O voo da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, ganhou força no Recife

06/10/26  –  http://blogfolhadosertao.com.br  -Por Betânia Santana

Gestora foi reeeleita com 597.783 votos (53,14%), 444.969 a mais que o adversário João Campos
Mais do que alcançar 53,27% dos votos válidos – o equivalente a 2,8 milhões de eleitores – a vitória da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), ganhou contornos emblemáticos com o resultado no Recife.

A capital que, em 2024, consagrou o então prefeito João Campos (PSB) com 78,11% dos votos na reeleição, desta vez frustrou as projeções. O Recife e a Região Metropolitana eram as principais apostas da oposição para virar o jogo.

Desde o início da apuração, a governadora manteve a liderança no estado. Com 35% das urnas apuradas, aliados de João Campos alimentavam a expectativa de uma reviravolta vinda da 9ª Zona Eleitoral, reduto que engloba o bairro de Casa Amarela e expressiva parcela dos morros recifenses.

O ex-prefeito venceu na capital, mas por uma margem menor do que a esperada: 49,94% (473.994 votos) contra 46,07% (437.301 votos) da governadora. Nem os aliados mais otimistas dela previam um desempenho tão expressivo na cidade.

Ao discursar, a governadora adotou o tom da gratidão e do compromisso renovado. Garantiu que, passada a festa da vitória que invadiu a madrugada, os palanques serão desmontados para dar lugar ao trabalho contínuo.

Do outro lado, João Campos reconheceu o resultado, telefonou para parabenizar a adversária e ouviu de volta um cumprimento pela caminhada.

Mesmo vitoriosa, a governadora reeleita manteve o mistério e segue sem declarar voto para presidente: “Sempre disse que ser pernambuquista era colocar Pernambuco em primeiro lugar, independentemente das circunstâncias”.

Ineditismo no Senado

A vitória da governadora Raquel Lyra (PSD) no primeiro turno veio acompanhada de um paradoxo inédito no estado: pela primeira vez na história recente, o ocupante do Palácio das Princesas não arrastou nenhum dos dois senadores.

O naufrágio da chapa governista na disputa pela Casa Alta ficou evidente no quarto lugar de Eduardo da Fonte (PP), e na sexta posição de Túlio Gadêlha (PSD), superado até pelo estreante Carlos Sant’Anna (Novo).

Em contrapartida, a Frente Popular, mesmo sem eleger João Campos (PSB), operou com precisão para o Senado e capturou as duas cadeiras. A ex-deputada Marília Arraes (PDT), líder em todas as pesquisas, acabou em segundo.

A liderança ficou com Humberto Costa (PT), confirmando o que ele havia declarado em maio durante plenária no Recife, na presença do presidente nacional do partido, Edinho Silva. Provocado, o petista cravou não apenas a vitória, mas a cabeça da chapa.

Caso o presidente Lula seja reeleito, o estado ganha um trio de interlocutores com trânsito livre no Planalto.

Se a gestão mudar de mãos, os senadores se consolidam como blindagem de oposição. Mas terão pela frente pautas em comum: a conclusão da Transnordestina, a recuperação do Metrô do Recife e o fim da jornada 6×1.

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