A revolucionária Bárbara de Alencar

25/05/26  –  http://blogfolhadosertao.com.br –  Jeito Nordestino

 

Bárbara de Alencar era uma mulher rica, proprietária de terras, foi presa por liderar e financiar a Revolução Pernambucana de 1817 e a tentativa de fundar a “República do Crato” no Ceará, um movimento separatista que se rebelou contra o domínio e os impostos da Coroa Portuguesa.

Bárbara sempre chamou atenção por ser muito segura de si e ter opiniões próprias. Desde jovem, ela convivia com o pensamento iluminista dos intelectuais vindos da Universidade de Coimbra e dos padres formados no Seminário de Olinda.

Quando, em 29 de abril de 1817, recebeu a visita do filho Martiniano, seminarista em Olinda, e ele compartilhou o seu desejo de revolucionar o Ceará, libertando-o de Portugal, ela não teve dúvidas: abraçou o movimento na mesma hora.

Quatro dias depois, após a missa dominical na Igreja Matriz do Crato, Martiniano subiu ao altar e, diante da mãe orgulhosa e de uma plateia surpresa, discursou contra o domínio português, arrancando aplausos e gritos entusiasmados do público.

Dali, já hastearam a bandeira da independência: nascia a República do Crato, que durou só oito dias, antes de ser duramente reprimida pelas tropas da Coroa Portuguesa. Após a derrota do movimento, Bárbara foi presa, teve seus bens confiscados e foi submetida a castigos físicos e humilhações, sendo obrigada a viajar centenas de quilômetros acorrentada até ser encarcerada em Fortaleza.

Bárbara de Alencar viveu presa e algemada por quase quatro anos, viajando amarrada em lombo de cavalo entre as cadeias de Fortaleza, Recife e Salvador. Viveu com outros presos em meio às próprias fezes, coberta de parasitas, comendo em cochos de madeira usados para alimentar porcos.

Quando finalmente foi perdoada e pôde voltar para casa, abatida pelos anos de cárcere, já não era mais a grande proprietária de terras. Havia perdido tudo. Menos a fama de traidora da Coroa.

Pensa que ela sossegou depois desse período tão difícil? Que nada. Continuava convicta de que o Brasil deveria ser uma república. Então, em 1824, aos 64 anos, apoiou mais uma vez os filhos revolucionários na Confederação do Equador.

O movimento foi reprimido com ainda mais violência que o anterior. Dois de seus filhos foram executados e ela foi jurada de morte. Escondeu-se em uma fazenda na divisa com o Piauí e lá morou até falecer, em 18 de agosto de 1832, aos 72 anos.

Em Dezembro de 2014. Bárbara de Alencar teve o seu nome inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília.

Texto de relato Portal: (plenarinho.leg.br)

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