Levantamento mostra maior apoio ao afastamento em meio às investigações da CPI da Covid
RIO — Em meio ao andamento da CPI da Covid, o índice da população que apoia
o impeachment do presidente Jair Bolsonaro já é maior, numericamente, do que
o percentual de quem é contrário ao afastamento. É a primeira vez que o índice
de quem é favorável ao impeachment supera os críticos ao processo, de acordo
com pesquisa Datafolha divulgada neste sábado.
Entre os entrevistados, 49% são favoráveis ao processo. Já 46% se dizem
contrários ao afastamento do presidente. O Datafolha entrevistou,
presencialmente, 2.071 pessoas em todo o Brasil entre terça-feira e quarta-feira.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com
nível de confiança de 95%.
A reprovação ao impeachment é de 52% entre homens e no Sul do país e de 60%
entre entrevistados que dizem não ter medo do coronavírus. Também chega a
57% entre evangélicos e 56% entre assalariados registrados.
Já o apoio ao afastamento é maior entre jovens de 16 a 24 anos (57%), moradores
do Nordeste (57%), desempregados que procuram emprego (62%) e
entrevistados que dizem ter muito medo do coronavírus (60%). Entre eleitores
do ex-presidente Lula, o apoio ao afastamento é de 74%.
O senador Renan Calheiros, relator da CPI da Covid Foto: Agência Senado
BRASÍLIA – Relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou ao GLOBO que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de conceder habeas corpus para que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello fique em silêncio “não anula” a fala do militar à comissão parlamentar de inquérito. Segundo Renan, a CPI pleiteará que Pazuello deponha sobre a atuação de outras pessoas no governo, sem que produza provas contra si mesmo.
— A decisão do STF não anula a fala. O que queremos dele (Pazuello) é que, como importante testemunha, diga o que observou, nos outros, como ministro da Saúde e secretário executivo. Nos outros que participaram do ministério e das conversações — disse Renan.
— Com certeza, ao longo dos nossos trabalhos, alguém vai citar o ex-ministro. Mas não queremos que ele o faça, que ele se autoincrimine. Mas que dê testemunho do que presenciou ou não presenciou da conduta de terceiros — concluiu.
O presidente da CPI, Omar Aziz (MDB-AM), criticou a decisão do STF. Para ele, a possibilidade de Pazuello permanecer calado na comissão atrapalha as investigações:
— O Supremo tomou uma decisão para que o Senado abrisse a CPI. E agora um ministro do Supremo impede a gente de investigar — reclamou Aziz.
O vice-presidente do colegiado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que a CPI vai respeitar a decisão da Corte, e que buscará outros meios para investigar o ex-ministro.
— Recebemos a decisão do STF com serenidade e tranquilidade. Somos aqueles que decisões judiciais, mesmo quando contraditam a nossa vontade, devem ser respeitadas. É assim que funciona uma democracia. O senhor Eduardo Pazuello, lamentavelmente, se esconde atrás de um habeas corpus. Respeitaremos o seu direito. Ele tenha a certeza que não será apenas o seu depoimento o meio que buscaremos para obter a verdade – disse Randolfe, em vídeo divulgado nas redes sociais.
Durante a semana, atividades devem ser encerradas às 18h. Nos finais de semana, apenas supermercados, feiras livres de produtos alimentícios, farmácias, padarias e postos de gasolina poderão abrir as portas
Paulo Câmara esteve reunido durante a manhã de hoje
com assessores e o Comitê de Enfrentamento à Covi-19
Após reunião do Comitê de Enfrentamento à Covid-19, neste sábado (15.05), o Governo de Pernambuco anunciou novas medidas restritivas para a 2ª Macrorregião de Saúde, que engloba a IV e V Geres, com sedes em Caruaru e Garanhuns, respectivamente. O novo decreto voltado para a região do Agreste, que será publicado na próxima segunda-feira (17.05), começa a valer a partir da próxima terça (18.05) e segue até o dia 31 de maio.
Durante a semana, as atividades econômicas deverão ser encerradas às 18h. Nos finais de semana, apenas supermercados, feiras livres de produtos alimentícios, farmácias, padarias e postos de gasolina poderão abrir as portas. O Polo de Confecções deverá ficar fechado aos sábados, domingos e segundas.
“Nos reunimos hoje com os secretários estaduais, após o encontro que tivemos com todos os prefeitos e prefeitas do Agreste, na tarde da última sexta-feira, e verificamos um aumento na velocidade do número de internações e de procura pelas instituições de saúde naquela região. Isso tem nos preocupado, pois todos nós sabemos que enquanto a vacinação não chegar a todos os pernambucanos, é necessário tomar medidas restritivas para diminuir a circulação do vírus. Precisamos cada vez mais trabalhar para salvar a vida dos pernambucanos”, afirmou Paulo Câmara. “Serão 14 dias com essas novas medidas e vamos observar, ao longo desse período, as próximas etapas necessárias”, acrescentou.
De acordo com o secretário estadual de Saúde, André Longo, foi observado um comportamento da pandemia, no Agreste, diferente de outras partes do Estado. “O que nós detectamos, nessas últimas duas semanas, foi uma aceleração maior naquela região, destoando do restante do Estado, onde temos um platô ainda em níveis elevados. Os patamares de crescimento de demandas lá superaram os 44%, enquanto no resto do Estado ficou na casa dos 9%”, comparou. “É muito importante que seja feito um esforço por todos esses 53 municípios, reforçando o cuidado, com o uso correto da máscara, cobrindo a boca e o nariz, sempre que precisar sair de casa. O ideal é que as pessoas possam ficar em casa, além de manter o distanciamento social possível e sempre higienizar as mãos com água e sabão, ou utilizando o álcool em gel”, reforçou Longo.
Foto 01:Bano na Oficina Foto 02: com a esposa, Dona Moça
Hoje, 15 de maio, é dia de darmos um forte abraço no sapateiro mais longevo de Salgueiro, o velho Bano que comemora em casa- sem festa, por causa da pandemia, seus bem vividos 91 anos de idade. Um homem simples, de origem humilde, que lutou a vida inteira com dignidade, tendo inclusive, ainda jovem que viajar para o Recife, onde trabalhou no advento da ditadura militar de 1964 ao lado de sapateiros de tendência esquerdista, chamados por alguns de “comunistas”.
Em Salgueiro, Bano foi aluno do grande profissional Antonio Carlos Freire, sapateiro fino que atuava com firmeza no Cortume Nossa Senhora de Fátima, que deixaram levar para Petrolina, inclusive com alguns funcionários que nunca voltaram para a Salgueiro Grande de Veremundo Soares.
Bano, cujo pai trabalhou no sistema elétrico construído por Veremundo Soares para iluminar a cidade (até a chegada a energia de Paulo Afonso), dedicou-se ao ramo de sapataria muito cedo. Foi funcionário dos empresários Pedro José Rosado, Afonso Ferreira e Antonio Brito, todos com endereço na estreita rua Epitácio Alencar, conhecida também no passado como “Rua do Fumo”.
Ao voltar do Recife, bastante experimentado, o sapateiro passou uma temporada em Araripina e decidiu permanecer definitivamente em Salgueiro, onde passou a trabalhar por “conta própria”. “Eu botei um negócio por conta própria, mas certo dia dei guarida a um sujeito que precisava de um lugar para passar a noite. No dia seguinte, ao voltar para o trabalho senti o prejuízo: ele tinha levado minhas ferramentas, me deixando praticamente quebrado”, conta o profissional que nunca baixou a cabeça pra nada diante das adversidades.
Até “pendurar as alpercatas” , rumo à aposentadoria definitiva, há dois anos (por insistência da família), Bano trabalhava em uma oficina localizada na confluência das Ruas Francisco Correia e Inácio de Sá, a poucos metros de sua residência, no centro da cidade.
Infelizmente, o “velho Bano”, não pode mais participar das interessantes pescarias com os amigos, nem mesmo recebe-los em casa para contar (e ouvir) as belas ‘histórias de pescadores”, por causa da Covid-19 que o obriga a se resguardar ao lado da família.
Ano passado, ainda improvisamos uma festinha, com direito a um bolo, mas este ano, nem isso a gente vai acontecer, relata seu filho Beto da Compesa. “Não vai ter nenhuma festinha por causa dessa doença”, conta Beto.
Nascido em 15 de maio de 1930, o popular Bano é casado com Roseira Avelina da Silva (Dona Moça), que nasceu em 27 de abril de 1921.
A prole de Bano e dona Moça conta com os filhos Alberto Pereira da Silva (Beto da Compesa), Aurenia Pereira da Silva, Auriene Pereira da Silva (Lili) e Adalberto pereira da Silva (Nanan). Mais 13 netos e 8 bisnetos.
O preparado foi denominado Canabidiol Farmanguinhos. Foto: Polícia Federal/Divulgação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou autorização sanitária para um novo produto à base de cannabis (maconha) com a participação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), produzido pela empresa Prati, Donaduzzi e Cia. O preparado foi denominado Canabidiol Farmanguinhos 200 mg/mL.
O produto tem administração por via oral e é composto de 200 mg/ml de CBD, um dos princípios ativos da Cannabis sativa e de até 0,2% de THC (tetra-hidrocanabinol, o principal componente psicoativo da planta). O pedido foi feito pela Fiocruz em março deste ano. De acordo com a Anvisa, a análise levou 35 dias no total.
O canabidiol só pode ser utilizado a partir de um determinado tipo de receita médica (tipo B) e somente no caso de esgotamento de outros tratamentos, conforme determina a legislação para o tema.
Ainda de acordo com o regramento da Anvisa, essas substâncias são produtos, e não medicamentos. Isso porque neste último caso precisa haver estudos clínicos que comprovem a eficácia das substâncias.
Até o momento, argumenta a Anvisa, as pesquisas científicas ainda não desenvolveram métodos para aferir as evidências e informações suficientes para que tais produtos sejam considerados medicamentos.
Na avaliação do advogado da Comissão de Assuntos Regulatórios da Ordem dos Advogados do Brasil Rodrigo Mesquita, o deferimento envolve a pesquisa de um canabidiol com insumo importado pela Fiocruz. A regra existe desde 2019 e apenas agora houve uma aprovação desta, informou.
“A impossibilidade de se cultivar no país é um entrave central à própria realização de pesquisas com produtos derivados de cannabis. Enquanto não houver regulação que permita o cultivo não vai ser possível explorar a potencialidade que as instituições de pesquisa brasileiras têm nessa área.”