PF apura se dinheiro de Vorcaro foi usado para custear permanência de Eduardo Bolsonaro nos EUA

15/05/26   — http://blogfolhadosertao.com.br   –  Agência O Globo

Linha de investigação busca entender se valores repassados por Vorcaro foram de fato à produção cinematográfica, ou se foram também para um dos filhos do ex-presidente
A Polícia Federal (PF) apura se o dinheiro solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro também foram usados para custear a estadia do deputado cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Esta linha de investigação da PF busca entender se valores repassados por Vorcaro foram de fato à produção cinematográfica, ou se foram também para um dos filhos do ex-presidente.

A informação foi divulgada pelo portal Amado Mundo e confirmada pelo GLOBO. Na última quarta-feira, o site Intercept Brasil divulgou conversas entre Flávio e Vorcaro nas quais o senador pede ao empresário, que já se via em meio a complicações envolvendo o Master, o pagamento de “parcelas” para financiar um filme biográfico sobre o pai, a ser lançado às vésperas da eleição de outubro.

A obra cinematográfica, que conta a história da campanha de 2018 de Bolsonaro, teria chegado a receber R$ 61 milhões repassados pelo banqueiro. O senador confirmou as tratativas, mas argumentou que não houve “favores em troca”.
— O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público — disse o senador.

O material revelado ontem, também sob investigação da PF, mostra que o senador insiste no repasse para o filme em mais de uma ocasião e demonstra estar ciente da crise do Master à época. Um dos diálogos foi travado na véspera da primeira prisão de Vorcaro.

A primeira cobrança documentada deu-se em 8 de setembro de 2025, em um momento no qual, segundo Flávio, os envolvidos na produção do filme “Dark horse” tinham dificuldades para honrar compromissos da montagem. “Tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso, e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, disse.

Em outro contato feito dois meses depois, Flávio insiste: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz”, cobrou.

Na manhã de quarta-feira, ao ser questionado por um repórter do Intercept sobre o assunto, o senador sustentou que os diálogos eram “uma mentira”. Só à tarde, com a reportagem já publicada, Flávio admitiu os contatos com Vorcaro, qualificados por ele como uma negociação entre entes “privados”.

Vorcaro está preso e negocia uma delação premiada com potencial de afetar representantes dos três Poderes. São esperadas revelações de sua atuação para receber blindagem política e, assim, encobrir as fraudes operadas no banco.

Após resvalar em nomes de diferentes correntes ideológicas, o escândalo despertou uma disputa de narrativa entre esquerda e direita. As novas revelações, somadas à operação da PF que mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), atingem diretamente o bolsonarismo.

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