25/09/26 – http://blogfolhadosertao.com.br – Por Marina Costa
Os adolescentes estão entre as 30 equipes semifinalistas da 13ª edição do Solve for Tomorrow Brasil
A premiação incentiva estudantes e professores da rede pública a desenvolverem soluções para desafios da sociedade por meio da abordagem STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
“Quando pensamos nas comunidades rurais, indígenas e ribeirinhas, percebemos que muitas vezes o acesso às tecnologias necessárias para identificar parâmetros básicos da qualidade da água é limitado. Existem equipamentos e testes disponíveis, mas eles podem ter um custo elevado ou exigir uma estrutura que nem sempre está próxima dessas populações”, afirma Gustavo.
A partir disso, o grupo decidiu investigar o potencial de recursos naturais para criar uma solução.
Estudos
A ideia surgiu a partir de uma realidade presente no Sertão do Alto do Pajeú, onde a escassez hídrica faz com que muitas comunidades utilizem água armazenada em cisternas e açudes. Sem o acesso facilitado a análises de potabilidade, a população acaba consumindo água sem informações sobre sua qualidade, aumentando os riscos de contaminação.
Para os estudantes, era importante encontrar uma solução que permitisse uma sinalização inicial e visível e democratizasse o acesso ao monitoramento de parâmetros básicos da água.
Na primeira etapa, a equipe pesquisou plantas da Caatinga que poderiam apresentar características úteis para a identificação de contaminantes. Entre as espécies analisadas, a jurema-preta e a catingueira, plantas com alta concentração de taninos, foram selecionadas.
“Com base nos extratos obtidos, eles desenvolveram uma pastilha bioindicadora que apresentou uma alteração na tonalidade da água contaminada, enquanto a água não contaminada permaneceu transparente”, explica o professor orientador do projeto.
Protótipo
O Sertanino envolve conteúdos relacionados à biologia, química, pesquisa científica e experimentação, incluindo desde a identificação de um problema presente na região até o estudo de plantas, a realização de testes, a produção de um protótipo e a preparação para comunicar os resultados da pesquisa.

Alunos durante a pesquisa do projeto | Foto: Samsung/Divulgação
Na etapa de validação do protótipo, os alunos estão comparando os resultados com análises laboratoriais mais avançadas. Para isso, o grupo conseguiu uma parceria com uma universidade de Serra Talhada, também no Sertão do estado. Lá, eles conseguirão testar a sensibilidade da solução em ambiente laboratorial e aprofundar a avaliação de sua uniformidade e funcionamento.
Inspiração e responsabilidade
Para o diretor de ESG e Cidadania Corporativa da Samsung para a América Latina, Helvio Kanamaru, o Sertanino mostra como a investigação científica pode partir da realidade dos estudantes e encontrar inspiração nos recursos disponíveis em seu próprio território para criar soluções para um problema real.
“Ao pesquisar plantas da Caatinga e explorar seu potencial para desenvolver uma solução voltada ao monitoramento da qualidade da água, a equipe conecta conhecimento científico, experimentação e um desafio que pode afetar diferentes comunidades. Esse processo de observar um problema, investigar possibilidades e desenvolver uma solução é parte importante do protagonismo que o Solve for Tomorrow busca estimular”, afirma Kanamaru.
A diretora executiva do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Beatriz Cortese, acredita que a escola transforma questões concretas em oportunidades de investigação e aprendizagem, e o projeto dos alunos de Carnaíba é um exemplo disso.
“Ao estudar espécies da Caatinga para desenvolver uma alternativa de monitoramento da qualidade da água, os estudantes mobilizam diferentes conhecimentos, experimentam, levantam hipóteses e produzem ciência a partir de seu contexto. É esse processo, que articula aprendizagem, protagonismo estudantil e compromisso com o território, que contribui para uma educação capaz de ampliar perspectivas e enfrentar desigualdades”, disse Beatriz Cortese.
Ainda de acordo com o orientador dos adolescentes, eles estão desenvolvendo muita responsabilidade ao longo do trabalho, principalmente porque precisam conciliar as atividades escolares com as etapas da pesquisa. Para Gustavo, é um crescimento que acontece aos poucos e em diferentes aspectos.
