01/09/26 – http://blogfolhadosertao.com.br – Por Betânia Santana
Candidato ao governo de Pernambuco pelo Psol tem dois adversários potentes no páreo
Longe de vender ilusões – sabe da dificuldade de enfrentar dois nomes de peso na política local – a candidatura majoritária serve para pavimentar o terreno para pleitos futuros.
Oficialmente, mantém o discurso de alcançar o segundo turno, sem preferência de adversário. Argumenta que tanto a governadora Raquel Lyra quanto o ex-prefeito João Campos adotam práticas parecidas em pautas centrais, como a da privatização.
Enquadra os dois no mesmo bloco de centro, com raízes nas estruturas tradicionais, e se apresenta como única opção da esquerda.
Ontem, depois de denúncias dos dois candidatos sobre a existência de supostos gabinetes do ódio, e um dia após a divulgação de cartazes apócrifos com ataques a Raquel Lyra, cobrou uma campanha respeitosa.
Diante do tom agressivo, busca ser o contraponto. Repudia ataques anônimos e pede civilidade.
Tenta provar a viabilidade de uma candidatura sem grandes aportes financeiros. E, se fosse eleito hoje, afirma que não seria problema governar diante de uma Assembleia Legislativa sem representantes do Psol.
Aposta na arma que usa há 30 anos, seja nos movimentos sociais ou no parlamento: o diálogo. E reforça que as articulações políticas podem se dar com o debate, sem necessidade de ceder à lógica das velhas alianças.
Tarifa zero
Defensor da tarifa zero no Recife, em Caruaru e Petrolina, Ivan Moraes chegou de ônibus à Rádio Folha. Pretende criar um fundo alimentado por taxa de empresas com mais de 10 funcionários. Vai mudar o contrato. Em vez de pagar por passageiro, vai pagar por viagem. O estado economizaria hoje R$ 400 milhões em subsídios.
Aposta na prevenção
Ivan Moraes quer ser avaliado pelo número de pessoas que deixaram de dar entrada em emergências. A prioridade da saúde pública será a atenção básica nos municípios, prevenindo doenças. Estratégia inclui equipar hospitais e descentralizar serviços.
Combate aos “3 Cs”
Em vez de ações ostensivas nas periferias, Ivan Moraes defende o enfrentamento ao crime organizado no estado, focando nos “3 Cs”: Cabeças (investigar líderes das facções), Cofres (asfixiar os negócios do crime) e Corrupção (tolerância zero na máquina pública).
Renda para os mestres
Ivan Moraes criticou a vulnerabilidade social e a sazonalidade vivida por artistas da cultura popular. Ressaltou o contraste de mestres de maracatu cortando cana e mestras de ciranda trabalhando como domésticas fora das festividades. Propõe um piso salarial e valorização contínua aos guardiões dos saberes tradicionais.
