Empresário Negacionista de vacina, Fakhoury admite ter financiado instituto que negociou imunizante com governo

01/10/21
Fakhoury: 'Sou apoiador e não tenho relação pessoal com o presidente da República'
Fakhoury: ‘Sou apoiador e não tenho relação pessoal com o presidente da República’

 

Em depoimento à CPI da Covid nesta quinta-feira (30), o empresário bolsonarista Otávio Fakhoury, negacionista sobre vacinas, admitiu que financiou o Instituto Força Brasil (IFB), órgão do qual é vice-presidente.

Apesar de não ter nenhuma relação com a área da saúde, o instituto tentou vender vacinas ao governo brasileiro por meio da Davati Medical Supply. A empresa visava atuar como intermediária e se dizia representante da vacina AstraZeneca, ofertando 400 milhões de doses do imunizante em meio à escassez mundial e com sobrepreço.

A farmacêutica, porém, negou manter qualquer vínculo ou parceria com a Davati. A CPI investiga se houve a tentativa de dar um golpe no Ministério da Saúde com a venda de vacinas que não existiam.

O Força Brasil é uma instituição conservadora criada em 2014 e que se define como “pró-vida”, “pró-família”, “pró-armas” e “pró-liberdade”.

Aos senadores, Fakhoury afirmou que Helcio Bruno, presidente do Instituto Força Brasil, é um amigo particular e lhe pediu ajuda para formalizar o órgão. “O custeio desse instituto foi uma colaboração minha”, disse.

Fakhoury, apesar de ser vice-presidente do órgão, disse que assumiu uma “função institucional sem poderes deliberativos apenas como filantropo”. “Ajudei o custeio, alugar o escritório, contratar advogado”, disse.

Militar da reserva e ligado a Fakhoury, Helcio Bruno foi indicado como o responsável por abrir as portas do Ministério da Saúde para um encontro com o então-secretário executivo do ministério, Elcio Franco, e três supostos intermediários da empresa Davati em março deste ano. Na CPI, o militar ficou em silêncio quando questionado sobre as negociações com o governo.

Otávio Fakhoury afirmou aos senhores que só soube sobre o caso Davati “depois que aconteceu”, que não tem “conhecimento” do assunto e que não conhece “nenhuma das pessoas”.

Ele também afirmou que o financiamento do Força Brasil foi recentemente suspenso. Após a declaração, o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), apresentou dados bancários que apontam para o repasse de R$ 80 mil feito em junho por Fakhoury ao instituto. “Se não me engano, suspendi em junho. Junho ou julho, mais ou menos”, disse o empresário.

Negacionismo

Durante depoimento nesta quinta, Fakhoury usou argumentos contrários à ciência sobre a eficácia e a qualidade de vacinas contra a Covid e afirmou que ainda não tomou o imunizante. Senadores apresentaram uma série de publicações do empresário em suas redes sociais espalhando desinformação sobre o imunizante – a CPI apura se ele financiou a disseminação de fake news com esse conteúdo.

“Você é um negacionista. Você induziu a morte de brasileiros”, afirmou o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, durante a sessão.

Após a confirmação de que houve financiamento ao instituto que tentou vender vacina, Aziz ironizou o fato de Fakhoury continuar ligado ao Força Brasil.

“Veja bem: o presidente desta instituição tentou vender vacina da Davati, tentou ganhar uma ponta lá. O senhor é vice-presidente e aqui diz que não se vacinou, que os seus filhos não se vacinaram, que a sua família não se vacinou, mas o senhor continua com o cara que quis vender vacina? [É] vice-Presidente do cara”, disse o presidente da CPI.

 

 

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