Flávio Bolsonaro não reconhece derrota e anuncia que pedirá anulação das eleições

26/10/26 – http://blogfolhadosertao.com.br –  Por Pedro Baija

Candidato do PL questiona decisão de Zanin que prorrogou votação, embora sua própria campanha também tenha solicitado extensão do horário

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa pela Presidência da República, afirmou neste domingo (25) que não reconhece o resultado do segundo turno das eleições e anunciou que pedirá a anulação do pleito.

Em pronunciamento após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o candidato questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o horário de votação até as 19h.

Apesar das críticas, a própria campanha de Flávio também havia solicitado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a extensão do horário de votação por duas horas, assim como a campanha de Lula. Os pedidos tinham justificativas e abrangências diferentes: enquanto o PT apontou problemas no transporte público e solicitou a prorrogação em todo o país, o PL alegou dificuldades provocadas por chuvas, alagamentos e falta de energia em municípios de cinco estados.

“O que aconteceu hoje não foi algo normal. Foi algo, inclusive, inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele e muda a regra do jogo no meio do jogo”, declarou Flávio.

O candidato derrotado afirmou que a prorrogação, determinada quando parte das seções eleitorais já havia encerrado a votação, teria provocado desigualdade entre os eleitores. Para ele, a impossibilidade de reabrir as urnas que já estavam fechadas comprometeria a legitimidade do resultado.

“Eu nunca vou saber se, num estado onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter. É inexplicável o que aconteceu”, afirmou.

Na sequência, Flávio anunciou que pretende recorrer à Justiça para contestar a eleição.

“É impossível, é impossível reconhecer os resultados das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso juízo, vamos pedir a anulação dessas eleições. A gente não está aqui para brincadeiras”, declarou.

PL também pediu prorrogação

A contestação de Flávio ocorre apesar de sua campanha também ter recorrido à Justiça Eleitoral para ampliar o horário de votação neste domingo. O pedido apresentado pelo PL ao TSE solicitava que os eleitores de 17 municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina pudessem votar até as 19h.

A justificativa apresentada pela campanha do senador foi a ocorrência de chuvas intensas, alagamentos e interrupções no fornecimento de energia, que teriam dificultado o acesso de eleitores às seções eleitorais.

Já a campanha de Lula apresentou pedidos de prorrogação ao longo da tarde, inicialmente em municípios da Bahia e, posteriormente, em outras localidades afetadas por denúncias de redução na oferta de transporte coletivo. Diante da ausência de uma definição do TSE antes do encerramento da votação, a coligação petista também acionou o STF.

A solicitação nacional apresentada pela campanha de Lula foi distribuída a Cristiano Zanin, que determinou a extensão da votação até as 19h. A decisão foi divulgada pouco depois das 17h, quando diversas urnas já haviam sido encerradas.

Posteriormente, Zanin esclareceu que a prorrogação seria aplicada apenas às seções que permaneciam abertas no horário originalmente previsto para o término da votação. As urnas já encerradas não seriam reabertas, e os votos registrados seriam computados normalmente.

Flávio questiona fiscalização

Durante o pronunciamento, Flávio também afirmou que fiscais do PL teriam sido retirados da sala-cofre do TSE após a decisão de Zanin. O senador não apresentou, na declaração, documentos ou outros elementos que comprovassem irregularidades na fiscalização ou na contagem dos votos.

“Os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre a partir do momento que a decisão foi tomada. Então tem muita coisa para ser esclarecida antes de o Brasil simplesmente reconhecer essa sacanagem que ocorreu agora nessas eleições”, declarou.

O candidato também acusou integrantes do STF de favorecerem Lula, referindo-se à atuação anterior de Zanin como advogado do presidente. As acusações não vieram acompanhadas de provas de interferência no resultado eleitoral.

“Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo, mais uma vez, pelos amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal”, afirmou.

TSE garante segurança do resultado

As declarações de Flávio contrastam com o pronunciamento do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que confirmou a reeleição de Lula e assegurou a segurança do processo eleitoral, apesar das dificuldades operacionais provocadas pela prorrogação da votação.

Nunes Marques reconheceu que a decisão de Zanin, tomada após o horário originalmente previsto para o encerramento do pleito, exigiu medidas extraordinárias da Justiça Eleitoral. Entre elas, o bloqueio temporário do recebimento dos boletins de urna para impedir o acesso aos resultados enquanto a votação permanecia aberta em parte do país.

Segundo o ministro, as equipes técnicas conseguiram contornar as dificuldades, permitindo a retomada da totalização e da divulgação dos votos após as 19h.

“Temos a absoluta segurança de todo o processo eleitoral”, afirmou Nunes Marques.

Com a apuração praticamente concluída, Lula foi declarado matematicamente reeleito para um quarto mandato presidencial, após ultrapassar 64 milhões de votos. O presidente do TSE informou que telefonou aos dois candidatos para comunicar o resultado e parabenizou Flávio pela campanha e pela votação obtida em sua primeira disputa pela Presidência.

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