Parlamentares acionam Augusto Aras para responsabilizar Governo Bolsonaro por incêndio na Cinemateca

31/07/21

Marcos Brandão
Procurador-geral da República, Augusto Aras – FOTO: Marcos Brandão
As tristes cenas do incêndio na Cinemateca Brasileira,  na noite da última quinta-feira, chocaram o Brasil. Diversos artistas, produtores culturais e a própria sociedade civil se manifestaram sobre o assunto, além de diversos parlamentares.

“Esse incêndio que ocorreu na Cinemateca não é um mero acidente. É um crime de lesa-memória. É o resultado de uma política deliberada do Governo brasileiro de atacar todas as nossas instituições culturais, de maneira sistemática e planejada. Vamos retomar as atividades do Congresso Nacional na segunda-feira e já estamos articulando estratégias jurídicas e políticas, para responsabilizar o Governo Bolsonaro por isso. Vamos ingressar na PGR com uma notícia-crime contra a Secretaria Especial de Cultura pela má gestão, ou a falta de qualquer gestão, em relação à Cinemateca. Não é fortuito. É omissão dolosa.”.

De acordo com Tadeu, a indiferença do presidente Jair Bolsonaro e do Secretário Especial de Cultura, Mário Frias, foram fatores determinantes para o incêndio na Cinemateca.

“A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados fez diversas audiências públicas para trazer luz sobre a situação de vulnerabilidade da Cinemateca, que estava relegada à própria sorte. Em muitas delas, o Governo Federal sequer mandou um representante. Fizemos uma reunião para discutir a Cinemateca em julho de 2020 e outra em abril deste ano, além de manifestos, ações judiciais, protestos de artistas e amigos da instituição, mas nada foi feito”, comentou Tadeu Alencar.

“A Cinemateca é uma instituição depositária da memória do nosso país e do nosso audiovisual, mas vem sendo submetida a uma vulnerabilidade inaceitável, denunciada inclusive por ações do Ministério Público Federal, de servidores, de fazedores de cultura e de parlamentares. Tudo isso sob a indiferença do Governo Bolsonaro. Quer agir assim? Pode fazê-lo, mas não sem responder por isso. É grave!”

Além de Tadeu Alencar, estão juntos nessa entrada com a notícia-crime na PGR os deputados federais Paulo Teixeira (PT-SP), Lídice da Mata (PSB-BA), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Alice Portugal (PC do B-BA), Benedita da Silva (PT-RJ), Maria do Rosário (PT-RS), Áurea Carolina (PSOL-MG), Sâmia Bonfim (PSOL-SP), Alexandre Padilha (PT-SP) e Orlando Silva (PC do B-SP).

CPI da Covid avalia apreender passaporte ou pedir prisão de sócio da Precisa

31/07/21
Por: Sarah Teófilo/  Correio Braziliense
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 (Francisco Maximiano já teve o depoimento desmarcado duas vezes. A oitiva estava prevista para quarta-feira, mas o executivo viajou para a Índia no último domingo. Foto: Pedro França/Agência Senado)
Francisco Maximiano já teve o depoimento desmarcado duas vezes. A oitiva estava prevista para quarta-feira, mas o executivo viajou para a Índia no último domingo. Foto: Pedro França/Agência Senado
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, no Senado, discute quais medidas pode tomar em relação ao sócio-administrador da Precisa Medicamentos, empresa alvo da comissão, Francisco Maximiano. O depoimento do empresário já foi desmarcado duas vezes, sendo uma delas a pedido dele. A oitiva estava prevista para a próxima quarta-feira (4), mas Maximiano viajou para a Índia no último domingo (25), o que inviabiliza a sua presença na CPI, mesmo que ele retornasse antes — isso porque é preciso cumprir um prazo de quarentena após chegar do país.
Uma das possibilidades avaliadas é apreender o passaporte de Maximiano assim que ele retornar da Índia, ou mesmo pedir a prisão preventiva do executivo. A possibilidade de prisão já havia sido mencionada na última quinta-feira (29) pelo vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e foi repetida nesta sexta-feira pelo senador Humberto Costa (PT-PE), um dos mais ativos integrantes da comissão.
O petista pontuou que a ida de Maximiano à Índia preocupa muito, por avaliar ser provável que ele está no país para estabelecer um entendimento com o laboratório Bharat Biotech, produtor da vacina Covaxin. As duas empresas tinham um acordo para venda dos imunizantes ao governo brasileiro, mas o termo foi cancelado na última semana pela Bharat em meio aos escândalos envolvendo a Precisa. Em seguida, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) cancelou estudos clínicos e o pedido de importação dos imunizantes, e o Ministério da Saúde anunciou a revogação do contrato.
“Até o momento em que as denúncias começaram a atingir na Índia, ela (Bharat) não estava se manifestando para questionar a legitimidade da Precisa como sua representante. A partir do momento que isso passou a ter repercussão, eles terminaram dizendo que os documentos não eram verdadeiros. Eu acredito que a saída do Maximiano lá seja para combinar uma versão com a Bharat para poder enfrentar essas denúncias no Brasil. Isso é grave”, disse Humberto Costa. Ele acredita que o empresário também viajou ao país para evitar a CPI.
Ao anunciar o fim do acordo com a Precisa, a Bharat alegou que não reconhece dois documentos com assinatura e carimbo da empresa entregues pela Precisa ao Ministério da Saúde. A Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu, em auditoria, que há irregularidades nos dois documentos. Um conteúdo foi colado em um papel com as informações da Bharat. A Precisa, por sua vez, informa que contratou uma perícia técnica. A análise mostrou, segundo a Precisa, que a autora daqueles documentos é a empresa Envixia, parceira da Bharat.

Ex-funcionários da Cinemateca listam acervo perdido e criticam governo

31/07/21
Por Fernanda Mena/Folhapress
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Eles também criticam o edital lançado pelo governo Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro – Foto: Marcos Corrêa/PR
Arquivos de órgãos extintos do audiovisual brasileiro, como a Embrafilme, a Empresa Brasileira de Filmes, o Instituto Nacional do Cinema e o Concine, o Conselho Nacional de Cinema. Documentos do arquivo Tempo Glauber, que reúne diários, anotações pessoais e cartazes originais do cineasta baiano Glauber Rocha. Matrizes e cópias de cinejornais, filmes documentais, filmes domésticos e de ficção.

Um primeiro inventário do acervo guardado no depósito da Cinemateca Brasileira na Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo, potencialmente destruído ou danificado pelo incêndio que atingiu o galpão na última quinta-feira, está no manifesto lançado nesta sexta por ex-funcionários da instituição.

Eles criticam o edital lançado pelo governo Bolsonaro “sem debate, ferramentas de transparência, a participação da população, de pessoas da área de patrimônio cultural e, principalmente, do coletivo dos ex-trabalhadores da instituição”.

Segundo o documento, essa “não será a solução”, já que o modelo de gestão por organização social se mostrou falho. “É preciso estabilidade e garantia de equipe técnica a longo prazo, oferecendo à instituição um orçamento compatível com os necessários serviços de preservação e difusão do audiovisual brasileiro.”

O manifesto, assinado por trabalhadores da Cinemateca Brasileira, denuncia “a ausência de quaisquer trabalhadores de documentação, preservação e difusão” na instituição. “Seguramente, muitas perdas poderiam ter sido evitadas se os trabalhadores estivessem contratados e participando do dia a dia da instituição”, escrevem.

O manifesto trata do incêndio como um “crime anunciado” que “culminou na perda irreparável de inúmeras obras e documentos da história do cinema brasileiro”. Esse foi o quinto incêndio que acometeu a Cinemateca Brasileira, que há dez anos chegou a ser apontada pela Federação Internacional de Arquivos Fílmicos, a Fiaf, como uma das três melhores do mundo.

De acordo com o manifesto, as instalações da Cinemateca na Vila Leopoldina “são parte fundamental e complementar” da sede da instituição, na Vila Clementino, onde fica armazenada a maior parte do acervo.

No início de agosto, fará um ano que a Cinemateca foi fechada pelo governo federal. No manifesto, os trabalhadores apontam que, na ocasião, a demissão de todo o corpo técnico da instituição não foi acompanhada do acerto de salários e rescisões não pagos pela gestora anterior, a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto.

De acordo com o texto, desde então, foram contratadas equipes de manutenção predial, bombeiros e limpeza. Esses profissionais, no entanto, “apesar de serem fundamentais para o funcionamento do arquivo de filmes, não são suficientes para suas demandas específicas, como evidenciado neste dia fatídico”.

Os trabalhadores apontam que a ausência de equipes técnicas especializadas ao longo de um ano possivelmente já teve consequências irreversíveis para o estado de conservação do maior acervo do cinema brasileiro, para além de enchentes e incêndios. “Certos danos são silenciosos, porém tão trágicos quanto um incêndio, e igualmente irrecuperáveis. Trata-se do tempo de vida dos diversos materiais, diminuindo drasticamente, e da perigosa deterioração dos filmes de nitrato e de acetato.”

Veja abaixo a lista de documentos e filmes descritos no manifesto assinado por trabalhadores da Cinemateca.

Acervo documental

Grande parte dos arquivos de órgãos extintos do audiovisual como parte do Arquivo Embrafilme – Empresa Brasileira de Filmes S.A. (1969 – 1990), parte do Arquivo do Instituto Nacional do Cinema – INC (1966 – 1975) e Concine – Conselho Nacional de Cinema (1976 – 1990), além de documentos de arquivo ainda em processo de incorporação. Para evitar que novas enchentes atingissem o acervo, parte desses materiais foi transferida do térreo. Parte do acervo de documentos oriundos do arquivo Tempo Glauber, do Rio de Janeiro, inclusive duplicatas da biblioteca de Glauber Rocha e documentos da própria instituição.

Acervo audiovisual

Parte do acervo da distribuidora Pandora Filmes, de cópias de filmes brasileiros e estrangeiros em 35mm. Matrizes e cópias de cinejornais únicos, trailers, publicidade, filmes documentais, filmes de ficção, filmes domésticos, além de elementos complementares de matrizes de longas-metragens, todos esses potencialmente únicos. Parte do acervo da ECA-USP – Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo da produção discente em 16 mm e 35 mm. Parte do acervo de vídeo do jornalista Goulart de Andrade.

Acervo de equipamentos e mobiliário de cinema, fotografia e processamento laboratorial
Além do seu valor museológico, muitos desses objetos eram fundamentais para consertos de equipamentos em uso corrente, pois, para exibir ou mesmo duplicar materiais em película ou vídeo, é necessário maquinário já obsoleto e sem reposição no mercado.

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Náutico perde invencibilidade na derrota por 3 x 1 para o Coritiba

31/07/21

Por  Carolina Fonsêca/JC

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Timbu continua líder da Série B, mas com a vitória, o Coxa encostou e tem chances de ultrapassar o alvirrubro em breve
ROBSON MAFRA / ESTADÃO CONTEÚDO
O Náutico tem 30 pontos e está na primeira colocação, enquanto o Coritiba chegou a 28 pontos e é o segundo colocado. – FOTO: ROBSON MAFRA / ESTADÃO CONTEÚDO

Chegou ao fim a sequência invicta do Náutico na Série B do Campeonato Brasileiro. Desfalcado e encarando temperaturas muito baixas em Curitiba, o Timbu amargou a primeira derrota na competição. O duelo com o Coritiba, válido pela 15ª rodada da Segundona, realizado no estádio Couto Pereira, na noite desta sexta-feira (30), terminou 3×1 para os donos da casa.

Esta foi apenas a segunda derrota do alvirrubro na temporada. A primeira foi para o Sport, ainda no primeiro turno do Campeonato Pernambucano. O Timbu também quebrou o recorde de maior sequência invicta na história da Série B, que pertencia ao Corinthians de 2008, com 11 jogos se derrotas.

Perder para o Coritiba também deixou o Náutico ameaçado na primeira posição. Embora os alvirrubros continuem líderes, com 30 pontos, perder o confronto direto pode, em breve, custar o primeiro lugar, principalmente porque o Coxa, que chegou a 28 pontos com a vitória desta sexta, tem um jogo atrasado, contra o Brusque, que será realizado esta semana. Em caso de vitória dos paranaenses, os pernambucanos perdem a ponta da tabela.

O jogo

O Náutico sentiu as ausências de Kieza e Jean Carlos na partida contra o Coritiba e foi possível perceber isso logo nos primeiros minutos do jogo. A alternativa encontrada por Hélio dos Anjos para organizar o time sem esses dois jogadores tão importantes, foi colocando Bryan para a ponta direita e Paiva como centroavante. Enquanto o Timbu tentava se achar em campo, se adaptando as mudanças, o Coritiba pressionava.

Durante os primeiros 15 minutos, o Coxa apresentava um futebol muito mais perigoso e chegava com boas chances ao gol de Alex Alves. O alvirrubro até reagiu e conseguiu ter um pouco de bola no pé, mas não foi o suficiente para parar os adversários. Enquanto os donos da casa finalizaram 12 vezes no primeiro tempo, o Náutico fez isso apenas duas vezes.

Consequentemente, o Coritiba acertou o caminho do gol primeiro. E por duas vezes. Aos 32 minutos do primeiro tempo, Val chutou de longe e mandou a bola no pé da trave direita, mas o rebote sobrou para Igor Paixão, que abriu o placar no Couto Pereira. Aos 40 minutos do primeiro tempo, Waguininho recebeu um passe em profundidade, saiu cara a cara com o goleiro do Timbu e levou a melhor, marcou o segundo e levou o jogo para o intervalo com vitória parcial do Coxa por 2×0.

Depois de um primeiro tempo sofrido do Náutico, o técnico Hélio dos Anjos voltou para a segunda etapa com duas mudanças. Bryan voltou para a lateral-esquerda, Matheus Carvalho entrou no lugar de Rafinha para fazer uma função de meia e Iago Dias, acionado no lugar de Marciel, foi jogar na ponta esquerda.

As mudanças surtiram efeito, o alvirrubro teve um encaixe melhor e o placar de 2×0 se estendeu até os 23 minutos. Depois de um bate-rebate na área, Paiva conseguiu dominar a bola e fazer um passe para Matheus Carvalho, que chutou certeiro e diminuiu a vantagem do Coritiba. A alegria alvirrubra, porém, não durou muito. Aos 35 minutos, Igor Paixão, na direita, cruzou a bola para a área do Timbu e Léo Gamalho, livre, cabeceou para o gol, ampliando o placar para 3×1.

Mesmo melhorando no segundo tempo, o Náutico não conseguiu ter reação suficiente para se sobressair em relação ao Coritiba. Com isso, viu chegar ao fim a sequência de 15 jogos invicto na Série B do Campeonato Brasileiro.

Ficha do jogo:

Coritiba – Wilson; Natanael (Igor), Henrique, Luciano Castán e Guilherme Biro; Willian Farias, Val (Bernardo) e Robinho (Rafinha); Waguininho, Léo Gamalho (Welliington Carvalho) e Igor Paixão (Romário). Técnico: Gustavo Morínigo

Náutico – Alex Alves; Hereda (Breno Lorran), Camutanga (Yago), Carlão, Rafinha (Matheus Carvalho); Rhaldney (Vargas), Matheus Trindade e Marciel (Iago Dias); Bryan, Paiva e Vinícius. Técnico: Hélio dos Anjos.

Local: Couto Pereira, Curitiba-PR.

Horário: 20h

Árbitro: Thiago Luis Scarascati (SP)

Assistentes: Fabrini Bevilaqua Costa e Gustavo Rodrigues de Oliveira (ambos de SP)

Gols: Igor Paixão (Coritiba), aos 32 minutos do 1º tempo; Waguininho (Coritiba), aos 40 minutos do 1º tempo; Matheus Carvalho (Náutico), aos 23 minutos do 2º tempo; Léo Gamalho (Coritiba), aos 35 minutos do 2º tempo;

Cartões amarelos: Camutanga (Náutico); Vinícius (Náutico); Willian Farias (Coritiba); Natanael (Coritiba); Val (Coritiba);  Bryan (Náutico); Robinho (Coritiba);