A corda bamba e o preço da neutralidade da governadora Raquel Lyra

05/08/26   –  http://blogfolhadosertao.com.br  –  Por Betânia Santana

Aceno para lulistas e bolsonaristas também guarda riscos de desagradar a ambos
Eleita em 2022 sob a bandeira da neutralidade, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), descobre diariamente o preço do suprapartidarismo. Ao tentar contemplar lulistas e bolsonaristas na mesma aliança, acumula atritos em ambas as pontas.

O equilibrismo virou rotina, exigindo malabarismos frequentes para sustentar o discurso de governar acima de cores e siglas partidárias. A cobrança cobra fatura nos palanques.

Fatos recentes expõem a fragilidade dessa corda bamba. No domingo, durante a convenção do PSD, o deputado federal Túlio Gadêlha (PSD) vestiu vermelho (cor explorada pelos petistas), puxou o “faz o L” e ofereceu-se como ponte entre o estado e o Palácio do Planalto.

A reação dividiu o público: aplausos entusiasmados de um lado, vaias do outro. A gestora bateu palmas discretamente, recusando-se a reproduzir o gesto característico dos seguidores do presidente Lula (PT).

A aludida ponte “desmoronou” dois dias depois. Na homologação da candidatura de Mendonça Filho (PL) ao Senado, o ambiente vestiu-se de verde e amarelo. Em meio à militância, populares ostentavam a bandeira de Pernambuco estampando a imagem de Raquel Lyra lado a lado com o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL).

A cena evidenciou o impasse estrutural do Palácio das Princesas. No esforço contínuo para agradar a todos, a governadora também corre o risco de desagradar ambos os lados, transformando a almejada estabilidade em fonte de atrito.

Irritação exposta
O presidente do União Brasil e ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, não conseguiu esconder a irritação por ter ficado fora da disputa ao Senado. Não respondeu se vai à convenção da Federação União Progressista hoje e foi ácido sobre a possível presença do deputado Antônio de Rueda (UB): “Ele tem mais o que fazer”.

Ironia fina
Progressistas confirmaram presença do deputado Ciro Nogueira (PP) e ironizaram a resposta de Miguel Coelho: “Ciro vem porque não tem o que fazer”. A convenção, hoje, às 11h, no Pina, será  formal e terá horário rígido devido a outras agendas do deputado.

Dificuldade prevista
Candidato ao Senado pelo PL, o deputado Mendonça Filho lembrou ter sido contrário à federação: “É complexa a convivência de um partido só, imagine juntar dois partidos. Sabia que redundaria em dificuldade enorme, com culturas políticas muito distintas”.

Apoio sem chantagem
O prefeito de Surubim, Cléber Chaparral (UB), registrou que Miguel Coelho não entrou no governo por cargos, mas para ser candidato ao Senado. “Diferentemente de outras pessoas, ele nunca fez chantagem para ninguém”, disse, afirmando que a subida da governadora nas pesquisas se deve também ao apoio de Miguel.

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