Militar garante que Forças Armadas não apoiarão aventura antidemocrática

17/07/21Correio Braziliense
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Oficial de alta patente assegura ao Correio: lealdade ao presidente Jair Bolsonaro não significa apoio a um golpe. Analistas veem divisão na caserna, mas negam respaldo a uma investida autoritária

 

As ameaças antidemocráticas do presidente Jair Bolsonaro têm levantado dúvidas sobre o apoio das Forças Armadas a eventuais investidas autoritárias do chefe do Poder Executivo. Não houve, até o momento, qualquer manifestação dos fardados condenando o discurso de Bolsonaro, que disse recentemente que, caso o voto impresso não seja aprovado para as eleições de 2022, o pleito não ocorrerá.

Essa pauta, uma das mais sensíveis para o governo — que já enxerga a possibilidade de derrota nas urnas, de acordo com as últimas pesquisas de opinião —, está prestes a ser enterrada. Isso porque, no Congresso, já há um posicionamento da maioria dos partidos contra a PEC do voto impresso. A proposta de emenda constitucional quase foi derrubada nesta sexta-feira (16), quando os deputados se reuniram para votar o parecer do relator na Comissão Especial. Prevendo a derrota e o sepultamento do texto, os parlamentares governistas conseguiram adiar a votação para agosto, após o recesso parlamentar.

Sem o voto impresso, aumenta o receio de uma radicalização da parte de Bolsonaro, pois ele ameaça não reconhecer o resultado das urnas, a exemplo do que fez Donald Trump nos Estados Unidos — o que resultou na invasão do Capitólio, em Washington, causando a morte de cinco pessoas.

Chance zero

Mas um militar de alta patente garantiu ao Correio que Bolsonaro não terá apoio das Forças Armadas caso atente contra a democracia. Não existe, segundo ele, qualquer possibilidade de os fardados apoiarem qualquer ato desse gênero.

“É absurdo, não existe a menor possibilidade. As Forças Armadas são instituições de Estado, não de governo, e vão continuar após Bolsonaro. Não há o menor cabimento. Todo praça ou militar mais moderno que está no comando vai dizer o mesmo”, assegurou.

Ele explica que os militares são leais aos seus comandantes-em-chefe, mas que isso é totalmente diferente de apoiar um golpe. “Os militares foram leais ao Fernando Henrique Cardoso, ao Luiz Inácio Lula da Silva, à Dilma Rousseff, ao Michel Temer, e ninguém questionou se teria golpe. Por que questionar agora? Continuarão honrando seus compromissos e valores de moral, ética e princípios”, assegurou.

O cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, também aposta contra o apoio das Forças Armadas ao presidente em um eventual ataque à democracia. Ele explica que há, sim, militares que estão alinhados ao presidente, mas que, para dar um golpe, é necessário mais que apenas vontade. O ato, segundo ele, implicaria em uma crise institucional, seguida de uma grave crise social e econômica.

“Eu não creio que tenham a intenção de acompanhá-lo em uma aventura golpista. Você não teria apoio de uma superpotência, um país forte como o Estados Unidos, por exemplo, e não teria apoio do empresariado. Não interessa para o empresariado ver uma ruptura institucional e não conseguir, por exemplo, fazer negócios com outros países. Não interessa o Brasil ficar isolado e sofrer sanções econômicas de vários tipos”, observou.

Racha

Já Márcio Coimbra, cientista político que já integrou o governo Bolsonaro em 2019 e agora é coordenador da pós-graduação em Relações Institucionais e Governamentais do Mackenzie, vê um “racha” nas Forças Armadas quando o assunto é o apoio ao governo. Ele acredita que a democracia brasileira está em um momento de maturidade e afirma que a sociedade, especialmente do ponto de vista econômico, está globalizada.

“Teríamos sanções da União Europeia, dos EUA e de outros países. Os impactos comerciais de um presidente da República tentando subverter a ordem institucional e constitucional seriam enormes”, explicou.

Coimbra acredita que os comandantes das Forças que estão do lado da Constituição têm tentado ignorar as posições de Bolsonaro para se manterem em seus cargos. E se precisarem se manifestar de forma rígida em um futuro próximo, tenham como fazê-lo.

Mobilização da base

O cientista político não descarta, no entanto, que Bolsonaro esteja falando sério quanto a tentar impedir o processo eleitoral. “Ele pode levar isso à frente, mas ele está tentando mobilizar a base porque precisam de conflito. A base dele é de confronto, não de entendimento. Ele precisa sempre de um inimigo para antagonizar”, disse.

Para Coimbra, quando Bolsonaro atenta contra as eleições democráticas, comete “um crime de responsabilidade, passível de impeachment. Mas o objetivo dele é tumultuar o processo eleitoral, porque sabe que diante da situação atual, vai perder. Está seguindo a mesma cartilha do Trump nos EUA”, alerta.

Nesse sentido, segundo Coimbra, o grande risco não diz respeito às Forças Armadas, mas aos policiais militares. “Eu não vejo como grande problema qualquer coisa em relação às Forças Armadas, mas vejo em relação às polícias militares, que me gera muito mais preocupação”, salientou.

Desde que os protestos de rua da oposição foram retomados, diversos manifestantes já foram presos ou abordados por policiais militares em atos ou fora deles, após exporem faixas contra Bolsonaro. Em março, a PM do Distrito Federal prendeu cinco manifestantes que portavam uma faixa com os dizeres “Bolsonaro genocida”.

A corporação afirmou que eles foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional (LSN), já que havia, na faixa, uma charge em que o presidente aparecia pintando uma suástica.

Em maio, outro caso chamou a atenção: um militante do PT em Goiás foi parado por um soldado da PM-GO por ter, em seu carro, um adesivo que chamava Bolsonaro de genocida. O militar constrangeu o manifestante e disse que o enquadraria na LSN por calúnia. O homem foi detido, mas o delegado não viu enquadramento legal para autuá-lo conforme a Lei de Segurança Nacional.

Pazuello negociou vacina Coronavac pelo triplo do preço

17/07/21

Por  Poder360

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Quando ainda era ministro da Saúde, Eduardo Pazuello recebeu um grupo de empresários em seu gabinete com quem negociou a possibilidade de comprar 30 milhões de doses da CoronaVac sem envolvimento do Instituto Butantan. Naquele momento, o governo federal já tinha um acordo com o laboratório em São Paulo (SP) para o fornecimento de 46 milhões de unidades da vacina desenvolvida pela chinesa SinoVac.

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado obteve um vídeo, gravado em 11 de março, em que o general do Exército apresenta uma comitiva de empresários em visita ao ministério, segundo ele liderada por um homem chamado John. Pazuello diz que o grupo foi tratar com ele sobre a possibilidade de a pasta adquirir vacinas “numa compra direta com o governo chinês” e sairia de lá “com um memorando de entendimento assinado”. O registro da reunião e a proposta foram revelados pela Folha de S.Paulo.

“Nós estamos aqui reunidos no Ministério da Saúde, recebendo uma comitiva liderada pelo John, uma comitiva que veio tratar da possibilidade de nós comprarmos 30 milhões de doses numa compra direta com o governo chinês, e já abre, também, uma nova possibilidade de termos mais doses de mais laboratórios”, disse Pazuello na ocasião.

“Vamos tratar na semana que vem, mas saímos daqui, hoje, com um memorando de entendimento assinado e com o compromisso do Ministério da Saúde de celebrar, no mais curto prazo, um contrato para poder receber essas 30 milhões de doses no mais curto prazo possível, para atender a nossa população e conseguirmos controlar a pandemia”, completou.

Segundo a Folha, os intermediadores da compra representariam a empresa World Brands Distribuidora, com sede em Itajaí (SC). Pazuello teria recebido a comitiva fora da agenda oficial. A Folha teve acesso a uma proposta formal que os empresários teriam apresentado ao ministério naquele dia. Seriam 30 milhões de doses por US$ 28 cada, com depósito de metade do valor total até 2 dias depois da assinatura do contrato.

No acordo firmado com o Butantan, o Ministério da Saúde pagou US$ 10 por dose, quase 3 vezes menos que a suposta oferta feita pelos empresários em março.

DEPOIMENTO À CPI

Quando compareceu à CPI da Covid, em 20 de maio, Pazuello declarou que não entrava pessoalmente na negociação direta com empresas. “Nós não entramos na negociação direta para compra de nenhum bem com empresa alguma, porque isso é um vício que vai trazer pessoalidade; nós temos de ser impessoais. Claro que receber o diretor de uma empresa socialmente, receber o dono de uma empresa socialmente, cumprimentá-lo, colocar, apresentar disposição […], nós fazemos isso, sim“, disse à comissão. “A discussão prática da compra deve estar restrita ao escalão administrativo que está negociando a compra.”

Nesse momento de sua fala, o ex-ministro da Saúde tentava negar que ele tivesse negociado diretamente com a Pfizer sob o argumento de que o principal tomar de decisão em uma pasta do governo federal não poderia receber uma empresa.

Amupe: Municípios do Nordeste planejam retomada socioeconômica da região no pós-pandemia

17/07/21

Por Eunice Couto

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Gestores das associações e federações de Municípios do Nordeste participaram nesta sexta-feira (16/07), no Recife, do encontro Nordeste Unido pelo Desenvolvimento, que discutiu a produção da pauta municipalista da região, ou seja, definiu as principais diretrizes de luta para levar desenvolvimento regional e melhoria de vida para a população.

O evento contou com palestra da economista, especialista em desenvolvimento do Nordeste, Tânia Bacelar. Na oportunidade, a economista frisou a importância do protagonismo municipal na construção de uma agenda de futuro para o desenvolvimento do Nordeste, a curto, médio e longo prazo.

Tânia  também mostrou aos gestores e gestoras a atual situação econômica da região e, paralelo à isso, sugeriu a inclusão de pautas nos setores de infraestrutura hídrica, energia limpa  e um olhar mais profundo sobre as potencialidades de cada microrregião do Nordeste em diferentes ramos da ciência e tecnologia, cultura, agricultura, farmacêutica, dentre outros.

Aliado a isso, os gestores e gestoras puderam discutir os pontos trazidos pela economista, atrelado aos 10 temas que o presidente da Amupe, José Patriota, também trouxe como impulsionadores do desenvolvimento. Entre eles a defesa da implementação do Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), a potencialização da prática consorciada entre os municípios e a importância da atuação dos entes federativos no enfrentamento às situações de vulnerabilidades sociais.

O presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, legitimou a importância do encontro para o municipalismo, em sua participação virtual. Segundo o presidente da Amupe, José Patriota, “o Nordeste se reafirma como uma região guerreira e ativa. Neste sentido, os municípios nordestinos, representados pelos presidentes das representações estaduais, buscam alternativas. Definimos um grupo de trabalho para acompanhar as pautas e já marcamos uma próxima reunião de acompanhamento para os próximos dias”, completou.