15/03/26 – http://blogfolhadosertao.com.br – Pallas Editora

O produtor cultural Julinho Barroso.
Criado na Glória, bairro colado ao Centro do Rio, Julinho Barroso, de 58 anos, construiu a sua trajetória nas noites da cidade. Produtor, operador de som, articulador de encontros e afetos, tornou-se personagem conhecido das ruas que ajudou a movimentar.
A história do agitador cultural, que já foi compartilhada aos pedaços nas redes sociais, ganha agora o formato literário com o romance “Dias de glória, noites de cárcere – A história de Julinho Barroso”, escrito por Marcus Galiña, ator, produtor, diretor teatral e amigo de longa data de Julinho.
O livro será lançado no dia 17 de março, a partir das 18h, em evento gratuito, com sarau musical, poético e performático, além de sessão de autógrafos, no Circo Voador, sob os Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro.
Com 336 páginas, a obra joga um tempero ficcional na experiência real de Julinho, preso injustamente e mantido no cárcere por quase nove anos. A partir dessa ruptura brutal, o livro reconstrói uma vida de agitos culturais que começa muito antes da prisão.
A narrativa percorre infância, juventude e maturidade, alinhavando a história pela engrenagem do sistema penal brasileiro, expondo o racismo estrutural e a lógica que transforma o corpo negro em alvo de violências e injustiças.
Com uma linguagem bem-humorada que flerta forte com a oralidade, Galiña não idealiza o personagem. Pelo contrário. Constrói um retrato mais completo e complexo. Julinho surge como figura contraditória, impulsiva, levada por escolhas que se impuseram.
A prisão não aparece como episódio isolado, mas como sintoma de uma estrutura que naturaliza a violência. Bem antes de ver o sol nascer quadrado (ou nascer boletos, como diz no livro), Julinho foi um coroinha exemplar da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, na Glória.

“Brinco dizendo que é um livro ‘escrito em primeira pessoa terceirizada’. Sou dramaturgo, então encarei o Julinho como personagem da cidade, estilizei, fantasiei um pouco, pois me sinto melhor na liberdade. E essa escolha também teve razões muito práticas: preservar identidades e evitar futuros processos”, revela o autor. A amizade entre os dois pintou em 2013, em um movimento chamado Reage Artista.
Já no ano seguinte, a dupla idealizou o Ocupa Lapa, uma ocupação cultural dos Arcos da Lapa, com seis edições em um ano e meio. E, em seguida, o Ocupa MinC, que foi pauta de um telefonema dos dois.
A ideia de fazerem o livro com a história do Julinho foi assunto por um tempo e vingou em 2018. Criaram juntos outros projetos, inclusive um educativo, nas escolas municipais do Rio, até conseguirem trabalhar efetivamente na escrita do romance.
A obra “Dias de glória, noites de cárcere – A história de Julinho Barroso” chega às livrarias pela Pallas Editora.