Sem trabalhar desde 2023, juiz acusado de assédio ganhou R$ 300 mil no último trimestre

04/03/26   –  http://blogfolhadosertao.com.br   –   Estadão Conteudo

Nesta terça (3) Fischer Dias se defendeu no plenário do CNJ, na sessão conduzida pelo ministro Edson Fachin
Sem trabalhar desde agosto de 2023, quando o Tribunal de Justiça do Distrito Federal lhe impôs aposentadoria compulsória sob acusação de assédio sexual e stalking contra servidoras, o desembargador substituto João Luís Fischer Dias – que teve recurso negado nesta terça-feira (3) pelo Conselho Nacional de Justiça -, recebeu desde dezembro passado R$ 300 mil em salários.Em dezembro, o magistrado recebeu R$ 114.464,25 líquido, em um mês comumente marcado por contracheques elevados no Judiciário. Em janeiro de 2026, R$ 104.898,54 depositados em sua conta. Já em fevereiro, o valor foi de R$ 80.766,00 líquido.

Nesta terça (3) Fischer Dias se defendeu no plenário do CNJ, na sessão conduzida pelo ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal e do CNJ. Inicialmente, disse que ‘respeita e confia na Justiça do seu país’.

Ele criticou a ‘contaminação por viés político que afetou o devido processo legal’. Disse que recorreu ao CNJ ante a ‘possibilidade de desfazer uma grande injustiça’.

Em seu voto, a conselheira Daiane Nogueira de Lira, relatora, destacou que ‘a conduta (de Fischer) é totalmente incompatível com a carreira da magistratura’. “O assédio sexual e a perseguição a servidoras são fatos extremamente graves e não podem ser sancionados com penas brandas, razão pela qual a pena de aposentadoria compulsória foi acertadamente aplicada pelo Tribunal de Justiça do DF”, avalia Daiane.

Ela ressaltou que as condutas de assédio sexual e de stalking ‘configuram tipos penais no Brasil. “O magistrado João Luís Fischer Dias utilizou de sua posição hierárquica para coagir e amedrontar servidoras, o que é inconcebível”, reprovou a conselheira.

Deixe um comentário