Pernambucanos participam da discussão sobre sistema eleitoral e defendem mudança no peso do voto

29/10/26 – http://blogfolhdosertao.com.br –   Por Betânia Santana

Augusto Coutinho e João Campos se reuniram com o presidente da Câmara para debater o voto distrital
O sistema eleitoral brasileiro revela distorções: candidatos votados ficam de fora, enquanto outros, com expressividade irrisória, garantem vaga puxados pela legenda.

É essa engrenagem desconectada do cidadão que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Rep-PB), recolocou em discussão, atendendo a apelo de líderes partidários de centro.

Pernambuco teve presenças estratégicas: o presidente nacional do PSB, João Campos, e o líder da bancada do Republicanos, Augusto Coutinho.

Coutinho está disposto a correr atrás de votos para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece um modelo misto em 2030: metade das vagas para os mais votados nos estados e metade por lista partidária.

A partir de 2034, voto distrital puro, dividindo o eleitorado em distritos para escolha direta de uma parcela dos parlamentares. “Buscamos um processo mais justo. No sistema misto, o eleitor sabe quem o representa e os partidos ganham vida programática real”, enfatizou Coutinho.

Em entrevista ao Roda Viva, o economista, pesquisador e fundador do Instituto Ideia, Maurício Moura, reforçou o valor da mudança: “Sou fã do voto distrital.

Ele aproxima a população de seus representantes. Hoje, as pessoas decidem o voto na hora e esquecem em quem votaram. O modelo distrital gera equilíbrio entre as demandas regionais e o debate nacional, exigindo maior prestação de contas do eleito”, avalia Moura.

O desafio é conquistar a adesão do PL – que fez a maior bancada da Casa, com 121 deputados – e da Federação PT, PV e PCdoB. Sem esse apoio, o plano de modernizar a representação política continuará paralisado.

Primeira mulher eleita como vice-prefeita do Recife, a secretária de Trabalho e Qualificação Profissional da capital, Isabella de Roldão, anunciou pelas redes sociais o encerramento de sua atuação na vida pública, após 16 anos na política. “Os ciclos precisam ser encerrados.  Isso aqui não pode ser uma aventura”, registrou.

Sem questionamentos
Partidos como PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT reprovaram a fuga de Flávio Bolsonaro e refutaram interferência estrangeira no processo democrático do Brasil. Avante, MDB, PSDB e União Brasil também defenderam o resultado das eleições do domingo.

O deputado Renato Antunes (Novo), apoiador de Flávio Bolsonaro a presidente, discorda da fuga dele do Brasil. “Eu não iria, mas não julgo.” Alega que o senador deve ter-se sentido ameaçado e pensou na família. “Perdemos a chance de pacificar o país”, lamenta.

Orçamento participativo
Ex-prefeito do Recife, o deputado João Paulo Lima (PT) vibrou com o discurso do presidente Lula após a reeleição, domingo. Ele prometeu mudar a forma de governar, ampliando o contato direto com a população. “Torço para que ele implante o orçamento participativo.” OOP surgiu na primeira gestão de João Paulo, em 2001.

 

Deixe um comentário