EXCLUSIVO ! Paulo Câmara diz ao Blog que concluirá obras que estão paralisadas e em andamento no Sertão, a partir de Salgueiro

Por Machado Freire

 Em entrevista exclusiva ao Blog Folha do Sertão,  o governador  Paulo Câmara(PSB) garantiu  que concluirá ainda neste semestre as obras da PE- 460 (Conceição das Crioulas- BR-116), que dará continuidade ao projeto do IML, que depende de nova licitação ( em andamento); começará a recuperação dos Terminais Rodoviários, com previsão para concluir  em médio espaço de tempo, além de executar de forma acelerada as obras complementares da Transposição do São Francisco.  Sobre sua participação na sucessão municipal, o governador  respondeu em marcha lenta:   “no momento certo, vamos dialogar com os prefeitos, com os candidatos e com a toda a instância partidária”

Segue a entrevista, na íntegra:

Pergunta-  As obras do Eixo Norte da Transposição do São Francisco devem ser concluídas até meados de 2021. Quando deverão ser inauguradas as obras complementares, a cargo do Estado, nos municípios sertanejos, inclusive no Eixo Leste?

Resposta – As obras complementares, em execução pelo Governo de Pernambuco, por meio da Compesa, vão antecipar o uso das tubulações da Adutora do Agreste antes da conclusão do Ramal do Agreste, um dos braços da transposição do São Francisco. Esse ramal, uma obra do Governo Federal, vai alimentar a adutora com água do Eixo Leste da transposição. A Adutora do Moxotó, em Rio da Barra, Sertânia, já está em operação, alcançando dez cidades, com um investimento de R$ 85 milhões, e beneficiando cerca de 400 mil pessoas. Da mesma forma, temos a Adutora de Pirangi também em funcionamento desde março de 2017, levando água de Catende, na Mata Sul, para a Barragem do Prata, no Bonito (Agreste), prolongando a oferta de água para 800 mil pessoas em mais dez municípios, inclusive Caruaru e Santa Cruz do Capibaribe. Ali foram gastos R$ 64 milhões. Fora essas, temos em fase de conclusão a Adutora de Custódia – prevista para este primeiro semestre de 2020 – e as do Alto do Capibaribe e de Serro Azul, ambas estimadas para entrar em funcionamento pleno até o final do segundo semestre. E ainda acrescentamos a essas obras o Sistema de Poços de Tupanatinga. Apesar de não depender das águas do Rio São Francisco, esse sistema integra o conjunto de empreendimentos pensados pelo Governo do Estado para antecipar o uso da Adutora do Agreste. Serão perfurados 20 poços de 300 metros de profundidade, em média, que vão garantir uma vazão de 200 litros de água por segundo para alimentar a Adutora do Agreste. Queremos inaugurar esse sistema também no segundo semestre. Com todas essas obras prontas, esperamos entrar em 2021 melhorando a vida de cerca de dois milhões de pernambucanos e pernambucanas, que passarão a contar com água de qualidade nas torneiras, sem sobressaltos.

Pergunta- Por falar em obras, setores da oposição ao Governo do Estado em Salgueiro já cansaram de “bater” na sua administração por causa da demora para a execução dos projetos do IML e da estrada do Distrito de Conceição das Crioulas. O senhor poderia informar uma data para a inauguração dessas obras?

Resposta – As obras de implantação e pavimentação da PE 460 devem ser concluídas até o final de junho deste ano. É uma rodovia com 11 quilômetros de extensão, que vai da BR 116 até a estrada de acesso a Conceição das Crioulas. Atualmente, já foram executados 65% dos serviços previstos, incluindo a pavimentação de quatro quilômetros da via, e estão em andamento obras de drenagem, terraplenagem e construção de uma ponte em concreto armado sobre o rio Urubu, que tem 60 metros de extensão. O investimento nessas obras é de R$ 20 milhões, e são recursos do próprio Governo do Estado. Quando o trabalho estiver concluído, vai beneficiar mais de 60 mil habitantes. Quanto ao Instituto de Medicina Legal de Salgueiro, como já dissemos antes, é uma prioridade da nossa gestão consolidar o Complexo de Polícia Científica do município, que inclui o IML. O projeto do remanescente da obra já foi finalizado e já abrimos o processo de licitação para a contratação da empresa de engenharia que vai executar os serviços. Esse novo projeto está orçado em R$5,1 milhões e o prazo previsto para a conclusão da obra é de 12 meses, a partir do resultado da licitação. Vamos respeitar esse prazo.

Pergunta – Um bom número de Terminais Rodoviários do Estado, a exemplo dos existentes no Sertão do Pajeú, Araripe e Sertão Central (como é o caso de Salgueiro) estão em uma situação de precariedade, quase fechando. O Estado planeja melhorar esta situação ainda este ano?

Resposta – A Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI) está concluindo o processo licitatório para manutenção dos terminais rodoviários do Estado. Nossa previsão é de que as obras de recuperação tenham início ainda neste primeiro semestre, com um investimento superior a R$ 500 mil somente nessa primeira etapa, que inclui o reforço dos serviços de manutenção e limpeza dos terminais. O valor total previsto para investimento nas obras por todo o Estado é de R$ 6 milhões.

Pergunta – Como estamos em um ano eleitoral – e o senhor é o dirigente maior do PSB no Estado, como o partido pretende se empenhar para retomar o poder em municípios importantes como Petrolina e Salgueiro, que hoje estão sendo administrados por ferrenhos opositores do Governo do Estado?

Resposta – Ainda temos muito tempo até a eleição, e é preciso respeitar os prazos. O que a população quer, no momento, é que a gente siga trabalhando, realizando as ações que ajudam a melhorar a vida dela. No momento certo, vamos dialogar com os prefeitos, com os candidatos e com a toda a instância partidária.

Pergunta – Já que estamos no inicio do Ano Novo, o senhor teria uma mensagem de “Boas Novas” para os sertanejos?

Resposta – O ano de 2019 foi um ano muito complexo, com confusões desnecessárias e que tiraram o foco do que realmente é importante. Mas, em Pernambuco, seguimos trabalhando firme, entregando obras importantes e começando outras. Lançamos nove novos programas, entre eles o Décimo Terceiro do Bolsa Família, o Crédito Popular e o Criança Alfabetizada. Em 2020, não vai faltar determinação para atuar cada vez mais perto da população e com mais responsabilidade, para tirar do papel ações que vão nos ajudar a construir um futuro ainda melhor para os pernambucanos e pernambucanas.

 90 anos !!! O  sapateiro  Bano  “pendura”  as alpercatas

 

Por Machado Freire 

Trabalhou na roça, conviveu com operários comunistas, no Recife,  e confeccionou sapato Luiz XV  para mulheres  da alta sociedade  de Salgueiro

    

       Noventa anos de vida- a serem comemorados  no próximo dia 15 de maio, e mais de 75 anos de atividades, a maioria  como  sapateiro,  uma profissão que  não resistiu ao processo de modernização   no setor de calçados. “A gente ganhava a vida  fazendo chinelos e alpercatas de couro e pneu, mas as encomendas  caíram    muito com a chegada das sandálias japonesas”, conta o sapateiro Urbano Amâncio Pereira,  que está praticamente paralisando suas atividades. Sua família acha que chegou a hora e   ele deve tratar da saúde porque sua idade está bem  avançada, apesar se ser dono de uma “memoria de elefante”.

      Conhecido por  Bano, desde menino, o artista  começou a trabalhar na roça  aos 15 anos anos de idade,  ao lado do pai Amâncio Pereira, que  deixou a agricultura de subsistência  para ser funcionário do  industrial e coronel da Guarda Nacional,  Veremundo Soares, em uma usina de beneficiamento de Caroá.

     Também   ao afastar-se da enxada ( seguindo o exemplo do pai), Bano  passou a  atuar como aprendiz  nas oficinas de sapataria  de velhos conhecidos da cidade, como Aderbal Conserva ( que  mudou a profissão para fotógrafo profissional), Pedro José Rosado, Afonso Ferreira (Afonsinho) e Antonio Brito na estreita rua Epitácio Alencar, uma espécie de “polo das sapatarias” com espaço para a feira do fumo, que era realizada aos sábados.

       O aprendiz  também  foi  bem recebido/orientado pelo famoso  sapateiro profissional Antonio Carlos Freire, com quem aprendeu a confeccionar  o sapato feminino Luiz XV,  muito bem aceito pelas mulheres da alta sociedade. “Era  a grande novidade da época na sapataria do Curtume Nossa Senhora de Fátima, de propriedade do empresário   Antonio Soares”,  comenta.

     “Eu pensava que tinha aprendido a arte de sapateiro”,  diz o filho caçula de uma prole de nove irmãos  que com pouco mais de vinte anos rumou para o Recife  em uma carroçaria de um caminhão do Estado, dirigido por  seu irmão Luís   Amâncio,  que já morava na Capital.

      “Deixei de ser  aprendiz e  trabalhava com vinte colegas na saparia de dona  Maria Almeida,  uma patroa muito boa, mas  eu  não sabia  que  estava vivendo  com  comunistas, inclusive o presidente do sindicato dos sapateiros”, conta   ao  confessar não ter sofrido nenhum problema de natureza política por causa disto.

      Depois de trabalhar em outras sapatarias da Capital e  se   considerar um profissional preparado,  Bano  buscou independência   passando  a confeccionar  calçados por conta própria. “Eu vendia  as peças a  antigos e novos  clientes que visitavam as oficinas onde trabalhei desde o começo da década  de 1950” ,  lembra o operário que   não imaginava que encerraria  sua “escalada”  pelo mundo na cidade de Araripina, onde passou dez meses por sugestão do seu irmão, João Amâncio.  “Não deu certo mesmo e eu tive que sair de lá antes de completar um ano”, confessa.

“Voltei para Salgueiro  e procurei me estabelecer com minha oficina, enquanto cuidava de  “levantar” minha casa, para deixar de pagar aluguel, diz   Bano ao lembrar que foi sacaneado por um individuo desconhecido que lhe pediu um “pernoite” em sua oficina que ficava no beco de Chica Calixta.  “No dia seguinte, quando cheguei para trabalhar, encontrei a oficina “limpa” porque o sujeito tinha levado todas as minhas ferramentas e eu tive que começar tudo de novo, me valendo  de velhos amigos , até que me recuperei e terminei a minha casa”,  suspira angustiado.

O homem mais feliz do mundo !  Tempos depois que chegou ao Recife, Bano encontrou-se com a conterrânea Rosemira, que era viuva.  Eles iniciaram uma amizade  que hoje passa de 60 anos.  Desse “ajuntamento” Nasceram dois filhos no Recife:  Beto da Compesa e Aurência. Já  em Salgueiro nasceram Aurinete  e Adalberto que  no dia 16 de junho do ano passado assistiram o enlace matrimonial de seus pais na Igreja Católica, em Salgueiro.

Lúcido, consciente e amante da vida, o sapateiro mais antigo da história do Sertão não é mais aquele caçador nem pescador (esportes que ele mais gosta), mas se considera o homem mais feliz do mundo. “Trato da minha saúde, conto com o apoio da minha família e  estou muito feliz”, confessa com brilho nos olhos marejados de satisfação.