João Raimundo Vieira da Silva de Araújo foi a júri popular no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano
Renata Alves foi morta com um tiro na testa em um contexto de violência doméstica (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
O psicólogo João Raimundo Vieira da Silva de Araújo, de 35 anos, foi condenado à pena de 71 anos por ter assassinado a administradora Renata Alves Costa. A mulher, que na época tinha 35 anos, foi morta com um tiro na testa, em agosto de 2022, em seu próprio apartamento, no bairro de Campo Grande, na Zona Norte do Recife.
O julgamento começou na quarta-feira (25) e foi concluído nesta quinta (26), no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, na Ilha Joana Bezerra, na área central do Recife.
Segundo a assistente de acusação Carol Amorim, o réu cometeu os crimes de feminicídio, sequestro, cárcere privado e tentativa de sequestro. Além dos crimes de estupro e lesões corporais anteriores, dissociadas do feminicídio.
Durante o intervalo do julgamento, Carol afirmou que a expectativa era de que João fosse condenado a, no mínimo, 40 anos de prisão por conta da quantidade de crimes.
A defesa do réu, a advogada Ana Paula Arruda, afirmou que a sentença não é definitiva e que pretende recorrer. “Ainda temos um caminho a percorrer. Já interpusemos recurso de apelação e vamos recorrer especialmente em relação à quantidade da pena. O tribunal julgará o recurso e, caso não haja reforma da decisão, recorreremos ao STJ e ao STF para buscar uma pena que consideremos justa, perseguindo o objetivo da defesa, que sempre foi minorar os danos. Nunca entrei nesse processo contando com absolvição.”
Segundo a advogada, João Raimundo estava ciente desde o início que haveria uma condenação. “João Raimundo também reagiu à sentença de forma contida. Manteve-se de cabeça baixa, ouviu a decisão sem histeria ou reação exaltada. Sempre deixei claro a ele que haveria condenação.”
Acusação
Na manhã desta quinta, durante 1h30, a acusação apresentou aos jurados a vida pregressa do réu e seu perfil violento, mediante fotos, documentos anexados aos autos do processo e trechos de conversas extraídos do telefone de Renata. “Isso foi muito explorado para mostrar o tipo de relação que eles tinham, de dominação por parte dele, manipulação, mentiras. Isso ficou caracterizado pela acusação”, detalhou Carol Amorim.
Além disso, a advogada afirmou que a acusação também apresentou outros boletins de ocorrência e referente a outros processos criminais com outras vítimas. “Existe uma tônica aí de violência doméstica contra mais três mulheres fora Renata, pelo menos. E também temos a situação de um hotel que ele já respondia um processo por tentativa de homicídio de uns seguranças de lá”, contou.
Defesa
Já durante a tarde, também por 1h30, a defesa do réu apresentou seus argumentos para reduzir a pena de João Raimundo. Em entrevista à emissoras antes de iniciar a audiência, nesta quarta, a advogada Ana Paula Arruda afirmou que a defesa iria mostrar “todos os elementos possíveis para demonstrar que não foi um homicídio doloso ou que ele queria matar a vítima”.
“”Quando afirmo que o processo não termina agora, é porque ainda existem diversos recursos previstos na legislação para o exercício do direito de defesa. E nós vamos recorrer. A mãe da vítima nunca mais verá a filha. João Raimundo perdeu a liberdade e o trabalho. Ele estudou, foi aprovado em concurso do Tribunal de Justiça da Paraíba, atuava como psicólogo e perdeu tudo isso. Portanto, não há vencedores”, compelementou a advogada.
O que aconteceu
O crime ocorreu no dia 6 de agosto de 2022, dentro do apartamento onde Renata morava, no bairro de Campo Grande, na Zona Norte da capital pernambucana. Segundo as investigações, ela foi morta com um tiro na testa em um contexto de violência doméstica.
O réu foi preso três dias após o crime, no aeroporto de Natal (RN). Ele foi denunciado pelo Ministério Público de Pernambuco por feminicídio, sequestro e cárcere privado.
De acordo com a investigação, o acusado já possuía antecedentes por agressão contra a ex-esposa e cumpria prisão domiciliar à época do crime. No dia do assassinato, ele teria rompido a tornozeleira eletrônica. A apuração policial também apontou que o caso estaria relacionado a um histórico de violência física e psicológica contra a vítima.
Porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) exercem papel estratégico na organização da rede municipal, assegurando atendimento integral, contínuo, humanizado e resolutivo à população. Em Lagoa Grande, a gestão municipal tem investido de forma estruturada na qualificação dos serviços, na ampliação do acesso e no cumprimento de metas pactuadas com o Ministério da Saúde, consolidando a Atenção Primária como eixo central da política pública de saúde.
O município conta com 10 UBSs distribuídas entre a sede e o interior, contemplando localidades como Vermelhos, Jutaí, Açude Saco e Assentamento Madre Paulina. Nessas unidades, a população tem acesso a consultas médicas, atendimento de enfermagem e odontológico, realização de exames, exame preventivo, acompanhamento de doenças crônicas, vacinação e atendimentos de urgência e emergência de baixa complexidade.
Em 2025, Lagoa Grande registrou desempenho expressivo nos indicadores da Atenção Primária, superando, em alguns casos, os percentuais preconizados pelo Ministério da Saúde. Um dos destaques foi a campanha nacional de vacinação contra o HPV, cujo público-alvo — jovens entre 15 e 19 anos — foi integralmente imunizado no município, enquanto diversos municípios brasileiros não alcançaram as metas estabelecidas.
“Avançamos significativamente nas metas de atendimento, na ampliação dos serviços e no cuidado com o povo lagoa-grandense. Seguiremos fortalecendo nossa rede. Para 2026, vamos concluir a sede própria da UBS de Vermelhos e aprimorar ainda mais a estrutura das demais unidades”, afirmou a secretária municipal de Saúde, Ana Araújo.
A gestora ressaltou ainda a relevância estratégica da imunização. “A vacina contra o HPV é fundamental para eliminar o vírus responsável pelo câncer de colo do útero, que é a segunda maior causa de câncer entre mulheres no Brasil. Garantir essa cobertura é salvar vidas e reafirmar nosso compromisso com a prevenção”, destacou, lembrando que o município foi premiado por alcançar todas as metas de vacinação no ano anterior.
Além das ações preventivas, as UBSs realizam o acompanhamento contínuo de pacientes com diabetes e hipertensão, fortalecendo o Programa de Saúde da Família (PSF) e promovendo cuidado permanente às famílias lagoa-grandenses.
Outro diferencial implementado pela atual gestão foi a ampliação do horário de funcionamento com atendimento noturno nas unidades, iniciativa que amplia o acesso aos serviços e atende a uma demanda histórica da população trabalhadora.
“Nossa cidade é formada por homens e mulheres que começam a trabalhar muito cedo e retornam para casa no fim do dia. Muitas vezes, essas pessoas não conseguiam buscar atendimento em horário regular. O atendimento noturno foi um compromisso assumido e já concretizado, garantindo que todos tenham acesso digno à saúde”, enfatizou a prefeita Catharina Garziera.
A prefeita reforçou ainda o compromisso da gestão com o acolhimento e a humanização do atendimento. “As nossas UBSs estão preparadas para receber bem cada cidadão. Basta procurar a unidade mais próxima de sua residência”, concluiu.
Ana Araújo acrescenta: “Com planejamento, responsabilidade e foco em resultados, Lagoa Grande reafirma seu compromisso com uma saúde pública cada vez mais eficiente, preventiva e acessível para todos”, declarou a titular da Sesau lagoa-grandense.
26/02/26 – http://blogfolhadosertao.com.br – Por Rodrigo Fernandes
Fernando Bezerra Coelho, Fernando Filho e Miguel Coelho foram alvo de mandado de busca e apreensão na Operação Vassalos, nesta quarta-feira (25)
Fernando Filho, Fernando Bezerra Coelho e Miguel Coelho – Foto: Ivaldo Regis/Divulgação
A família Coelho, alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Vassalos, deflagrada nesta quarta-feira (25), é investigada pela Polícia Federal por suspeitas envolvendo a destinação de emendas parlamentares e a contratação de empresas ligadas ao grupo político em obras financiadas com recursos federais em Petrolina, no sertão do estado.
Segundo a investigação, acolhida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, as apurações têm como foco a atuação na prefeitura de Petrolina, reduto político do clã, e na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal federal responsável por investimentos em obras na região.
Ao todo, foram expedidos 42 mandados de busca e apreensão pelo STF nos estados de Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e Distrito Federal. Os principais alvos são o ex-senador Fernando Bezerra Coelho e os filhos dele, o deputado federal Fernando Filho e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, ambos do União Brasil. O atual prefeito do município, Simão Durando, aliado político do grupo, também está entre os alvos.
Como funcionava o esquema, segundo a PF
De acordo com as informações da PF contidas na decisão de Flávio Dino, obtida pelo Jornal do Commercio, o grupo controlava três engrenagens simultâneas: o comando da Prefeitura de Petrolina, a influência sobre a Codevasf, especialmente a 3ª Superintendência Regional, sediada na cidade, e o direcionamento de emendas parlamentares e transferências federais para a região.
Esse tripé, de acordo com a investigação, permitia o seguinte ciclo: o parlamentar indicava o recurso, o município recebia os valores e as obras eram contratadas com empresas ligadas a familiares dos políticos.
A empresa apontada como peça central é a Liga Engenharia Ltda. Um dos sócios, Fabrício Pontes Ribeiro Lima, é filho do cunhado de Fernando Bezerra Coelho e enteado da irmã do ex-senador. O outro sócio, Pedro Garcez de Souza, é irmão da mulher de um primo dos filhos do senador. Os dois sócios estão na lista de alvos da operação.
A PF resume que a prefeitura utilizava recursos repassados pela Codevasf para contratar empresa pertencente a parentes “por afinidade” dos políticos, com verbas enviadas pelo pai e pelo irmão do então prefeito.
Os crimes investigados pela PF são peculato, corrupção passiva e ativa, fraude e frustração do caráter competitivo de licitação, supressão fraudulenta de tributos, lavagem de dinheiro e constituição de organização criminosa agravada.
Os números da investigação
A Polícia Federal identificou que, entre 2017 e 2021, a Prefeitura de Petrolina foi beneficiária de pelo menos 27 convênios com o Ministério do Desenvolvimento Regional ou com a Codevasf, totalizando R$ 143,2 milhões em repasses federais. Desse montante, R$ 135 milhões foram destinados a obras de pavimentação e recapeamento de vias públicas.
A Liga Engenharia aparece como principal beneficiada. Dados do Portal Tome Conta, do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), apontam que a empresa recebeu mais de R$ 190,5 milhões em empenhos do município desde 2017.
Em 2024, ano mais recente analisado pela investigação, a empresa foi a fornecedora que mais recebeu recursos da prefeitura, com R$ 59,8 milhões empenhados e R$ 55 milhões pagos.
A trajetória da Liga Engenharia no ranking de fornecedores de Petrolina mostra crescimento acelerado. Em 2017, primeiro ano da gestão de Miguel Coelho, a empresa era a 27ª maior fornecedora do município, com R$ 1,3 milhão recebido. Em 2024, passou a ocupar o primeiro lugar.
O ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. – Divulgação
A PF identificou ainda que, dos 23 contratos celebrados entre a prefeitura e a empresa, sete foram custeados com recursos de convênios articulados pela família Coelho, somando R$ 117,6 milhões, dos quais ao menos R$ 94,7 milhões eram de origem federal. Segundo a investigação, cerca de 65% dos contratos entre o município e a Liga foram financiados com verbas repassadas pelos próprios parlamentares.
Antes de 2017, a empresa não possuía qualquer contrato com a Prefeitura de Petrolina nem com outros municípios pernambucanos, segundo o TCE-PE.
Segundo o mapeamento da PF, Fernando Bezerra Coelho teria encaminhado R$ 180 milhões em 2019 por meio de quatro Termos de Execução Descentralizada (TEDs) à Codevasf.
Em dezembro de 2020, foram registrados dois TEDs: um de R$ 4 milhões indicado por Fernando Filho e outro de R$ 50 milhões indicado pelo então senador. Em 2021, três emendas em nome de Fernando Bezerra somaram R$ 43 milhões, dos quais R$ 41,1 milhões foram destinados à pavimentação.
Entre 2017 e 2024, Petrolina firmou convênios para obras de pavimentação que totalizam R$ 198,8 milhões. Desse valor, R$ 120,1 milhões tiveram origem em emendas parlamentares ou TEDs capitaneados por Fernando Bezerra Coelho ou Fernando Filho.
O papel da Codevasf e a influência política
O ex-senador Fernando Bezerra Coelho – Divulgação
A Codevasf, vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, é apontada como peça central no esquema. Fernando Bezerra Coelho comandou o então Ministério da Integração Nacional entre janeiro de 2011 e outubro de 2013 e, segundo a PF, manteve influência sobre a estatal mesmo após deixar o cargo.
Em julho de 2016, por indicação do então senador, Aurivalter Cordeiro Pereira da Silva assumiu a 3ª Superintendência Regional da Codevasf, em Petrolina, função que exerceu até maio de 2023. Antes disso, ele atuava como assessor parlamentar no gabinete de Fernando Bezerra Coelho e também foi alvo da operação desta quarta.
De acordo com a PF, Aurivalter prestava contas quase semanalmente à família Coelho, encaminhando mensagens a Fernando Bezerra e a Fernando Filho e solicitando intermediação junto à presidência da estatal para resolver pendências administrativas. A investigação o descreve como “longa manus do núcleo político”, ou seja, o real executor das ordens.
Após a saída de Aurivalter, em 2023, outros dois servidores passaram a ter papel central, segundo a investigação. Marcelo Andrade Moreira Pinto, presidente da Codevasf desde setembro de 2019, teria se colocado “à disposição” de Fernando Bezerra Coelho desde a posse. Henrique de Assis Coutinho Bernardes, indicado pelo ex-senador para diretor da Área de Desenvolvimento Integrado e Infraestrutura, permanece no cargo.
“Os dois funcionários da estatal se demonstraram de grande importância para o prosseguimento do esquema após a exoneração de Aurivalter”, diz a Polícia Federal.
A suposta ocultação do patrimônio
Além dos contratos públicos, a PF investigou supostos mecanismos de ocultação patrimonial. A Bari Automóveis Ltda, concessionária Jeep em Petrolina e Caruaru, aparece como empresa sobre a qual Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho exerceriam controle efetivo, apesar de não constarem formalmente como sócios.
Mensagens encontradas em celulares apreendidos mostram prestações de contas sobre vendas e decisões administrativas da concessionária. Arquivos de controle de vendas foram localizados na secretaria do senador.
A PF aponta o uso de Sociedades em Conta de Participação (SCPs) para ocultar beneficiários finais dos recursos. A empresa da esposa de Fernando Filho, Maria Laura Modesto Kehrle, aparece como sócia oculta em uma SCP cujo sócio ostensivo é empresa ligada ao empresário Pedro Campos de Figueiredo, de São Paulo. Estrutura semelhante teria sido identificada envolvendo empresa do ex-prefeito Miguel Coelho.
Segundo a investigação, R$ 5,47 milhões foram movimentados nessa estrutura triangulada, com 15 operações identificadas em que valores saíam de uma conta, passavam por conta de passagem e chegavam à empresa da esposa de Fernando Filho.
O Posto Petrolina Ltda, que pertenceu à esposa de Miguel Coelho, Lara Secchi — também alvo de mandado de busca e apreensão — e hoje integra o patrimônio da família dela, recebeu valores milionários da Liga Engenharia. A PF aponta que pagamentos do município à Liga e repasses da empresa ao posto triplicaram entre maio e junho de 2018, levantando suspeita de retorno de recursos públicos ao grupo.
Fernando Bezerra Coelho também abriu a empresa Vale Soluções e Consultoria treze dias antes do fim do mandato de senador, em 2023. Segundo o relatório, a empresa movimentaria valores considerados incompatíveis com o perfil de uma pessoa politicamente exposta recém-saída da vida pública.
Busca e apreensão
Além dos endereços ligados às autoridades, aliados políticos e parentes citados, a operação também cumpriu mandados na sede da 3ª Superintendência Regional da Codevasf, na Prefeitura de Petrolina e no escritório de representação do deputado federal Fernando Filho. As diligências ocorreram ainda na sede da Liga Engenharia, da Bari Automóveis, do Posto Petrolina e em outras 11 empresas apontadas no relatório como parte do núcleo empresarial investigado.
O deputado Fernando Filho – Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
O ministro Flávio Dino autorizou as buscas e apreensões, mas negou pedidos da PF considerados mais gravosos, como interceptação telefônica, suspensão de contratos da Liga Engenharia e afastamento de servidores da Codevasf, por entender haver insuficiência de provas neste momento.
Dino autorizou o afastamento do sigilo telefônico dos investigados e a apreensão de dinheiro em espécie acima de R$ 10 mil, joias, obras de arte, veículos e itens de luxo encontrados durante as diligências.
O ministro determinou ainda o compartilhamento das informações com a CGU e o TCU para providências administrativas e ordenou o levantamento do sigilo da decisão após a conclusão das buscas.
Ainda no documento, Dino registra que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou de forma contrária a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal no inquérito. Contudo, o ministro divergiu da PGR e deferiu parte dos pedidos.
O que diz a família Coelho
Em nota, Miguel Coelho e Fernando Filho afirmam que a operação tem viés político, que a petição do STF apresenta como motivação emendas parlamentares destinadas durante os mandatos do pai e do irmão para Petrolina, e que o principal alvo da ação seria “o crescimento da cidade”.
“Por meio da decisão do Ministro Flávio Dino, constatou-se que alguns fatos já foram objeto de apuração pelo STF com o consequente arquivamento (INQ 4513). Segundo consta na decisão do Ministro, a PGR manifestou-se contra as medidas postuladas pela polícia federal. Impossível não destacar o viés político desse tipo de operação, uma vez que jamais deixamos de prestar quaisquer informações aos órgãos de controle, sejam estaduais ou federais. As contas de Petrolina, aliás, estão devidamente regulares e aprovadas. Seguimos com tranquilidade e confiantes na Justiça brasileira”, diz o comunicado conjunto.
A defesa do ex-senador Fernando Bezerra Coelho, representada pelo advogado André Callegari, afirmou que não obteve acesso integral aos autos, mas disse que, em análise preliminar da decisão que deferiu a busca e apreensão, todos os recursos provenientes de emendas parlamentares foram corretamente destinados.
“A defesa confia que os órgãos beneficiados observaram rigorosamente as melhores práticas de governança e execução dos recursos recebidos. Por meio da decisão, destacamos que alguns fatos já foram objeto de apuração pelo STF com o consequente arquivamento (INQ 4513). A defesa destaca ainda, que segundo consta na decisão do ministro Flávio Dino, a PGR manifestou-se contra as medidas postuladas pela polícia federal. Todos os fatos serão devidamente esclarecidos e, ao final, ficará demonstrado que não há qualquer conduta ilícita praticada pelos investigados”, afirma a nota.
A prefeitura de Petrolina informou que “atendeu com transparência total os pedidos de apuração de contratos para a realização de obras junto à Codevasf”. Segundo a gestão municipal:
• os recursos mencionados na investigação referem-se a emendas parlamentares e termos de execução descentralizada, instrumentos legais previstos na Constituição e na legislação amplamente utilizados por municípios em todo o país para viabilizar investimentos em infraestrutura, saúde e desenvolvimento urbano;
• todos os repasses de recursos citados na investigação foram transformados em obras de pavimentação e recapeamento de centenas de ruas, políticas públicas essenciais para melhorar a mobilidade urbana, a segurança viária e a qualidade de vida da população; todas as obras tiveram prestação de contas e fiscalização de órgãos de controle do Município, Estado e Governo Federal; • e não há qualquer decisão judicial que reconheça a prática de ilícito por parte da prefeitura ou de seus gestores.
Galego de Nanai e a vice Georgia Fernanda Torres são acusados da prática de abuso de poder econômico e captação ilícita de sufrágio
Galego de Nanai e Georgia Fernanda
O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou parecer pela manutenção da cassação do prefeito de Cabrobó, Elioenai Dias Santos Filho (Galego de Nanai) , e da vice-prefeita Georgia Fernanda Torres de Oliveira, eleitos nas eleições de 2024. O caso agora segue para julgamento no Pleno do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco, que deverá analisar os recursos apresentados pelas defesas.
Os Recursos Eleitorais nº 0600398-38.2024.6.17.0077 e nº 0600397-53.2024.6.17.0077 questionam a sentença da 77ª Zona Eleitoral, que reconheceu a prática de abuso de poder econômico e captação ilícita de sufrágio. A decisão de primeiro grau determinou a cassação dos diplomas, aplicação de multa e a declaração de inelegibilidade por oito anos, com base no artigo 22 da Lei Complementar nº 64/1990 e no artigo 41-A da Lei nº 9.504/1997.
No parecer nº 8.462/2026-PRE/PE, a Procuradoria Regional Eleitoral manifestou-se pelo não provimento dos recursos, sustentando que o conjunto probatório é considerado robusto e suficiente para manter a condenação. Segundo o órgão ministerial, as provas incluem depoimentos testemunhais, extração de dados de aparelhos celulares, análise de movimentações financeiras e apreensão de contravales de combustível, elementos que teriam embasado a decisão da Justiça Eleitoral.
O Ministério Público também afastou as alegações de nulidade relacionadas às medidas de busca e apreensão. No entendimento da Procuradoria, a legalidade da apreensão de aparelho celular já foi reconhecida pelo próprio TRE-PE em habeas corpus com trânsito em julgado, o que inviabilizaria nova discussão sobre o tema.
Com a juntada do parecer ministerial, o processo encontra-se apto para inclusão em pauta. Caberá agora ao Pleno do TRE-PE enfrentar tanto as preliminares levantadas pelas defesas quanto o mérito das acusações.
Caso a Corte Regional mantenha a cassação da chapa composta por Elioenai Dias Santos Filho e Georgia Fernanda Torres de Oliveira, o município de Cabrobó deverá realizar eleições suplementares para escolha de novo prefeito e vice-prefeito, conforme prevê a legislação eleitoral para hipóteses de vacância dos cargos majoritários após o pleito. A decisão é aguardada com expectativa no Sertão do São Francisco, diante dos impactos políticos e administrativos que poderá provocar.
Lideranças e moradores participarão de sete oficinas para fortalecer a preparação, prevenção e resiliência das comunidades
A Defesa Civil da Prefeitura do Recife deu a largada, na tarde desta quarta-feira (25), aos cursos de formação dos agentes dos Núcleos de Proteção e Defesa Civil (NUPDEC Recife). As atividades contarão com 76 inscritos, residentes e lideranças comunitárias de diversas áreas de risco da cidade, que participarão de um total de 7 oficinas, com temas que vão desde mudanças climáticas até primeiros socorros e evacuação de áreas. Este ano, serão realizados os NUPDECs Norte, Plana, Sul “Mulheres” e “Nupdequinho”.
Os cursos são uma parceria da Defesa Civil com o ProMorar Recife, SOMAR, Secretaria Executiva da Primeira Infância, Secretaria de Saúde, SAMU, Secretaria da Mulher, Gabinete de Inovação Urbana (Giurb) e Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). “Os NUPDECs são uma proposta educativa prevista na Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, para fortalecer a preparação, prevenção e resiliência da população das áreas de risco. Os agentes atuam na sensibilização, comunicação de risco e fortalecimento da resiliência comunitária”, explica a gerente-geral de Atenção Social da Defesa Civil do Recife, Giselle Vieira.
A participação é aberta para os moradores e lideranças comunitárias das áreas de risco do Recife e as oficinas serão ministradas nos espaços comunitários como forma de comunicação e prevenção aos riscos e desastres. As atividades no Compaz Eduardo Campos (área Norte), Compaz Paulo Freire (Sul/Mulheres) e numa associação do Ibura de Baixo (Plana). A formação é gratuita e todos os participantes que concluírem as oficinas e os simulados serão certificados.
“Enquanto universidade, ficamos muito felizes por poder contribuir. Prevenção, conhecimento e informação são muito importantes para evitar desastres. Vamos em frente com mais essas turmas do NUPDEC”, disse o professor Fábio Pedrosa, do Laboratório Interdisciplinar de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade (LIMCS) da Unicap.
26/02/26 – http://blogfolhadosertao.com.br – Da Redação
A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que a cúpula da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Pernambuco atuava sob influência direta da família Coelho, grupo político tradicional do estado.
Segundo documentos que embasaram a Operação Vassalos, deflagrada nesta quarta-feira (25/2), o então superintendente da 3ª Regional da estatal em Petrolina, Aurivalter Cordeiro Pereira da Silva, mantinha relação de subordinação informal com integrantes da família, a quem enviava mensagens periódicas de prestação de contas.
De acordo com a investigação, Aurivalter ocupava, antes da nomeação para a Codevasf, o cargo de assessor parlamentar do ex-senador Fernando Bezerra Coelho.
Após assumir a superintendência, em 2016, ele teria continuado a reportar suas ações e decisões a membros do grupo político.
Os investigadores apontam que a influência da família Coelho sobre a Codevasf foi essencial para o funcionamento de um suposto esquema que envolvia o direcionamento de verbas federais, especialmente emendas parlamentares e termos de execução descentralizada, para projetos previamente escolhidos.
Conversas analisadas pela Polícia Federal mostram que o então senador Fernando Bezerra Coelho chegou a demonstrar preocupação com a permanência de Aurivalter no comando da superintendência.
Em um diálogo com o general Luiz Eduardo Ramos, à época ministro-chefe da Secretaria de Governo, o senador reclamou da possibilidade de substituição do indicado.
A resposta atribuída ao ministro, “Pernambuco é do senhor, senador”, é citada pela investigação como um retrato do grau de influência política exercido sobre a estatal.
Para a PF, a atuação de Aurivalter como uma espécie de “longa manus” da família Coelho permitiu que decisões estratégicas da Codevasf fossem alinhadas a interesses políticos e privados, facilitando o direcionamento de contratos e a liberação de recursos
Operação Vassalos apura crimes como organização criminosa, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitações.
Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados e no Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal.
O advogado da família Coelho, André Callegari, afirmou que, em análise preliminar da decisão que deferiu a busca e apreensão, esclarece que todos os recursos provenientes de emendas parlamentares foram corretamente destinados, tendo sido observada a lisura.
Destacamos que alguns fatos já foram objeto de apuração pelo STF com o consequente arquivamento. A defesa destaca ainda, que segundo consta na decisão do ministro Flávio Dino, a PGR manifestou-se contra as medidas postuladas pela Polícia Federal.”
O advogado afirmou que os fatos serão devidamente esclarecidos e “ficará demonstrado que não há qualquer conduta ilícita praticada pelos investigados.”
ENTENDA:
A Polícia federal deflagrou, nesta quarta-feira (25/2), uma operação para apurar suspeitas de desvios de emendas parlamentares e manipulação de licitações em diferentes estados do país ação, batizada de Operação Vassalos, foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e mira um grupo que, segundo investigadores, teria montado um esquema para direcionar contratos públicos, desviar recursos e lavar dinheiro.
A coluna apurou que o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE) é um dos alvos, assim como o seu pai, o ex-senador Fernando Bezerra (MDB-PE), e o seu irmão, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho