30/08/26 – http://blogfolhadosertao.com.br -Por Redação do ge — Recife

O empate por 1 a 1 com o Anápolis, no estádio Jonas Duarte, levou o Tricolor à segunda fase na última das vagas disponíveis. Depois de iniciar a rodada na quinta posição, a equipe terminou em oitavo lugar e precisou torcer por tropeços de concorrentes para seguir viva na disputa pelo acesso à Série B.
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Vestiário do Santa Cruz após classificação à segunda fase da Série C — Foto: Santa Cruxz/Divulgação
O roteiro da classificação resume a campanha coral. Enquanto vencia o Anápolis por 1 a 0, com gol de Eurico, de cabeça, marcado aos 37 minutos do primeiro tempo, o Santa Cruz chegou a ocupar a segunda colocação.
Mas o empate sofrido na etapa final, marcado por Fernando Viana após rebote de Thiago Coelho, fez o time despencar na tabela e depender dos resultados de Guarani x Brusque e Amazonas x Ypiranga-RS.
Ao apito final em Goiás, restou ao Santa Cruz esperar. E os empates por 2 a 2 nas duas partidas acabaram favorecendo o clube pernambucano.
O drama foi tamanho que a classificação foi definida apenas nos critérios de desempate. Santa Cruz e Ypiranga terminaram com 29 pontos e oito vitórias cada. A vaga coral veio pelo saldo de gols: cinco contra três.

Se a classificação foi alcançada, a campanha também deixou recados claros para a fase decisiva. O principal deles está no desempenho como mandante. Em uma Série C equilibrada, o Santa Cruz chega ao quadrangular precisando transformar a Arena de Pernambuco em um aliado mais confiável.
No primeiro turno, o time conquistou apenas quatro vitórias, um empate e quatro derrotas como mandante, com sete gols marcados e cinco sofridos. O aproveitamento de 48,1% foi apenas o 14º melhor da competição – ou o sétimo pior, pode-se observar por esse ângulo.
O problema ficou ainda mais evidente na reta final. Nos últimos três jogos como mandante, o Tricolor perdeu para Figueirense e Maranhão. Se tivesse vencido apenas uma dessas partidas, dificilmente teria chegado à última rodada sob risco de eliminação.
Em uma fase de apenas seis rodadas, desperdiçar pontos como mandante pode ser a diferença entre o acesso e mais uma permanência na Série C.
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Santa Cruz x Caxias, Série C, Arena de Pernambuco — Foto: Marlon Costa/AGIF
O contraste aparece nos números longe de Pernambuco. Como visitante, o Santa Cruz teve o terceiro melhor aproveitamento da competição. Em dez jogos, venceu quatro, empatou quatro e perdeu apenas dois, alcançando 53,3% de aproveitamento. Foi justamente essa regularidade fora de casa que impediu uma situação ainda mais delicada ao longo da primeira fase.
Contra o Anápolis, o Santa Cruz voltou a mostrar essa característica. Mesmo diante de um adversário que lutava contra o rebaixamento, fez um jogo tecnicamente limitado, mas manteve a consistência defensiva que se tornou uma marca da equipe de Cristian de Souza. O sistema com três zagueiros segue consolidado e adaptável às diferentes circunstâncias da partida.
Em compensação, ofensivamente, o time ainda chega ao quadrangular sem uma referência incontestável no ataque. Embora Eron tenha ganhado sequência, ainda está distante de se firmar como o camisa 9 capaz de liderar o setor ofensivo na fase mais importante da temporada.

Outro fator que chama atenção é a dificuldade em transformar o mando de campo em vantagem. Desde o ano passado, o Santa Cruz atua na Arena de Pernambuco por conta das condições estruturais do Arruda. Apesar da alta média de público registrada na Série C, o clube ainda não conseguiu fazer do estádio um ambiente de resultados consistentes.
Agora, o desafio aumenta. Classificado em oitavo lugar, o Santa Cruz terá pela frente Botafogo-PB, Maringá e Floresta no quadrangular. As equipes se enfrentam em turno e returno, e apenas os dois melhores garantem o acesso à Série B de 2027. A caminhada começa justamente diante do Botafogo-PB, na primeira rodada da segunda fase.
A classificação foi alcançada. Mas a forma como ela veio serve de alerta. Se a consistência defensiva mantém o Santa Cruz competitivo, o quadrangular exigirá mais. Principalmente “em casa”, onde o Tricolor deixou pontos demais pelo caminho e transformou uma classificação que parecia encaminhada em um drama resolvido apenas no saldo de gols.