A corda bamba e o preço da neutralidade da governadora Raquel Lyra

05/08/26   –  http://blogfolhadosertao.com.br  –  Por Betânia Santana

Aceno para lulistas e bolsonaristas também guarda riscos de desagradar a ambos
Eleita em 2022 sob a bandeira da neutralidade, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), descobre diariamente o preço do suprapartidarismo. Ao tentar contemplar lulistas e bolsonaristas na mesma aliança, acumula atritos em ambas as pontas.

O equilibrismo virou rotina, exigindo malabarismos frequentes para sustentar o discurso de governar acima de cores e siglas partidárias. A cobrança cobra fatura nos palanques.

Fatos recentes expõem a fragilidade dessa corda bamba. No domingo, durante a convenção do PSD, o deputado federal Túlio Gadêlha (PSD) vestiu vermelho (cor explorada pelos petistas), puxou o “faz o L” e ofereceu-se como ponte entre o estado e o Palácio do Planalto.

A reação dividiu o público: aplausos entusiasmados de um lado, vaias do outro. A gestora bateu palmas discretamente, recusando-se a reproduzir o gesto característico dos seguidores do presidente Lula (PT).

A aludida ponte “desmoronou” dois dias depois. Na homologação da candidatura de Mendonça Filho (PL) ao Senado, o ambiente vestiu-se de verde e amarelo. Em meio à militância, populares ostentavam a bandeira de Pernambuco estampando a imagem de Raquel Lyra lado a lado com o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL).

A cena evidenciou o impasse estrutural do Palácio das Princesas. No esforço contínuo para agradar a todos, a governadora também corre o risco de desagradar ambos os lados, transformando a almejada estabilidade em fonte de atrito.

Irritação exposta
O presidente do União Brasil e ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, não conseguiu esconder a irritação por ter ficado fora da disputa ao Senado. Não respondeu se vai à convenção da Federação União Progressista hoje e foi ácido sobre a possível presença do deputado Antônio de Rueda (UB): “Ele tem mais o que fazer”.

Ironia fina
Progressistas confirmaram presença do deputado Ciro Nogueira (PP) e ironizaram a resposta de Miguel Coelho: “Ciro vem porque não tem o que fazer”. A convenção, hoje, às 11h, no Pina, será  formal e terá horário rígido devido a outras agendas do deputado.

Dificuldade prevista
Candidato ao Senado pelo PL, o deputado Mendonça Filho lembrou ter sido contrário à federação: “É complexa a convivência de um partido só, imagine juntar dois partidos. Sabia que redundaria em dificuldade enorme, com culturas políticas muito distintas”.

Apoio sem chantagem
O prefeito de Surubim, Cléber Chaparral (UB), registrou que Miguel Coelho não entrou no governo por cargos, mas para ser candidato ao Senado. “Diferentemente de outras pessoas, ele nunca fez chantagem para ninguém”, disse, afirmando que a subida da governadora nas pesquisas se deve também ao apoio de Miguel.

Pernambuco registra menor número de homicídios e crimes contra o patrimônio da série histórica nos sete primeiros meses de 2026

05/o8/26  –  http://blogfolhadosertao.com.br –  Imprensa PE

 

Pernambuco registra menor número de homicídios e crimes contra o patrimônio  da série histórica nos sete primeiros meses de 2026 – Blog do Finfa – A  verdade em forma de notícia

Pernambuco registrou, entre janeiro e julho de 2026, o menor número de Mortes Violentas Intencionais (MVIs) para o período desde o início da série histórica, em 2004. Dados preliminares da Secretaria de Defesa Social (SDS) apontam redução de 232 vítimas em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, o Estado também registrou o menor número de Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs) desde o início da série histórica, iniciada em 2011, com redução de 9.119 ocorrências em comparação com o mesmo período de 2025.

Em relação aos MVIs, de janeiro a julho de 2026, Pernambuco contabilizou 1.636 vítimas, contra 1.868 no mesmo período de 2025, uma redução de 12,4%. Em comparação com 2017, ano com o maior registro da série histórica, quando foram contabilizadas 3.323 vítimas, a queda chega a 50,77%. Os casos de feminicídio também apresentaram redução. Foram registrados 46 crimes entre janeiro e julho de 2026, frente a 57 no mesmo período do ano passado, representando queda de 19,3%.

Já os crimes patrimoniais também alcançaram o menor número de registros para os sete primeiros meses do ano desde o início da série histórica, em 2011. No acumulado do ano, o Estado contabilizou 16.264 CVPs, uma redução de 9.119 ocorrências, equivalente a uma queda de aproximadamente 36% em comparação com o mesmo período de 2025. O resultado representa uma redução de aproximadamente 78% em relação a 2017, ano com o maior número de registros da série histórica, quando Pernambuco contabilizou 73.952 boletins de ocorrência de CVP nos sete primeiros meses.

“Além dos resultados acumulados no ano, julho também registrou a melhor semana da série histórica de Mortes Violentas Intencionais, com 34 vítimas em sete dias. É um resultado que evidencia a dedicação integrada das nossas forças de segurança e nos motiva a seguir trabalhando para consolidar e ampliar esses avanços”, afirmou o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho.

Fotos: Miva Filho/Acervo Secom e Hesíodo Góes/Secom

 

Em Salgueiro: PRF apreende grande quantidade de motos em situação irregular

05/08/26  –  http://blogfolhadosertao.com.br –  Com informações de  Chico Gomes

PRF apreende várias motos durante blitz em Salgueiro

A Polícia Rodoviária Federal (PRF)  apreendeu um grande número de  motocicletas nesta segunda-feira, 3, durante blitz realizada na BR-232, próximo ao Ginásio Poliesportivo Francisco Torres, no perímetro urbano de Salgueiro.

Os policiais  realiaram a operação nas proximidades do posto da PRF – localizado  no cruzamento das BRs 232 e 116,  local com alto fluxo de veículos que dá a Salgueiro o apelido de ‘Encruzilhada do Nordeste’.

Durante a fiscalização  os policiais focaram principalmente motocicletas, que lideram as estatísticas de acidentes com vítimas fatais nas rodovias.

A maioria dos veículos  apreendidos eram  conduzidas por pessoas sem habilitação ou com irregularidades, como falta de licenciamento, ausência de placa ou modificações nos elementos identificadores.

Em Goiana: Prefeitura  realiza Campanha de Multivacinação para crianças e adolescentes menores de 15 anos

04/08/26  – http://blogfolhadosertao.com.br  –  Ascom PMG

 

Prefeitura de Goiana realiza Campanha de Multivacinação para crianças e adolescentes  menores de 15 anos

A Prefeitura de Goiana, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, iniciou a Campanha de Multivacinação, que segue até o dia 1º de setembro. O objetivo da mobilização é atualizar a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes menores de 15 anos, ampliando a cobertura vacinal e garantindo a proteção desse público contra diversas doenças.

A campanha busca identificar pessoas com vacinas em atraso e completar os esquemas de imunização, reforçando a importância da vacinação como a forma mais segura e eficaz de evitar o surgimento de novos surtos de doenças.

A vacinação está sendo realizada em todas as unidades de saúde da Sede e dos Distritos, das 9h às 16h. Nas unidades que já possuem atendimento estendido, a aplicação das vacinas continuará disponível até às 19h, oferecendo mais comodidade aos pais e responsáveis que trabalham em horário comercial. Além disso, para intensificar a ação, no dia 22 de agosto será realizado o Dia D de mobilização, com as Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Goiana funcionando em horário especial, das 8h às 16h.

Durante a campanha, estão disponíveis os imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação, incluindo vacinas contra Dengue, HPV, Covid-19, Influenza, Febre Amarela, Tríplice Viral, Pentavalente, VIP, Rotavírus, Pneumocócica, Meningocócica, DTP, Varicela, dTpa, dT e Hepatite B.

Para receber o atendimento, os pais ou responsáveis devem procurar a unidade de saúde mais próxima levando a caderneta de vacinação da criança ou do adolescente, além de um documento de identificação, como CPF ou Cartão do SUS.

Os profissionais de saúde irão avaliar a situação vacinal e aplicar apenas as doses indicadas para cada faixa etária, conforme as orientações do Calendário Nacional de Vacinação.

Gonzaga Patriota presente na convenção de João Campos

04/08/26  –  http://blogfolhdosertao.com.br/  Ascom Assessoria
Presente na Convenção Estadual do PSB, em Recife-PE, um importante momento de diálogo, fortalecimento de ideias e construção coletiva para o futuro de Pernambuco. Foi uma oportunidade de reencontrar grandes lideranças, fortalecer
O ex-deputado federal Gonzaga Patriota (foto ao lado da esposa Rocksana) participou da  convenção estadual do PSB, em Recife-PE, que homologou o nome do ex-prefeito do Recife, João Campos como candidato a governador de Pernambuco, pelo PSB.
Militante histórico e  dirigente do PSB de Petrolina,  Patriota  considerou o ato  festivo  e político  como “um importante momento de diálogo, fortalecimento de ideias e construção coletiva para o futuro de Pernambuco”.
‘Foi uma oportunidade de reencontrar grandes lideranças, fortalecer parcerias e reafirmar o compromisso com uma política séria, responsável e voltada para as pessoas” ressaltou Gonzaga Patriota, afirmando: ” deguimos trabalhando por um futuro de mais desenvolvimento, justiça social e oportunidades para todos”.

Após Convenções, Raquel Lyra e João Campos enfrentam campanha acirrada e imprevisível

04/08/26    –  http://blogfolhadosertao.com.br – Por Terezinha Nunes

Pesquisas Quaest e Datafolha publicadas na semana que passou mostram vantagem numérica da governadora, mas cenário é de empate técnico

“A eleição em Pernambuco permanece aberta e tecnicamente empatada”, disse o diretor da Quaest, Felipe Nunes, ao Jornal do Commercio, sobre o mais novo levantamento do instituto à respeito da disputa pelo Governo do Estado, publicado esta terça-feira, que mostrou a governadora Raquel Lyra (PSD) com 43% das intenções de voto e o ex-prefeito João Campos (PSB) com 37%.

Entre o levantamento do mesmo instituto feito em abril e o de agora, a governadora cresceu 9 pontos e João caiu 5 pontos. Apesar disso, como a margem de erro da pesquisa é de 3 pontos, para mais ou para menos, a Quaest considera que há um empate técnico.

O mesmo foi observado na pesquisa do Datafolha, contratada pela TV Tribuna e divulgada esta sexta-feira na qual a governadora também está na frente com 48% das intenções de voto e João Campos tem 43%, com uma diferença de cinco pontos entre eles, também dentro da margem de erro.

O cenário do Datafolha mostrou estabilidade comparado com a pesquisa de maio. Raquel continuou com 48% e João caiu um ponto de 43 para 42%. Se a eleição fosse hoje a governadora teria entre 45 e 51% dos votos, podendo vencer no primeiro turno, e João entre 45 e 39%. O aumento da aprovação da governadora foi considerado significativo na Quaest. Ela tinha 62% de aprovação em abril e agora tem 68%.

Há motivos para comemoração? Certamente. Que o digam seus correligionários mas a campanha só vai ter início após a homologação das candidaturas pela Justiça Eleitoral e há muito a enfrentar até o dia da eleição pelos dois principais concorrentes.

Comícios, debates, inserções nas redes sociais e a propaganda eleitoral gratuita podem mudar muita coisa de forma que, além do empate técnico das pesquisas, nada está ainda definido e o embate promete esquentar e desafiar a capacidade dos dois para ganhar a confiança de eleitores nem sempre dispostos a ouvir o que dizem os políticos, mesmo os mais bem avaliados.

O trabalho de Raquel e o fator Lula

A governadora tem a seu favor na conquista dos eleitores o trabalho que realiza em todas as regiões e que já está garantindo uma grande diferença a seu favor no interior do Estado.

João Campos tem a mostrar o trabalho realizado como prefeito do Recife e já batizou sua chapa de “time de Lula” com o objetivo de ganhar maior apoio dos lulistas também disputados por Raquel através do voto Luquel que ficou famoso na eleição de 2022. A disputa por Lula é mais um capítulo da eleição deste ano.

Segundo o Datafolha 36% dos pernambucanos dizem votar com certeza em candidato de Lula e 20% dizem que “talvez votariam”, já 40% não votariam de jeito nenhum, ou seja 60% dos eleitores podem votar em candidato do presidente. Nesse quesito, ao contrário de eleições anteriores, Raquel conseguiu de alguma forma neutralizar a disputa no meio do lulismo, embora João ainda permaneça bem na frente.

O poder de cada um

A cientista política Priscila Lapa registra que “ a disputa se encontra muito equilibrada, apesar da vantagem alcançada pela governadora ao potencializar a avaliação positiva de sua administração. Essa variável ainda continua sendo muito relevante, apesar dos elementos ideológicos que orientam, de forma geral, os eleitores.

Mesmo sem estar à frente da máquina municipal, João conseguiu consolidar no eleitorado a imagem de bom gestor com capacidade de fazer entregas, porém, tem em seu colo a rejeição à gestão do PSB, notadamente do último ciclo de Paulo Câmara. Inevitavelmente haverá a comparação passado x presente”.

Por outro lado – adianta – quando se trata de contextualizar a disputa à luz do cenário nacional a fórmula da neutralidade aplicada por Raquel em 2022 pode não ter o mesmo efeito este ano, levando o eleitor de Lula a optar por João”.

Ela chama atenção também sobre as falhas nas gestões da governadora e do ex-prefeito: “há sempre lacunas e promessas que não saíram do papel e podem colocar em xeque a capacidade de ambos”.

Empate técnico é um alerta

Já o cientista politico Felipe Ferreira Lima afirma que “o empate técnico não é um placar, é um alerta para os dois lados pois com 40% do eleitorado ainda podendo mudar o voto, quem procurar administrar suposta vantagem no caso de disputar voto a voto vai se dar mal. É hora dos dois buscarem ser eleitoralmente proativos em suas estratégias”.

Para ele “Raquel tem 68% de aprovação do seu governo mas essa aprovação deve ser encarada como combustível, não em conversão automática de votos. O desafio dela, ao meu ver, é converter gestão em campanha e isso ainda não está garantido.

Já o ex-prefeito João Campos saiu da vitrine da Prefeitura e perdeu protagonismo digital e narrativo. Para equilibrar a disputa, ele precisa mostrar projeto de estado, não viver de nostalgia do Recife, e solidificar a idéia de ser ele o apoio único de Lula no Estado”.

Dois homens são detidos pela PRF com 450 kg de cocaína na BR-232, em Salgueiro

04/08/26 –  http://blogfolhadosertao.com.br –    Por G1

Dois homens são detidos pela PRF com 450 kg de cocaína na BR-232, em Salgueiro

Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu uma carga com 450 kg de cocaína em pasta base nesta segunda-feira (3). A ação ocorreu na BR-232, em Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, durante a Operação Duas Rodas. Dois homens que faziam o transporte do material foram detidos.

Os policiais abordaram uma caminhonete de luxo na rodovia, e o motorista entrou em contradição sobre o motivo da viagem. Em seguida, ele admitiu que estava fazendo a escolta de um segundo veículo carregado com entorpecentes.

A equipe da PRF realizou buscas na região e localizou a outra caminhonete de luxo. Ao abrir o compartimento de carga, os agentes encontraram centenas de tabletes da droga.

De acordo com a corporação, os suspeitos informaram que haviam saído do Tocantins. Eles disseram que não sabiam qual era o destino final da carga e que recebiam as coordenadas do percurso ao longo da viagem.

A dupla e o material apreendido foram levados para a Delegacia da Polícia Federal em Salgueiro. Os homens poderão responder pelo crime de tráfico de drogas, que prevê pena de cinco a 15 anos de reclusão.

Obras da Transnordestina podem começar em janeiro, afirma superintendente da Sudene

04/08/26 –  http://blogfolhadosertao.com.br     –  Por Vitória Floro

Com obras físicas ainda embargadas, Francisco Ferreira destacou um caminho de negociação com o TCU
A Ferrovia Transnordestina voltou ao centro do debate na assembleia extraordinária realizada pela Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), na manhã desta segunda-feira (3). No evento, o Superintendente da Sudene, Francisco Ferreira, destacou a possibilidade do início das obras em janeiro.”A gente avalia que em janeiro, possivelmente, vamos começar. Aí, sim, botar o que tem de botar e instalar o canteiro de obras na estrada. Até lá, devemos orar e vigiar, para pedir aos santos que nos ajudem e cobrar, para mobilizar”, ressaltou o superintendente.

No começo de julho, o Tribunal de Contas da União (TCU) já havia acolhido parcialmente os embargos de declaração apresentados pela Advocacia-Geral da União (AGU) e pela Infra S.A. para o retorno das licitações no trecho Salgueiro–Suape da Ferrovia Transnordestina.

Apesar disso, o início das obras físicas na ferrovia pernambucana segue travado pelo tribunal.

Ferreira afirmou que deverá encontrar o ministro do TCU e relator da ação, Jhonatan de Jesus, ainda na próxima semana para tentar acelerar o processo de liberação das obras.

“Estarei novamente trazendo para conversa com o ministro essa questão do tempo, já que ele decidirá e editará a nova nota. Vou conversar sobre a importância da estrada para o estado e tudo o que ela justifica”, explicou.

O entrave envolvendo o trecho pernambucano da Transnordestina teve início em maio, quando o TCU determinou a suspensão de novos compromissos financeiros para a retomada das obras entre Salgueiro e o Porto de Suape.

Na ocasião, o tribunal entendeu que o projeto não estava acompanhado de estudos atualizados capazes de demonstrar a viabilidade econômica e social do investimento, além de apontar a necessidade de aprofundamento das análises técnicas, ambientais e operacionais.

Desde então, o governo federal e a Sudene passaram a trabalhar para atender às exigências da Corte. Em junho, foi encaminhado ao tribunal um estudo sobre o trecho Salgueiro-Suape que, segundo a autarquia, estimou em R$ 4,7 bilhões o retorno social da ferrovia, considerando os impactos sobre emprego, renda e desenvolvimento regional.

O documento integra os argumentos apresentados para defender a retomada do empreendimento. Apesar do avanço das tratativas, o processo segue sem uma decisão definitiva sobre o início da execução da obra.

A Ferrovia Transnordestina voltou ao centro do debate na assembleia extraordinária realizada pela Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), na manhã desta segunda-feira (3). No evento, o Superintendente da Sudene, Francisco Ferreira, destacou a possibilidade do início das obras em janeiro.
“A gente avalia que em janeiro, possivelmente, vamos começar. Aí, sim, botar o que tem de botar e instalar o canteiro de obras na estrada. Até lá, devemos orar e vigiar, para pedir aos santos que nos ajudem e cobrar, para mobilizar”, ressaltou o superintendente.No começo de julho, o Tribunal de Contas da União (TCU) já havia acolhido parcialmente os embargos de declaração apresentados pela Advocacia-Geral da União (AGU) e pela Infra S.A. para o retorno das licitações no trecho Salgueiro–Suape da Ferrovia Transnordestina.

Apesar disso, o início das obras físicas na ferrovia pernambucana segue travado pelo tribunal.

Ferreira afirmou que deverá encontrar o ministro do TCU e relator da ação, Jhonatan de Jesus, ainda na próxima semana para tentar acelerar o processo de liberação das obras.

“Estarei novamente trazendo para conversa com o ministro essa questão do tempo, já que ele decidirá e editará a nova nota. Vou conversar sobre a importância da estrada para o estado e tudo o que ela justifica”, explicou.

O entrave envolvendo o trecho pernambucano da Transnordestina teve início em maio, quando o TCU determinou a suspensão de novos compromissos financeiros para a retomada das obras entre Salgueiro e o Porto de Suape.

Na ocasião, o tribunal entendeu que o projeto não estava acompanhado de estudos atualizados capazes de demonstrar a viabilidade econômica e social do investimento, além de apontar a necessidade de aprofundamento das análises técnicas, ambientais e operacionais.

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Gestão, renovação e alianças: o que as convenções revelam sobre a corrida pelo Governo de PE

04/08/26   –  http://blogfolhadosertao.com.br –  Por Eliane Guimarães

As narrativas adotadas por Raquel e João durante as respectivas convenções partidárias, segundo análise do cientista político Bhreno Vieira, reforçam atributos distintos

Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB)/Karol Rodrigues e Maurício Ferry/DP Foto

Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) (Karol Rodrigues e Maurício Ferry/DP Foto)

 

A disputa acirrada entre as candidaturas de Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) pelo governo de Pernambuco ganhou um novo capítulo após a realização das convenções partidárias no último final de semana. Os respectivos eventos oficializaram as costuras políticas realizadas ao longo dos meses que os antecederam e apresentaram o tom a ser adotado durante a campanha eleitoral.

Enquanto a governadora se apoiou nas entregas institucionais e críticas à gestão anterior, João usou o tempo à frente da prefeitura do Recife, como também a ligação direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As narrativas adotadas pelos dois candidatos, segundo análise do cientista político Bhreno Vieira, reforçam atributos distintos. Para ele, o grupo governista tende a ressaltar as entregas administrativas, ampliação da base municipal e capacidade de execução de políticas públicas; em contraponto, a posição explora um discurso de renovação estadual. “O foco deixa de ser a montagem da chapa e passa a ser a disputa pela definição da agenda pública da eleição”, salienta.

Para o cientista político, parte do discurso da governadora de Pernambuco mobiliza três eixos centrais: valorização das entregas da gestão; construção da imagem de uma governadora que enfrentou resistências políticas e institucionais para implementar mudança; e contraposição entre um modelo de gestão orientado por resultados e práticas políticas associadas ao passado.

“Essa estratégia busca deslocar o debate do campo estritamente eleitoral para uma avaliação retrospectiva do governo, reforçando a legitimidade da candidatura à reeleição e procurando transformar a condição de incumbente em vantagem política”, pontua.

Ainda de acordo com Vieira, boa parte das falas de João Campos são uma tentativa de ampliação da identidade construída durante as gestões da cidade do Recife, com escalonamento para a esfera estadual. “Em vez de apresentar apenas resultados municipais, o discurso busca demonstrar capacidade de gestão replicável para Pernambuco”, analisa.

Além disso, a narrativa do ex-prefeito do Recife reforça uma associação, para além do institucional, com o presidente Lula, “especialmente diante da disputa pelo eleitorado de centro-esquerda e da importância do PT na composição da chapa. Essa aproximação procura agregar capital político nacional sem descaracterizar a identidade regional da candidatura”.

As alianças também foram exploradas durante as duas convenções. Conforme Bhreno Vieira, os acordos ampliam a infraestrutura eleitoral.

“Na Região Metropolitana, onde a comunicação de massa e a exposição dos candidatos possuem maior peso, lideranças estaduais e nacionais tendem a reforçar a identidade das chapas. No interior, entretanto, prefeitos, ex-prefeitos, deputados e lideranças municipais desempenham papel mais decisivo na mobilização eleitoral. Funcionando como cabos eleitorais, explicou em entrevista ao Diario.

Escolha para o Senado

Diferente de João Campos, Raquel Lyra definiu a chapa majoritária às vésperas da convenção partidária, após a disputa entre Eduardo da Fonte (PP) e Miguel Coelho (União) se arrastar por semanas. A escolha pelo deputado, segundo Breno Vieira, reúne vários fatores.

“Eduardo da Fonte controla o Progressistas em Pernambuco e tornou-se uma das principais lideranças da Federação União Progressista no estado, o que fortalece sua posição nas negociações da chapa majoritária”, salienta.

Vieira também ressalta que o PP possui uma rede significativa de prefeitos, deputados e lideranças distribuídas em diferentes regiões do estado, “o que amplia sua capacidade de mobilização territorial”.

“A escolha [de Eduardo da Fonte] pode ser interpretada como resultado da combinação entre força organizacional da federação e busca por maior capilaridade regional, e não apenas como consequência do controle partidário.”

Sobre os efeitos gerados pela escolha da governadora, como uma possível debandada de prefeitos ou aliados, o cientista político reforça que ainda é cedo para mensurar esses impactos definitivos. “Esse efeito dependerá da capacidade de acomodação dos interesses regionais e da manutenção do engajamento das principais lideranças do grupo durante a campanha.”

 

Artigo: Sem governança e dados confiáveis, a IA é apenas uma alegoria

04/08/26  – http://blogfolhadosertao.com.br –   Por Ticiana Amorim *

Jornal O candeeiro | ARTIGO - SEM GOVERNANÇA E DADOS CONFIÁVEIS, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL É APENAS ALEGORIA = Por Ticiana Amorim

A discussão sobre inteligência artificial tem começado pelo lugar errado. Enquanto empresas disputam quem adota primeiro agentes autônomos, copilotos e modelos generativos, o ponto crucial continua sem resposta: os dados que alimentarão essas tecnologias são realmente confiáveis?

A resposta parece estar no centro do desafio enfrentado pelas organizações. Embora a IA tenha se tornado prioridade estratégica em praticamente todos os setores, a estrutura necessária para que ela gere valor ainda está longe de acompanhar esse ritmo.

Esse descompasso já aparece nos indicadores do mercado. Uma pesquisa recente do Gartner revelou que 63% das organizações não possuem, ou sequer sabem se possuem, práticas adequadas de gestão de dados para IA. A consultoria também estima que, até 2026, 60% dos projetos de IA serão abandonados justamente por não contarem com dados preparados para alimentar essas iniciativas. O problema, portanto, não está na tecnologia, mas na base que deveria sustentá-la.

É comum que empresas iniciem sua jornada pelo questionamento errado: qual ferramenta de IA devemos adotar? A pergunta mais importante deveria ser outra: nossos dados estão preparados para gerar respostas confiáveis? A inteligência artificial não cria conhecimento onde ele não existe. Ela identifica padrões, interpreta informações e acelera decisões a partir dos dados que recebe. Quando essa matéria-prima é incompleta, inconsistente ou descentralizada, a IA apenas automatiza erros que já faziam parte da operação, agora em uma velocidade muito maior.

Durante anos, a governança de dados foi tratada como uma iniciativa burocrática, muitas vezes associada apenas à conformidade regulatória ou à LGPD, mas esse cenário mudou. Na era da IA, mais do que uma obrigação administrativa, ela é um requisito estratégico.

Isso significa saber onde cada informação está armazenada, quem pode acessá-la, qual é sua origem, quando foi atualizada e se pode, de fato, ser utilizada para apoiar decisões críticas. Sem esse nível de controle, qualquer resposta produzida por uma IA passa a carregar um grau elevado de incerteza. Por isso, falar em inteligência artificial também é falar em infraestrutura de dados. Integração entre sistemas, governança e qualidade da informação são fatores tão importantes quanto o próprio modelo de IA.

No setor financeiro, essa realidade se torna ainda mais evidente. Processos como prevenção à fraude, análise de risco, autenticação de usuários, onboarding digital e personalização de serviços dependem de informações precisas e disponíveis em tempo real. Uma IA alimentada por dados inconsistentes, além de comprometer a experiência do cliente, pode ampliar riscos operacionais, regulatórios e financeiros.

A própria evolução do mercado aponta nessa direção. Segundo outra pesquisa do Gartner, a disponibilidade e a qualidade dos dados figuram entre os principais obstáculos para a implementação da IA, independentemente do nível de maturidade das organizações. Isso mostra que o desafio deixou de ser o acesso aos modelos de IA, hoje amplamente disponíveis, e passou a ser a capacidade de utilizá-los sobre uma base sólida. Afinal, a tecnologia tende a se tornar cada vez mais acessível. O verdadeiro diferencial competitivo continuará sendo aquilo que não pode ser adquirido em uma assinatura mensal: uma estrutura de dados confiável, governada e integrada.

Antes de perguntar qual IA implementar, talvez seja hora de fazer uma reflexão mais estratégica: nossa empresa sabe onde estão seus dados, quem é responsável por eles e se eles realmente podem sustentar decisões automatizadas? Porque, no fim das contas, a inteligência artificial não substitui uma estratégia de dados, ela apenas potencializa aquilo que já existe. Quando a base é sólida, multiplica eficiência, inovação e produtividade. Quando não é, multiplica erros com aparência de inteligência. Sem governança e dados confiáveis, a IA corre o risco de permanecer apenas como uma alegoria tecnológica: sofisticada no discurso, mas incapaz de gerar valor na prática.

*Ticiana Amorim é CEO e fundadora na Aarin, a techfin do Grupo Bradesco. Comunicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia, fundou a Aarin após o exit como sócia da ZigPay, a maior fintech do mundo. É reconhecida como uma das principais vozes femininas em Embedded Finance no Brasil.

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