certeza do dever cumprido e mantendo nosso compromisso com a transparência e o devido processo legal.”

Dois dias antes do protesto, o promotor de Justiça Westei Conde chegou a recomendar ao ex-secretário que alertasse a tropa para que fossem evitados excessos praticados pela PM. Em entrevista, na última quinta-feira, Pádua disse ter se colocado à disposição da Corregedoria da SDS para prestar esclarecimentos sobre o ocorrido no último sábado. Mas pontou que assim que soube da ação policial ordenou que fosse interrompida.

Pádua assumiu a SDS em 1º de julho de 2017, após a saída do delegado federal aposentado Angelo Gioia. Na época, exercia o cargo de corregedor geral da SDS. Naquele ano, Pernambuco registrou 5.427 homicídios – maior número da história do Pacto pela Vida. Nos dois anos seguintes, houve redução da violência letal. Mas, em 2020, o ano fechou com 3.759 assassinatos – aumento de 8,4% em relação a 2019.

NOVO SECRETÁRIO

O delegado federal Humberto Freire, secretário executivo de Defesa Social desde julho de 2017, assume a titularidade da pasta. Mas de forma interina, como destacou o governo estadual. Ontem, também tomou posse o novo comandante geral da Polícia Militar de Pernambuco, José Roberto de Santana. O coronel substituiu Vanildo Maranhão, exonerado na terça-feira.

Freire já atuou como chefe de vários departamentos da Polícia Federal em Pernambuco e no Amapá. Em 2013, ele chegou a ser cedido ao Ministério da Justiça para exercer o cargo de coordenador de Execução Operacional da Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos.

Como delegado de Polícia Federal, exerceu as funções de chefe da Delegacia de Controle de Segurança Privada na Superintendência da Polícia Federal no Amapá e chefe substituto na Delegacia de Polícia Federal em Imperatriz (MA). Em 2004, veio para a Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco, onde chefiou a Delegacia de Repressão a Entorpecentes, a Delegacia de Repressão aos Crimes Contra o Patrimônio, a Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários, a Coordenação Regional de Segurança de Grandes Eventos e a Representação Regional da Interpol.

POLÍCIA MILITAR

José Roberto de Santana tomou posse nessa sexta-feira. Até então, exercia o cargo de diretor de Planejamento Operacional da corporação. O coronel tem 31 anos de serviço à polícia.

“Ao povo pernambucano eu asseguro que a Polícia Militar continuará sendo a instituição confiável que sempre foi. A Polícia Militar continuará sendo dura contra o crime e amiga do povo pernambucano, esse é o nosso compromisso”, declarou no discurso de posse. Não foi permitida a presença da imprensa, sob o argumento da pandemia do novo coronavírus.

O subcomandante da PM, André Cavalcante, também foi substituído. No lugar dele, assumiu o coronel Aníbal Rodrigues Lima.Até então, ele eracorregedor adjunto da Corregedoria da SDS. Ele tem 30 anos de efetivo serviço.

Suape começa a reflorestar mais 61 hectares da Mata Atlântica

05/06/21

 

ImprensaSuape/blogfolhadosertao.com.br

 

Miniatura do anexoMiniatura do anexo
Miniatura do anexo

Atividade faz parte das ações em comemoração à Semana do Meio Ambiente

 Na véspera do Dia Internacional do Meio Ambiente, comemorado neste  hoje (5), a empresa Suape deu início a mais uma importante etapa do plano de reflorestamento da Zona de Preservação Ecológica (ZPEC), beneficiando uma área de 61 hectares, equivalente a 61 campos de futebol. Nessa etapa, está previsto o plantio de 71 mil mudas nativas da Mata Atlântica. Na mesma ocasião, foi anunciada a conclusão, ao longo desse mês, da restauração de outros 200 hectares da ZPEC, onde foram plantadas mais de 300 mil mudas.

A área beneficiada, cujo plantio começou nesta sexta-feira (4), está localizada no Engenho Algodoais, no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife. As mudas utilizadas nos projetos de restauração são cultivadas no Viveiro Florestal de Suape, que tem estrutura e capacidade para produzir cerca de 450 mil mudas por ano de 78 espécies nativas do bioma. Após a finalização do plantio, iniciam-se as atividades de manutenção para garantir o desenvolvimento das mudas até atingirem o status de floresta. Só então são consideradas ecologicamente recuperadas.

Desde 2010, Suape realiza projetos de restauração florestal na ZPEC, somando mil hectares de áreas em processo de recuperação da Mata Atlântica. No bioma, incluem-se mangue, restinga e floresta ombrófila densa. A partir de 2011, a empresa tornou-se signatária do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica (PRMA). A meta do PRMA é restaurar 15 milhões de hectares até 2050 em todo o País. Após 10 anos como signatária do pacto, Suape chega à marca de 2 milhões de mudas nativas plantadas na Zona de Preservação Ecológica.

“As mudanças climáticas exigem medidas de enfrentamento que, de fato, colaborem com a redução dos danos ao meio ambiente. As políticas de reflorestamento são ações importantes nesse combate e essa nova etapa representa mais um passo do que Suape entende como essencial e não apenas como uma boa prática de gestão. E Suape integrar o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica só chancela isso”, destaca o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Geraldo Julio.

Considerado um dos principais polos de investimentos do País e localizado na Região Metropolitana do Recife, com uma área de 13,5 mil hectares, Suape destina 59% de todo seu território para prática de atividades de preservação, proteção e controle dos recursos naturais da ZPEC. A definição foi determinada pelo Plano Diretor em vigor desde 2011, reafirmando o compromisso da empresa com uma agenda verde e sustentável, aliando o desenvolvimento econômico com a proteção do meio ambiente.

“Suape tem investido cada vez mais recursos para ampliar suas ações ambientais e sociais e, dessa forma, também contribuir com a metas estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Organizações das Nações Unidas”, completa Carlos André Cavalcanti, diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da estatal portuária.

Reunião de Bolsonaro com ‘gabinete paralelo’ da Saúde é divulgada e vira foco da CPI da Covid

05/06/21
ConteúdoEstadão/blogfolhadosertao.com.br
Trata-se de um grupo extraoficial que aconselharia ações a serem tomadas pelo governo no combate à covid-19
MARCOS CORRÊA/PRA médica Nise Yamaguchi estava entre os que participaram da reunião – FOTO: MARCOS CORRÊA/PR

Imagens divulgadas nesta sexta-feira (4) pelo site Metrópoles, mostram o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participando, em setembro do ano passado, de uma reunião com médicos e demais integrantes do que os senadores que compõem a CPI da Covid classificam como “ministério paralelo”. Trata-se de um grupo extraoficial que aconselharia ações a serem tomadas pelo governo no combate à covid-19.

Ao longo de um mês de CPI, integrantes e ex-integrantes do governo Bolsonaro têm negado a existência dessa estrutura, revelada pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta em seu depoimento. Mas para o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, as imagens comprovam a atuação do chamado ministério paralelo.

“Não se trata mais de falar que supostamente existe algo. Está comprovado. Esses ataques todos de Bolsonaro só demonstram o desespero do presidente”, disse Aziz à reportagem. “Por que você acha que o ministro (Eduardo) Pazuello disse, aquele dia, que um manda e outro obedece? Porque era assim, ele só executava ordens”.

O encontro com Bolsonaro teve a participação do ex-ministro da Cidadania Osmar Terra, que ficou conhecido como um dos principais defensores da cloroquina, medicação sem nenhuma eficácia no tratamento da doença, e da tese da imunidade de rebanho – pela qual a imunização se daria de forma natural ao passo que a população fosse infectada. O próprio Osmar chegou a pegar covid-19 e ficou uma semana na UTI.

Marcos Corrêa/PREncontro ocorreu em setembro de 2020 – Marcos Corrêa/PR

Nas imagens da reunião que ocorreu em 8 de setembro, participantes fazem uma série de críticas e ressalvas à aplicação de vacinas. Osmar Terra é citado como um “guia intelectual” do grupo, com influência direta sobre as decisões do Ministério da Saúde.

Entre os participantes do encontro estão a imunologista Nise Yamaguchi, que prestou depoimento nesta semana à CPI da Covid, em convite feito pela comissão. “Uma honra trabalhar com o senhor neste período” afirmou Nise, referindo-se a Osmar Terra. Aos senadores, a médica negou a existência de um gabinete paralelo e disse que prestava apenas “aconselhamento” ao governo Disse também que nunca esteve sozinha com o presidente Bolsonaro.

Vacinas

Os trechos divulgados pelo Metrópoles mostram que Arthur Weintraub, irmão do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, intermediava os contatos entre o grupo e o Palácio do Planalto. Durante o encontro, o virologista Paolo Zanotto diz que Bolsonaro deve tomar “extremo cuidado” com as vacinas contra a covid-19.

“Não tem condição de qualquer vacina estar realisticamente na fase 3”, afirmou. Naquela ocasião, a Pfizer já havia encaminhado cartas sobre suas vacinas ao Brasil, sem obter respostas do governo brasileiro. “Com todo respeito, eu acho que a gente tem que ter vacina, ou talvez não”, disse o virologista.

Após a divulgação do vídeo, o vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que pretende convocar o agora deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) e o virologista Paolo Zanotto para prestarem depoimento à comissão.