SANTA CRUZ vence Belo Jardim com três gols de PIPICO e se classifica para quartas do PERNAMBUCANO

01/04/23

Gabriel Neukranz

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Pipico liderou a vitória do Santa que classificou a equipe para o mata-mata do Estadual

Santa Cruz Futebol Clube
Pipico foi o grande destaque contra o Belo Jardim – FOTO: Santa Cruz Futebol Clube

Buscando afastar a desconfiança, o Santa Cruz bateu o Belo Jardim por 3×1 e se classificou para as quartas de final do Campeonato Pernambucano. A partida deste sábado (1), pela 13ª rodada do Estadual, foi disputada na Arena de Pernambuco, em São Lourenço.

O início da partida foi tenso para os tricolores. Por mais que o Calango não tenha criado nenhuma chance clara durante os primeiros 20 minutos, não sofreu sustos. As melhores chegadas do Santa eram em escanteios.

O camisa 9 embalou após o gol marcado e marcou pela segunda vez no jogo dois minutos depois. Em trama pelo lado esquerdo, Lucas Silva acionou Chiquinho, que cruzou na medida para o centroavante, que bateu de primeira e venceu o goleiro Lucas Alves.

Aos 32, a equipe do Belo Jardim conseguiu reagir e freou a empolgação coral. Pouco após Lucas Silva fazer bela jogada na ponta esquerda e bater no ângulo, parando no arqueiro, o atacante Berg diminuiu o placar: 2×1.

No segundo tempo, Pipico marcou seu terceiro gol na partida e fechou o placar. Em mais uma jogada coletiva pelo lado esquerdo, Chiquinho cruzou e o artilheiro tricolor se adiantou aos zagueiros adversário e cabeceou no cantinho.

A vitória classificou o Santa Cruz para as quartas de final do Campeonato Pernambucano, terminando a primeira fase na 5ª posição. De acordo com o chaveamento, agora a Cobra Coral enfrenta o Petrolina, 4° colocado, em jogo único, fora de casa.

Quem avançar de Petrolina x Santa Cruz encara o Sport na semifinal. O Leão se classificou de forma antecipada para a próxima fase por ter concluído a primeira fase em 1° lugar.

TJPE vai promover Semana da Infância e Juventude com inauguração oficial do CEAVida e outras ações em prol da Criança e do Adolescente

01/04/23

AscomTJPE

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A Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ) do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) prepara-se para promover um evento voltado à temática da Criança e do Adolescente no Estado. Intitulada Semana da Infância e Juventude, a iniciativa, que começa na próxima segunda-feira (3/4) e segue até o dia 7 de abril, vai contemplar em sua programação inicial a inauguração oficial do Centro Especializado de Acolhimento às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (CEAVida). A solenidade de instalação oficial do CEAvida acontece na segunda-feira (3/4), com início às 8h, no Centro Integrado da Criança e do Adolescente (CICA), localizado na Rua João Fernandes Vieira, 405, no bairro da Boa Vista, com a presença do presidente do TJPE, desembargador Luiz Carlos de Barros Figueirêdo. A solenidade vai contar com a participação do Coral do TJPE, e com uma apresentação do novo espaço, que será realizada pela coordenadora da CIJ, juíza Hélia Viegas. No local, também serão entregues o Selo Amigo da Infância para pessoas homenageadas e que atuam em prol da causa da Infância e Juventude no Estado; e o coordenador de Governança e Gestão de dados do TJPE, juiz Élio Braz, falará aos presentes sobre o tema Política de Atenção e Apoio às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais no TJPE: perspectivas e interseccionalidades. O CEAVida surgiu a partir da implementação da Política Institucional de Atenção e Apoio às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais, tendo sido instituída pela Presidência do TJPE por meio da Resolução nº 470/2022. O objetivo do serviço é assegurar um depoimento acolhedor para que crianças e adolescentes aguardem em ambiente separado da agressora ou do agressor e suas testemunhas, bem como evitar possível coação enquanto a vítima e suas testemunhas esperam a realização do ato processual. O Centro visa também o acolhimento com zelo das vítimas e de familiares, prestando esclarecimentos sobre questões jurídicas do processo e promovendo o encaminhamento para serviços da rede de proteção, que envolve atendimento médico, assistências social e psicológica, dentre outros.  Saiba mais sobre o centro acessando a Resolução nº 470/2022 AQUI Os(as) servidores(as) dos setores de recepção das unidades judiciárias e dos serviços auxiliares do Tribunal de Justiça serão os(as) responsáveis pelo acolhimento inicial e o direcionamento das vítimas ao local definido para aguardar a realização do ato processual ou o atendimento pelo Centro de Apoio e Atenção às Vítimas. Nas unidades jurisdicionais e pelo “Balcão Virtual”, os(as) servidores(as) deverão prestar as informações das etapas do inquérito policial e da ação penal, observando as hipóteses de sigilo processual e as orientações do Código de Normas dos Serviços Judiciais, expedido pela Corregedoria-Geral da Justiça. Até mesmo nas Comarcas em que o centro não foi implantado, haverá o atendimento especializado às vítimas e familiares, em consonância com a política nacional e estadual de apoio às vítimas e familiares de crimes e atos infracionais.  Para a coordenadora da Infância e Juventude, juíza Hélia Viegas, o Ceavida, como o próprio nome diz, é um centro especializado em apoio às vítimas e familiares de crimes e atos infracionais; é um novo olhar no que se refere aos processos penais, e também infracionais que chegam na área do socioeducativo da Infância e Juventude. “Nós nos referimos a esse olhar acolhedor da vítima e dos familiares dessa vítima, de darmos essa assistência jurídica, de sabermos, de conhecermos a situação processual, em que fase o processo de cada vítima se encontra. Então, aqui apresentamos o CEAvida, que é uma política criada pelo Conselho Nacional de Justiça, e que o nosso Tribunal segue, neste viés de acolhimento da vítima e de seus familiares. Nós temos certeza de que este Centro será o primeiro de outros que virão no futuro, pois a política de atenção especial deve ser dada para todas as vítimas de crimes e atos infracionais em Pernambuco. E até mesmo nas comarcas onde não haja apoio especializado em Infância e Juventude, essa política deve ser implantada. Ou seja, garantir um atendimento humanizado, um espaço acolhedor dentro do fórum. E isso não se refere apenas a uma atenção jurídica, mas também a um acompanhamento pela rede protetiva, atendimento psicológico ou médico. Essa rede multidisciplinar merece toda a nossa atenção”, pontua a magistrada. De acordo com a psicóloga Denise Silveira, que está à frente do CEAvida, a equipe do Centro Especializado atenderá vítimas que possuem processos nas 3ª e 4ª Varas da infância e Juventude da Capital e Vara Regional da Infância e Juventude da Capital, bem como nas 1ª e 2ª Varas de Crimes contra a Criança de Recife, incluindo crianças, adolescentes e adultos. Para tanto, ações articuladas estão sendo desenvolvidas em parceria com Grupos de Trabalho (GT) instituídos pela Presidência do Tribunal de Justiça, como, por exemplo, o GT de Diversidade Sexual, Gênero e Interserccionalidades e o GT de Equidade Racial e Combate ao racismo e suas Interseccionalidades. O horário de atendimento ao público do CEAVida será das 8h às 18h, e as pessoas também poderão acessar o serviço presencialmente ou por meio do telefone (81) 3181 5908 e/ou do e-mail ceavida.cica@tjpe.jus.br. “O espaço do CEAVida foi cuidadosamente projetado para ofertar às vítimas e seus familiares um ambiente reservado e protegido, com equipe de profissionais de Psicologia e Serviço Social que realizarão escuta acolhedora das pessoas e os encaminhamentos necessários à rede de serviços de saúde, assistência social, educação etc. existentes em Recife. Além disso, o serviço contará com servidoras e servidores que responderão às dúvidas dos jurisdicionados acerca da situação dos processos em tramitação, garantindo o direito dessas pessoas de terem acesso às informações sobre as ações judiciais em que são vítimas”, afirma a psicóloga. XII Jornada Pernambucana dos Direitos da Infância e Juventude  Durante a Semana da Infância e Juventude, considerando o Provimento n. 02/2021 da Corregedoria Geral da Justiça do TJPE, será realizada XII Jornada Pernambucana dos Direitos da Infância e Juventude. O objetivo é ampliar os programas permanentes de formação, capacitação e treinamento de servidores e servidoras, magistrados e magistradas em relação às atividades judiciais, jurisdicionais e gerenciais relativas a crianças e aos adolescentes, de conteúdos teórico e prático em matéria de acolhimento familiar e institucional, guarda, adoção, suspensão, extinção e destituição do poder familiar, bem como do cadastramento de crianças e famílias de pretendentes à adoção, a serem executados conjuntamente pela Corregedoria Geral de Justiça, pela CIJ e pela Escola Judicial do Tribunal de Justiça de Pernambuco (Esmape). A XII Jornada Pernambucana dos Direitos da Infância e Juventude vai ser dividida em três etapas de curso, todos na modalidade de Ensino a distância, através da plataforma Cisco Webex. O primeiro curso tem início na Semana da Infância e Juventude, mais especificamente na terça e quarta-feira (4 e 5/4), seguindo nos dias 12 e 13 de abril, das 14h às 17h. Também conta com atividades assíncronas, na plataforma Moodle, a partir da próxima segunda-feira (3/4) até o dia 21 de abril, em horário livre para acesso. Na turma 2 do curso, as aulas síncronas ocorrerão na plataforma Cisco Webex nos dias 3, 4, 24 e 25 de maio de 2023, das 14h às 17h, e as atividades assíncronas acontecem na plataforma Moodle, de 3 a 31 de maio de 2023, em horário livre para acesso. E, na Turma 3, as aulas síncronas serão promovidas na plataforma Cisco Webex nos dias 7, 8, 14 e 15 de junho, das 14h às 17h, e as assíncronas na plataforma Moodle, de 5 a 23 de junho, em horário livre para acesso. De acordo com Edital Conjunto nº 06/2023, assinado pela Presidência do TJPE e pela Corregedoria Geral da Justiça pernambucana, e que institui a XII Jornada pernambucana dos direitos da Infância e Juventude, a ação visa também a uniformização das rotinas de trabalho desenvolvidas pelas varas competentes em matéria de Infância e Juventude do Estado é priorizada pelo Poder Judiciário de Pernambuco, por meio de propostas de treinamentos, capacitações e formações continuadas ofertadas pela Coordenadoria da Infância e Juventude. O gerente do Núcleo Interprofissional de Assessoria Especializada (NIAE), o psicólogo Paulo André Sousa Teixeira, ressalta a 12ª edição da Jornada como um programa de formação continuada, ofertado pela Coordenadoria da Infância e Juventude do TJPE, em parceria com a Escola Judicial de Pernambuco. Todas as turmas contarão com a instrução dos juízes Rafael Cardozo e Naiana Lima, magistrado e magistrada das Comarcas de Jaboatão dos Guararapes e Abreu e Lima, respectivamente. O tema das aulas será Aspectos Práticos do Direito Infantojuvenil à Luz dos Indicadores de Desempenho do Conselho Nacional de Justiça’, com turmas no primeiro semestre voltadas para magistrados e magistradas; e no segundo semestre, com foco nos servidores e servidoras do TJPE.   “A iniciativa visa o aperfeiçoamento de servidores e servidoras e magistrados e magistradas que atuam nas Varas com competência em Infância e Juventude de todo o Estado. A nossa meta é garantir a celeridade necessária na tramitação dos procedimentos da Infância e Juventude, ao mesmo tempo em que olhamos de forma particular a necessidade de cada criança e adolescente que demanda a intervenção do Poder Judiciário, sempre em articulação com os demais órgãos da nossa Rede de Proteção”, pontua o psicólogo.    Para saber mais sobre a XII Jornada Pernambucana dos direitos da Infância e Juventude, acesse o Edital Conjunto nº 06/2023.  Meta 11 para o Prêmio CNJ de qualidade e Alimentação do CNA – Durante a Semana da Infância e Juventude, a CIJ/TJPE também pretende destacar a atuação de dois Grupos de Trabalho (GT) que atuam em prol da Criança e do Adolescente no Poder Judiciário pernambucano. Um deles trata-se do GT voltado ao cumprimento da Meta 11 para o Prêmio CNJ de Qualidade; já o segundo GT tem como foco a alimentação do Sistema Nacional de Adoção (SNA), com o trabalho voltado especialmente para a reclassificação e organização das classes processuais das ações judiciais que envolvem a temática da adoção. Na ação, também receberão prioridade de agilidade os processos físicos da área da Infância e Juventude.  Comitê da Primeira Infância – O evento da CIJ/TJPE tem, ainda, entre os seus objetivos, dar destaque e efetividade para a Portaria nº10, da Presidência do Tribunal de Justiça de Pernambuco, que cria o Comitê Gestor Local da Primeira Infância, no âmbito do Poder Judiciário estadual. O Comitê foi criado para assegurar os direitos da criança e do adolescente com prioridade, mediante a integração operacional entre os diversos segmentos do Poder Judiciário pernambucano, em articulação com os demais órgãos do Sistema de Justiça e do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente, visando ao desenvolvimento de capacidades institucionais para a garantia integral e integrada de direitos atinentes à primeira infância.  Confira a Portaria nº10 na íntegra clicando AQUI

DITADURA MILITAR: Áudios secretos do STM revelam novos casos de tortura na ditadura

01/04/23

Agência Brasil

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A gravação está no acervo do site Voz Humana, lançado nesta sexta-feira (31), no Rio de Janeiro

Reprodução/ Evandro Teixeira
O caso em destaque é o julgamento da apelação 41.336 (RJ) no dia 2 de março de 1977. Oito estudantes foram acusados em 1974 de integrar o Partido Comunista Brasileiro – FOTO: Reprodução/ Evandro Teixeira

Áudio inédito de uma sessão secreta do Superior Tribunal Militar (STM) em 1977, obtido antecipadamente pela Agência Brasil, revela que o ministro Rodrigo Octávio – general que atuou no tribunal até 1979 – diz ter testemunhado um caso de violência em uma unidade do Exército. Os demais membros da Corte negligenciam o assunto e decidem não apurar essa e outras denúncias semelhantes.

A gravação está no acervo do site Voz Humana, lançado nesta sexta-feira (31), no Rio de Janeiro, pelo advogado e pesquisador Fernando Fernandes. Nele, podem ser encontrados arquivos de julgamentos de presos políticos no STM no período entre 1975 e 1979. Tanto os abertos ao público geral, como os secretos, quando só ministros e o Ministério Público participavam.

O caso em destaque é o julgamento da apelação 41.336 (RJ) no dia 2 de março de 1977. Oito estudantes foram acusados em 1974 de integrar o Partido Comunista Brasileiro, lançado à clandestinidade pela ditadura. Eles foram absolvidos em primeira instância em 1976, mas o Ministério Público Militar entrou com recurso contra a decisão. Desde o Ato Institucional Número 2, civis podiam ser processados por crimes políticos na justiça militar. Os réus foram novamente absolvidos em uma votação apertada de 5 a 4 no STM. Mas o que chama a atenção nas conversas entre os ministros é o debate sobre a existência de tortura em instituições militares.

Os réus declararam ter sido obrigados, mediante tortura, a confessar participação em atos ilegais. O ministro Rodrigo Octávio, general do Exército, defendeu a apuração das denúncias. Os abusos relatados pelas vítimas incluíam choques elétricos, agressões físicas e psicológicas, e um relato específico de violência sexual da estudante Selma Martins de Oliveira e Silva. Um dos ministros tenta minimizar o fato com um eufemismo recorrente nos julgamentos do STM.

Ministro Augusto Fragoso: Não há problema em tortura, fala em coação, não é? Não é? Em coação?

Ministro Rodrigo Octávio: Falou (…) violência sexual.

Ministro Augusto Fragoso: Através de coação, coação.

Um outro ministro, que não pode ser identificado no áudio, ao defender que o Exército não compactuava com esse tipo de prática, foi interrompido por Rodrigo Octávio.

Ministro não identificado: “Eu não acredito em tortura na sala de…”.

Ministro Rodrigo Octávio: “Bom, eu não posso deixar de acreditar ou não acreditar. Porque eu vi, eu vi uma moça estirada na Aeronáutica, levada para a Polícia do Exército e (…) o Ministro do Exército lá, vendo. O General Cordeiro escreveu uma carta a mim. Cinco folhas. Eu li aqui no Tribunal. Então, isso existe. Isso existe”.

Ministro Rodrigo Octávio

General do Exército, o ministro Rodrigo Octávio atuou no STM de outubro de 1973 a 5 de junho de 1979, quando foi aposentado por decreto. Durante esse período, manifestou-se favorável ao retorno ao Estado de Direito em diversos discursos.

Em março de 1977, defendeu na Corte a revogação parcial do Ato Institucional nº 5 (AI-5), para devolver as garantias constitucionais aos juízes, que considerava inseparáveis do exercício pleno da magistratura. Rodrigo Octávio também defendeu eleições diretas para todos os níveis de representação e da reforma de todas as leis políticas. O ex-ministro morreu um ano depois de se aposentar, no dia 8 de julho de 1980, exatamente quando completaria 70 anos.

Arquivos anteriores

Por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2017, pesquisadores já tinham acessado um conjunto de áudios das reuniões do STM. Parte do conteúdo foi divulgada pela imprensa. Também ficavam claros nesses arquivos que os ministros militares conheciam e eram coniventes com a tortura. Eles debochavam de histórias de greve de fome em presídios e de documentos recebidos da Anistia Internacional. E, com frequência, tomavam decisões que ignoravam a lei, preferindo seguir interesses pessoais e do regime militar.

No julgamento de 1976 do parlamentar Márcio Moreira Alves (MDB), condenado a dois anos e três meses de prisão por discursar contra a ditadura na Câmara dos Deputados, o ministro Sampaio Fernandes defendeu: “se se trata de fazer justiça, mesmo que ela fira a lei, deve-se fazer justiça”.

Um outro lote de arquivos sonoros foi publicado em 2022. E novamente estavam registradas falas dos ministros sobre tortura. Conversas de 1977 mostravam preocupação com a repercussão do caso de Nádia Lúcia, uma mulher que sofreu aborto aos três meses de gravidez, depois de ter sido violentada com choques elétricos. Em outro encontro, em 1976, o ministro Júlio de Sá Bierrenbach criticou “os métodos adotados por certos setores policiais de fabricarem indiciados, extraindo-lhes depoimentos perversamente pelos meios mais torpes”.

Se o acesso aos áudios é mais recente, boa parte dos processos físicos foram rastreados pelo projeto “Tortura nunca mais”, em 1979. A Lei da Anistia, aprovada nesse mesmo ano, permitia que advogados retirassem processos sobre crimes políticos no STM durante 24 horas. Sob a liderança de Jaime Wright, reverendo da Igreja Presbiteriana americana no Brasil, e Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal arcebispo de São Paulo, um grupo de advogados, jornalistas, militantes e religiosos reuniu secretamente cópias dos processos que aconteceram entre 1964 e 1979. O projeto deu origem ao livro “Brasil: Nunca Mais”, em 1985.

Disputa pelos documentos

Responsável pelo site Voz Humana, Fernando Fernandes, travou uma longa disputa judicial para ter acesso ao material do STM. Ele é filho do falecido advogado Tristão Fernandes, que defendeu presos políticos durante a ditadura e também chegou a ser detido. Em 1997, ele descobriu a existência das gravações quando fazia uma pesquisa de mestrado.

Depois de um breve período de acesso nas próprias instalações da Corte, as atividades foram suspensas e os ministros ameaçaram apagar todos os arquivos, mas foram impedidos por decisão do STF. O mesmo órgão só determinou a liberação do acervo ao público em 2006. Decisão desrespeitada pelo STM, até uma nova ordem da ministra Cármen Lúcia em 2017. Segundo Fernando Fernandes, as gravações estão incompletas, o que indica haver material retido no tribunal.

“Quando se comparam as atas de que naquele dia foi julgado determinado caso e se vai até as gravações, aquele caso não está na gravação. Ou quando há o início da gravação anunciando o julgamento do caso, corta o áudio, e depois vai para o resultado. A gente tem certeza que estão faltando os votos, estão faltando os debates. Então, nós direcionamos ao Supremo Tribunal Federal a comprovação de que está faltando esse material. Se é deliberado, o que é provável, ou se foi uma falta de disponibilização do material por falta de percepção, pouco importa. Esse material está lá. E se está lá, nós temos direito de acessar”.

Dificuldades históricas

O comportamento do STM segue um padrão histórico, segundo Nadine Borges. Ela é doutora em Sociologia e Direito, e já foi membro e presidente da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro entre 2013 e 2015. Por experiência própria, Nadine desconfia de documentos divulgados por instituições militares, que costumam, segundo ela, omitir conteúdos sensíveis.

Ela diz que, durante os trabalhos da Comissão da Verdade, a contribuição das Forças Armadas era sempre difícil. Depois de uma visita ao Hospital Central do Exército no Rio de Janeiro, os membros da comissão foram alertados de uma denúncia no Ministério Público Federal: prontuários do período da ditadura foram escondidos em sacos de lixo dentro de um galpão dias antes da visita.

“A gente está falando de dez anos atrás, então imagina a quantidade de acervo que existe de fato. Essa decisão do STM de não divulgar as coisas na integralidade mostra que continua existindo uma seleção daquilo que pode ser conhecido da sociedade brasileira. Nós não vamos ter um regime democrático, não vamos avançar, não vamos ter a Constituição garantida, enquanto perdurar esse comando de esquecimento sobre os nossos corpos, sobre as nossas vidas. Acho que isso é muito sintomático do avanço do fascismo no Brasil e das ideias da extrema direita nos últimos anos”.

Procurado pela reportagem para responder às críticas de Nadine e acusações de Fernando, o Superior Tribunal Militar não respondeu.

Imagens da ditadura

Um dos pesquisadores que receberam os áudios em 2017 foi Carlos Fico, historiador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde aquele ano, ele estuda e publica artigos sobre o tema. Ele enfatiza o valor desses documentos para o trabalho acadêmico e para a veiculação jornalística. Mas é pessimista sobre os impactos que essas gravações têm sobre parte da população brasileira.

Para ele, o regime militar vai continuar sendo visto de forma positiva por muitos. Além da construção política e ideológica dessa imagem, há questões de ordem psicológica.

“As pessoas, por uma questão de apaziguamento de espíritos, constroem memórias confortáveis que explicam a própria atuação nesse passado traumático ou dos seus pais. No caso brasileiro, a gente tem várias dessas memórias confortáveis. Uma delas é essa, que a ditadura não foi tão ruim. Tem gente até que fala em ‘ditabranda’, que teve um lado bom, porque teve a Transamazônica, a ponte Rio-Niterói, a hidrelétrica de Itaipu. Então, ignoram toda a realidade da desigualdade social, da repressão, o fato de que haveria crescimento econômico mesmo numa democracia porque as condições internacionais favoreciam. Por mais que a gente tente mostrar os fatos, o alcance da história é muito reduzido. Sobretudo em um país onde a educação básica e secundária é tão precária e com um altíssimo grau de analfabetismo funcional”.

Já o pesquisador Fernando Fernandes acredita que os registros ajudam a construir uma consciência coletiva de que regimes de exceção não podem voltar a acontecer no país.

“Esse projeto deveria ser sobre o passado da ditadura, sobre o passado de tortura, sobre o passado de desaparecimentos políticos ainda não curados, porque não conseguimos achar os corpos. Mas ele acaba sendo um projeto sobre o presente. Sobre os riscos da democracia que acabamos de vivenciar e que ainda existem, como aconteceu no dia oito de janeiro deste ano. E é um projeto sobre o futuro, porque conhecer os abusos e a história é o que nos permite consolidar o regime democrático”.

Dose amarga: Governo federal autoriza reajuste de 5,6% em remédios

01/04/23
Jones Johnson/JC
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Saiba se o novo valor será cobrado pelas farmácias e quando entra em vigor o reajuste.

Agencia Brasil/Arquivo
Os remédios vão ficar mais caros a partir de abril deste ano. – FOTO: Agencia Brasil/Arquivo

Nesta sexta-feira (31), o governo federal autorizou um reajuste máximo de 5,6% no preço de todos os medicamentos.

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União na manhã desta sexta (31) e entra em vigor a partir de hoje.

O aumento foi feito pela Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), um órgão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), responsável por definir o valor máximo do reajuste.

O novo valor levou em consideração a inflação entre março de 2022 e fevereiro de 2023, além de outros fatores.

BRUNO CAMPOS/JC IMAGEMFARMÁCIAS – BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

Vale lembrar que o reajuste é dado sobre o preço máximo que o remédio pode ser cobrado, não necessariamente o que as farmácias irão repassar ao consumidor final.

Em 2021, o reajuste foi de 10,08%; já em 2022, 10,98%. Para economizar na hora de comprar um remédio, o recomendado é pesquisar bastante antes.

Remédios de graça

Medicamentos para diabetes, asma e hipertensão podem ser adquiridos de forma gratuita em qualquer farmácia que possua o selo “Aqui tem farmácia popular” ou então se dirigir a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima do seu bairro.

Para isso, é necessário apresentar a receita médica e um documento de identificação com foto.

PRESENTES SAUDITAS: Defesa de Bolsonaro promete devolver 3ª caixa de joias com Rolex e anel de diamante

01/04/23

Agência Estado

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Após a revelação do caso, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a entrega imediata da terceira caixa

Reprodução / Twitter
Outro conjunto de joias que não foi revistado pela Receita Federal. – FOTO: Reprodução / Twitter

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que vai devolver a terceira caixa de joias dadas a ele pelo regime da Arábia Saudita, em 2019. O conjunto estimado em pelo menos R$ 500 mil inclui um relógio da marca Rolex, de ouro branco, cravejado de diamantes e um anel. Não houve confirmação se esta entrega já ocorreu, apesar de a determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o assunto ter ocorrido na quarta-feira (29).

A existência deste terceiro pacote foi revelada pelo Estadão, na segunda-feira, 27. A caixa de madeira, que traz o símbolo do brasão de armas da Arábia Saudita, contém, além do Rolex, uma caneta da marca Chopard prateada, com pedras encrustadas. Há um par de abotoaduras em ouro branco, com um brilhante cravejado no centro e outros diamantes ao redor. Compõe o conjunto, ainda, um anel em ouro branco com um diamante no centro e outros em forma de “baguette” ao redor, uma “masbaha”, um tipo de rosário árabe, feito de ouro branco e com pingentes cravejados em brilhantes.

Como já tinha feito com um segundo pacote de joias, este avaliado em cerca de R$ 1 milhão, Bolsonaro reteve os bens para si, em vez de despachar os itens para serem incorporados como do patrimônio do Estado brasileiro.

Após a revelação do caso, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a entrega imediata da terceira caixa, da mesma forma como já tinha deliberado sobre o segundo pacote. A corte também alertou Bolsonaro sobre o fato de já não ter informado e entregado este terceiro pacote de joias dado pelos sauditas, já que se tratava do mesmo tipo de item, enviado pelo mesmo país.

O posicionamento do TCU irritou a defesa de Bolsonaro, que criticou o tribunal. Em representação enviada a Augusto Nardes, relator do caso, a defesa afirmou que “a delonga na entrega efetiva dos bens” ocorreu “unicamente em razão da burocracia desta Corte”.

A decisão do TCU, porém, foi tomada na quarta-feira, 29, e já informava que o local de destinação do terceiro pacote deveria ser a agência da Caixa localizada na Asa Sul, região central de Brasília, a mesma que já tem a guarda do segundo pacote de joias retido irregularmente por Bolsonaro.

Na representação, os advogados registram ainda “indignação com a forma como essa situação acabou sendo tratada no último despacho visto que a relação do acervo privado do ex-Presidente da República, que será, inclusive, auditado tão logo o Tribunal de Contas da União determine e viabilize essa diligência, é pública e disponível, estando à total disposição para consulta dos órgãos de fiscalização”.

Segundo a defesa, “é descabido, portanto, o tratamento da questão como se houvesse por parte do peticionário alguma tentativa maliciosa de escamotear determinados bens desta Corte e de qualquer outro órgão”.

Acervo

Há dois tipos de registro de presentes dados ao presidente: o de bens pessoais – como camisetas e perfumes, por exemplo; e registro de bens da União, que podem envolver obras de arte e peças mais caras.

Documento obtido pelo Estadão mostra que, ao receber o terceiro conjunto de joias em 2019, Bolsonaro optou por dar a destinação das joias para o seu “acervo privado”. Esse registro específico foi lançado no Sistema de Informação do Acervo Presidencial em novembro daquele ano, um mês depois de Bolsonaro retornar de seu encontro com a cúpula do regime árabe.

O registro foi realizado pelo Gabinete Adjunto de Documentação Histórica da Presidência da República e aponta, oficialmente, que se tratava de um bem que ficaria com o presidente, e não com o Estado brasileiro após o fim de seu mandato. Todos os itens da terceira caixa de joias tiveram o mesmo destino.

A reportagem apurou que este conjunto de joias, diferentemente das outras duas caixas enviadas a Bolsonaro, foi recebido em mãos pelo próprio ex-presidente, quando esteve com sua comitiva em viagem oficial a Doha, no Catar, e em Riade, na Arábia Saudita, entre os dias 28 e 30 de outubro de 2019.

Naquela ocasião, Bolsonaro teve um almoço oferecido pelo rei saudita Salma Bin Abdulaziz Al Saud. No encontro, Bolsonaro disse que possuía “certa afinidade” com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. Segundo Bolsonaro, “todo mundo” gostaria de passar uma tarde com um príncipe, “principalmente as mulheres”.

Em nota à imprensa, a defesa de Bolsonaro declarou que “os bens foram devidamente registrados, catalogados e incluídos no acervo da Presidência da República conforme a legislação em vigor”. Os advogados afirmaram ainda que “quaisquer presentes encontram-se à disposição para apresentação e depósito, caso necessário”.