Náutico demite Roberto Fernandes após derrota para Chapecoense por 2 x 1 nos Aflitos

18/07/22]

Por Thiago Wgner

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Náutico segue na zona de rebaixamento da Série B do Brasileiro

Thiago Wagner

TIAGO CALDAS/CNC
Roberto Fernandes foi campeão pernambucano neste ano – FOTO: TIAGO CALDAS/CNC

Confira o comunicado do Náutico:

O Náutico informa o desligamento do técnico Roberto Fernandes e do seu auxiliar Fernando Alves.

À frente do Náutico, nesta quinta passagem, Roberto Fernandes se sagrou campeão do Campeonato Pernambucano, o seu segundo título com nossas cores. Desejamos sucesso na carreira.

Após a derrota, vários torcedores já pediam a cabeça de Roberto Fernandes. Inclusive a torcida que foi aos Aflitos xingou o treinador, o chamando de burro.

Já na coletiva pós-jogo, Roberto Fernandes falava em frustração enorme pela derrota do Náutico.

 

 “O sentimento é de frustação”, diz Roberto Fernandes após derrota

Roberto Fernandes comandou o Náutico em 18 jogos na sua quinta passagem. Foram cinco vitórias, seis empates e sete derrotas. O aproveitamento foi de 38%.

Apesar de curto, Roberto Fernandes ainda conseguiu conquistar mais um título pernambucano ao superar o Retrô na final – o primeiro título foi em 2018.

NÁUTICO NA SÉRIE B

O Náutico está em 18º na Série B do Campeonato Brasileiro, estando na zona de rebaixamento.  O Timbu encara a Ponte Preta na próxima rodada, fora de casa, no Moisés Lucarelli, em Campinas, São Paulo. O jogo será às 19h, horário de Brasília, na próxima quarta-feira (20).

Náutico não é mais comandado pelo técnico Roberto Fernandes. Cerca de três horas após o jogo contra a Chapecoense, que acabou com vitória catarinense por 2×1, de virada, em pleno Aflitos, o Timbu anunciou que o treinador não é mais ligado ao clube. No comunicado sobre a demissão de Roberto Fernandes, o Náutico informa que o auxiliar Fernando Alves também foi demitido.

Especial de Domingo: Territórios livres dos complexos eólicos

17/07/22

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Por Heitor Scalambrini Costa *

 

O crescimento de grandes complexos eólicos no país, em particular no Nordeste, tem crescido vertiginosamente nos últimos anos, principalmente devido a excelente qualidade dos ventos na região, da flexibilização e da baixa fiscalização das leis ambientais, e do preço da terra arrendada (ou comprada) ser insignificante diante dos investimentos realizados. Tais condições têm atraído inúmeros empreendedores nacionais e internacionais pela alta lucratividade desta atividade, conhecida como “negócios do vento”.

Com a rápida expansão desta agenda econômica, inúmeros impactos, conflitos e injustiças socioambientais estão sendo detectadas, e relatadas em estudos e trabalhos realizados pelas universidades públicas, centros de pesquisa, organizações não governamentais, sindicatos de trabalhadores rurais, e comissões pastorais ligadas à igreja católica.

Todavia, a propaganda com justificativas falaciosas e tendenciosas, o uso de táticas questionáveis pelas empresas e de sua representação nacional, a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), tem confundido e omitido da opinião pública, a atual situação nos territórios onde foram implantados os complexos eólicos. Ao mesmo tempo o governo federal, governos estaduais e municipais têm cedido a tais interesses econômicos, legislando a favor dos “negócios do vento”; não levando em consideração o desastre socioambiental provocado, e o que se anuncia para os próximos anos com o atual modelo de expansão desta tecnologia, que tem optado pela geração centralizada, em benefício exclusivo do lucro das empresas.

Alguns dos principais efeitos negativos identificados estão relacionados a supressão de vegetação (área para a instalação dos aerogeradores e construção de estradas); aos problemas causados a fauna (mortandade de morcegos, pássaros), as pequenas criações (diminuição dos ovos, do leite, abortos, …); as alterações do nível hidrostático do lençol freático no processo de instalação da estrutura das torres; aos impactos sonoros e efeito “estroboscópio” afetando a saúde das pessoas (distúrbios do sono, dor de cabeça, zumbido e pressão nos ouvidos, náuseas, tonturas, taquicardia, irritabilidade, problemas de concentração e memória, episódios de pânico com sensação de pulsação interna ou trêmula, que surgem quando acordado ou dormindo); aos deslocamentos das populações com destruições de modos de vida de populações tradicionais; a expropriação de terras (com contratos draconianos de arrendamento) e pagamentos irrisórios dos arrendadores.

Não se pode admitir que continue esta situação de “vale tudo”. Não é respeitado nem áreas de conservação, nem brejos de altitude, áreas indígenas, áreas quilombolas, fundos de pasto, áreas da agricultura familiar, áreas litorâneas de vocação turística, …. É mais que urgente mudar a rota do atual modelo de expansão adotado, diante da necessidade de utilizar as fontes renováveis de energia (sol, vento, biomassa, água), na descarbonização tão necessária e urgente, para uma transição energética justa, e assim, enfrentar a emergência climática que assola o planeta.

Várias propostas para minimizar estes problemas têm sido sugeridas e discutidas. Como a priorização da produção descentralizada de energia. Não há dúvidas que grandes instalações contínuas com seus efeitos cumulativos, ocupando grandes áreas (onde existem moradores dispersos), atentam mais gravemente contra o meio ambiente e as pessoas, do que pequenas instalações eólicas. O tamanho do impacto é proporcional ao tamanho da área ocupada pelos aerogeradores, transformadores, e pela construção de estradas e acessos, além das linhas de transmissão

No sentido de evitar e mesmo minimizar os danos, urge tornar obrigatório o   Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto de Meio Ambiente (RIMA) para tais empreendimentos. Não é correto tecnicamente utilizar a expressão energia limpa (como de baixo impacto ambiental) para instalações de grande porte, diante do que está ocorrendo, e assim exigir somente o Relatório Ambiental Simplificado (RAS).

zoneamento territorial evitaria que determinadas áreas recebam os complexos eólicos e assim minimizaria danos ambientais, sociais, culturais e econômicos, além de evitar a competição entre produção de alimentos e de energia. A atualização dos Atlas dos Ventos, pode ser um caminho, se for levado em conta em sua confecção: a) as políticas públicas ambientais; b) a localização das Unidades de Conservação; c) áreas de proteção ambiental dos Brejos de Altitude (Pernambuco e Paraíba); d) áreas de proteção de mananciais hídricos; e) as áreas de “hotspot” da conservação biológica; f) zonas de produção agroecológica; g) as propriedades rurais produtivas da agricultura familiar e assentamentos agrícolas.

Efetivo acompanhamento e fiscalização pelos órgãos ambientais (o que não acontece hoje) de todas as etapas de licenciamento (prévia, instalação e operação) concedidas. Transparência dos relatórios das equipes de fiscalização e acompanhamento com a sua publicização, com informações sobre o atendimento ou não, das exigências contidas nas licenças expedidas (compensação).

Os complexos eólicos têm deixado profundos rastros de destruição do meio ambiente e na vida das comunidades atingidas (exemplos não faltam). Desde a obtenção do terreno (pela compra, ou pelo arrendamento), a sua preparação (desmatamento, terraplanagem, compactação, abertura de estradas de acesso dos equipamentos), a construção das linhas de transmissão, a piora na saúde das pessoas, a desconstituição das atividades produtivas com a desestruturação dos modos de vida.

Sem que requisitos socioambientais sejam atendidos, sem o respeito pela vida das pessoas que vivem e tiram seu sustento de onde vivem, e cultivam suas tradições; os grandes complexos eólicos são insustentáveis, e no fim das contas trazem mais desvantagens do que vantagens. Assim, propõe-se a criação de territórios livres dos complexos eólicos (TLCE), que a geração distribuída seja priorizada, e que seja exigido o EIA/RIMA para o licenciamento dos empreendimentos.

*Heitor Scalambrini Costa

Professor associado da Universidade Federal de Pernambuco (aposentado)

Santa Cruz empata com Lagarto, mas se classifica ao mata-mata da Série D

17/07/22

Eduardo Parin/DP

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Foi por pouco, porém o time coral conquistou a vaga na fase eliminatória e encara o Retrô, que goleou o Crato por 5 a 1 neste sábado (16)

<i>(Foto: Rafael Vieira/Esp. DP Foto)</i>

Foi emocionante. Neste sábado (16), o Santa Cruz recebeu o Lagarto em partida válida pela Série D do Campeonato Brasileiro. Jogando mal, a Cobra decepcionou os milhares de tricolores presentes no Arruda e empatou, com gol de Hugo Cabral, em 1 a 1. Apesar do desempenho ruim, o time comandado por Marcelo Martelotte conquistou a vaga no mata-mata da competição.

No próximo final de semana, o Santa Cruz recebe, no seu estádio, o Retrô. A Fênix de Camaragibe terminou a fase inicial na liderança do Grupo A3 e, por isso, decidirá com a Cobra, quarta colocada do A4, o jogo de volta em casa. Provavelmente, na Arena de Pernambuco.

O JOGO

Antes do apito inicial, a atmosfera nas arquibancadas do estádio do Arruda irradiava insegurança. Afinal, os 14 mil torcedores presentes no Mundão sabiam que a missão da tarde deste sábado não era fácil. Com a bola rolando, isso ficou muito claro. E não custou muito tempo para a ‘decisão’ se tornar ainda mais angustiante.

Aos 7 minutos da etapa inicial, o Lagarto, líder do Grupo A3 e classificado com antecedência ao mata-mata da Série D, abriu o placar. Em lance marcado por uma falha do sistema defensivo coral, o lateral Márcio Duarte cruzou e Neto, livre de marcação, finalizou de cabeça para colocar o time visitante em vantagem no Arruda.

Daí em diante, foram instantes de inquietação. Erros de passe, na marcação, na tomada de decisão final. Tudo isso deixava a torcida coral ansiosa. No ápice do nervosismo, veio, porém, a tranquilidade. Aos 45 minutos, Matheuzinho fez grande jogada pelo lado direito, levou à linha de fundo e cruzou ‘na medida’ para Hugo Cabral finalizar de cabeça e deixar tudo igual no Arruda. Em seguida, o árbitro terminou o primeiro tempo.

SEGUNDO TEMPO

Para os 45 minutos finais, o treinador Marcelo Martelotte optou por manter o time. Já Givanildo Sales tirou o camisa 10, Davi Ceará, e entrou com Diogo. Mesmo assim, o cenário permaneceu similar ao do primeiro tempo: muitos erros e poucas construções de jogadas.

Faltando 15 minutos para o término do jogo, Martelotte tirou de campo o improdutivo Rafael Furtado e acionou o contestado Raphael Macena. Além disso, Matheuzinho, que deu a assistência do gol coral, foi substituído por Lucas Silva. Era a hora de retomar as rédeas do jogo.

Apesar disso, os instantes finais foram repletos de emoção. E o torcedor coral, que não tirava o olho do jogo entre Juazeirense e CSE, viu o Santa Cruz se classificar ao mata-mata por muito pouco.

FICHA DE JOGO

Santa Cruz

Jefferson; Edson Ratinho, Luan Bueno, Alemão e Ítalo Silva; Daniel Pereira, Wescley (Arthur) e Tarcísio; Hugo Cabral (Fabrício), Matheuzinho (Lucas Silva) e Rafael Furtado (Raphael Macena). Técnico: Marcelo Martelotte

Lagarto

Adilson; G. Lucena, Davi, Júnior Goiano e Márcio Duarte; Natan (Victor Garcia), Felipe Jacaré e Davi Ceará (Diogo); Neto, Bruninho (Ricardinho) e Cleiton (Netinho). Técnico: Givanildo Sales

Local: estádio do Arruda

Arbitragem: Thiago Luis Scarascati (SP)

Auxiliares: Bruno Chaves Vieira e Karla Renata Santana (ambos PE)

Gols: Neto aos 7’/1ºT (LAG); Hugo Cabral aos 45’/1ºT (SCFC)

Cartões amarelo: Matheuzinho (SCFC); Jacaré (LAG)

Público: 14.275 torcedores

Renda: R$ 267.150,00

 

Pedro do Pipa aceita convite do PDT e disputará uma vaga na Câmara Federal

17/07/22

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Por Machado Freire

 

      O empresário  com base política em  Ouricuri, Pedro do Pipa (foto)   é pré-candidato a deputado federal pelo PDT nas eleições de 2 de outubro,  com a disposição de representar o partido  em toda região do Araripe.  “Recebi o convite -que muito me honra,  do deputado federal e dirigente do meu partido, Wolney Queiroz e  vou disputar  uma vaga na Câmara Federal”, disse.

     A postulação é legítima e contribuirá para que o PDT  – que  foi criado e  dirigido em Ouricuri pelo meu amigo, o  ex-vereador José Walder de Farias (Dadinho), continue defendendo os interesses do povo que só é visto em época de eleição, afirmou o pré-candidato.

     Pedro do Pipa é nascido e criado na roça,  utilizou  grande parte  de sua vida  combatendo a seca com a distribuição de água  através de um caminhão pipa, e tempos depois, passou a trabalhar   na cidade com uma oficina  e venda de peças de automóveis, que evoluiu para uma empresa familiar  que  hoje  presta  um bom atendimento da clientela do município e da  região.

     Nas últimas eleições municipais, em 2020,  Pedro do Pipa aceitou o desafio e concorreu à  prefeitura de Ouricuri, liderando uma terceira via,  contra  dois grupos  que constituem duas oligarquias familiares.  Ele foi o terceiro votado  e teve como  vitória moral  o fato de resistir  à pressões para desistir   em  beneficio de  um  dois grupos conservadores.

     A candidatura de Pedro do Pipa a prefeito de Ouricuri resultou numa disputa acirrada e o candidato eleito -no caso o atual prefeito Ricardo Ramos,  obteve uma maioria inferior a cem votos.

Fachin recusa convite de Bolsonaro para reunião com embaixadores sobre sistema eleitoral

17/07/22

Folha de S.Paulo/ CONSTANÇA REZENDE
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 O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Edson Fachin (foto) , recusou um convite feito pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para participar de uma reunião com embaixadores estrangeiros para falar sobre o sistema eleitoral brasileiro.

Em ofício enviado ao cerimonial do Planalto, nesta sexta-feira (15), Fachin agradeceu o convite, mas disse que não poderia participar, por conta do seu “dever de imparcialidade”.

“Na condição de quem preside o tribunal que julga a legalidade das ações dos pré-candidatos ou candidatos durante o pleito deste ano, o dever de imparcialidade o impede de comparecer a eventos por eles organizados”, justificou o cerimonial do TSE

O convite de Bolsonaro havia sido feito na última quarta-feira (13), para uma reunião que irá acontecer nesta segunda-feira (18), no Palácio da Alvorada, “com chefes de missão diplomática”.

Sua ideia era fazer um encontro com embaixadores para rebater afirmações feitas por Fachin em uma reunião realizada no fim de maio com diplomatas estrangeiros.

Em sua live semanal nas redes sociais, no último dia 7, Bolsonaro disse que “desconfia” do trabalho do TSE e que, na reunião com embaixadores, levaria “documentos” relativos às eleições de 2014, 2018 e 2020.

O presidente acumula mentiras e acusações sem nenhum tipo de prova sobre as urnas eletrônicas.

O mandatário já afirmou, por exemplo, que deveria ter vencido as eleições de 2018 no primeiro turno e que o pleito foi fraudado, por isso teve de disputar o segundo turno. Entretanto, não existe nenhum indício que isso tenha ocorrido.

“Será um convite a todos eles. O assunto será um PowerPoint, nada pessoal meu, para nós mostrarmos tudo que aconteceu nas eleições de 2014, 2018, documentado, bem como essas participações dos nossos ministros do TSE, que são do Supremo, sobre o sistema eleitoral”, disse, na ocasião.

Vergonha nacional: Partidos compram 24 carros de R$ 100 mil ou mais com verba pública

17/07/22
LUCAS MARCHESINI E RANIER BRAGON –
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 Duas Mitsubishi Pajero, uma delas blindada, uma Range Rover e uma Toyota Hilux estão entre os 24 carros de R$ 100 mil ou mais comprados com verba pública por partidos políticos de 2017 a 2020.

A sigla que montou a maior frota foi o PSL, que saiu da condição de nanico e se tornou uma das maiores do país por ter abrigado Jair Bolsonaro (hoje no PL) nas eleições de 2018. Em 2019 suas verbas públicas se multiplicaram por cinco, chegando a R$ 98 milhões.

Hoje o partido se chama União Brasil, resultado de sua fusão ao DEM.

O sistema do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aponta que o PSL comprou sete veículos, por R$ 1,3 milhão. Foram três pelo diretório da Paraíba, dois pela direção nacional, um pelo diretório de Salvador (BA) e outro pelo diretório de Jaraguá do Sul (SC).

Os dados dos gastos de verba pública pelas legendas no quadriênio 2017-2020 foram reunidos e organizados pelo Movimento Transparência Partidária.

O veículo mais caro comprado pelo PSL foi uma Land Rover Range Rover preta, zero quilômetro, adquirida pelo diretório da Paraíba por R$ 381 mil. Os outros carros comprados pelo diretório foram um Volkswagen Tiguan preto, que custou R$ 189 mil; e uma Amarok da mesma montadora, de R$ 165 mil.

Todos são veículos de alto padrão.

Procurado, o partido disse que apenas a Amarok permanece com a legenda.

O deputado federal Julian Lemos (União Brasil-PB), à época presidente do PSL-PB, afirmou que o diretório usou o Tiguan por cerca de um ano “porque não compensava alugar”. Ele também alegou que a compra e posterior venda do carro representou uma economia maior.

Em relação à Land Rover, o carro foi adquirido em dezembro de 2019 e devolvido à loja em agosto de 2020 pelo mesmo valor que custou, R$ 381,2 mil. O partido afirmou ter chegado à conclusão de que não compensava o custo de manutenção.

De acordo com Lemos, “nem foi finalizada a compra, o carro ficou na loja”. O sistema do TSE aponta a despesa nas contas de 2019 e receita do mesmo valor em 2020.

“Um partido desse tamanho só ter um carro no estado para tudo é o mínimo. Atividade partidária se faz com carro de partido mesmo”, disse o parlamentar.

Já o diretório nacional do PSL comprou um Toyota Hilux SRV por R$ 118 mil e um Toyota Corolla por R$ 100 mil, ambos em 2019.

A direção nacional do partido disse que “os tribunais eleitorais, ao analisarem as prestações de contas dos partidos, perceberam que a aquisição de veículos é mais vantajosa que a locação”.

“Foi seguindo essa recomendação que o União Brasil decidiu há alguns anos comprar veículos, e não alugar. Os dois carros disponibilizados para a direção nacional do partido são utilizados para atividades administrativas e transporte de autoridades”, acrescentou.

O diretório do PSL de Salvador comprou uma Mitsubishi Pajero preta blindada, ano 2015/2016, por R$ 125 mil. O carro seguiu com o então presidente do partido na cidade, Alberto Pimentel, que agora comanda o diretório de Feira de Santana (BA).

“Ele foi comprado para auxiliar nos trabalhos partidários. É um carro grande e blindado, o que auxilia melhor na segurança e tem um baixo valor de mercado comparado aos mais novos com capacidade inferior, a exemplo do Corolla”, disse Pimentel, que é casado com a deputada Professora Dayane Pimentel (União Brasil-BA).

Ao todo, 22 partidos registraram a compra ou financiamento de 80 carros entre 2017 e 2020 pelo valor total de R$ 6,9 milhões.

O nanico Patriota foi partido que comprou o carro mais caro entre 2017 e 2020, se excluído o veículo comprado e devolvido pelo PSL da Paraíba. Trata-se de uma Mitsubishi Pajero preta, de R$ 260 mil. A sigla adquiriu ainda outros quatro veículos, totalizando gasto de R$ 740 mil, o que a torna campeã desse tipo de despesa, proporcionalmente ao valor do fundo partidário recebido (0,65%).

O partido tinha apenas seis deputados quando a compra foi feita. O presidente da sigla na época, Adilson Barroso, justificou a aquisição à Folha dizendo que “toda empresa que queira ter resultado em seu trabalho tem que ter as ferramentas necessárias.”

Também entre os veículos mais caros está uma Toyota Hilux, comprada pelo diretório do PP no Tocantins por R$ 213 mil em outubro de 2020. O diretório no estado é comandado pela senadora Kátia Abreu, que não respondeu aos questionamentos até a publicação deste texto.

Os partidos usam ainda a verba que recebem do governo federal para outros gastos ligados a locomoção. Foram R$ 27,5 milhões em combustível e R$ 29 milhões categorizados como outras despesas de transporte, o que inclui táxi, pedágios e fretes, por exemplo.

Com viagens aéreas foram R$ 100,4 milhões em passagens e R$ 20,2 milhões com fretamentos de aeronaves.

“Hoje, os partidos brasileiros são custeados fundamentalmente por fundos públicos, que têm crescido exponencialmente nos últimos anos. O que se vê nesse período, no entanto, é o Congresso Nacional debatendo propostas que, a pretexto de assegurar a autonomia das legendas, procuram flexibilizar suas obrigações em relação à aplicação desses recursos e dificultar a identificação de irregularidades”, disse o diretor-executivo do Transparência Partidária, Marcelo Issa.

Ele ressaltou que a Justiça Eleitoral identifica inúmeras irregularidades, muitas vezes reincidentes, que têm levado à devolução de milhões de reais todos os anos aos cofres públicos.

“A forma como os partidos políticos utilizam os recursos públicos com os quais são financiados é um bom indicativo de como deverão geri-los ao ocupar a administração pública.”

Nos últimos anos, tornou-se uma tradição o Congresso aprovar minirreformas políticas e eleitorais pouco antes das eleições, geralmente para flexibilizar regras de fiscalização, punição e transparência.

Pela lei, os partidos políticos recebem anualmente verba pública para seu custeio, o fundo partidário. A previsão para este ano é de um rateio de cerca de R$ 1 bilhão, dividido na proporção dos votos obtidos pelas 32 legendas nas eleições para a Câmara dos Deputados.

É longa a lista de uso irregular ou questionável dessas verbas, com gastos em bens de luxo, restaurantes caros, entre outros fins sem relação clara com a atividade partidária.

Em 2017, por exemplo, o Ministério Público Federal obteve a quebra do sigilo bancário do Pros (Partido Republicano da Ordem Social) em decorrência do uso do dinheiro público para compra de helicóptero (R$ 2,4 milhões), aeronave bimotor (R$ 400 mil) e uma série de imóveis, entre eles uma mansão de R$ 4,5 milhões no Lago Sul, uma das regiões mais nobres de Brasília.

Em abril de 2022 o TSE rejeitou as contas do partido relativas a 2016 e determinou a devolução de R$ 11 milhões aos cofres públicos pela sigla não ter comprovado a finalidade exclusivamente partidária na compra de aeronaves, imóveis e veículos.