Em decisão histórica, Jorge Messias perde a chance de chegar ao STF, mas a derrota não foi só dele

01/05/26 –  http://blogfolhdosertao.com.br  –    Por Betânia Santana

Na disputa entre Executivo e Legislativo, as instituições se fragilizam e a democracia corre riscos
Jorge Rodrigo Araújo Messias, 46 anos, tinha tudo para ser o novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o terceiro indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na sua terceira gestão.

Depois de esperar cinco meses pela sabatina no Senado e fazer um discurso de quase 40 minutos, o advogado-geral da União teve o nome aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Casa Alta. Foram 16 votos a favor e 11 contra.

Sabatinado por oito horas, viu ganhar contornos definitivos o que antes era um risco. Foram 42 votos contra, 34 a favor e uma abstenção. Uma derrota histórica. Uma ameaça permanente desde que o presidente Lula confrontou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, defensor do nome do senador Rodrigo Pacheco.

Os parlamentares não consideraram a conduta ilibada, o constitucionalista, o evangélico que toma decisões não pela fé, mas com fé, como ele mesmo colocou. O alvo era o presidente Lula. E a derrota ganharia mais força ao atingir um conterrâneo do petista, um pernambucano.

Nunca foi tão crucial para o presidente Lula eleger um Congresso que lhe garanta governabilidade, caso seja o escolhido em outubro para mais quatro anos. Alcolumbre sinaliza a necessidade de interferir na decisão. A extrema-direita aponta o fim da Era Lula.

E a sociedade precisa estar atenta para que as instituições permaneçam vivas. A última vez em que um indicado foi rejeitado ocorreu há 132 anos, nas tensões entre o Senado e o governo do marechal Floriano Peixoto. Hoje a derrota é de todos nós.

Antes e depois
Em Brasília, o presidente nacional do PSB, João Campos, acompanhou a sabatina de Jorge Messias. No final se solidarizou com o advogado-geral da União, mas não se posicionou nas redes. A governadora Raquel Lyra, que no Recife assinou o contrato de concessão parcial da Compesa, usou a rede “X” e parabenizou Messias antes do resultado final. Apagou depois.

Gosto ruim
O pré-candidato ao Senado Miguel Coelho não perdeu a oportunidade de alfinetar o grupo de João Campos, aliado até há pouco.  “Tem gente querendo botar gosto ruim nessa concessão. É maldoso, falta caráter e falta personalidade. Tiveram 16 anos e não fizeram.”

Dignidade
Tendo a educação como bandeira de mandato, o deputado Renato Antunes foi um dos que falaram pela Alepe na agenda da concessão da Compesa. “Pauta como água não se faz política, não se pode brincar com necessidade básica. É uma questão de dignidade.”

Contraponto
O jornalista Júnior Campos achou estranho a prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado, preocupar-se com o avanço do feminicídio e estar sem secretária da Mulher há 19 dias. Em seu blog, registrou que, no primeiro trimestre deste ano, o município no Sertão do Pajeú apontou 208 vítimas de violência doméstica e familiar.

 

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