Bolsonaro corta verba de prefeituras e cria voucher direto para creche privada

14/08/21

Por Thiago Resende e BernardoCaram/Folhapress

blogfolhadosertao.com.br

O governo derrubou um dos pilares do Brasil Carinhoso, programa social criado em 2012
Jair bolsonaro
A proposta do novo programa social do governo, o Auxílio Brasil, enviada pelo presidente Jair Bolsonaro, retira recursos destinados às prefeituras para a educação de crianças carentes. O mesmo projeto estabelece o pagamento de voucher diretamente para creches privadas.

O governo derrubou um dos pilares do Brasil Carinhoso, programa social criado em 2012 para garantir o acesso e a permanência de crianças na educação infantil.

O objetivo era complementar a política de transferência de renda a famílias pobres e extremamente pobres, o Bolsa Família.

O trecho revogado obrigava a União a repassar aos municípios uma ajuda financeira adicional para vagas em creches e desenvolvimento educacional de crianças de zero a dois anos de idade que sejam de famílias beneficiárias de programas sociais.

Por outro lado, na mesma proposta, que cria o Auxílio Brasil, Bolsonaro quer que sejam feitos repasses de dinheiro público diretamente para as creches credenciadas pelo governo, podendo inclusive ser do setor privado.

Bolsonaro criou o Auxílio Brasil de olho em 2022. Além de aumentar o gasto na área social, o objetivo é substituir o Bolsa Família, programa associado à gestão petista.

Pesquisas eleitorais apontam que o principal adversário do presidente na corrida eleitoral é Luiz Inácio Lula da Silva (PT) -com vantagem para o petista.

O Auxílio Brasil foi criado por medida provisória apresentada nesta semana ao Congresso. Uma medida provisória entra em vigor imediatamente, mas precisa do aval do Legislativo em 120 dias para não perder a validade.

A proposta não prevê valores para o voucher, chamado de Auxílio Criança Cidadã, e estabelece que o governo fará regulamentação do programa posteriormente. Caberá ao Ministério da Cidadania definir as regras de implementação de acordo com a disponibilidade orçamentária.

O voucher será pago diretamente às creches habilitadas e poderá ser usado por beneficiários do Auxílio Brasil com filhos de até quatro anos. A medida não afeta o auxílio-creche ao qual trabalhadores do setor privado têm direito.

A concessão do benefício do programa social é condicionada à inexistência de vaga na rede pública ou em creche privada conveniada ao governo. A vaga só será disponibilizada se o responsável pela criança comprovar ampliação de renda por atividade remunerada ou vínculo formal de emprego.

A MP afirma que esse auxílio tem caráter suplementar e não afasta a obrigação de o governo oferecer atendimento e expansão de creches na rede pública de ensino.

No Brasil Carinhoso, o governo federal repassa os recursos diretamente aos municípios. As transferências aos entes, que ultrapassaram R$ 1 bilhão em 2014, em valor corrigido pela inflação, foram diminuindo ano a ano e somaram cerca de R$ 8 milhões em 2020.

Agora, com a edição da MP, esses repasses serão extintos integralmente.

Procurado, o Ministério da Cidadania, responsável pelos programas sociais, não quis comentar o fim do mecanismo. A pasta também não respondeu se a medida foi adotada para compensar e viabilizar recursos para o voucher pago direto a creches, que, como reforçou a pasta, ainda será detalhado em regulamentação.

A Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) diz que o corte na verba para as prefeituras é um retrocesso, pois as transferências estimulavam gestores municipais a abrirem creches em áreas mais pobres.

O presidente da Undime, Luiz Miguel Martins Garcia, afirma que a principal fonte de recursos para a educação infantil nos municípios é o Fundeb (fundo para a educação básica), que ganhará mais verba da União para os próximos anos.

No entanto, o dinheiro do Brasil Carinhoso é visto como um complemento importante por ser focado na população mais vulnerável, do Bolsa Família.

“São crianças que precisam de apoio complementar, até mesmo na alimentação. Esses repasses serviam como incentivo para ampliar a oferta de vagas e sobretudo construir novas creches nas áreas mais carentes”, diz.

Na avaliação da presidente do conselho do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), Anna Helena Altenfelder, o mecanismo do voucher é ineficiente e acirra desigualdades. Segundo ela, o sistema é usado no Chile e não gera bons resultados.

“As famílias que conseguem complementar esse voucher colocam o filho nas melhores escolas, e quem não consegue acaba ficando com escolas de pior qualidade ou escolas públicas, que, por causa dessa política de vouchers, acabam não sendo foco das políticas necessárias e são de menor qualidade”, afirma.

Para a professora, é errada a ideia de que o ensino privado sempre será melhor do que o público.

Ainda assim, ela afirma que, considerando a criação dos vouchers no Brasil, para evitar conflitos de interesse, esse tipo de vale deveria ser liberado apenas para estabelecimentos comunitários ou filantrópicos, sem fins lucrativos.

Leia também
• PF prende Roberto Jefferson, aliado de Jair Bolsonaro, após determinação de Moraes
• Investigações na PF são obstáculos para redução de tensão entre Bolsonaro e STF no curto prazo
• Portal lançado por Bolsonaro para exaltar ‘entregas’ e agenda positiva do governo fica vazio

Alepe: Deputados criam frente em defesa do Ramal de Suape da Transnordestina

14/08/21
Por Cássio Oliveira/Luisa Farias
blogfolhadosertao.com.br
Frente é mais uma forma dos deputados estaduais pressionarem o governo federal para tentar manter o projeto original da ferrovia com o ramal que liga Eliseu Martins, no Piauí, até o Porto de Suape
DIEGO NIGRO / ACERVO JC IMAGEM
Tudo começou quando o ministro da Infraestrutura declarou que o governo federal decidiu não levar adiante o projeto original da Transnordestina e concluir apenas o trecho da ferrovia até o Porto de Pecém, no Ceará – Foto: Diego Nigro/Acervo JC Imagem

Na tentativa de fazer pressão política para reverter a retirada do Ramal de Suape do projeto da Transnordestina, deputados estaduais de Pernambuco aprovaram a criação de uma Frente Parlamentar sobre o tema na sessão da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) desta quinta-feira (13).

Tudo começou quando o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, declarou, em 20 de julho, que o governo federal decidiu não levar adiante o projeto original da Transnordestina e concluir apenas o trecho da ferrovia até o Porto de Pecém, no Ceará. O seu projeto começou a ser feito em 2002 e as obras tiveram início em 2006.

O projeto da transnordestina tem extensão total de 1742 km, saindo do município de Eliseu Martins, no Piauí, até Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, onde sairiam dois ramais, um para o Porto de Pecém, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará, e outro para Suape, no Cabo de Santo Agostinho.Já foram 6,4 milhões gastos na implantação da ferrovia, sendo 80% oriundos de recursos públicos.

O pedido de criação da Frente Parlamentar em Defesa do Ramal de Suape da Transnordestina é do deputado Waldemar Borges (PSB). É mais uma forma dos deputados estaduais pressionarem o governo federal para tentar manter o projeto original da ferrovia, juntamente com a bancada federal, prefeitos pernambucanos e o governador Paulo Câmara (PSB).

A proposta foi aprovada por 37 deputados a favor e uma abstenção. “A medida representa importante ameaça ao desenvolvimento da economia pernambucana, uma vez que o modal ferroviário contribuiria de maneira importante para a redução dos custos com transporte gastos por importantes setores produtivos de Pernambuco”, afirmou o deputado durante a sessão.

A Frente será composta por nove parlamentares: Aluisio Lessa (PSB), Isaltino Nascimento (PSB), Erick Lessa (PSB), Laura Gomes (DEM), Tony Gel (MDB), Fabrício Ferraz (PP), José Queiroz (PDT), Priscila Krause (DEM) e Diogo Moraes (PSB).

A deputada Laura Gomes (PSB), líder do PSB na Alepe, classificou a decisão do governo federal como “covarde”. “A criação do colegiado em defesa da construção dessa via é algo importante para o fortalecimento de todo o Nordeste”, afirmou a socialista.

líder da oposição na Alepe, deputado Antonio Coelho (DEM) pediu atenção da Alepe para outras obras estruturais em atraso para além da Transnordestina. “Diversas iniciativas merecem ser investigadas, como o plano de navegação do Rio Capibaribe, as barragens abandonadas da Mata Sul e o BRT da Região Metropolitana do Recife, que são grandes exemplos de mau uso do dinheiro público em nosso Estado”, afirmou.

Priscila Krause

oposição a Paulo Câmara em Pernambuco – alinhada ao governo Bolsonaro – tem sido crítica ao posicionamento dos governistas contra o governo federal no que diz respeito a suspensão do Ramal de Suape, e ao que classificam como transferência de responsabilidade do estado por ter permitido que o trecho pernambucano fosse preterido em relação ao cearense.

Na reunião do governador com a bancada federal em 27 de julho, foram faltas sentidas as do líder do governo Bolsonaro no Senado Federal, Fernando Bezerra Coelho (MDB) e um dos vice-líderes do governo na Câmara dos Deputados, André Ferreira (PSC). Eles integram dois do principais grupos da oposição no estado.

“O fato concreto é que quem constrói uma ferrovia precisa ter acesso ao porto para poder exportar as cargas. Havia duas opções: Pecém ou Suape. A pergunta tem que ser dirigida ao Governo de Pernambuco. Por que não se viabilizou o escoamento das cargas a partir do Porto de Suape? O porto, lá no Ceará, foi viabilizado”, afirmou Fernando Bezerra por meio de nota enviada após a reunião.

Priscila Krause (DEM) é a única deputada da oposição integrante da frente parlamentar disse ao JC ter boas expectativas sobre o trabalho do grupo. “Vamos acompanhar, mobilizar a sociedade, pressionar politicamente, mobilizar as forças políticas para reverter esse processo”, afirmou a deputada.

Em contrapartida, ela considera que o Governo de Pernambuco “ficou passivo em relação a modificações que ocorreram” ao longo dos anos durante o andamento das obras da transnordestina.

“O desmonte da Transnordestina vem ocorrendo desde o governo Dilma, quando houve uma transferência de foco para Pecém e passou a se tentar viabilizar mais Pecém do ponto de vista de política indutora dos portos, mais do que Suape. O que ocorre hoje é consequência desse movimento”, afirmou a deputada.

O prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL), defendeu na última terça (10) uma “mudança de foco” na defesa do Ramal de Suape, que só está voltado para o transporte de minérios e produtos agrícolas. Para ele, deve ser discutida a viabilidade do transporte de cargas de retorno, como combustíveis.

“O assunto não pode ficar restrito ao Ministério da Infraestrutura. Por isso, tratei pessoalmente dessa questão com o deputado federal André Ferreira, que está mobilizando outros setores do Governo Federal. O momento é de união por Pernambuco com foco na viabilidade econômica do ramal até Suape e não de disputas políticas”, afirmou Anderson.

Caiu para 4% os casos de Covid-19 no Estado nas últimas 24 horas

14/08/21
Saúde PE 
blogfolhadosertao.com.br
logo SES + selo plano de retomada.png
BOLETIM COVID-19 – COMUNICAÇÃO SES-PE 
 Sexta-feira, 13/08/2021
 
A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) registrou, nesta sexta-feira (13/08), 658 casos da Covid-19. Entre os confirmados hoje, 26 (4%) são casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 632 (96%) são leves. Agora, Pernambuco totaliza 598.708 casos confirmados da doença, sendo 52.760 graves e 545.948 leves, que estão distribuídos por todos os 184 municípios pernambucanos, além do arquipélago de Fernando de Noronha.

Além disso, o boletim registra um total de 527.334 pacientes recuperados da doença. Destes, 31.236 eram pacientes graves, que necessitaram de internamento hospitalar, e 496.098 eram casos leves.
Também foram confirmados laboratorialmente 18 novos óbitos (11 femininos e 7 masculinos), ocorridos entre os dias 06/03/2021 e 11/08/2021. As novas mortes são de pessoas residentes dos municípios de Águas Belas (1), Barreiros (1), Custódia (1), Igarassu (1), Jaboatão dos Guararapes (2), Limoeiro (1), Olinda (2), Palmares (1), Recife (5), Santa Cruz do Capibaribe (1), Tacaimbó (1) e Vitória de Santo Antão (1). Com isso, o Estado totaliza 19.135 mortes pela doença.

Os pacientes tinham idades entre 17 e 81 anos. As faixas etárias são: 10 a 19 (1), 40 a 49 (1), 50 a 59 (8), 60 a 69 (6), 70 a 79 (1), 80 ou mais (1). Do total, 16 tinham doenças preexistentes: doença cardiovascular (11), hipertensão (6), diabetes (5), doença renal (3), obesidade (2), AVE (1), câncer (1), doença respiratória (1) e histórico de tabagismo (1) – um paciente pode ter mais de uma comorbidade. Os demais seguem em investigação.

VACINAS – No final da tarde desta sexta-feira (13/08), chegaram a Pernambuco 11 caixas térmicas contendo 71.370 doses da vacina contra a Covid-19 da Pfizer. Este é o terceiro recebimento de imunizantes desse fabricante no Estado apenas nesta semana. Os dois lotes anteriores já foram distribuídos às cidades pernambucanas e esse novo já segue para as Gerências Regionais de Saúde (Geres) na madrugada do sábado (14/08), ficando à disposição para retirada pelos gestores municipais.

Além das vacinas da Pfizer, destinadas à primeira dose da população em geral, também serão entregues no sábado as 114.120 unidades da Coronavac/Butantan, para ambas as doses, que chegaram na manhã desta sexta. Do quantitativo da Coronavac, 920 fazem parte de uma doação da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). De acordo com informe técnico do Ministério da Saúde (MS), essas vacinas servirão à imunização do grupo estabelecido no contrato celebrado entre a Conmebol e a empresa doadora. A lista nominal será enviada aos Estados, para destinar as doses contratadas ao grupo definido. As demais doses poderão ser utilizadas para a vacinação da população.

“Pernambuco recebeu mais de 466 mil doses de vacinas contra a Covid-19 da Coronavac, Pfizer e Astrazeneca apenas nesta semana. Apesar dos recebimentos terem sido em dias e horários diversos, estamos garantindo uma operação logística ágil para que as doses cheguem rapidamente aos municípios, que, assim, podem dar continuidade às ações de proteção aos pernambucanos. Reforço também para que a população vá se imunizar assim que abrir para sua idade. E não deixe de fazer a segunda dose, pois só assim o organismo terá uma resposta mais efetiva contra o novo coronavírus”, afirma o secretário estadual de Saúde, André Longo.

Desde o início da campanha de vacinação, em 18 de janeiro, 8.235.470 doses já foram disponibilizadas aos pernambucanos, sendo 3.781.770 da Astrazeneca/Oxford/Fiocruz, 2.806.080 da Coronavac/Butantan, 1.475.370 da Pfizer/BioNTech e 172.250 da Janssen.
BALANÇO DA VACINAÇÃO – Pernambuco já aplicou 6.178.625 doses de vacinas contra a Covid-19 na sua população, desde o início da campanha de imunização no Estado. Desse total, 1.975.413 pernambucanos completaram seus esquemas vacinais, sendo 1.805.418 pessoas que foram vacinadas com imunizantes aplicados em duas doses e outros 169.995 pernambucanos que foram contemplados com vacina aplicada em dose única.

Em relação às primeiras doses, foram 4.743.212 aplicações. Ao todo, foram feitas a primeira dose em 324.650 trabalhadores de saúde; 26.147 povos indígenas aldeados; 45.540 em comunidades quilombolas; 7.700 idosos em Instituições de Longa Permanência; 681.562 idosos de 60 a 69 anos; 603.559 idosos de 70 e mais; 2.463 pessoas com deficiência institucionalizadas; 424.540 pessoas com comorbidades; 35.067 pessoas com deficiência permanente; 70.375 gestantes e puérperas; 414.959 trabalhadores de serviços essenciais; 1.935 pessoas em situação de rua; 30.946 pessoas privadas de liberdade, além de 2.073.769 pessoas de 18 a 59 anos.

Em relação às segundas doses, já foram beneficiados 263.054 trabalhadores de saúde; 25.974 povos indígenas aldeados; 38.098 em comunidades quilombolas; 5.943 idosos institucionalizados; 542.923 idosos de 60 a 69 anos; 524.560 idosos de 70 e mais; 1.191 pessoas com deficiência institucionalizadas; 150.694 pessoas com comorbidades; 7.503 pessoas com deficiência permanente; 7.583 gestantes e puérperas; 80.416 trabalhadores de serviços essenciais; 666 pessoas em situação de rua; 28.463 pessoas privadas de liberdade; além de 128.350 pessoas de 18 a 59 anos, totalizando 1.805.418 pernambucanos.

Em relação à dose única, foram beneficiadas 2.122 idosos de 60 a 69 anos; 552 idosos de 70 anos e mais; 2.502 pessoas com comorbidades; 373 pessoas com deficiência permanente; 12.269 trabalhadores de serviços essenciais; 1.006 pessoas em situação de rua, além de 151.171 pessoas de 18 a 59 anos.