Todos por Itaparica, seminário que mexeu com a economia e a classe política de Pernambuco, da Bahia e Brasília

14/04/26  –  http://blogfolhadosertao.com.br –     Por Machado Freire, editor do Blog

 

Não foi fácil, mas as lideranças dos trabalhadores da agricultura familiar, reassentados dos projetos  agrícolas  geridos pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco-Chesf , realizaram dias 11 e 12, em Petrolândia, uma mobilização  qualificada,  numérica e politicamente forte, para denunciar que não é mais possível  os trabalhadores continuarem    enfrentando problemas  para terem  água e energia elétrica  em seu lotes localizados  em municípios  da Bahia e Pernambuco, com a participação de mais de 50 mil pessoas, com apoio de empresários, representantes da Igreja Católica e políticos dos dois estados.  Os  projetos da  Bahia são localizados nos municípios de  Glória, Rodelas, Abaré e Curaçá;  em Pernambuco ficam em Petrolândia, Tacaratu, Floresta, Belém do São Francisco, Orocó e Santa Maria da Boa Vista.

Presenças:

A coordenação do seminário Todos por Itaparica, tendo à frente o padre  Luciano  Aguiar,  registrou a presença maciça de representações  de trabalhadores e organizações  sociais  e políticos  de um grande número de municípios de Pernambuco, da Bahia e  Brasília, inclusive  o bispo  diocesano de Floresta,  dom Gabriel que participou da abertura do conclave, dando uma demonstração de solidariedade ao movimento dos trabalhadores e trabalhadores da agricultura familiar.

O comando da Codevasf, em Braília,    enviou para o encontro as funcionárias  Andréa Rachel -tida como profunda conhecedora do sistema Itaparica e  Karla Arns trabalha  na parte que trata de  organizar e visualizar as situações de conflitos,  e  Nino Rangel superintendente da Codevasf Juazeiro Bahia, e  Vivaldo Mendonça filho diretor de revitalização.

Também participaram do encontro   Rose Pondé  do Ministério de integração Desenvolvimento regional,,
Ruan Jung,  da Secretaria Geral da Presidência da República; Reginaldo Paes,  representando a Embrapa; Humberto Pereira do Ministério Desenvolvimento social,  Péricles Ministério  de Portos e Aeroportos, Napoleão Casado,  ex- diretor de irrigação da Codevasf, que hoje colabora  com a diocese  de Floresta na temática irrigação

 

Pernambuco/Bahia

Além da  participação numerosa de representantes das comunidades rurais dos dez municípios da Bahia e Pernambuco, envolvidos no drama da água e da energia elétrica,   o  simpósio contou com políticos  envolvidos e determinados a contribuir para uma  solução  para o problemas  que estão  na mesa do Executivo, em Brasília, como o deputado federal  Fernando Monteiro, que admitiu que conseguirá “resolver o problema ainda neste semestre”; o estadual João Paulo de Lima e Silva, que acompanha o problema desde o “nascedouro’,  prefeita Vilma Negromonte, do município de Glória (BA); deputado  estadual da Bahia, Ângelo  Almeida; Cláudia Cavalcanti, vice-prefeita de Itacuruba ; o vice-prefeito de Petrolândia Rogério Novaes, que também é produtor rural e na ocasião representava   o prefeito Fabiano Marques,  que estava fora da cidade prestando  assistência a uma pessoa que família que se encontra doente. Também registramos a presença de um bom número de vereadores com origem em vários

 

Blog de Asssis Ramalho

O Blog de Assis  Ramalho  ( blogueiro e radialista), veículo com sede em Petrolândia,   publicou uma matéria especial na véspera do seminário,   com relatos  que fazem “doer no coração”, como este, por exemplo: “Há mais de um mês os moradores da vila agrícola de Barreiras, em Petrolândia, sertão do São Francisco, se revezam em uma espécie de vigília em uma das estradas do município. Todo dia, dois ou três moradores passam o dia vigiando se algum veículo da concessionária Neoenergia passa pelo caminho que leva até a estação de bombeamento 05, que integra o sistema de Itaparica. A ideia é interceptar alguma tentativa de corte da energia elétrica: a conta do projeto (como são chamados os assentamentos) Barreiras está atrasada há mais de quatro meses e já ultrapassa R$ 1 milhão”.

O site de Ramalho fez uma amplo relato obre o drama  que vivem o irrigantes:  “”Os desligamentos de energia são tão temidos porque podem colocar em risco as lavouras, já que toda a água da região vem do sistema de irrigação, que necessita de energia para o bombeamento. “Se for uma plantação de ciclo curto, como melancia e as hortas, dois ou três dias já podem arruinar a colheita”, diz a agricultora Maria Siulene da Silva, moradora de Barreiras.

“O medo em Barreiras e nos outros assentamentos aumentou há duas semanas, quando o outro projeto, o Brígida, em Orocó, passou dois dias sem eletricidade, após o corte da Neoenergia. “Nós estamos com uma liminar da Justiça que proíbe o desligamento por se tratar de água também para consumo humano. Mas mesmo assim a Neoenergia fez o corte”, lamentou o agricultor e técnico agropecuário José Dionísio Silva, diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Orocó por dois mandatos e presidente da primeira associação do projeto Brígida.”

Há mais de um mês os moradores da vila agrícola de Barreiras, em Petrolândia, sertão do São Francisco, se revezam em uma espécie de vigília em uma das estradas do município. Todo dia, dois ou três moradores passam o dia vigiando se algum veículo da concessionária Neoenergia passa pelo caminho que leva até a estação de bombeamento 05, que integra o sistema de Itaparica. A ideia é interceptar alguma tentativa de corte da energia elétrica: a conta do projeto (como são chamados os assentamentos) Barreiras está atrasada há mais de quatro meses e já ultrapassa R$ 1 milhão.

“Os desligamentos de energia são tão temidos porque podem colocar em risco as lavouras, já que toda a água da região vem do sistema de irrigação, que necessita de energia para o bombeamento. “Se for uma plantação de ciclo curto, como melancia e as hortas, dois ou três dias já podem arruinar a colheita”, diz a agricultora Maria Siulene da Silva, moradora de Barreiras.

“O medo em Barreiras e nos outros assentamentos aumentou há duas semanas, quando o outro projeto, o Brígida, em Orocó, passou dois dias sem eletricidade, após o corte da Neoenergia. “Nós estamos com uma liminar da Justiça que proíbe o desligamento por se tratar de água também para consumo humano. Mas mesmo assim a Neoenergia fez o corte”, lamentou o agricultor e técnico agropecuário José Dionísio Silva, diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Orocó por dois mandatos e presidente da primeira associação do projeto Brígida.”

“Já tivemos vários cortes. No ano passado, passamos seis meses fazendo vigília na subestação do Brígida, que alimenta também o projeto Fulgêncio, que é metade do sistema de Itaparica, no município de Santa Maria da Boa Vista. Ficamos três dias sem energia durante o verão, mas conseguimos uma liminar e a energia voltou”, contou José Dionísio.

10 projetos e 40 anos  de luta e problemas

Os dez projetos do Sistema Itaparica começaram a ser criados há 40 anos quando o Governo Federal retirou mais de 10,4 mil famílias que moravam nas áreas que foram usadas para a implantação e enchimento do reservatório de Itaparica, e da construção da Usina Hidrelétrica (UHE) Luiz Gonzaga, inaugurada pela Chesf em 1988.

Hoje, são mais de 50 mil pessoas que ocupam uma área de 150 quilômetros em três municípios do sertão da Bahia e de Pernambuco. Todos são agricultores e agricultoras familiares, com lotes pequenos, que variam de 1,5 hectare a 6 hectares. Plantam comida: melancia, feijão, milho, amendoim, abóbora, tomate, cebola, coco. O projeto Fulgêncio já recebeu o prêmio de maior produtor de banana de Pernambuco e é o quarto maior produtor dessa fruta do Brasil. Sem eletricidade, não há irrigação e, consequentemente, não há água para as plantações.

O Sistema Itaparica compreende perímetros irrigados distribuídos em dez municípios localizados ao longo de uma faixa de 150 quilômetros do sertão dos estados da Bahia e de Pernambuco. Foram dez projetos irrigados implantados pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) e operados pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) na região do submédio do São Francisco.”

 

 

 

 

 

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