08/05/26 – http://blogfolhadosertao.com.br – Ascom Univaf
![]() Professora Karla Daniele e o cantor Ivan Greg. |
“Balanço Dá” é o nome da música de autoria de Karla Daniele Maciel Luz, docente do Colegiado de Psicologia da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e coordenadora do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI). Na voz do cantor Ivan Greg em ritmo de forró, a canção é uma homenagem ao filho da docente, uma criança autista de nível dois de suporte, que usa o balançar como forma de autorregulagem para se acalmar em situações de estresse.
A canção está disponível em todas as plataformas de música e no Youtube no canal de Ivan Greg. Balançar em crianças autistas é uma forma de estereotipia (ou stimming), um comportamento repetitivo usado para autoestimulação e autorregulação. Esse movimento, seja no corpo ou em balanços físicos, ajuda a criança a se acalmar em situações de ansiedade, sobrecarga sensorial ou para expressar emoções intensas, organizando o sistema nervoso. Na música, “balançar” é retratado de forma alegre e divertida, como forma de descontração.
Produzida no dia 29 de março, um domingo à noite, a canção foi escrita em um momento em que Karla foi inspirada por seu filho, no ato dele de se balançar e balançá-la para se acalmar. “A música foi uma composição feita em um momento de intensidade do meu filho”, comenta a docente.
A ideia de convidar Ivan Greg para dar voz à letra veio de um incentivo do próprio cantor de fazer com que Karla começasse a compor. “Ele é um gigante artista aqui do Sertão e um grande amigo. Certa vez quando estávamos indo fazer uma apresentação cultural que fazemos juntos, ele me perguntou por que eu não me arriscava a compor. Eu me lembro de ter sorrido e dito que jamais conseguiria compor uma música”, relembra.
Para Karla, a música representa a capacidade de mães e pais poderem criar, elaborar e sentir para ajudarem seus filhos, sejam eles autistas ou não. “Todos nós temos uma história com o verbo ‘balançar’. A música nos permite olhar para essa ação de crianças autistas e compreender que a partir deles nossa humanidade mais ética e coletiva é convocada. Autistas balançam, porém todos nós balançamos também”.
