09/09/26 – http://blogfolhadosertao.com.br – Por JC
Em nota, dirigentes defendem ex-chefe da corporação e Leandro Almada e dizem que críticas à atual cúpula têm motivação político-eleitoral

Onze diretores da Polícia Federal colocaram seus cargos à disposição do diretor-geral em exercício, William Murad, nesta terça-feira (8), depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da corporação e de Leandro Almada da Diretoria de Inteligência Policial.
Ao colocar os cargos à disposição, os diretores comunicaram que estão dispostos a deixar suas funções, caso ele decida pela saída deles. A iniciativa não significa, neste momento, que os diretores tenham pedido demissão ou deixado os cargos.
Em uma nota pública, os diretores afirmaram que decidiram se posicionar em defesa de Andrei Rodrigues e Leandro Almada. Segundo o grupo, os dois foram alvo de “ataques injustificados”. Os diretores também disseram que a Polícia Federal precisa ser protegida de “tentativas de usurpação de funções”.
Assinaram a nota Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção; Fabrício Schommer Kerber, diretor de Polícia Administrativa; Otavio Margonari Russo, diretor de Combate a Crimes Cibernéticos; Felipe Tavares Seixas, diretor de Cooperação Internacional; Helena de Rezende, diretora de Gestão de Pessoas; Roberto Reis Monteiro Neto, diretor Técnico-Científico; André Luis Lima Carmo, diretor de Administração e Logística; Christiane Correa Machado, diretora de Ensino da Academia Nacional de Polícia; Alexsander Castro de Oliveira, diretor de Proteção à Pessoa; Ademir Dias Cardoso Júnior, diretor de Tecnologia da Informação e Inovação; e Humberto Freire de Barros, diretor da Amazônia e Meio Ambiente.
Os ocupantes dos cargos foram nomeados durante a gestão de Andrei Rodrigues. Almada não assinou a nota porque também foi afastado. Murad, que era o número dois da PF e assumiu o comando da instituição de forma interina, também não assinou o documento.
Os diretores negaram as acusações contra a cúpula da Polícia Federal e rejeitaram a ideia de que a instituição tenha tido uma atuação “não republicana”. Para eles, as críticas estariam ligadas a interesses político-eleitorais e não apagam a trajetória profissional dos integrantes da atual direção.
“Da mesma forma como a Instituição Polícia Federal tem, em sua história e feitos, a razão de sólida admiração dos brasileiros, o Dr. Andrei também conta com um percurso profissional dedicado à defesa da PF, com atuação técnica, isenta e responsável.”
Os diretores também afirmaram que a decisão de colocar os cargos à disposição faz parte da defesa da própria instituição e da garantia do Estado Democrático de Direito. Segundo eles, a Polícia Federal deve continuar tendo condições de “promover justiça”.
Murad diz que PF vai seguir trabalhando
Em declaração feita nesta terça, Murad afirmou que a PF não deve se deixar abalar pelas críticas e demonstrou confiança na direção da instituição.
“Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vier. Reafirmamos a nossa total confiança na direção-geral e no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O momento exige serenidade, mas saberemos atravessar essa tempestade como tantas vezes o fizemos.”
Entenda a decisão de André Mendonça
André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e Leandro Almada após pedidos apresentados pelo partido Novo. O ministro também mandou a Corregedoria da PF investigar a produção de documentos citados no caso e suspendeu relatórios de inteligência sobre o Judiciário, a advocacia pública e a polícia judiciária.
Na Segunda Turma do STF, Mendonça foi acompanhado por Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. O julgamento foi interrompido após Gilmar Mendes pedir vista, enquanto Dias Toffoli ainda não votou. Com isso, a decisão de afastamento continua valendo.
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