21/10/25
Ascom Alepe
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O futuro do Metrô do Recife foi debatido na Assembleia Legislativa, nesta segunda. Sindicalistas e trabalhadores reafirmaram posicionamento contrário a qualquer tipo de privatização do serviço, incluído no Programa de Parceria de Investimentos do Governo Federal. Em maio deste ano, a autorização para o início do processo de concessão à iniciativa privada foi publicada no Diário Oficial. Bens imóveis e ativos da União devem ser transferidos para o Governo de Pernambuco.
O presidente do Sindmetro, Luiz Soares, considera que privatizar aumenta a tarifa, não garante a qualidade e diminui a fiscalização. Ele citou exemplos como a Inglaterra, que está reestatizando o transporte ferroviário. Também garantiu que, com os recursos necessários, os empregados são capazes de reerguer a empresa. “A gente quer um transporte de qualidade. A gente tem uma categoria comprometida e altamente eficiente, capaz de recuperar o sistema imediatamente. A gente precisa dos recursos, que desde 2017 a gente não tem verba de investimento suficiente e foi cortada a verba de custeio. O sistema vem funcionando precariamente”.
A redução da velocidade devido ao desgaste dos trilhos e a paralisação aos domingos para reparos são consequências do subfinanciamento dos últimos anos, segundo o gerente regional de manutenção da CBTU, Adalberto Nunes de Siqueira. “O Metrô do Recife precisa urgentemente receber recursos adequados, para que a gente possa realmente melhorar os serviços prestados à sociedade pernambucana, principalmente no que se refere à segurança do sistema e dos nossos usuários”.
O superintendente interino da CBTU Recife, Pedro Duarte, avaliou o corpo técnico da empresa como altamente capacitado, e apto a elevar a qualidade do serviço, seja qual for o modelo de financiamento escolhido. O secretário executivo de Mobilidade Urbana, Pedro Neves disse que o governo de Pernambuco vem acompanhando os estudos sobre o metrô e citou tratativas com a Universidade Federal de Pernambuco para elaborar o plano de mobilidade da Região Metropolitana.
A audiência foi convocada pela Comissão de Administração Pública por solicitação dos deputados João Paulo e Rosa Amorim, ambos do PT. João Paulo leu uma carta que defende o Metrô do Recife como um patrimônio público e sugere que seja o ponto de partida para implantar a tarifa zero no estado. O documento foi assinado durante a reunião e deve ser entregue ao presidente Lula. João Paulo acredita na viabilidade econômica de recuperar o metrô. “Cinquenta bilhões em emendas parlamentares, e a gente precisaria apenas de dois bilhões e duzentos mil para se recuperar. Então essa conta não pode ser transferida, mais uma vez, para a conta da população”.
A deputada Rosa Amorim também se contrapôs ao discurso de que para modernizar é preciso privatizar. “Quem vive do lucro não acorda pensando em mobilidade digna para o nosso povo, pensa em rendimento. Não pensa em garantir acesso, pensa em garantir dividendos. Nós aqui defendemos o contrário”. Dani Portela, do PSOL, citou Minas Gerais e Rio de Janeiro como exemplos de tarifas altas e demissões em massa após a privatização.
Participaram da mesa de debates, ainda, o presidente do Sindicato dos Ferroviários do Nordeste, Luiz Cláudio, a diretora técnica da CBTU, Adriana Fonseca Lins, e o representante da CUT Pernambuco, Élcio Alfredo. Na plateia, os metroviários ganharam o apoio de trabalhadores da compesa e do setor petroleiro.