Ministro Celso de Mello manda informar Bolsonaro sobre ação de impeachement no STF

16/05/20

Por Da Redação  Veja/blogfolhadosertao.com

A determinação do decano também abre espaço para Bolsonaro se manifestar e contestar a ação, caso queira

O ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello mandou nesta sexta-feira, 15, um oficial de Justiça informar o presidente Jair Bolsonaro a respeito de uma ação de um grupo de advogados que pede ao STF que o presidente da Câmara, deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), seja obrigado a analisar um pedido de impeachment.

O processo foi apresentado pelos advogados José Rossini Campos e Thiago Santos Aguiar. A decisão ocorre, de acordo com o ministro, para Bolsonaro “integrar a relação processual e, querendo, contestar o pedido”. A determinação do decano também abre espaço para Bolsonaro se manifestar e contestar a ação, caso queira.

“O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, manda que o Oficial de Justiça cite o excelentíssimo Senhor Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, com endereço no Palácio do Planalto, Praça dos Três Poderes, Brasília/DF, para, na condição de litisconsorte passivo necessário, integrar a relação processual e, querendo, contestar o pedido. DADO E PASSADO na Secretaria do Supremo Tribunal Federal, em 13 de maio de 2020”, diz trecho do documento, assinado digitalmente pelo ministro.

O grupo de advogados pede ainda que determine a Bolsonaro algumas medidas em meio à pandemia do novo coronavírus, como, por exemplo, que o presidente seja impedido de promover e participar de aglomerações, além de entregar cópia dos exames que fez para detectar a doença.

Nesta semana, o presidente da Câmara Rodrigo Maia pediu a rejeição da casa ao avaliar que o afastamento é uma ‘solução extrema’ e pontuar que não há norma legal que fixe prazo para a avaliação dos pedidos protocolados no Congresso.

“O impeachment é uma solução extrema: o primeiro juiz das autoridades eleitas numa democracia deve ser sempre o voto popular. A Presidência da Câmara dos Deputados, ao despachar as denúncias contra o chefe do Poder Executivo, deve sopesar cuidadosamente os aspectos jurídicos e político-institucionais envolvidos. O tempo dessa decisão, contudo, pela própria natureza dela, não é objeto de qualquer norma legal ou regimental”, afirmou Maia.

A decisão pelo arquivamento ou não da ação cabe ao relator do caso, ministro Celso de Mello.

Crise por cima de crise com a “defenestração” de mais um ministro de Bolsonaro

16/05/20

Por Sala de Democracia Digital da FGV/blogfolhadosertao.com
Saída de Teich reacende debate nas redes sobre crise política em meio ao agravamento da crise de Covid-19
Foto: Marcello Casal Jr/Agência BrasilFoto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Com 1,27 milhão de menções no Twitter em apenas quatro horas, debate sobre o governo supera a discussão a respeito da pandemia (605 mil menções);

O episódio voltou a potencializar o campo de oposição ao governo na rede, que chegou a 65% do debate, isolando ainda mais o campo de apoio, que recuou para 12%;

Nos grupos públicos de WhatsApp observados, o pedido de demissão do Ministro da Saúde foi tema de quatro dentre os cinco links mais compartilhados.

A saída de Nelson Teich do comando do Ministério da Saúde, em menos de um mês no cargo, aumentou, mais uma vez, a distância entre pautas políticas e preocupações sanitárias no Twitter.

Das 12h de sexta (15) – quando do anúncio da demissão – até as 16h, foram registradas mais de 1,27 milhão de menções ao governo contra quase 605,1 mil referências à pandemia do novo coronavírus, segundo um levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV DAPP).

A discussão sobre questões políticas e o debate sobre a crise na saúde tinham retomado relativa paridade desde 6 de maio, doze dias após a crise gerada pela demissão do agora ex-ministro Sergio Moro (Justiça).

Porém, o anúncio da demissão de Teich voltou a chamar a atenção sobre o governo, gerando um pico de 409,7 mil menções às 12h de sexta.

Assim como nas demissões de Moro e do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, o episódio envolvendo Teich inflou a base partidária de oposição ao governo na sexta (15) – que registrou um aumento de quase 160% de participação no debate geral no Twitter, em relação ao dia anterior.

Os ataques miram diretamente o presidente Jair Bolsonaro, acusado de forçar a demissão de Teich em função da sua resistência ao uso da hidroxicloroquina, cuja prescrição tem sido fortemente defendida pelo presidente como principal medida de combate ao novo coronavírus.

Estão no centro desse debate – em que se destacam os influenciadores @felipeneto, @mariaboop e @rolandinho, a comentarista @gabrielaprioli e o ex-ministro da Saúde @lhmandetta – o fato de Bolsonaro não possuir formação na área da saúde e a sua insistência em priorizar o medicamento sobre o isolamento social, recomendado por autoridades sanitárias no mundo.

Encabeçada pelo presidente @jairbolsonaro, pelos deputados federais @carlazambelli38 e @bolsonarosp, pelo presidente do PTB, @blogdojefferson, e pelo influenciador @leandroruschel, a base de apoio ao governo no Twitter, por outro lado, se concentra em reiterar a urgência da aprovação da hidroxicloroquina para o tratamento da COVID-19 e em reivindicar o fim do isolamento social.

Saúde foi principal tema entre as mídias e links mais compartilhados no WhatsApp

Em levantamento em 216 grupo públicos de WhatsApp, identificou-se que, entre 12h e 15h, o pedido de demissão de Nelson Teich foi tema de quatro entre os cinco link mais compartilhados no aplicativo.

O quarto link mais compartilhado também se relaciona com o tema de saúde, sendo um artigo científico, ainda sem revisão por pares, que não encontra evidências entre a adoção de lockdown e a diminuição de casos de COVID-19.

Já entre as mídias compartilhadas quatro fazem referência à temática da saúde. A imagem mais compartilhada traz uma afirmação publicada pelo jornal alemão “Bild”, de que o lockdown teria sido um erro.

Outros dois conteúdos de destaque são uma imagem de uma receita médica para o uso de hidroxicloroquina e azitromicina, acompanhada de um áudio em que um homem afirma que as substâncias haviam sido receitadas para seu sobrinho e que a própria equipe médica que o atendeu recomendou que ele procurasse o Ministério Público para obter acesso aos medicamentos. Por fim, circula um vídeo com imagens de um suposto hospital de campanha desativado no Ceará.

Para aliviar a pandemia, Serra Talhada contempla mais de 40 artistas da terra com lives

16/05/20

Magno Martins/blogfolhadosertao.com

No mês de aniversário de 169 anos de Serra Talhada, a Prefeitura Municipal está promovendo uma série de lives com artistas da terra nas redes sociais oficiais do governo, contemplando quase 50 artistas.

A série de lives no Facebook e Instagram da PMST teve início na sexta-feira, 1º de maio, com  homenagem pelo Dia do Trabalhador, e shows de Ítala Carvalho, Fabíola Leite, Toreba Show e Wesley Magalhães, além de exibição do programa Sertão Diverso, com Henrique Brandão e Assisão.

Desde 02 de maio acontece a programação alusiva ao aniversário de Emancipação Política da cidade, com a participação de vários artistas locais, como: Naldinho Carvalho e Tição de Fogo, Ivaldo Nogueira, Eronildes Nogueira, Arnor de Lima, Cicero de Souza e Damião Enésio, Rai de Serra, Revolta Social, Emanuel Santos, Ivo Oliveira, Raio de Amor e Novinho Silva, Winny Lima, Felipe Filho, Mário do Acordeon, João Carlos, China Mix, Andred Samba Vibe, Diabeisso, Doppamina, Nailton Gomes, César Rasec, Neném Ferraz, Zé Cavalcante, Limeira do Forró e Trio Fura Olho.

E dando continuidade às lives culturais, a Fundação Cultural lançou, nesta semana, a série Arte Viva, com lives de 14 a 17 de maio, a partir das 19h. Ontem, se apresentaram Jéssica & Diego e Boteco no Nando; hoje (15) se apresentam Zé Orlando e Kennedy Brazzil; no sábado (16) tem Wilton Belo, Carlinhos Pajeú, Ricardo Cardoso e Chicão; e no domingo (17) será a vez de Bino Silva, Walter Júnior Marcolino, Forró Farra Comigo e Marquinho do Acordeon.

“Desde o dia primeiro de maio que estamos realizando lives com a produção cultural e musical de Serra Talhada. Entendemos que em tempo de pandemia, quando os artistas foram os primeiros a pararem e serão os últimos a voltarem a trabalhar, a Prefeitura Municipal, através da Fundação Cultural, contribui para que a situação ganhe um pouco de alívio para nossos artistas,  ao mesmo tempo em que público, que se encontra em suas casas no isolamento social, possa curtir os talentos da Capital do Xaxado”, comentou Anildomá Souza, presidente da Fundação Cultura de Serra Talhada.

Pernambuco totaliza 16.209 casos da covid-19 com 1.381 óbitos, até ontem

16/05/20

Imprensa/PE/logfolhadosertao.com

No último boletim  desta sexta-feira (15) a  Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) confirmou 621 novos casos de Covid-19 em Pernambuco. Entre os confirmados hoje, 349 se enquadram como Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) e 272 são casos leves. Agora, Pernambuco totaliza 16.209 casos já confirmados, sendo 8.554 graves e 7.655 leves.

Dos casos graves, 1.508 evoluíram bem, receberam alta hospitalar e estão em isolamento domiciliar. Outros 2.858 estão internados, sendo 236 em UTI e 2.622 em leitos de enfermaria, tanto na rede pública quanto privada. Além disso, o boletim de hoje registra mais 55 pacientes recuperados do novo coronavírus em Pernambuco, totalizando 2.807 pessoas curadas da Covid19 no Estado.

Até agora, os casos graves confirmados da doença estão distribuídos por 145 municípios pernambucanos (tabela 1), além do Arquipélago de Fernando de Noronha e da ocorrência de pacientes em outros Estados e países.

Também foram confirmados laboratorialmente 83 óbitos (sendo 47 do sexo masculino e 36 do sexo feminino), de pessoas residentes nos municípios de Recife (30), Jaboatão dos Guararapes (9), Paulista (6), Cabo de Santo Agostinho (5), Olinda (4), Igarassu (3), João Alfredo (2), Timbaúba (2), Moreno (2), São Lourenço da Mata (1), Abreu e Lima (1), Aliança (1), Araripina (1), Barreiros (1), Caruaru (1), Catende (1), Escada (1), Gameleira (1), Ipojuca (1), Lagoa do Carro (1), Xexéu (1), Vitória de Santo Antão (1), Limoeiro (1), Pedra (1), Petrolina (1), Pombos (1), São Bento do Una
(1), Serinhaém (1) e Surubim (1). Com isso, o Estado totaliza 1.381 mortes pela Covid-19.

As mortes ocorreram entre os dias 23.04 e 14.05 os pacientes tinham idades entre 28 e 99 anos, além de uma criança de 2 anos de idade. Dos 83 pacientes que vieram a óbito, 65 apresentavam comorbidades confirmadas: hipertensão (35), diabetes (23), doença cardiovascular (12), doença renal crônica (8), obesidade (8), histórico de tabagismo (6), AVC (4), doença de Alzheimer (3), imunodeprimido (3), câncer (3), etilismo/histórico de etilismo (3), asma (2), transplantado (1), tuberculose (1), sindrome congênita do zika/microcefalia (1), doença de Parkinson (1), esquizofrenia (1), aneurisma (1), lúpus (1) e pneumopatia (1)

 Quatro não tinham comorbidade e os demais estão em investigação pelos municípios. As faixas etárias são: 0 a 9 (1), 20 a 29 (1), 30 a 29 (7), 40 a 49 (6), 50 a 59 (14), 60 a 69 (20), 70 a 79 (18), 80 ou mais (16).

Com relação à testagem dos profissionais de saúde com sintomas de gripe, em Pernambuco, até agora, 2.962 casos foram confirmados e 1.914 descartados. As testagens abrangem os profissionais de todas as unidades de saúde, sejam da rede pública (estadual e municipal) ou privada. O Estado foi o primeiro do país a criar um protocolo para testar os profissionais da área
da saúde.

Hoje é dia de bater palmas para o sapateiro Bano: 90 anos de vida, 75 dedicados ao trabalho !

15/05/20

Por Machado Freire

blogfolhadosertao.com

 

O  sapateiro  Bano  “pendura”  as alpercatas. Trabalhou na roça, conviveu com operários comunistas, no Recife,  e confeccionou o sapato Luiz XV  para mulheres  da alta sociedade  de Salgueiro.

 

       Noventa anos de vida-  completados hoje, 15 de maio, e mais de 75 anos de atividades dedicados  à vida de sapateiro -,  uma profissão que  não resistiu ao processo de modernização   no setor de calçados.

“A gente ganhava a vida  fazendo chinelos e alpercatas de couro e pneu, mas as encomendas  caíram    muito com a chegada das sandálias japonesas”, conta o sapateiro Urbano Amâncio Pereira. Sua família acha que chegou a hora e   ele deve tratar da saúde porque sua idade está bem  avançada, apesar se ser dono de uma “memoria de elefante”.

      Conhecido por  Bano, desde menino, o artista  começou a trabalhar na roça  aos 15 anos anos de idade,  ao lado do pai Amâncio Pereira, que  deixou a agricultura de subsistência  para ser funcionário do  industrial e coronel da Guarda Nacional,  Veremundo Soares, em uma usina de beneficiamento de Caroá.

     Também   ao afastar-se da enxada ( seguindo o exemplo do pai), Bano  passou a  atuar como aprendiz  nas oficinas de sapataria  de velhos conhecidos da cidade, como Aderbal Conserva ( que  mudou a profissão para fotógrafo profissional), Pedro José Rosado, Afonso Ferreira (Afonsinho) e Antonio Brito na estreita rua Epitácio Alencar, uma espécie de “polo das sapatarias” com espaço para a feira do fumo, que era realizada aos sábados.

       O aprendiz  também  foi  bem recebido/orientado pelo famoso  sapateiro profissional Antonio Carlos Freire, com quem aprendeu a confeccionar  o sapato feminino Luiz XV,  muito bem aceito pelas mulheres da alta sociedade. “Era  a grande novidade da época na sapataria do Curtume Nossa Senhora de Fátima, de propriedade do empresário   Antonio Soares”,  comenta.

     “Eu pensava que tinha aprendido a arte de sapateiro”,  diz o filho caçula de uma prole de nove irmãos  que com pouco mais de vinte anos de idade  rumou para o Recife  em uma carroçaria de um caminhão do Estado, dirigido por  seu irmão Luís   Amâncio,  que já morava na Capital.

      “Deixei de ser  aprendiz e  trabalhava com vinte colegas na saparia de dona  Maria Almeida,  uma patroa muito boa, mas  eu  não sabia  que  estava vivendo  com  comunistas, inclusive o presidente do sindicato dos sapateiros”, conta   ao  confessar não ter sofrido nenhum problema de natureza política por causa disto.

      Depois de trabalhar em outras sapatarias da Capital e  se   considerar um “profissional preparado”,  Bano  buscou independência   passando  a confeccionar  calçados por conta própria. “Eu vendia  as peças a  antigos e novos  clientes que visitavam as oficinas onde trabalhei desde o começo da década  de 1950” ,  lembra o operário que   não imaginava que encerraria  sua “escalada”  pelo mundo na cidade de Araripina, onde passou dez meses por sugestão do seu irmão, João Amâncio.  “Não deu certo mesmo e eu tive que sair de lá antes de completar um ano”, confessa.

“Voltei para Salgueiro  e procurei me estabelecer com minha oficina, enquanto cuidava de  “levantar” minha casa, para deixar de pagar aluguel, diz   Bano ao lembrar que foi sacaneado por um individuo desconhecido que lhe pediu um “pernoite” em sua oficina que ficava no beco de Chica Calixta.  “No dia seguinte, quando cheguei para trabalhar, encontrei a oficina “limpa” porque o sujeito tinha levado todas as minhas ferramentas e eu tive que começar tudo de novo, me valendo  de velhos amigos , até que me recuperei e terminei a minha casa”,  suspira angustiado.

O homem mais feliz do mundo !  Tempos depois que chegou ao Recife, Bano encontrou-se com a conterrânea Rosemira, que era viúva.  Eles iniciaram uma amizade  que hoje passa de 60 anos.  Desse “ajuntamento” nasceram dois filhos no Recife:  Beto da Compesa e a professora Aurênia. Já  em Salgueiro nasceram Aurinete  e Adalberto que  no dia 16 de junho do ano passado assistiram o enlace matrimonial de seus pais na Igreja Católica, em Salgueiro.

Lúcido, consciente e amante da vida, o sapateiro mais antigo da história do Sertão não é mais aquele caçador nem pescador (esportes que ele mais gosta), mas se considera o homem mais feliz do mundo. “Trato da minha saúde, conto com o apoio da minha família e  estou muito feliz”, confessa com brilho nos olhos marejados de satisfação.

 Em janeiro deste ano, a pedido do filho Beto da Compesa, (pedido acatado pela família), Bano parou suas atividades de uma vez e passou a se dedicar exclusivamente à família: a mulher, quatro filhos, 12 netos e 11 bisnetos.

Devido à  pandemia do novo coronavírus, o sapateiro vai receber o abraço dos familiares (de forma reduzida) amanhã (sabado)   para cortar o bolo na cada da filha Aurênia.

Do Sertão (Serrira), uma lição de vida !

15/05/20

Coluna da sexta-feira

O isolamento social vivido pelos brasileiros das grandes metrópoles em decorrência da pandemia do coronavírus chegou como uma novidade cruel, menos para os que habitam os grotões nordestinos. Viver ilhado, entretanto, não é sinônimo de falta de discernimento nem de bom senso. O claridão na caatinga se abre muitas vezes de gente simples, mas que tem muito o que ensinar ao Brasil.

É o caso da jovem Antônia dos Santos, 19 anos, moradora do povoado Mundo Novo, no Sertão do Estado. Desde o primeiro ano do Ensino Médio, ela faz o teste do Enem para se preparar. Numa carta de próprio punho, sem nenhum erro do bom português, ela mandou um duro recado ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, para que adie o quanto antes a prova do Enem deste ano por causa dos estragos causados pelo Covid-19.

“Se o senhor pensar melhor, pelo lado de estudantes, vai perceber que o Enem pode ser adiado para o próximo ano. Eu queria que o governo revisse isso, que não ache que é apenas uma gripezinha, que olhasse para as pessoas carentes. O senhor tem que considerar toda essa situação que estamos vivendo. É uma pandemia, ministro”, disse a sertaneja, manifestando para o País o sentimento consensual em todo brasileiro hoje.

Antônia é estudiosa, dedicada e antenada com o mundo, apesar das dificuldades de acesso à internet onde mora. Lá, pega diariamente um pau-de-arara para chegar até o povoado vizinho de Caruá, a cerca de uma hora, onde fica sua escola. Seu grande sonho é ser professora de literatura. Com a pandemia, passou a ter aulas online apenas uma vez por semana e viu as chances de ingressar na universidade diminuírem drasticamente.

Na sua turma, 25% dos alunos não têm nenhum acesso à internet. Boa parte do restante, como ela, possui apenas o celular e um wi-fi de conexão ruim. Tudo isso, ela retrata na carta ao ministro. “Meu nome é Antônio Odair dos Santos, mas prefiro que me chamem de Antonia. Assim mesmo, no feminino. Tenho 19 anos e faço o 3º ano do ensino médio em uma escola pública no Caruá, um povoado da zona rural de Serrita, no sertão do Pernambuco. Eu sempre me dediquei aos estudos porque penso em um futuro próspero e sei que só vou conseguir isso se estudar. Quero fazer faculdade de Letras em uma universidade pública para ser professora. Me identifico com português e adoro literatura. Meu grande sonho é me formar e ter um emprego digno. Me imagino daqui a alguns anos em uma sala de aula, ensinando. É esse o meu sonho. Quanto mais eu estudar, mais perto fico dele. Desde quando comecei o ensino médio, eu fazia a prova do Enem para me sentir mais preparada quando chegasse no 3º ano. Agora tenho ideia de como é a prova e estava ansiosa para fazer logo. Até pensei, a princípio, que o exame não deveria ser adiado por causa do coronavírus, mas, pensando nas dificuldades que eu e meus colegas temos passado para estudar, mudei de ideia. Acho que se o senhor souber da nossa situação, vai mudar de ideia também”.

O restante da carta, que me comoveu bastante, até pela minha origem semelhante, retirante do Sertão do Pajeú, reproduzo em tópicos na coluna abaixo por entender tratar-se de uma joia rara nos dias tão nebulosos que vivemos, em que há uma moçada abastada, com pais que dão todas as condições para o estudo e a ele não se dedicam. Valeu, Antônia! Sua lição de vida me comoveu e com certeza comoverá muita gente sensível neste País.

Sem internet – “Por aqui, não é todo mundo que tem acesso à internet. Quem tem, como eu, é só no celular. A gente não tem computador. Quando tem o aulão na plataforma EducaPE, do governo do estado, eu assisto. Às vezes, o vídeo fica travando porque a minha internet não é tão boa. No dia a dia, eu estudo pelos livros e vejo vídeos no YouTube, mas sem a ajuda dos professores, com aulas diárias para tirar nossas dúvidas, fica muito difícil. Estou me virando como dá, mas tenho colegas que não conseguem estudar, como a Jayne. Ela é muito estudiosa, mas não pode acompanhar nenhuma das atividades porque na casa dela, no povoado Apertar da Hora, não tem internet”.

Defesa do professor –

“Falta muita coisa, principalmente valorizar nossos professores. Eles ganham tão pouco para formar todas as profissões do mundo. Os alunos que têm internet e computador em casa vão ter mais vantagem para estudar agora que as aulas estão suspensas. Sei que, em tese, se a pessoa se dedicar, ela consegue fazer uma boa prova. Os colegas que não têm internet podem se juntar com outros colegas que têm, mas não é a mesma coisa, ministro. Se o senhor pensar melhor, pelo lado de estudantes como minha colega Jayne, vai perceber que o Enem pode ser adiado para o próximo ano. Eu queria que o governo revisse isso, que não ache que é apenas uma gripezinha, que olhasse para as pessoas carentes. O senhor tem que considerar toda essa situação que estamos vivendo. É uma pandemia, ministro”.

No pau de arara – “É verdade que nós já enfrentamos dificuldades para estudar há muito tempo. No povoado que eu moro, o Mundo Novo, não tem escola. Por isso, a gente precisa pegar um carro para chegar ao povoado Caruá. O transporte é um caminhão que vocês aí conhecem como pau-de-arara. É quase uma hora de estrada de chão. No período de seca, por ser um caminho cheio de buracos, às vezes o carro dá o prego. No inverno, é comum que fique atolado, o que nos obriga a voltar para casa a pé e ficar sem aula. Eu conheço muitos alunos que terminam o terceiro ano e vão trabalhar nas plantações em Goiás. Quando eu me deparo com uma coisa dessas, fico muito triste. Esses estudantes poderiam ingressar em uma faculdade pública, mas eles acham que indo para Goiás vão ganhar muito dinheiro. Pura ilusão. Quando acaba a plantação, eles ficam desempregados”.

Convite ao ministro – O certo seria eles irem para a universidade, para ter um futuro garantido. Mas é como se a faculdade não existisse para essas pessoas. Essa é a realidade no nosso lugar. Muitos saem à procura de empregos porque acham que é mais fácil, mas só com o estudo a pessoa está garantida. Depois que se formar e arrumar um emprego bom, aí sim a pessoa está feita na vida. Eu acho que o governo precisa valorizar mais a educação para esses jovens terem mais oportunidade. Nós não temos uma boa educação. Falta muita coisa, principalmente valorizar nossos professores. Eles ganham tão pouco para formar todas as profissões do mundo. Era isso que eu gostaria de dizer, ministro. Espero que o senhor tenha chegado até aqui. Sei que aí de Brasília fica difícil conhecer outras realidades, mas, agora que já sabe, espero que pense sobre o que leu.

Gonzaga Patriota defende adiamento das provas do Enem 2020

14/05/20

blogfolhadosertao.com

Deputado federal Gonzaga Patriota

 

O deputado federal Gonzaga Patriota (PSB) defende que as provas do Exame Nacional do Ensino Médio – Enem 2020 sejam adiadas por conta da pandemia do coronavírus. Para o parlamentar, não é possível saber se até novembro a pandemia terá se dissipado a ponto de a prova ocorrer sem ocasionar prejuízos aos alunos. Além disso, o socialista aponta que a paralisação das aulas presenciais deixam os alunos em desigualdade, afetando principalmente aqueles que não tem acesso remoto dos conteúdos.

“Muitos estudantes não dispõem de internet em suas casas, o que dificulta o processo de aprendizagem. Além disso, existe uma diferença entre o ensino particular e o ensino público e, mesmo aqueles que estão tendo acesso às plataformas das aulas, podem não estar totalmente prontos para o Exame, já que a dinâmica do ensino foi alterada. Diante disso, defendo o adiamento da prova do Enem para que os alunos mais carentes não sejam prejudicados no processo”, defendeu Patriota.

A prova do Enem está marcada para os dias 1 e 8 de novembro. A primeira versão digital do exame será em 22 e 29 de novembro, novidade este ano. A taxa de inscrição custa R$ 85 e deve ser paga entre 11 e 28 de maio, em agências bancárias, casas lotéricas e correios.

As notícias mais importantes do dia, aqui no Podcast do jornalista Ivan Maurício

14/05/20

blogfolhadosertao.com

TCU – Tribunal de Contas da União – manda 73 mil e 200 militares das Forças Armadas devolverem auxílio emergencial de 600 reais.

 

Movimento Brasil Livre – MBL de Pernambuco – entrou ontem na Justiça pedindo a suspensão do rodízio de carros no Recife e mais quatro cidades. Alega o MBL de Pernambuco que o rodízio de carros faz com que as pessoas usem mais ônibus e transportes compartilhados como táxis e uber contribuindo para aumentar contaminação e maior exposição ao coronavírus.

Juiz do Maranhão que determinou ‘lockdown’ – isolamento total por região – recebe ameaças de morte.

Bolsonaro quer cloroquina para pacientes com sintomas leves.

Supermercados do Grupo BIG vão aceitar cartão do auxílio emergencial. Os beneficiários poderão usar o dinheiro sem precisar fazer o saque ou ter um cartão físico.

TCU – Tribunal de Contas da União – manda 73 mil e 200 militares das Forças Armadas devolverem auxílio emergencial de 600 reais.

O Diário Oficial da União publicou no início da madruga desta quinta-feira Medida Provisória (MP) que livra de responsabilidade agente público sobre equívocos nas ações de combate à pandemia do coronavírus.

Ex-superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Carlos Henrique Oliveira, diz que Flávio Bolsonaro era investigado e que não houve indiciamento.

O general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), se mostrou contrário à divulgação na íntegra do vídeo da reunião ministerial com o presidente Jair Bolsonaro, realizada em 22 de abril. Ele ainda classificou o pedido como “quase um atentado à segurança nacional”.

76% das indústrias reduziram ou paralisaram produção, diz pesquisa da CNI – Confederação Nacional da Indústria. 70% relataram queda no faturamento e 59% têm dificuldades para pagar contas. Levantamento ouviu 1.740 empresas entre 1º e 14 de abril.

Dólar tem terceira alta seguida e fechou ontem em R$ 5,90.

Secretaria de Educação do Governo de Pernambuco terá que cancelar contratos de R$ 23 milhões com a Casa de Farinha, decide Tribunal de Contas do Estado – TCE.

Linha Centro do Metrô do Recife volta a operar quase 24 horas depois de pane.

Homem mata mulher com tiro dentro de casa, é baleado pelo filho e acaba sendo preso em Jaboatão. Durante briga doméstica Íris Barbosa Guerra, de 41 anos, levou um tiro na cabeça desferido pelo marido José Ademilton de Lima e morreu na hora. O filho do casal saiu em defesa da mãe, tomou a arma do pai e atirou na perna do próprio pai. Pernambuco registrou um aumento de 14,2% nos casos de homicídios ocorridos em março de 2020, segundo os dados divulgados pela Secretaria de Defesa Social (SDS). Este é o terceiro mês consecutivo de aumento no número de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs).

Após desconforto abdominal, prefeito Bruno Covas é internado em São Paulo. Prefeito da capital paulista passa por um tratamento contra o câncer.

Ex-superintendente da PF do Rio contradiz Bolsonaro e confirma que filho dele era investigado

14/05/20

Por Bruna Andrade/blogfolhadosertao.com

Carlos Henrique Oliveira negou, contudo, ter sido questionado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre o assunto

 

Presidente Jair Bolsonaro

 

 O ex-superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro (RJ) Carlos Henrique Oliveira contradisse o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e confirmou, em depoimento nesta quarta-feira (13), que o filho dele, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), era investigado pela superintendência fluminense. Oliveira, contudo, negou ter sido cobrado por Bolsonaro a respeito do assunto.

“Perguntado se tem conhecimento de investigações sobre familiares do presidente nos anos de 2019 e 2020 na SR/PF/RJ disse que tem conhecimento de uma investigação no âmbito eleitoral cujo inquérito já foi relatado, não tendo havido indiciamento”, afirma o relatório do depoimento do ex-superintendente.

A apuração em questão trata dos possíveis crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral na declaração de bens nas eleições de 2018, 2016 e 2014.

“Perguntado ao depoente se, durante a sua gestão na SR/RJ lhe foi solicitado pelo presidente da República relatórios de inteligência estratégia da Polícia Federal sobre alguma temática específica pertinente ao Estado do Rio de Janeiro, disse que não, assim como não houve pedidos de relatórios de inteligência feitos pelo presidente da República por intermédio do então ministro da Justiça ou do delegado Valeixo”, declarou o ex-superintendente.

Ele foi interrogado no âmbito de inquérito instaurado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Polícia Federal (PF), com base em acusações feitas pelo ex-juiz e ex-ministro da Justiça, Sergio Moro. De acordo com Moro, o presidente queria alguém “de sua confiança” comandando a corporação.

Bolsonaro vem argumentando, quando acusado de tentar interferir na PF, especialmente na superintendência do Rio de Janeiro, que não há interesse da sua parte na corporação. Segundo ele, a PF “nunca investigou” ninguém da sua família.

Oliveira também foi questionado acerca de outras investigações ligadas ao presidente, como a apuração do assassinato da vereadora pelo PSol do Rio de Janeiro, Marielle Franco — um porteiro ouvido no âmbito do processo disse que um dos acusados do crime teria ido ao condomínio do presidente na noite do crime e informado na portaria que ia à casa de Bolsonaro.

Sobre o assunto, disse apenas que o inquérito foi aberto antes da sua chegada à PF e que, como é sigiloso, não tem mais detalhes das apurações.

Em tempo de pandemia, vendas nos supermercados sobem 14,6%,

13/05/20

 

Por José Matheus Santos /blogfolhadosertao.com

 

O impacto da pandemia do coronavírus já pode ser verificado em março com a queda de 2,5% nas vendas do comércio varejista, em relação a fevereiro, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta quarta-feira (13) pelo IBGE.

 

Trata-se do pior resultado para março desde 2003, quando o setor registrou -2,7%. A queda, puxada por seis das oito atividades pesquisadas, só não foi mais intensa por causa de áreas consideradas essenciais durante o período de isolamento social.

É o caso da atividade de hipermercados e supermercados, que reúne produtos alimentícios, bebidas e fumo, com crescimento de 14,6%, e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com alta de 1,3%. Foram os dois únicos setores com avanços nas vendas frente a fevereiro.

Os hiper e supermercados concentraram as despesas das famílias no período, ocasionando forte variação positiva, fazendo com que o acumulado do ano para essa atividade, que vinha com baixo dinamismo até fevereiro, passasse a um aumento de 4,1% até março.

“Março foi bastante impactado pela estratégia de isolamento social adotada em algumas das cidades mais importantes e populosas a partir da segunda quinzena do mês. Essas cidades consideraram hiper e supermercados e produtos farmacêuticos como atividades essenciais, enquanto as demais tiveram as portas fechadas nos comércios de rua e nos centros comerciais”, diz o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, acrescentando que, do total de 36,7 mil empresas da amostra da pesquisa, 14,5% registraram o impacto da covid-19 como principal causa de variação das suas receitas.

Cristiano explica ainda que o setor de hiper e supermercados tem uma participação expressiva no comércio, que cresceu ainda mais em março. “No mês passado estava abaixo de 50%, em março saltou para 55% no peso no varejo e isso faz com que o índice tenha sido segurado por essa atividade”, destaca.

Em relação a março do ano passado, o volume de vendas do varejo recuou 1,2%, primeira queda após 11 meses consecutivos positivos. No ano, o varejo registrou aumento de 1,6% de janeiro a março. Em relação ao acumulado nos últimos 12 meses, o setor passou de 1,9% em fevereiro para 2,1% em março. O IBGE também revisou a taxa de fevereiro, em relação a janeiro, de 1,2% para 0,5%.

Vendas caem em seis das oito atividades

Dentre as oito atividades pesquisadas, seis tiveram taxas negativas na comparação com fevereiro, sobretudo aquelas que tiveram suas lojas físicas fechadas a partir da segunda quinzena de março.

São elas tecidos, vestuário e calçados (-42,2%), livros, jornais, revistas e papelaria (-36,1%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-27,4%), móveis e eletrodomésticos (-25,9%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-14,2%), combustíveis e lubrificantes (-12,5%) influenciaram o resultado geral do varejo.

“Na passagem de fevereiro para março houve variação de dois dígitos em todas as atividades, com exceção de produtos farmacêuticos. Vale lembrar que hipermercados vendem não apenas produtos alimentícios, mas também vestuário, móveis e eletrodomésticos. Isso faz com que essa atividade tenha sofrido um rebate para cima, porque parte desses produtos tiveram as vendas transferidas das lojas especializadas para hiper e supermercados”, analisa Santos.

Varejo ampliado tem queda de 13,7%, a mais intensa desde 2003

Considerando o comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, o volume de vendas caiu 13,7% em relação a fevereiro de 2020, a queda mais intensa desde o início da série, iniciada em fevereiro de 2003.

Para essa mesma comparação, veículos, motos, partes e peças recuaram 36,4%, enquanto materiais de construção tiveram queda de 17,1%, após variações positivas de 0,1% e 0,2%, respectivamente, no mês anterior.

Frente a março de 2019, o varejo ampliado caiu 6,3% ante o aumento de 3% em fevereiro de 2020, primeira queda após 11 meses consecutivos de variações positivas neste indicador. Assim, o setor registrou estabilidade (0,0%) no indicador acumulado no ano, contra aumento de 3,2% no mês anterior.

No acumulado nos últimos 12 meses, o varejo ampliado, ao assinalar 3,3% até março, acentuou uma trajetória descendente que já vinha ocorrendo desde janeiro de 2020 (3,9%).

O setor de veículos, motos, partes e peças, com recuo de 20,8% em relação a março de 2019, interrompeu uma série de dez variações positivas iniciada em abril de 2019, exercendo a maior contribuição negativa no resultado do mês para o varejo ampliado. Com queda de 7,6% em relação a março de 2019, o segmento de material de construção contabiliza a segunda taxa negativa consecutiva nessa comparação.