19/08/26 – http://blogfolhadosertao.com.br – Por Betânia Santana
Parlamentares rejeitam projeto em reverência à Jurema Sagrada e trocam xingamentos
Por 12 votos a 7, o plenário rejeitou ontem o projeto de lei da vereadora Jô Cavalcanti (Psol), que pretendia instituir o Dia Municipal da Mestra Ritinha – uma tentativa de resgatar a memória e a importância histórica, cultural e espiritual da Jurema Sagrada.
Vedar esse reconhecimento fere o princípio elementar da liberdade de crença em uma cidade construída pela pluralidade. O problema, no entanto, ultrapassa a discriminação.
A apreciação do projeto expôs a indigência intelectual. Em vez de argumentos sólidos, o plenário assistiu ao desfile de ofensas: do vereador Thiago Medina (PL) – taxando a proposta de “porcaria” e comparando a religião a um “cabaré” – à autora da matéria, reagindo ao rotulá-lo de “fascista de merda”.
O parlamento do Recife, batizado em homenagem ao abolicionista José Mariano, assemelhou-se a outros tantos espalhados pelo país, trocando a formulação de políticas públicas pela busca por engajamento digital. A espetacularização vez por outra se sobrepõe a decisões.
O Recife padece de graves problemas estruturais – do déficit habitacional à mobilidade; da desigualdade socioeconômica à vulnerabilidade urbana. Não pode se dar ao luxo de sustentar debates rasos, pautados pelo desrespeito mútuo.
Cabe ao eleitorado lembrar o poder do voto e garantir representantes à altura dos desafios da cidade.
Força da ancestralidade
“Religião de matriz africana não é cabaré. Tenham respeito”, reagiu a vereadora Liana Cirne (PT), autora do Estatuto da Liberdade Religiosa, que veda qualquer forma de preconceito religioso. A parlamentar lamentou o não reconhecimento à liderança da Mestra Ritinha, da Jurema Sagrada. “É um dia triste para a Casa.”
Diversidade
O Recife já aprovou a Semana da Cultura Evangélica; Dias para a Igreja de Jesus Cristo do Santo dos Últimos Dias; a Assembleia de Deus; o Evangélico; os Jovens Cristãos; a Marcha para Jesus como Patrimônio Cultural e Imaterial. Por que não a Jurema Sagrada?
Em menos de uma hora
Governadora Raquel Lyra provou o sabor de ter a maioria e um aliado, o deputado Antonio Coelho, presidindo a Comissão de Finanças da Alepe. O secretário Fabrício Marques explicou a Lei de Diretrizes Orçamentárias 2027, discutida e aprovada por unanimidade. Falta o presidente Álvaro Porto marcar a votação em plenário.
Solene
A Alepe entrega hoje, a partir das 18h, a Medalha Joaquim Nabuco, mais alta comenda do Legislativo estadual. Entre os 33 homenageados, o militante Anacleto Julião; o senador Fernando Dueire; o cineasta Kleber Mendonça Filho e o ex-deputado Waldemar Borges (em memória).
