Bolsa Família volta a ter fila de espera


Em um ano, Bolsa Família volta a ter fila de espera e salta de zero para 500 mil inscritos. No primeiro ano de gestão Jair Bolsonaro, espera pelo benefício atingiu maior patamar desde 2015.

No primeiro ano de governo Jair Bolsonaro, número de novas concessões caiu de 260 mil para 5,6 mil por mês
Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

 Por Pedro Capetti e Elisa Martins- O Globo

No primeiro ano de governo Jair Bolsonaro, número de novas concessões caiu de 260 mil para 5,6 mil por mês Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

Em apenas um ano, o programa Bolsa Família voltou a enfrentar um antigo problema. Desde junho, a fila de pessoas aguardando pelo benefício saltou de zero, patamar que se encontrava desde 2018, para 494.229 famílias. A espera é a maior desde 2015, quando mais de 1,2 milhão de famílias aguardavam o auxílio. São famílias cujo perfil de renda é compatível com programa e já estão cadastradas — mas continuam na miséria e sem a ajuda de R$ 89 por pessoa.

Os dados foram obtidos pelo GLOBO por meio da Lei de Acesso à Informação, após quatro meses de demanda junto ao Ministério da Cidadania, que só liberou a informação depois de determinação da Controladoria-Geral da União (CGU).

Entre janeiro de 2018 e maio de 2019, a média mensal de novos benefícios concedidos era de 261.429. Desde junho, esse número caiu drasticamente, e hoje esse número está em 5.667. Em nota, o Ministério da Cidadania afirma que a redução de benefícios se deu por questões orçamentárias e combate a fraudes, e cita ainda uma reformulação do programa, em curso na Esplanada.

Essa redução fez com que a entrada de famílias, que deveria ocorrer em até 45 dias após a inclusão e análise dos dados inseridos, passasse a até mais de seis meses, segundo técnicos que trabalham nesse setor.

A volta da fila no principal programa de erradicação da pobreza do país é fruto do enxugamento dos beneficiários no primeiro ano do governo Jair Bolsonaro, período em que o Bolsa Família chegou a atingir o maior número de assistidos desde 2004, quando foi criado. Em maio, 14,2 milhões de famílias recebiam um rendimento médio de R$ 190. Desde então, apesar de no ano passado o governo ter concedido o 13º salário, o programa vem encolhendo mês a mês, tendo atingido em dezembro o menor patamar de famílias beneficiárias desde 2011: 13,1 milhões.

Ação publicitária privilegiou clientes de chefe da Secom

 

Até quando ?

 

Por Folha de São Paulo

Sob o comando de Fabio Wajngarten, a Secom fez mudanças na estratégia da campanha de publicidade sobre a reforma da Previdência, a maior e mais cara do governo no ano passado. Emissoras clientes de uma empresa do secretário e TVs religiosas, apoiadoras do presidente Jair Bolsonaro, acabaram favorecidas. A campanha foi feita em fases. Após Wajngarten assumir, a Globo foi excluída. Foram mantidas apenas praças regionais da emissora. De um total de R$36,7 milhões na segunda etapa, Record, Band e SBT receberam, respectivamente, R$ 6,5 milhões, R$ 1,1 milhão e R$ 5,4 milhões. A Globo ficou com R$ 2,6 milhões. Record e Band têm contratos com a FW Comunicação, de Wajngarten. Ele nega irregularidades.

UNE convoca protesto contra erros no Enem. Concentração no Recife é na Praça do Derby

Mobilização solicita a auditoria do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)

O Grito da Juventude nas ruas

Segundo UNE, estudantes de todo o Brasil estão tendo problema com as falhas no Sisu / Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Segundo UNE, estudantes de todo o Brasil estão tendo problema com as falhas no Sisu
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Da Editoria de Cidades/JC

A União Nacional dos Estudantes (UNE) convoca estudantes brasileiros a participar de protestos, que serão realizados em diversas cidades do País nesta segunda-feira (27), a partir das 11h, para solicitar a auditoria do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019.

No Recife, o ato será realizado na Praça do Derby, área central da capital pernambucana. Outras onze cidades também já estão na lista das mobilizações divulgadas nas redes sociais da UNE. No Instagram, a entidade postou também, no ínicio da noite deste domingo (26), que “o Sisu 2020.1 encerra hoje o principal programa de acesso às universidades e institutos federais. Estudantes de todo o Brasil estão tendo problema com as falhas no sistema e o governo segue ignorando este fato. Não basta apenas ingressar na universidade, temos que construir a luta pela educação. Amanhã terá ato no Brasil inteiro, vem somar com a gente, vem pra luta, vem pra UNE!”.

Entenda o caso

Na última terça-feira (21), as entidades representativas dos estudantes UNE, UBES e ANPG entraram com uma representação para que o Ministério Público Federal (MPF) realize uma auditoria nas notas do Enem. A reivindicação é para que se apurem as falhas que atingiram cerca de 6 mil candidatos, além de averiguar se os resultados atribuídos às provas estão realmente condizentes com o desempenho dos estudantes.

A representação ainda cobra uma investigação das condutas do ministro da Educação, Abraham Weintraub, e do presidente do Inep, Alexandre Lopes, por possível improbidade administrativa. Há também um pedido de ação civil pública por danos morais aos estudantes que foram lesados com os erros na correção.

Mesmo com as falhas, as inscrições para o Sistema de Seleção Unificado (Sisu) não foram adiadas pelo governo. “Essa é uma grande irresponsabilidade do governo. Milhares de estudantes foram prejudicados sem nenhuma resposta efetiva. Por isso, seguimos lutando não só pela garantia de uma avaliação transparente, mas para que haja justiça para todos os estudantes que saíram prejudicados”, disse o presidente da UNE, Iago Montalvão.