05/10/26 – http://blogfolhadosertao.com.br – Por Adriana Guarda
Quatro em cada dez deputados eleitos são novos em relação a 2022. PSD e PSB terão as maiores bancadas da Alepe, com nove cadeiras cada

A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) terá uma renovação de 41% na próxima legislatura, de 2027 a 2030. Dos 49 deputados estaduais eleitos neste domingo (4), 20 não integravam a bancada escolhida há quatro anos. Isso significa que, de cada dez parlamentares eleitos, quatro são novos e seis conseguiram renovar seus mandatos. Além da mudança de nomes, as urnas provocaram uma redistribuição das forças partidárias, com o crescimento das legendas que apoiaram a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), eleita no 1º turno com mais de 53% dos votos.
A renovação foi menor do que a registrada nas eleições de 2022, quando chegou a 51%. Naquela disputa, apenas 24 deputados conseguiram renovar seus mandatos, enquanto as outras 25 cadeiras ficaram com novos integrantes ou ex-parlamentares que retornaram à Assembleia. Desta vez, 29 dos eleitos há quatro anos conquistaram novamente uma vaga, embora alguns tenham mudado de partido.
A renovação, entretanto, não significa a chegada de 20 estreantes à política. Entre os novos integrantes da bancada estão políticos experientes, como André Ferreira (PL), Maria Arraes (PSB) e Sebastião Oliveira (Avante), que já exerceram mandatos na Câmara dos Deputados, além de Roberta Arraes (PP), que retorna à Assembleia Legislativa.
A maior votação entre os deputados estaduais ficou com Dani Portela (PT), que recebeu 146.123 votos. Eleita pelo PSOL em 2022, quando obteve 38.215 votos, a parlamentar quase quadruplicou sua votação e conquistou a primeira colocação. Gilson Machado Filho (Podemos), com 132.322 votos, e André Ferreira (PL), com 118.868, completam a lista dos três mais votados.
PSD cresce e divide liderança com o PSB
A principal mudança na distribuição das cadeiras ocorreu no PSD, partido da governadora Raquel Lyra. A legenda, que não havia elegido deputados estaduais em Pernambuco em 2022, conquistou nove vagas e dividirá com o PSB, de João Campos, a condição de maior bancada da Assembleia.
O PSB, por sua vez, perdeu quatro cadeiras em comparação com a eleição anterior, quando havia elegido 13 representantes na composição definitiva da bancada. Apesar da redução, manteve uma posição de destaque no Legislativo estadual.
Outro partido que avançou foi o Podemos, que saiu de nenhuma cadeira em 2022 para seis na nova composição. O PP terá sete deputados, um a menos que na eleição anterior. Já o PT aumentou sua representação de três para cinco parlamentares.
Entre as maiores perdas estão as do União Brasil, que passou de cinco para apenas um deputado, e as do Solidariedade, que perdeu as quatro cadeiras conquistadas em 2022. O PSDB, que havia elegido três representantes, também ficará sem bancada. O PL reduziu sua representação de cinco para três deputados.
Parte dessas mudanças, entretanto, é resultado da migração de parlamentares entre legendas. Por isso, o crescimento de determinados partidos não representa, necessariamente, a chegada de novos políticos à Assembleia.
Aliados de Raquel ficam a uma cadeira da maioria
A nova composição da Alepe também aponta para o fortalecimento dos partidos que integraram a coligação de Raquel Lyra na disputa pelo Governo de Pernambuco. Juntos, PSD, PP, Podemos, União Brasil e Avante elegeram 24 deputados estaduais, ficando a apenas uma cadeira da maioria absoluta da Casa, formada por 25 parlamentares. Durante seu primeiro mandato, a governadora enfrentou vários embates na Alepe – e com o presidente Álvaro Porto (MDB) -, encontrando resistência para aprovar projetos do governo.
Na eleição de 2022, essas mesmas legendas haviam conquistado 13 cadeiras. O avanço para 24 representa um crescimento de 11 deputados, embora a composição das alianças políticas tenha mudado significativamente ao longo dos últimos quatro anos.
Do outro lado, os partidos que integraram a aliança de João Campos elegeram 21 deputados. O PSB terá nove representantes, seguido pelo PT, com cinco; PV, com três; MDB, com dois; e Republicanos e PCdoB, com um deputado cada.
As quatro cadeiras restantes serão ocupadas por três deputados do PL e um do Novo. Embora não tenha integrado formalmente a coligação da governadora, o Novo declarou apoio à sua reeleição. Se considerada também essa legenda, o campo partidário que apoiou Raquel alcança 25 cadeiras, exatamente a maioria absoluta da Assembleia.
A vantagem numérica, entretanto, não significa que a governadora terá automaticamente o apoio de todos esses parlamentares nas votações. Da mesma forma, deputados eleitos por legendas que apoiaram João Campos poderão integrar a base governista.
O desafio de Raquel será transformar a força partidária conquistada nas urnas em uma maioria capaz de aprovar projetos e assegurar sustentação política ao Executivo. A formação da base parlamentar, a escolha da futura Mesa Diretora e a articulação entre os diferentes grupos políticos serão determinantes para a relação entre o governo e a Assembleia.
Mulheres ampliam participação
A nova composição também apresenta um crescimento da representação feminina. Oito mulheres foram eleitas deputadas estaduais, contra seis na eleição de 2022. A participação feminina passará de 12,2% para 16,3% das cadeiras.
Dani Portela (PT), Lara Santana (PV), Maria Arraes (PSB), Débora Almeida (PSD), Gleide Ângelo (PP), Professora Ivete Caetano (PT), Andréa Medeiros (PSD) e Roberta Arraes (PP) integrarão a próxima legislatura.
Apesar do crescimento, a presença feminina continuará bastante inferior à masculina. Dos 49 deputados eleitos, 41 são homens, o equivalente a 83,7% da Assembleia. Entre os destaques da eleição estão Dani Portela, a mais votada do estado, e Lara Santana, que conquistou a quarta maior votação, com 104.650 votos.
Com a renovação de quatro em cada dez cadeiras, a ampliação da bancada feminina e a redistribuição do poder entre os partidos, a Assembleia que emerge das urnas terá uma configuração diferente da atual. A principal mudança política, porém, está no fortalecimento das legendas ligadas à governadora, que iniciará a próxima legislatura em condições mais favoráveis para negociar sua base de sustentação.
Confira a lista de deputados eleitos em Pernambuco:
- 1. Dani Portela (PT) – 146.123
2.Gilson Machado Filho (Podemos) – 132.322
3.André Ferreira (PL) – 118.868
4.Lara Santana (PV) – 104.652
5.Gustavo Gouveia (Podemos) – 88.742
6.Francismar (PSB) – 81.502
7.Rodrigo Farias (PSB) – 79.569
8.Eriberto Filho (PSB) – 78.070
9.João Paulo do PT (PT) – 77.550
10. Maria Arraes (PSB) – 75.888
11. Pastor Júnior Tércio (PP) – 75.534
12.Batista Cabral (PSB) – 73.907
13.Joãozinho Tenório (PSD) – 73.761
14.Antonio Coelho (União) – 72.372
15.Antonio Moraes (PSD) – 67.808
16.Janjão (PSD) – 67.479
17.Bruno Marques (PSB) – 67.376
18.Jobson Almeida (Republicanos) – 66.002
19.Débora Almeida (PSD) – 64.748
20.João de Nadegi (PV) – 64.476
21.Aglailson Victor (PSD) – 63.834 - 22.Gleide Ângelo (PP) – 63.687
23. Professora Ivete Caetano (PT) – 63.033
24.Romerinho Jatobá (PSB) – 61.415
25.Cayo Albino (PSB) – 60.753
26.Sileno (PSB) – 60.546
27. France Hacker (PP) – 60.535
28.Coronel Feitosa (PL) – 58.813
29.Dannilo Godoy (PP) – 57.153
30.Kaio Maniçoba (PP) – 56.560
31.Fábio Aragão (PSD) – 54.768
32.João Paulo Costa (PT) – 54.256
33.Álvaro Porto (MDB) – 53.473
34.Adalto Santos (PP) – 51.540
35.Joaquim Lira (PV) – 50.770
36.Jarbas Filho (PSD) – 50.592 - 37.Abimael Santos (PL) – 50.404
38. Luciano Duque (Podemos) – 50.096
39.Vini Castello (PCdoB) – 49.899
40. Andréa Medeiros (PSD) – 49.263
41. Emerson Freitas (MDB) – 49.254
42. Breno Araújo (PT) – 47.722
43. Roberta Arraes (PP) – 46.552
44.Zé de Irmã Teca (PSD) – 43.679 - 45. Fabrízio Ferraz (Podemos) – 42.077
- 46. Sebastião Oliveira (Avante) – 40.882
- 47. Wanderson Florêncio (Podemos) – 34.556
- 48. Jeferson Timóteo (Podemos) – 33.968
- 49. Renato Antunes (Novo) – 32.200
Fonte: TSE