Rouanet Nordeste recebe mais de 2,8 mil propostas culturais, 550 foram de Pernambuco

09/09/25

Imprensa Minc
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Iniciativa investe R$40 milhões em projetos culturais da região 
Nordeste e do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo

Após o encerramento do período de inscrições, na última sexta-feira (5), o Ministério da Cultura (MinC) recebeu 2.882 propostas culturais submetidas ao programa Rouanet Nordeste. Com o volume de inscritos, a iniciativa supera o Rouanet Norte (1.074), Rouanet nas Favelas (330) e o mais recente, Rouanet da Juventude (1.086).

Com investimento de R$ 40 milhões, o programa Rouanet Nordeste é uma iniciativa do MinC, em parceria com Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, Emgea, Petrobras, Serpro e Transpetro, que promove o fortalecimento da diversidade cultural da região Nordeste e dos municípios do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.

O estado da Bahia registrou o maior número de propostas enviadas (632), seguido por Pernambuco (550) e Ceará (402). Com volumes também relevantes, os estados do Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte apresentaram, respectivamente, 293, 276 e 203 propostas.

“Esses números só confirmam a importância e urgência de editais como esse, que expandam o acesso aos recursos da Lei Rouanet para estados onde o fomento não costumava chegar. Precisamos cada vez mais explorar a diversidade cultural e as potencialidades criativas de todas as regiões do Brasil. Assim, garantiremos direitos culturais de forma mais justa e democrática”, afirma a ministra Margareth Menezes.

Confira abaixo a relação completa por UF:

 

UF Quantidade
Alagoas 117
Bahia 632
Ceará 402
Espírito Santo 54
Maranhão 293
Minas Gerais 86
Paraíba 276
Pernambuco 550
Piauí 177
Rio Grande do Norte 203
Sergipe 78

Propostas por área

A área cultural de Artes Cênicas foi a que recebeu o maior número de propostas, representando 22% do total de inscrições, com 701 projetos. A Música aparece como a segunda área mais representada, com 23% (674 propostas), seguida pelo Audiovisual, com 19% (553). Patrimônio Cultural ficou com 11% (325), Artes Visuais com 11% (324) e Humanidades com 11% (305 propostas).

Com base na faixa de valores do programa, a maioria das propostas culturais (65,6%) se enquadra na faixa de até R$ 200 mil, o que equivale a 1.892 inscrições. A faixa de valor intermediário, entre R$ 200 mil e R$ 500 mil, representa 22,5% do total, com 648 projetos. As propostas de maior porte, que buscam entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão em investimento, correspondem a 11,9% do total (342).

“O Rouanet Nordeste representa uma ação importante na democratização do acesso aos recursos da Lei Rouanet, direcionando o investimento diretamente para esses estados e regiões menos contempladas pelo incentivo à cultura. O objetivo é fortalecer a diversidade da cultura brasileira em sua raiz e consolidar, ainda mais, o setor produtivo cultural como um poderoso vetor de desenvolvimento social e econômico para todo o país”, afirmou o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Henilton Menezes.

Para o diretor de Fomento Indireto, Odecir Prata, os programas especiais representam a oportunidade de impulsionar o setor cultural regional e fomentar a inclusão de novos agentes no “fazer cultura”. “Os programas Rouanet são iniciativas que visam a nacionalização e desconcentração dos recursos, a democratização de acesso e, principalmente, a inclusão de novos atores no processo. Em sua realização alcançaremos ótimo impacto cultural, social e econômico na Região Nordeste e em municípios selecionados de Minas Gerais e Espírito Santo. É o fazer gigante criando oportunidades para novos talentos e projetos culturais, o que também impulsiona o crescimento e o desenvolvimento da Cultura no Brasil”.

Propostas culturais vindas de regiões não abrangidas pelo programa serão desabilitadas. Para mais informações, acesse a página do edital aqui.

A morte trágica da menina Alicia Valentina, vitima de espancamento no banheiro de uma escola, em Belém do São Francisco

09/09/25

Por G1-Petrolina

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Os familiares relataram ainda, que na quarta-feira, Alícia Valentina foi levada por funcionários da escola para o hospital municipal de Belém do São Francisco, porque estava com um sangramento no nariz. Ela foi atendida e liberada. Em casa, o ouvido da menina sangrou, a família levou ela no posto de saúde, onde a criança foi atendida e mais uma vez liberada.

Chegando em casa, ela começou a vomitar sangue, e voltou para o hospital municipal de Belém do São Francisco. De lá, teve uma transferência quase que imediata para o hospital de Salgueiro, cidade próxima a 110 quilômetros do município. Na quinta-feira, devido à gravidade do estado de saúde, ela foi transferida para o Hospital da Restauração, no Recife, a 520 quilômetros.

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Infográfico - Criança de 11 anos morre após ser agredida em escola em Belém do São Francisco, PE — Foto: Arte/g1

escola informou que “prestou todo o socorro necessário à estudante, além de conduzi-la ao hospital e garantir a devida assistência”. A nota ainda afirma o Conselho Tutelar, juntamente com a Secretaria Municipal de Educação, estão presentes na instituição para acompanhar o caso e adotar as devidas providências.

Em nota, a prefeitura do Belém do São Francisco, através da Secretaria Municipal de Educação, informou que desde o primeiro momento em que foi informada da situação prestou total assistência aos envolvidos e às suas famílias, assegurando o acompanhamento necessário.

Segundo a prefeitura, o caso também conta com o apoio e acompanhamento da Secretaria de Assistência Social e da Secretaria de Saúde, garantindo que todos os aspectos sociais, psicológicos e médicos sejam devidamente atendidos.

“Ressaltamos que o episódio está em processo de apuração para que sejam adotadas todas as medidas cabíveis, de forma responsável e transparente”.

A nota finaliza afirmando que “a gestão municipal reafirma seu compromisso com a proteção, o cuidado e o bem-estar dos estudantes da rede pública, não tolerando qualquer forma de violência”.

Alícia Valentina morreu após ser espancada por colegas na escola, em Belém do São Francisco — Foto: Reprodução /Redes Sociais

Alícia Valentina morreu após ser espancada por colegas na escola, em Belém do São Francisco — Foto: Reprodução /Redes Sociais

Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) informou que o caso segue sob investigação e que mais detalhes não podem ser divulgados por envolver menores de idade e para preservar o andamento das diligências.

A PCPE também havia relatado que a menina tinha 10 anos, mas a família corrigiu a informação e informou que a vítima tinha 11 anos de idade.

Ainda não há informações sobre o sepultamento de Alícia Valentina. O corpo da menina  chegou no meio da noite /madrugda de ontem   depois de ter sido  liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) na terça-feira (9).

A Secretaria de Educação do município se pronunciou por meio das redes sociais “manifestando profundo pesar pelo falecimento da estudante e destacou que, “neste momento de dor, se solidariza com familiares e amigos e deseja força e conforto para enfrentar essa perda irreparável”.

Alícia Valentina foi agredida por colegas dentro das dependências da Escola Municipal Tia Zita — Foto: Lucilene Santos/TV Grande Rio

Alícia Valentina foi agredida por colegas dentro das dependências da Escola Municipal Tia Zita — Foto: Lucilene Santos/TV Grande Rio

No Recife: Compaz Eduardo Campos sedia a primeira Festa Literária das Periferias de Pernambuco

09/09/25

Imprensa PCR

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Prefeitura ressalta a importância do espaço como centro de conhecimento e cidadania. Evento gratuito acontecerá entre os dias 10 e 14 de setembro com a presença de grandes nomes da cena nacional, como Itamar Vieira
Compaz Eduardo Campos sedia a primeira Festa Literária das Periferias de  Pernambuco - Folha PE

O Compaz Eduardo Campos, no Alto Santa Terezinha, será palco, entre os dias 10 e 14 de setembro, da primeira edição da Festa Literária das Periferias de Pernambuco (Flup). O evento, que chega ao Recife após se consolidar nacionalmente como um dos principais encontros literários do país, promete transformar o equipamento em um grande espaço de celebração da palavra, da diversidade e da cultura popular.

A abertura oficial acontece no dia 10 de setembro, às 18h30, com programação gratuita e aberta ao público diariamente, das 15h às 22h. Com o tema “Saberes Conectados: Negritude em todos os espaços”, a Flup valoriza a potência criativa das periferias, a força da negritude e o papel da literatura na transformação social. Estão previstas rodas de diálogo, saraus e lançamentos de livros, reunindo grandes nomes da cena literária brasileira, como Itamar Vieira Junior, autor do premiado Torto Arado.

O secretário de Cidadania e Cultura de Paz do Recife, Túlio Arruda, destaca o impacto da iniciativa: “A Flup chega para reafirmar que os Compaz são espaços de encontro, diálogo e produção de conhecimento. É uma festa que valoriza as vozes das periferias e fortalece o acesso à literatura como direito de todos e todas”, disse o gestor.

Flup: uma história de reconhecimento cultural
Criada em 2012, no Rio de Janeiro, a Flup já recebeu prêmios internacionais, como o London Book Fair (2016), e nacionais, como o Jabuti (2020), na categoria Fomento à Leitura. Em 2023, foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Agora, no Recife, a festa literária chega para consolidar o Compaz Eduardo Campos como um polo cultural de referência, reforçando seu papel como equipamento que alia cidadania, arte e educação.

SERVIÇO – Festa Literária das Periferias de Pernambuco (Flup)
Local: Compaz Eduardo Campos – Av. Aníbal Benévolo, S/N – Alto Santa Terezinha, Recife – PE 

Data: 10 a 14 de setembro

Cerimônia de abertura: 10/09 às 18h30

Programação diária: 15h às 22h

Entrada gratuita

Alepe vota hoje (9) pedido de empréstimo de R$ 1,5 bilhão do Governo do Estado

09/09/25

Pedro Baija

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Após 6 meses, projeto enviado pela governadora Raquel Lyra será votado em plenário pelo Parlamento; Texto sofreu alterações após passar por comissões

Após seis meses de impasses, discussões e alterações, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) votará, enfim, o projeto enviado pelo Governo de Pernambuco que solicita autorização para contrair empréstimo de R$ 1,51 bilhão.

O Projeto de Lei Ordinária (PLO) 2692/2025 foi enviado em março pela governadora Raquel Lyra (PSD), mas apenas em maio começou a ser discutido nas comissões.

O texto original sofreu alterações após passar pelas comissões. Entre as alterações mais significativas está a destinação de metade do valor do empréstimo a projetos apresentados para municípios.

A alteração, sugerida pela Comissão de Finanças, foi endossada pelas comissões de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ) e de Administração Pública.

Outra exigência feita pelos parlamentares é a criação de um espaço específico no Portal da Transparência para a publicação de dados da execução financeira do empréstimo, a cada quatro meses.

Pautado, projeto não tem aprovação garantida; Governistas querem aprovação do texto original

Apesar de ter sido pautado, o projeto ainda é objeto de discordância na Casa. Governistas querem que o texto original seja apreciado pelo Parlamento, enquanto a oposição – que preside as principais comissões da Alepe – sustenta a votação do substitutivo de autoria de Waldemar Borges (PSB), presidente da Comissão de Administração Pública.

Com o substitutivo pautado, os governistas, que são maioria na Alepe, já se articulam para reprovar o projeto. Como alternativa, a base pretende pedir destaque para que o texto original seja pautado e votado.

Em contato com o JC, o presidente da CCLJ, deputado Coronel Alberto Feitosa (PL), afirmou que o projeto atual é fruto de uma “construção” para colocar “regras claras e objetivas” para o Governo.

“É uma construção que a gente não pode esquecer. Primeiro se colocou regras claras e objetivas pelas quais o Governo terá que cumprir com muito mais rigor. […] Também ficou claro que caiu por terra aquela narrativa que a governadora fica usando, de que Pernambuco tem pressa”, disse.

“Tudo isso ficou claro através dos pedidos de informações e tantas outras coisas que foram feitas. Então não foi uma celeuma só do ponto de vista político para atrapalhar, muito pelo contrário, foi celeuma de discussão feita do cumprimento do dever da casa, de fiscalizar, de estabelecer regras de legislar e de proteger o dinheiro do contribuinte pernambucano”,

Pernambuco lança maior programa de estágio da história do estado

09/09/25

Por Ricco Viana

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A bolsa, que foi reajustada, será de R$ 900 para ensino superior e R$ 600 para nível médio
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), assinou nesta segunda-feira (8) o decreto que institui o programa Simbora Estagiar, considerado o maior já realizado no estado na área de formação profissional. A iniciativa amplia de 2,3 mil para 26,5 mil o número de vagas de estágio na administração pública estadual, além de reajustar o valor das bolsas. No nível superior, o benefício passa de R$ 606 para R$ 900; para estudantes de nível médio e técnico, o valor sobe de R$ 430 para R$ 600. Além da bolsa, os estagiários receberão auxílio-transporte de R$ 180.

Do total de bolsas, serão disponibilizadas 23.846 para a educação, sendo 23.418 delas voltadas para estudantes de nível superior e 428 para alunos do ensino médio e técnico. As 2.658 restantes serão destinadas a outras áreas.Quem quiser participar do programa basta encaminhar o currículo para o e-mail simboraestagiar@sad.pe.gov.br. No caso das vagas voltadas para a área da educação, o envio deve ser feito para simboraestagiar@adm.educacao.pe.gov.br.

Investimento
Com a ampliação, o impacto financeiro mensal estimado para os cofres públicos será de R$ 28,19 milhões, quando todas as vagas estiverem preenchidas. A medida é apresentada pelo governo como um marco para a qualificação de estudantes e fortalecimento da gestão pública, com o objetivo de garantir maior eficiência administrativa e dar protagonismo aos jovens em políticas de estado.

“Para os jovens que hoje não estudam nem trabalham o grande desafio é ter acesso a uma formação em serviço que dê experiência profissional. O estágio é a primeira porta de entrada no mercado de trabalho. E nada melhor do que Pernambuco poder lançar, a partir de hoje, o maior programa de estágio da história do nosso estado — e eu suponho que seja o maior do Brasil”, afirmou Raquel Lyra.

Ainda segundo a gestora, o programa foi pensado para que se possa melhorar o trabalho do governo, além de oxigenar e garantir mais eficiência. Raquel destacou ainda que o governo pretende firmar convênios especialmente com cursos de licenciatura e áreas ligadas à formação dos jovens do ensino médio, de modo a oferecer acompanhamento individualizado.

“Quem tem dificuldade em matemática, ciências, física, química ou biologia terá alguém para apoiá-lo. E os estagiários vão ser fundamentais nesse processo”, afirmou.

A secretária estadual de Administração, Ana Maraíza, destacou o papel dos estagiários na gestão pública.

“O Governo de Pernambuco está trazendo a importância do estagiário para a entrega de políticas públicas à população. Agora o estagiário deixa de ser um número orçamentário para ser protagonista nessas entregas. Com o lançamento do programa Simbora Estagiar, teremos um aumento no quantitativo de estagiários e também no valor das bolsas”, disse.

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Ministério Público  pede que TCU apure nomeação à Codevasf de ex-assessor de Motta condenado por desvios

09/9/25

O Globo

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STF retoma com voto de Moraes julgamento de Bolsonaro e sete aliados pela trama golpista

09/09/25

Agência O Globo

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Há sessões marcadas também para quarta-feira, quinta e sexta
O Supremo Tribunal Federal ( STF) retoma nesta terça-feira, a partir das 9h, o julgamento do “núcleo crucial” da trama golpista, processo em que o ex-presidente Jair Bolsonaro e os demais sete réus poderão ser condenados por uma tentativa de golpe de Estado. O primeiro a votar será o relator do caso, Alexandre de Moraes. Há sessões marcadas também para quarta-feira, quinta e sexta.

Ao longo dos últimos meses, manifestações, questionamentos e decisões dos magistrados indicaram um provável consenso sobre condenações, mas também possíveis divergências que devem permear o debate no plenário da Corte.

Moraes abriu na semana passada o julgamento com um duro discurso contra a possibilidade de “impunidade” a tentativas de golpe de Estado. Sua atuação ao longo dos últimos anos à frente de processos como os do 8 de Janeiro e o inquérito das fake news o colocam como figura central do combate ao golpismo e elevaram as expectativas sobre sua manifestação na sessão de terça-feira. Quem acompanha sua trajetória prevê um voto histórico, sustentado por uma retórica de defesa da democracia e das instituições.

‘Golpe mata’
As penas impostas por Moraes aos chamados executores e incitadores do 8 de Janeiro tem chegado até a 17 anos de prisão, indicando que ele pode adotar punições ainda maiores para os réus acusados de liderar o movimento golpista. O magistrado justifica que as punições precisam ser “exemplares” a fim de coibir novas conspirações.

Entre os integrantes da Primeira Turma, Flávio Dino e Cármen Lúcia são os que mais têm acompanhado os entendimentos de Moraes até aqui, votando com o relator em todos os momentos dos processos. De medidas cautelares às penas impostas aos condenados do 8 de Janeiro, os dois nunca chegaram a apresentar uma divergência.

A exemplo de Moraes, Dino, que será o segundo a votar, tem adotado um tom enfático contra os ataques antidemocráticos. Na sessão que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete integrantes do governo passado réus, e maio, ele rebateu a tentativa de minimizar a gravidade da trama ao dizer que “golpe de Estado” mata:

— É uma desonra à memória nacional minimizar uma tentativa de golpe porque não houve mortos. No dia 1º de abril de 1964 também não morreu ninguém. Mas centenas e milhares morreram depois. Golpe de Estado mata. Não importa se isso é no dia, no mês seguinte ou alguns anos depois.

A expectativa de advogados dos réus é que as divergências no julgamento comecem a aparecer a partir do terceiro voto, de Luiz Fux. Embora tenha acompanhado o relator nas condenações de réus do 8 de Janeiro, o ministro tem se colocado como contraponto a Moraes em alguns tópicos, especialmente no que diz respeito à fixação de penas e à validade da colaboração premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid.

Nos últimos meses, Fux mudou sua posição nos julgamentos e passou a defender que os réus devem ser condenados apenas por tentativa de golpe de Estado, sem o acúmulo com o crime de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. Isso diminuiria a pena final.

O ministro também já fez ressalvas sobre a delação de Cid e deixou em aberto a possibilidade de votar para invalidar o acordo. No recebimento da denúncia, em março, Fux questionou os sucessivos depoimentos prestados pelo ex-ajudante de ordens, alguns com mudança de versão. Na terça-feira, voltou ao assunto ao perguntar à defesa do militar sobre sua voluntariedade em fazer a delação.

— O senhor está me dizendo que ele foi fazer uma colaboração na primeira oportunidade, mas depois ele não foi fazer, ele era chamado (para depor), é isso? — questionou ao advogado do delator.

A postura divergente de Fux também ficou clara em decisões anteriores: foi o único a votar contra a imposição de medidas cautelares a Bolsonaro, como uso de tornozeleira eletrônica. E, no caso envolvendo a cabeleireira Débora Rodrigues, que pichou a estátua em frente ao STF no 8 de Janeiro, defendeu pena muito inferior à fixada por Moraes, Dino e Cármen Lúcia.

Decana da Turma e quarto voto no julgamento, Cármen, por sua vez, tem se colocado como guardiã das urnas eletrônicas ao longo do processo. Ela chegou a interromper um advogado na primeira sessão de julgamento, na terça-feira passada, para fazer uma reprimenda a respeito da segurança do sistema de votações.

Já na quarta-feira, a ministra questionou o advogado do ex-ministro Paulo Sérgio Nogueira após ele afirmar que seu cliente agiu para “demover” o ex-presidente. A pergunta foi interpretada como uma estratégia de Cármen para que o defensor admitisse a existência de um plano golpista.

— Vossa Senhoria disse que o réu “estava atuando para demover o presidente da República”. Demover de quê? Porque, até agora, todo mundo diz que ninguém pensou nada.

O advogado Andrew Farias, representante de Nogueira, então, afirmou que a intenção de Bolsonaro era a de adotar “medidas de exceção” após a derrota eleitoral de 2022.

— Demover de adotar qualquer medida de exceção. (Nogueira) Atuou ativamente (para demover Bolsonaro) — disse.

O último voto será de Cristiano Zanin, que é presidente da Turma. A exemplo de Fux, ele tem acompanhado Moraes nas condenações de réus, mas desde o primeiro caso diverge no cálculo das penas, a dosimetria. Seus votos são por penas alguns anos menores: quando o relator vota por 17 anos, por exemplo, ele defende 15; quando Moraes propõe 14 anos, Zanin vota por 11.

Interpretação
A diferença ocorre pela interpretação de causas de aumento de pena previstas pelo Código Penal. Podem ser levados em consideração diversos fatores, como antecedentes, personalidade, conduta social, motivos, circunstâncias e consequências.

Em relação à conduta social, Moraes considera que o fato de os réus terem se associado a um grupo que buscava um golpe de Estado é suficiente para aumentar a punição. Zanin, por outro lado, considera que não há detalhes desse aspecto. O relator também vê gravidades nos motivos e nas circunstâncias, enquanto o presidente da Turma não leva esses pontos em consideração em algumas das ações.

— A personalidade do acusado e conduta social não estão delineadas nos autos. O direito penal, aliás, é do fato, e não do autor. A culpabilidade, as circunstâncias, os motivos e as circunstâncias dos crimes não merecem maiores considerações e desdobramentos — afirmou Zanin no primeiro julgamento do 8 de Janeiro, em setembro de 2023.

Desde que entrou no STF, em 2023, Zanin tem uma postura discreta, com votos curtos, sem frases de efeito, como alguns de seus colegas. A expectativa de defensores, porém, é que ao chegar sua vez de se manifestar o resultado do julgamento já esteja definido.

Quem são os réus?
Além de Bolsonaro, são réus no núcleo crucial os ex-ministros Braga Netto, Anderson Torres, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira; o ex-comandante da Marinha Almir Garnier; o deputado Federal Alexandre Ramagem; o tenente-coronel Mauro Cid.