Alcolumbre atropela governo com derrota histórica para Lula e manda recado: ‘quem manda no Senado sou eu’

30/04/26  –  http://blogfolhadosertao.com.br  –  Por Andreia Sadi

 

Contrariado com indicação de Jorge Messias para o STF, presidente do Senado articulou para derrubá-la.

Alcolumbre manda recado ao governo Lula: ‘Quem manda no Senado sou eu’

Nos bastidores da sabatina de Jorge Messias no Senado, uma coisa ficou cristalina desde o início: essa nunca foi uma novela sem dono. Teve — e tem — protagonista. O nome dele é Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado.

A derrota histórica imposta ao governo Lula não veio por acaso. Veio com recado. E Alcolumbre tratou de deixar isso muito claro, em várias camadas.

A principal: quem manda no Senado é ele, e não há espaço para articulação paralela, negociação de bastidor ou construção fora do seu radar.

Alcolumbre sempre repetiu, inclusive a interlocutores próximos, que nunca viu passar algo no Senado sem a sua articulação direta. E, nesse episódio, mostrou na prática. Mais do que uma derrota de um nome, foi uma demonstração de força institucional e política.

Fontes ligadas ao presidente Lula atribuem o resultado a uma combinação de fatores: traições de última hora, frustração com votos que eram considerados certos e, principalmente, a disputa política-eleitoral em curso no Senado.

Presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP). — Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP). — Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Aliados que fizeram campanha pela indicação de Messias dizem agora que o desfecho já vinha sendo sinalizado. Segundo esses relatos, Alcolumbre teria dito desde ontem que a indicação seria derrotada.

Nos bastidores, senadores chegaram a relatar a um ministro do Supremo que até gostariam de votar a favor de Messias, mas não estavam sendo liberados por Alcolumbre — reforçando a leitura de que o controle político da votação passou diretamente por ele.

‘Combo’ para derrotar Lula no Senado

Nos bastidores, também já se desenhava um movimento mais amplo: um “combo” articulado por setores da oposição, aproveitando o fato de Flávio Bolsonaro (PL) ser senador e adversário direto de Lula na eleição de outubro.

Nesse cenário, o grupo de Flávio Bolsonaro aparece como peça-chave. A avaliação é que houve uma articulação organizada para transformar a votação em um símbolo de enfrentamento ao governo. A estratégia acabou bem-sucedida.

A isso se somou, segundo essas fontes, a vontade pesssoal de Alcolumbre, apoiado dentro do próprio Supremo por ministros que não queriam Messias, como Alexandre de Moraes.

A leitura é a de que houve uma convergência de interesses — com Alcolumbre, que preferia outro caminho (com a indicação de Rodrigo Pacheco), e com senadores dispostos a impor uma derrota simbólica ao Planalto.

Fontes do STF consideram que também pesou o clima de expectativa sobre a delação de Daniel Vorcaro, do Banco Master, com o possível envolvimento de nomes do centrão, em mais um recado de descontentamento com o governo.

Outro elemento é o cálculo individual de senadores: a expectativa de futuras indicações ao Supremo também pesou. Ainda assim, aliados de Lula afirmam que, mesmo após a derrota, o presidente não deve ceder a esse tipo de pressão na escolha de um novo nome.

O resultado escancara não só a força de Alcolumbre, mas também um problema sério de leitura política do governo. Faltou termômetro. Faltou pulso sobre o que estava acontecendo dentro do Senado. Enquanto a temperatura subia, o Planalto parecia fora da sala.

No fim, a crise expõe um eixo de poder muito claro: no Senado, hoje, a temperatura e o ritmo passam por Alcolumbre.

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