Com maior poder de contágio, variante brasileira da Covid-19, P1, pode causar novo colapso na saúde

21/02/21

A variante brasileira da Covid-19, chamada de P1, já foi detectada em, pelo menos, 12 estados do Brasil. Com uma maior capacidade de transmissão, conforme apontam os estudos iniciais, a nova cepa apresenta também mutações que dão ao vírus a capacidade de fugir do ataque dos anticorpos, afetando a eficácia das vacinas, além de permitir reinfecções. Por isso, acende o alerta de especialistas para o surgimento de uma terceira onda de infecções no País.De acordo com dados do Ministério da Saúde, já são cerca de 200 casos confirmados da P1 pelo Brasil. No Amazonas, onde emergiu,  já foi constatado que há transmissão local. O mesmo foi verificado no Pará, em Roraima e também no Ceará, que divulgou um novo decreto estadual com validade de dez dias, na última quinta-feira, instituindo um “toque de recolher” que limita o horário de funcionamento do comércio, de espaços públicos, restaurantes e shoppings, além da suspensão das aulas presenciais em escolas e universidades públicas e privadas.

A mesma medida restritiva foi adotada pelo governo da Bahia. Dos 417 municípios baianos, o toque de recolher, que tem validade de sete dias, restringe, desde a última sexta-feira, a circulação de pessoas nas ruas e o funcionamento de serviços não essenciais após as 22h em 343 cidades.

Já na Paraíba, no Piauí, em São Paulo, no Espírito Santo, em Santa Catarina e no Rio de Janeiro, o Ministério da Saúde confirmou que se tratam de casos importados do Amazonas. No entanto, a Prefeitura de São Paulo já confirmou o caso de uma pessoa que foi infectada pela variante P1 e que não esteve no Amazonas. Em Gramado, no Rio Grande do Sul, um caso semelhante foi identificado. De acordo com o governo estadual, o paciente não viajou recentemente ou teve contato direto com pessoas que viajaram para outros estados.

Apesar de ainda não haver nenhuma infecção causada pela P1 confirmada em Pernambuco, o chefe do Setor de Infectologia do Hospital Oswaldo Cruz, Demétrius Montenegro, acredita que não deve demorar para que a variante chegue. “Dificilmente essa variante não está circulando pelo estado, já que não houve nenhuma medida para monitorar quem entra ou quem sai de Manaus. As pessoas estão viajando normalmente. Quando assintomáticas, carregam o vírus consigo por aí”, alegou Demétrius.

Ainda segundo o médico, a preocupação epidemiológica desse caso se deve ao fato de a transmissibilidade dessa variante ser maior. “O poder de transmissão dessa mutação é muito maior do que a original. Ainda não se sabe sobre o poder de aumentar a gravidade da doença, mas ela já está relacionada a vários casos de reinfecção, coisa que era rara e ainda estava sendo investigada antes da P1”, explicou o infectologista. Demétrius mencionou também a possibilidade de uma terceira onda de infecções do coronavírus. “Antes de falar em terceira onda,é importante destacar que a dita segunda onda ainda não chegou ao fim. O podemos enfrentar, caso o sistema de saúde entre em colapso por conta das novas cepas que circulam no país, é uma piora dessa segunda onda, já que a demanda por leitos hospitalares tende a crescer por conta do maior poder de transmissão”, emendou Montenegro.

As mutações do coronavírus acendem a luz vermelha não só dos especialistas, mas também da população, sobretudo do grupo de risco. A analista financeira Brenda Monte, 27, está no final da sua gestação. Para preservar a sua saúde, ela tem se limitado a se deslocar somente para ir ao trabalho. “Não tenho recebido ninguém em casa, porque já me exponho ao risco diariamente quando saio para trabalhar, que só faço por questão de necessidade”, afirmou Brenda. “Desde o ano passado, venho mantendo os cuidados sanitários e confesso que, em alguns momentos, não sei mais o que posso fazer para garantir mais a minha segurança”, desabafou.

Apesar do medo envolvendo as novas cepas, o infectologista Demétrius Montenegro afirmou que os protocolos de saúde individuais devem ser mantidos. “Se a pessoa vem se cuidando, usa máscara, higieniza as mãos sempre que pode, evita aglomerações e mantém o distanciamento social, ela não precisa se preocupar. Essas medidas sanitárias auxiliam na proteção da pessoa da mesma forma”, assegurou Demétrius.

Cenário epidemiológico em Pernambuco

Até a sexta-feira (19), Pernambuco registrou 1.358 novos casos de Covid-19, de acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE). Segundo o pesquisador Jones Albuquerque, do Instituto para Redução de Riscos e Desastres de Pernambuco (IRRD), da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), o número de novos casos confirmados por dia em Pernambuco é bastante semelhante aos números de maio e julho de 2020, o período mais crítico vivenciado na Região Metropolitana do Recife (RMR) e no interior do Estado, respectivamente.

“A média móvel acumulada de Pernambuco é de 1.400 casos por dia. No pior momento da pandemia no Recife e RMR, no mês de maio, a média diária era de mais ou menos 1.300 casos. Já no interior, quando o período crítico foi em julho, a média era de 1.400 casos. Nesses dois momentos iniciais, esses municípios estavam em lockdown, quando foi possível controlar a curva crescente de casos”, destacou Jones.

Segundo Jones, as projeções indicam que o Recife está caminhando para o pior cenário de infecção, que pode ser agravado pela variante P1, já que ela tem maior poder de transmissão e contágio. “Se nós observarmos, ainda não atravessamos a primeira onda, porque não zeramos o número de casos. O que houve foi uma diminuição do número de casos e óbitos”, pontua o pesquisador. “Nota-se que o controle pandêmico não é efetivo, já que não estamos conseguindo conviver com um vírus, uma vez que o número de casos ora fica estável ora oscila para mais. Abrir leitos não é uma medida completamente eficiente, porque dessa forma estamos tentando controlar apenas os casos graves e os óbitos, quando, na verdade, deveríamos controlar as infecções”, ponderou.

O pesquisador do IRRD salienta que Pernambuco apresenta uma boa demanda de vacinação, quando comparada com os demais estados do Nordeste, porém, com as variantes em expansão, os indicadores pandêmicos não vão apresentar sinais de melhora se não houver uma reflexão sobre os protocolos sanitários de convivência com o vírus.

Entenda a variante brasileira P1

Pernambuco já aplicou 328.310 doses da vacina contra a Covid-19,

21/02/21

SES/PE/blogfolhadoseertao.com.br
 
 

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) registrou, neste sábado (19/02), 1.132 casos da Covid-19. Entre os confirmados hoje, 66 (6%) são casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 1.066 (94%) são leves. Agora, Pernambuco totaliza 289.556 casos confirmados da doença, sendo 32.076 graves e 257.480 leves, que estão distribuídos por todos os 184 municípios pernambucanos, além do arquipélago de Fernando de Noronha.

Além disso, o boletim registra um total de 249.822 pacientes recuperados da doença. Destes, 19.579 eram pacientes graves, que necessitaram de internamento hospitalar, e 230.243 eram casos leves.

Também foram confirmados laboratorialmente 35 novos óbitos (18 masculinos e 17 femininos), ocorridos entre os dias 29/10/2020 e 18/02/2021. As novas mortes são de pessoas residentes dos municípios de Buíque (1), Camaragibe (1), Caruaru (1), Exu (1), Ipojuca (2), Jaboatão dos Guararapes (3), Jataúba (1), João Alfredo (1), Paulista (5), Petrolina (2), Recife (9), Rio Formoso (1), Salgueiro (1), Sanharó (1), Santa Cruz do Capibaribe (2), São Lourenço da Mata (1), Sirinhaém (1) e Surubim (1). Com isso, o Estado totaliza 10.839 mortes pela doença.

Os pacientes tinham idades entre 45 e 97 anos. As faixas etárias são: 40 a 49 (2), 50 a 59 (6), 60 a 69 (10), 70 a 79 (9) e 80 ou mais (8). Do total, 27 tinham doenças pré-existentes: doença cardiovascular (20), diabetes (7), obesidade (6), hipertensão (5), tabagismo/histórico de tabagismo (4), doença respiratória (2), AVC (2), doença hepática (1) e câncer (1) – um paciente pode ter mais de uma comorbidade. Um paciente não tinha comorbidades e os demais estão em investigação.

Com relação à testagem dos profissionais de saúde com sintomas de gripe, em Pernambuco, até agora, 26.309 casos foram confirmados e 46.204 descartados. As testagens entre os trabalhadores do setor abrangem os profissionais de todas as unidades de saúde, sejam da rede pública (estadual e municipal) ou privada. O Governo de Pernambuco foi o primeiro do país a criar um protocolo para testar e afastar os profissionais da área da saúde com sintomas gripais.

BALANÇO DA VACINAÇÃO – Pernambuco já aplicou 328.310 doses da vacina contra a Covid-19, das quais 258.440 foram primeiras doses. Ao todo, foram feitas a primeira dose em 140.958 trabalhadores de saúde; 23.757 povos indígenas aldeados; 5.584 idosos em Instituições de Longa Permanência; 15.004 idosos entre 80 e 84 anos; 72.404 idosos a partir dos 85 anos, além de 733 pessoas com deficiência institucionalizadas.

Em relação à segunda dose, já foram beneficiados 48.737 trabalhadores de saúde; 18.269 povos indígenas aldeados; 2.759 idosos institucionalizados e 105 pessoas com deficiência institucionalizadas; totalizando 69.870 pessoas que já finalizaram o esquema.