25/10/26 – http://blogfolhadosertao.com.br -Por Betânia Santana
No domingo(hoje), 158,7 milhões de brasileiros estão aptos a escolher quem vai comandar a nação
Mais do que escolher entre o senador pelo Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro (PL) ou reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está nas mãos do eleitorado a decisão de escolher um projeto de país que avance em conquistas. E é no contraste entre os números celebrados e os abismos que ainda assustam que reside a dimensão da responsabilidade.
Entrar na cabine de votação exige olhar para o Brasil. Nos últimos anos, a economia registrou crescimento médio de 3% ao ano e a recomposição das reservas internacionais para US$ 358 bilhões.
Esse fôlego se refletiu no prato e no bolso da população: o país comemorou a saída do Mapa da Fome da ONU pela segunda vez; registrou o menor índice de extrema pobreza da história e viu o salário mínimo voltar a subir acima da inflação.
A taxa de desocupação despencou para 5,3%, o menor patamar já medido pelo IBGE, enquanto a habitação popular ganhou impulso com quase 2 milhões de moradias contratadas. A Amazônia viu o desmatamento recuar para menos de seis mil quilômetros quadrados.
O sucesso das estatísticas, no entanto, não mascara dores que continuam batendo à porta de milhões de famílias. Se é verdade que o desemprego formal caiu, também é fato que quase 39 milhões de trabalhadores continuam sobrevivendo na informalidade, sem garantias ou proteção social.
A economia respira, mas a vida nas periferias esbarra na falta de estrutura básica: mais de 37% dos brasileiros não têm coleta de esgoto, e o déficit habitacional sufoca cerca de 5,7 milhões de famílias que enfrentam aluguel abusivo ou moradia precária.
Essa mesma dualidade se repete na sala de aula e nas ruas. Houve avanços na alfabetização de adultos e dois terços das crianças conseguem ler e escrever na idade certa, mas 34% dos meninos e meninas chegam ao fim do segundo ano sem dominar a leitura.
Além disso, seis em cada dez bebês continuam sem vaga em creches. No outro extremo, o país assiste ao rápido envelhecimento da população – hoje com mais de 34 milhões de idosos, exigindo respostas para a saúde pública e a previdência.
Na segurança, embora o feminicídio apresente discreta queda e as taxas gerais de violência venham desacelerando, o Brasil ainda convive com a marca de mais de 44 mil mortes violentas por ano. Deter o crime organizado também é urgente.
Votar, portanto, não configura um ato de torcida, nem uma simples escolha de nomes. É um contrato de cobrança. O eleitor carrega o poder e o dever de ponderar o peso dos avanços conquistados e a busca de solução que não pode mais ser adiada.
A democracia entrega a caneta. O rumo do país nos próximos quatro anos será a assinatura que deixará a marca na história.
