Sudene contesta TCU e prepara novo estudo para garantir a Transnordestina em Pernambuco

19/05/26  –  http://blogfolhadosertao.com.br  –  Sistema JC

Superintendente Francisco Alexandre defende a viabilidade econômica do ramal até Suape

A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) trabalha em ritmo acelerado para reverter a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que determinou a suspensão das obras do ramal da ferrovia Transnordestina em Pernambuco.

A autarquia irá apresentar um novo relatório técnico ao tribunal para comprovar a viabilidade econômica e social da extensão da via férrea até o Porto de Suape.

Segundo o atual superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, a determinação do TCU baseou-se em um estudo defasado, contratado junto à consultoria McKinsey no ano de 2021.

Ele avalia que aquele relatório atendia a uma “outra visão de estado” do governo passado, cuja estratégia priorizava a conclusão apenas do braço cearense da ferrovia. Hoje, a diretriz do Governo Federal é viabilizar os dois eixos logísticos.

Acompanhe a entrevista na íntegra:
Os números a favor da viabilidade econômica

Contrapondo o argumento de que o trecho pernambucano não possui Retorno do Capital Investido (Valor Presente Líquido – VPL), a Sudene baseia sua defesa em estudos recentes. Os dados foram elaborados por uma equipe multidisciplinar coordenada pela companhia de planejamento Ceplan, em conjunto com o Senai e especialistas em ferrovias do meio acadêmico, como os professores Maurício Pina e Marcílio.
As projeções de capacidade de carga contrariam o pessimismo das avaliações anteriores:

  • A expectativa de movimentação total da ferrovia ultrapassa os 60 milhões de toneladas até 2050.
  • Deste volume, o eixo rumo a Pernambuco responderia por 25 milhões de toneladas, enquanto o trecho do Ceará escoaria 30 milhões.
  • Atualmente, os cálculos de valor presente já garantem 16 milhões de toneladas de carga transportada, com capacidade de atingir o teto de 25 milhões antes mesmo do término do fluxo de caixa estipulado para 30 anos.

Além das projeções futuras, Francisco Alexandre alerta para o prejuízo do capital já investido na obra. O projeto do sertão ao litoral pernambucano conta atualmente com 179 quilômetros de trilhos prontos e outros 100 quilômetros semiprontos, infraestrutura que não pode ser abandonada.

Impactos logísticos, ambientais e sociais

A Sudene argumenta que uma obra de tamanha envergadura não deve ser avaliada puramente sob a ótica do mercado financeiro, mas também pelo seu caráter social, semelhante aos investimentos em hospitais.

A conclusão da ferrovia tem o potencial de gerar um aumento de até 10% no nível de emprego em todo o estado de Pernambuco. No aspecto viário e ambiental, os números impressionam: a estimativa inicial é de que a operação da Transnordestina consiga retirar mais de 1.000 caminhões pesados por dia da rodovia BR-232.

“Ela reduz pegada de carbono, reduz acidente, possibilita você ter uma melhor utilização do teu eixo logístico e mais, integra Pernambuco ao resto do país”, destaca o superintendente.

Ampla frente política e próximos passos

Para garantir a retomada das obras, estabeleceu-se uma união inédita envolvendo agentes de diversas matrizes ideológicas. O Governo de Pernambuco, o Porto de Suape e a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE) estão alinhados à Sudene na formulação desta nova defesa técnica.

No Congresso, a bancada federal também entrou nas negociações. O coordenador da bancada, deputado Augusto Coutinho, e o senador Humberto Costa integram a comitiva que levará os dados atualizados diretamente ao TCU e à Infra S.A. (antigo Ministério da Infraestrutura).

O objetivo da coalizão é forçar a revisão da suspensão, provando que o abandono do projeto pernambucano seria um erro estratégico e econômico.

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