Um teste de engenharia política para Raquel Lyra

01/07/26   –  http://blogfolhadosertao.com.br   –    Por Carlos André Carvalho (interino)

Os pontos de tensão no que diz respeita à escolha dos candidatos ao Senado na chapa majoritária
A governadora Raquel Lyra (PSD-foto) enfrenta um cenário cada vez mais complexo quando o tema é a definição das candidaturas ao Senado na chapa majoritária dela. Com os últimos acontecimentos, essa decisão impõe dilemas que testam liderança e capacidade de articulação. Os pontos de tensão são vários. A escolha do deputado federal Eduardo da Fonte (PP), na segunda-feira, como pré-candidato oficial da federação União Progressista (PP/UB) só intensificou o embate dele com o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (UB) na disputa.

A possibilidade de a cúpula da federação chegar a um consenso sobre a indicação de Eduardo ao Senado colocaria a governadora em um impasse: endossar a escolha da máquina progressista, que possui força pulverizada no estado, ou arriscar uma debandada de lideranças essenciais no Sertão, representadas pelo clã Coelho.

Por outro lado, dentro da própria base, no PSD, Raquel precisa escolher entre dois perfis distintos para ocupar as vagas. O senador Fernando Dueire, que oferece densidade técnica, trânsito em Brasília, apoio de vários prefeitos e lealdade a ela; e o deputado federal Túlio Gadêlha, que traz um apelo progressista de centro-esquerda necessário, acredita-se, para rivalizar com o PSB de João Campos.

Como são apenas duas vagas à Casa Alta, o dilema torna-se matemático e estratégico. A montagem da chapa coloca Raquel diante do maior teste de sua engenharia política até agora. Ao adiar as definições estratégicas para o limite do calendário eleitoral, jogando com o tempo, Raquel Lyra sabe que tal atitude pode estreitar, e muito, a margem de erro.

O desfecho dessa equação não apenas desenhará a força do palanque, mas pode ditar o tom de liderança dela. Restará saber se Raquel se consolidará como regente absoluta da própria base ou se acabará sendo guiada pelas circunstâncias das forças partidárias que a cercam.

Moto Legal
O  pré-candidato do PSB ao governo do estado, João Campos, reforçou ontem, em Afogados da Ingazeira, a proposta de isentar motocicletas de trabalhadores rurais do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Lançado durante a plenária do Chega Junto Pernambuco, em Palmares, na Mata Sul, no domingo, o programa, intitulado Moto Rural, Moto Legal, inclui gratuidade da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), para garantir regularização, emprego e renda, e se configura numa aposta para conquistar votos, principalmente, dos agricultores familiares.

Ore et labora
A governadora Raquel Lyra (PSD), durante a entrega de duas reformas de igrejas históricas em Olinda, ontem pela manhã, recorreu ao latim para, de forma indireta, dizer que a gestão dela é equilibrada. Usou a famosa máxima da Ordem dos Beneditinos ore et labora, cunhada por São Bento de Núrcia no século VI. A expressão sintetiza a ideia de que a vida espiritual (oração) e a vida prática (trabalho) devem caminhar sempre juntas e equilibradas.

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